Edição nº 5039- Sábado, 28 de junho de 2008 Classificados | Assinatura | Impressão
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Aniversariante do mês: Partido da Social Democracia Brasileira

Senador Alvaro Dias - segundo-vice-presidente do Senado, vice-líder do PSDB - gsadia@senado.gov.br

O PSDB foi fundado, há 20 anos, sob a égide de uma legenda progressista e moderna, integrada na concretização das aspirações sociais do povo brasileiro. Sua origem está calcada na essência do pensamento social democrata, alçando o desenvolvimento a objetivo central da sua razão de ser, sem perder o foco do aprofundamento da democracia.
Em duas décadas de existência, o partido lançou as sementes da modernização por meio de reformas capazes de eliminar estruturas atrasadas e injustas que travavam as potencialidades nacionais.
O Brasil, por muitos anos, foi aquele operário chapliniano apertando a porca inflacionária numa especialização de futuro incerto. As várias alternativas de controlar e enjaular o monstro inflacionário sempre redundavam em monumentais fracassos.
Impossível parecia, há alguns anos, erradicar a inflação. O Plano Real dotou-nos do grande vértice da moderna vida econômica: uma moeda que estabilizou e que tem possibilitado melhorar a vida de milhões de brasileiros. Foi mais do que um programa de estabilização, embora seja reconhecidamente o mais bem-sucedido de todos os planos lançados para combater a inflação crônica. Representou uma mudança radical de atitude que permeou toda a população. Trouxe previsibilidade e restaurou a capacidade de planejar racionalmente.
O ciclo econômico gerado por esse padrão monetário vem sendo a força motriz do reordenamento institucional da vida brasileira. O momento vivido no nosso país, com todas as suas dificuldades e até carências, seria muito mais dramático se não existisse essa âncora de estabilidade.
Vale aqui ressaltar que a disciplina fiscal dos gastos estatais, estabelecida pela lei de responsabilidade para os administradores públicos em todos os níveis, só foi possível pela estabilidade econômica. Os programas sociais que se originaram no Comunidade Solidária e hoje atendem milhões de brasileiros que vivem em linha de miséria só foram possíveis porque há estabilidade e organização da economia.
Ao comemorarmos os 20 anos do PSDB devemos ressaltar a “herança bendita” deixada ao governo que sucedeu os dois períodos de administração tucana. O legado da gestão Fernando Henrique Cardoso transcende a estabilidade da moeda, o rigor fiscal e a melhoria da qualidade de vida para milhões de brasileiros.
Da universalização do Ensino Fundamental à rede de proteção social configurada por várias iniciativas de transferência de renda, passando pelos eficientes programas de combate à Aids, de erradicação do trabalho infantil (Peti), sem esquecer os remédios genéricos (em média, 40% mais baratos que os remédios de marca), são inúmeras as realizações e conquistas observadas no governo do PSDB.
Não se pode deixar de destacar a promoção de importantes reformas estruturantes no Estado. As privatizações de empresas como a Embraer e Vale do Rio Doce - no passado estatais deficitárias e atualmente empresas que operam como players globais - são exemplos emblemáticos das mudanças ocorridas. A privatização das telecomunicações igualmente revolucionou a telefonia no Brasil. É mister ainda registrar a criação das agências reguladoras.
O Brasil exibe uma nova face graças a muitos avanços da era tucana. A estabilidade econômica gerou o perfil de um Brasil diferente, onde a remarcação de preços foi banida das preocupações diárias das famílias. A vida passou a ser mais bem planejada e a inflação deixou de corroer a renda dos trabalhadores e assalariados.
O PSDB transmite às gerações futuras consistentes e significativas realizações. Não podemos deixar de ecoar que a estabilidade na esteira do Plano Real foi o mais efetivo instrumento de transferência de renda, a favor dos mais pobres, de nosso país.
O PSDB, além de avalista dos avanços na economia - na política e na administração pública -, corroborou em larga escala com o fortalecimento da democracia brasileira.
Valho-me mais uma vez da afirmação de um escritor uruguaio: “Somos o que fazemos, mas somos principalmente o que fazemos para mudar o que somos”. Não tenho dúvida: fortalecer a nitidez do projeto do PSDB, princípios e convicções que estão fincados no nascedouro do partido, é um itinerário irrecusável.


Democracia americana

Dartagnan da Silva Zanela é professor da rede estadual do Paraná em Reserva do Iguaçu e professor universitário - opontoarquimedico@yahoo.com.br

"Quando alguém assume um cargo público deve considerar a si mesmo como propriedade pública." (Thomas Jefferson)
Toda vez em que a mídia chique brasileira faz a “cobertura” de uma eleição presidencial nos Estados Unidos, imediatamente somos obrigados a ter que ouvir os grunhidos daqueles (de)formadores de opinião que passam a falar sobre o sistema eleitoral estadunidense, sobre os EUA e o quanto eles são pseudo-democráticos, visto que as eleições presidenciais lá não são diretas, mas sim indiretas, através de seus “colégios eleitorais”, só porque em três momentos de sua história a decisão do Colégio Eleitoral foi diferente do visto nas urnas. No caso, foi nas eleições de 1876, 1888 e, mais recentemente, no ano de 2000.
Mas o que há de errado nisso? Pra começo de prosa, quem escolhe os delegados não é o povo estadunidense? Segundo, o número de delegados para integrar o “colégio eleitoral” é proporcional ao número de eleitores do Estado e por essa razão simples nas duas ocasiões apontadas acima que o resultado das urnas foi diferente do “colégio”. De mais a mais, cada estado da Federação tem liberdade para legislar sobre os procedimentos das eleições. Isso, meus caros concidadãos brasileiros, não é pseudo-democracia, mas, sim, plena autonomia. Coisa que nós, em nosso país de longa “tradição democrática”, (des)conhecemos na íntegra, não é mesmo?
Doravante, justo deve ser mesmo o nosso sistema eleitoral em que estados com uma população ínfima em comparação com a de outros estados da Federação têm, (des)proporcionalmente, uma quantidade maior de deputados e senadores. É, você já parou para calcular o quanto um voto acreano, por exemplo, vale mais que um voto paranaense? É só ver com quantos votos um acreano elege um senador ou um deputado e comparar com a quantidade de votos que são necessários em nosso estado para eleger uma pessoa para os mesmos cargos. Isso sim que é um calculo justo e proporcional, não é mesmo?
E tem mais! Desde que os Estados Unidos se tornaram uma nação independente nunca tiveram um golpe de Estado, nenhuma tentativa de violação do estado democrático de direito. Já aqui nestas terras de Pindorama faltam dedos para contar as tentativas de golpe e os golpes que foram bem-sucedidos no seu intento de usurpar o poder. Isso, sim, meus caros, que é uma bela demonstração de “civilidade democrática”.
É claro que mais uma vez nossos meios de (des)informação irão apresentar os seus cáusticos comentários sobre a “ineficiência” do sistema eleitoral deste país e ufanarão as nossas maravilhosas urnas eletrônicas e blá blá blá. Bem, mas e quem disse que a validade de um regime democrático se mede pela velocidade da apuração dos votos?
De mais a mais, nós em nossa vaidosa brasilidade, carente de força e de uma substância, poderíamos nestas eleições presidenciais dos EUA prestar um pouco de atenção em um detalhe que, muitas das vezes, nossas vistas desdenham. Prestemos atenção nas escolas estadunidenses onde estarão instaladas as urnas para votação e compare a estrutura das escolas da América com as instituições de ensino de nossa pátria.
Por fim, se Thomas Jefferson tinha razão quando afirmava que um dos pontos fundamentais para se consolidar uma república é o livre acesso ao conhecimento, podemos, então, com certa intranqüilidade, pararmos com essa histeria patrioteira de ficar ufanando virtudes que inexistem em nosso ethos e passarmos a nos espelhar nas virtudes cívicas que realmente existem, mesmo que sejam virtudes que são vividas por um outro povo, em uma outra nação, pois, não há dignidade alguma em ufanar a própria vileza.
Para nos convencermos disso, você não tem que dar ouvidos a esse indigno escrivinhador. Basta apenas que volte suas vistas para a sua volta e estude um pouco da formação histórica dos Estados Unidos. Alias, quantos livros você já leu sobre a história dos EUA? Nenhum? E é com base nesse tipo de fundamentação que você constrói a “criticidade” brazuca, “criticidade” edificada no vácuo de sua ignorância congênita.

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