Aniversariante do mês: Partido da
Social Democracia Brasileira
Senador Alvaro Dias - segundo-vice-presidente do Senado, vice-líder
do PSDB - gsadia@senado.gov.br
O PSDB foi fundado, há 20 anos, sob a égide de uma legenda
progressista e moderna, integrada na concretização das aspirações
sociais do povo brasileiro. Sua origem está calcada na essência
do pensamento social democrata, alçando o desenvolvimento a objetivo
central da sua razão de ser, sem perder o foco do aprofundamento
da democracia.
Em duas décadas de existência, o partido lançou as
sementes da modernização por meio de reformas capazes de
eliminar estruturas atrasadas e injustas que travavam as potencialidades
nacionais.
O Brasil, por muitos anos, foi aquele operário chapliniano apertando
a porca inflacionária numa especialização de futuro
incerto. As várias alternativas de controlar e enjaular o monstro
inflacionário sempre redundavam em monumentais fracassos.
Impossível parecia, há alguns anos, erradicar a inflação.
O Plano Real dotou-nos do grande vértice da moderna vida econômica:
uma moeda que estabilizou e que tem possibilitado melhorar a vida de milhões
de brasileiros. Foi mais do que um programa de estabilização,
embora seja reconhecidamente o mais bem-sucedido de todos os planos lançados
para combater a inflação crônica. Representou uma
mudança radical de atitude que permeou toda a população.
Trouxe previsibilidade e restaurou a capacidade de planejar racionalmente.
O ciclo econômico gerado por esse padrão monetário
vem sendo a força motriz do reordenamento institucional da vida
brasileira. O momento vivido no nosso país, com todas as suas dificuldades
e até carências, seria muito mais dramático se não
existisse essa âncora de estabilidade.
Vale aqui ressaltar que a disciplina fiscal dos gastos estatais, estabelecida
pela lei de responsabilidade para os administradores públicos em
todos os níveis, só foi possível pela estabilidade
econômica. Os programas sociais que se originaram no Comunidade
Solidária e hoje atendem milhões de brasileiros que vivem
em linha de miséria só foram possíveis porque há
estabilidade e organização da economia.
Ao comemorarmos os 20 anos do PSDB devemos ressaltar a “herança
bendita” deixada ao governo que sucedeu os dois períodos
de administração tucana. O legado da gestão Fernando
Henrique Cardoso transcende a estabilidade da moeda, o rigor fiscal e
a melhoria da qualidade de vida para milhões de brasileiros.
Da universalização do Ensino Fundamental à rede de
proteção social configurada por várias iniciativas
de transferência de renda, passando pelos eficientes programas de
combate à Aids, de erradicação do trabalho infantil
(Peti), sem esquecer os remédios genéricos (em média,
40% mais baratos que os remédios de marca), são inúmeras
as realizações e conquistas observadas no governo do PSDB.
Não se pode deixar de destacar a promoção de importantes
reformas estruturantes no Estado. As privatizações de empresas
como a Embraer e Vale do Rio Doce - no passado estatais deficitárias
e atualmente empresas que operam como players globais - são exemplos
emblemáticos das mudanças ocorridas. A privatização
das telecomunicações igualmente revolucionou a telefonia
no Brasil. É mister ainda registrar a criação das
agências reguladoras.
O Brasil exibe uma nova face graças a muitos avanços da
era tucana. A estabilidade econômica gerou o perfil de um Brasil
diferente, onde a remarcação de preços foi banida
das preocupações diárias das famílias. A vida
passou a ser mais bem planejada e a inflação deixou de corroer
a renda dos trabalhadores e assalariados.
O PSDB transmite às gerações futuras consistentes
e significativas realizações. Não podemos deixar
de ecoar que a estabilidade na esteira do Plano Real foi o mais efetivo
instrumento de transferência de renda, a favor dos mais pobres,
de nosso país.
O PSDB, além de avalista dos avanços na economia - na política
e na administração pública -, corroborou em larga
escala com o fortalecimento da democracia brasileira.
Valho-me mais uma vez da afirmação de um escritor uruguaio:
“Somos o que fazemos, mas somos principalmente o que fazemos para
mudar o que somos”. Não tenho dúvida: fortalecer a
nitidez do projeto do PSDB, princípios e convicções
que estão fincados no nascedouro do partido, é um itinerário
irrecusável.
Democracia americana
Dartagnan da Silva Zanela é professor da rede estadual do Paraná
em Reserva do Iguaçu e professor universitário - opontoarquimedico@yahoo.com.br
"Quando alguém assume um cargo público deve considerar
a si mesmo como propriedade pública." (Thomas Jefferson)
Toda vez em que a mídia chique brasileira faz a “cobertura”
de uma eleição presidencial nos Estados Unidos, imediatamente
somos obrigados a ter que ouvir os grunhidos daqueles (de)formadores de
opinião que passam a falar sobre o sistema eleitoral estadunidense,
sobre os EUA e o quanto eles são pseudo-democráticos, visto
que as eleições presidenciais lá não são
diretas, mas sim indiretas, através de seus “colégios
eleitorais”, só porque em três momentos de sua história
a decisão do Colégio Eleitoral foi diferente do visto nas
urnas. No caso, foi nas eleições de 1876, 1888 e, mais recentemente,
no ano de 2000.
Mas o que há de errado nisso? Pra começo de prosa, quem
escolhe os delegados não é o povo estadunidense? Segundo,
o número de delegados para integrar o “colégio eleitoral”
é proporcional ao número de eleitores do Estado e por essa
razão simples nas duas ocasiões apontadas acima que o resultado
das urnas foi diferente do “colégio”. De mais a mais,
cada estado da Federação tem liberdade para legislar sobre
os procedimentos das eleições. Isso, meus caros concidadãos
brasileiros, não é pseudo-democracia, mas, sim, plena autonomia.
Coisa que nós, em nosso país de longa “tradição
democrática”, (des)conhecemos na íntegra, não
é mesmo?
Doravante, justo deve ser mesmo o nosso sistema eleitoral em que estados
com uma população ínfima em comparação
com a de outros estados da Federação têm, (des)proporcionalmente,
uma quantidade maior de deputados e senadores. É, você já
parou para calcular o quanto um voto acreano, por exemplo, vale mais que
um voto paranaense? É só ver com quantos votos um acreano
elege um senador ou um deputado e comparar com a quantidade de votos que
são necessários em nosso estado para eleger uma pessoa para
os mesmos cargos. Isso sim que é um calculo justo e proporcional,
não é mesmo?
E tem mais! Desde que os Estados Unidos se tornaram uma nação
independente nunca tiveram um golpe de Estado, nenhuma tentativa de violação
do estado democrático de direito. Já aqui nestas terras
de Pindorama faltam dedos para contar as tentativas de golpe e os golpes
que foram bem-sucedidos no seu intento de usurpar o poder. Isso, sim,
meus caros, que é uma bela demonstração de “civilidade
democrática”.
É claro que mais uma vez nossos meios de (des)informação
irão apresentar os seus cáusticos comentários sobre
a “ineficiência” do sistema eleitoral deste país
e ufanarão as nossas maravilhosas urnas eletrônicas e blá
blá blá. Bem, mas e quem disse que a validade de um regime
democrático se mede pela velocidade da apuração dos
votos?
De mais a mais, nós em nossa vaidosa brasilidade, carente de força
e de uma substância, poderíamos nestas eleições
presidenciais dos EUA prestar um pouco de atenção em um
detalhe que, muitas das vezes, nossas vistas desdenham. Prestemos atenção
nas escolas estadunidenses onde estarão instaladas as urnas para
votação e compare a estrutura das escolas da América
com as instituições de ensino de nossa pátria.
Por fim, se Thomas Jefferson tinha razão quando afirmava que um
dos pontos fundamentais para se consolidar uma república é
o livre acesso ao conhecimento, podemos, então, com certa intranqüilidade,
pararmos com essa histeria patrioteira de ficar ufanando virtudes que
inexistem em nosso ethos e passarmos a nos espelhar nas virtudes cívicas
que realmente existem, mesmo que sejam virtudes que são vividas
por um outro povo, em uma outra nação, pois, não
há dignidade alguma em ufanar a própria vileza.
Para nos convencermos disso, você não tem que dar ouvidos
a esse indigno escrivinhador. Basta apenas que volte suas vistas para
a sua volta e estude um pouco da formação histórica
dos Estados Unidos. Alias, quantos livros você já leu sobre
a história dos EUA? Nenhum? E é com base nesse tipo de fundamentação
que você constrói a “criticidade” brazuca, “criticidade”
edificada no vácuo de sua ignorância congênita.
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