A impunidade
João Augusto Sinhorin é aluno do 1º ano do Ensino
Médio do Colégio Eleodoro Ébano Pereira - politico40@hotmail.com
O Brasil vive hoje talvez um dos momentos mais críticos e graves
da sua história social. E dessa vez, por incrível que pareça,
esse problema não é proveniente de um estado de guerra,
de um governo, ou até mesmo de uma ditadura, mas de um problema
que não abrange só alguns, porém todos, e esse problema
se chama violência.
A violência no Brasil nos últimos anos chega a um estado
que poucos pensariam há alguns anos. E essa violência não
vem somente com um maior número de crimes contra o patrimônio,
que seriam assaltos e furtos, mas também um aumento nos crimes
contra a vida, os homicídios, agressões.
Esse problema era proporcional até há alguns anos, ou seja:
nas grandes cidades havia um maior número de crimes e nas cidades
de pequeno porte havia menores índices de criminalidade. Mas então
o que aconteceu?
A partir, principalmente das décadas de 80 e 90, começou
a haver uma maior expansão das cidades do interior, e não
somente no Paraná, mas em todo o Brasil, e tais cidades foram crescendo
por motivos variados, algumas cresceram com a instalação
de indústrias, outras começaram o seu desenvolvimento aloprado
por meio do contínuo e crescente êxodo de pequenos produtores
rurais, até mesmo regionais, como de retirantes nordestinos, que,
com a ilusão de uma vida menos sofrida, mudaram de sua terra natal
atrás de uma vida melhor em outra região, coisa que muitas
vezes só piora a situação.
Há um problema muito grave em nosso país de se fazer as
coisas sem um estudo claro dos problemas que isso irá gerar no
futuro. Ou seja, as mudanças radicais promovidas na cidade, pelos
motivos anteriormente citados, não foram calculadas pelos nossos
governantes, ou até mesmo não se movimentaram para melhorar
as condições de quem mesmo posteriormente chegou, por esse
motivo é que houve um aumento tão grande na criminalidade
nos últimos tempos.
E sabem quem é o principal culpado da violência? Chama-se
governo!
Pois um Executivo omisso que se esquece da população, esquece
de dar uma educação de qualidade, que esquece que as pessoas
precisam de trabalho para comer, cobra mais tributos que um país
como a Noruega, que é, segundo a ONU, o melhor país do mundo
para se viver e que, com essa carga tributária, oferece um serviço
mesquinho e uma máquina pública arcaica a uma população
já miserável. Isso fez com que essa mutação
de sociedade acontecesse.
Porém, o único culpado não é só o governo,
no que abrange o Executivo, mas também o Legislativo, pois um Congresso
ridículo, em que a maioria de seus “representantes do povo”
preocupa-se mais no que tange sobre fidelidade partidária e não
sobre aqueles que os colocaram lá para serem representados, não
merece sequer um mínimo de respeito de qualquer pessoa.
Sinceramente, não consigo entender como 600 congressistas não
têm a mínima sensibilidade com o que ocorre à população,
a respeito de uma matéria tão forte como a violência.
E não digo somente no que abrange a área criminal, que nossos
congressistas deveriam olhar, pois a violência é a conseqüência
da falta de emprego, carga tributária alta, corrupção,
máquina pública falida, dentre outros que fazem com que
a omissão dos legisladores sobre tais assuntos faça com
que vivamos num estado de guerra.
Outro poder constitucional que ajuda muito nesse problema chama-se Judiciário.
E não vou falar sobre a quantidade de apelações,
recursos, que fazem com que a Justiça se torne lenta, mas pela
ajuda que muitos juízes e Tribunais de Justiça dão
em conceder liberdade condicional, sem antes mesmo, de ver a ficha criminal
que este bandido possui. A maior ajuda para os bandidos que cometeram
barbáries, veio do STF, que entendeu que estupradores, traficantes,
torturadores não deveriam cumprir a sentença em regime totalmente
fechado como previa a Lei de Crimes Hediondos e sim como os outros bandidos,
que depois de ter cumprido um sexto da pena podem pedir progressão
para a condicional.
A omissão não é o único problema para o aumento
da criminalidade, mas também a impunidade. Creio eu, convictamente,
que o crime é ruim, mas a impunidade é pior, pois em um
estado democrático de direito em que o governo tira da mão
da população o direito de fazer justiça e assume
para si esse papel, é mais que sua obrigação o exercício
corretamente desse direito.
Mas o que é essa impunidade? Essa impunidade é aquela que,
mesmo que tenha dezenas de homicídios e uma ficha criminal de várias
folhas, o criminoso depois de cumprido um sexto da sua pena ganha o direito
a andar livremente nas ruas. Não digo, porém, que todo o
crime não deva ter progressão de regime, pois todos somos
suscetíveis a falhas e se errarmos uma única vez não
se precisa cumprir dez anos de cadeia por um furto, que tenha sido feito
para pôr um alimento na boca de uma criança. Mas crimes que
atentem contra a vida, em que o criminoso não é réu
primário, esse, sim, deve pagar com muitos anos na cadeia.
Uma coisa que muitos dizem que é o motivo de tamanha criminalidade
é a falta da pena de morte. Pois bem, no nosso país isso
seria uma das piores coisas, pois no Brasil cadeia só existe para
um grupo “privilegiado” - (perdoem-me pela fala, mas quem
falou tal expressão, foi um desembargador) os PPP (Preto, Pobre
e Puta) - e podem ter certeza que quem também seria “privilegiado”
com tal pena seria o mesmo grupo, pois se cadeia já não
existe para ricos, penas capitais também não existiriam,
e outra, tomemos de exemplo os EUA: quem que na maioria das vezes é
executado? São geralmente negros e pobres.
Alguns também acusam a OAB. Bem, como todos sabem a OAB é
como o sindicato do advogado. Não deixa de serem procedentes as
acusações de que muitas vezes a Ordem protege bandidos,
não querendo defender a mesma, mas estão totalmente corretos
em defender os bandidos, pois esse é o seu sustento, é disso
que o advogado precisa para viver, é de crimes, e enquanto tiver
mais bandidos na rua, mais os advogados lucram. É como chegar numa
loja de roupas, você nunca vai ver uma atendente dizer “seu
gordo, essa roupa não vai servir numa baleia como você”,
pois isso é uma coisa óbvia. Se você critica seu cliente,
ele nunca voltará para utilizar seus serviços e é
isso que ocorre com o advogado.
E, para finalizar, o erro também é meu, é seu e de
toda a sociedade, pois enquanto deixamos o governo aproveitando o que
rouba da gente, e não cobramos o que devem oferecer por esse preço
tão caro, todo esse círculo vicioso irá se repetir,
e os maiores prejudicados seremos nós mesmos, a sociedade.
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