| QUESTÃO AGRÁRIA
Justiça pediu de volta R$ 75 milhões sacados em 2004
Araupel pede explicações
e adia devolução ao Incra
A Rio das Cobras Florestal Ltda apresentou ao Tribunal da Justiça
Federal da 4ª Região, em Porto Alegre, embargos de declaração
- instrumento usado pelas partes para obter esclarecimentos de dúvidas
ou omissões em decisões de processos criminais - contra
a decisão que determinou que a empresa e o BRDE (Banco Regional
de Desenvolvimento do Extremo Sul) depositem os R$ 75 milhões -
em valores atualizados - no prazo de dez dias em conta judicial - prazo
que venceu há uma semana.
Cópia do embargo foi enviada ao juiz Frederico Valdez Pereira,
da 1ª Vara Criminal de Cascavel, que havia determinado que a decisão
do Tribunal fosse cumprida.
O instrumento suspende temporariamente a determinação de
devolução. Nesta semana a Justiça Federal da 4ª
Região deve receber o desembargo, que está com o Ministério
Público Federal.
ENTENDA O CASO
O montante foi depositado em dezembro de 2004 em juízo pelo Incra
(Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária)
para o pagamento de benfeitorias existentes em parte das Fazendas Rio
das Cobras e Pinhal Ralo, pertencentes à Araupel, em Quedas do
Iguaçu, que totalizam 25 mil hectares.
A compra das terras, ocupadas por sem-terra desde 1999, foi feita depois
que a Justiça Federal de Cascavel autorizou o projeto de assentamento,
enquanto a ação tramitava em juízo para a definição
da indenização.
No dia seguinte ao depósito, a empresa e o BRDE retiraram o valor
por meio de uma liminar do TRF (Tribunal Regional Federal).
A irregularidade do resgate do valor depositado foi constatada pela Justiça
somente um ano depois da retirada. Agora o Tribunal Regional Federal determinou
que a empresa e o banco devolvam o dinheiro, que ficará em conta
judicial até o fim da ação judicial.
Afastados
O adolescente Luís Henrique Dias Bulhões, 13, morto na manhã
de sábado após ser atingido na cabeça por um tiro
disparado por um policial militar, em Rondonópolis (MT), foi enterrado
ontem de manhã em Sonora, interior de Mato Grosso do Sul.
O Comando da Polícia Militar afastou os sete policiais que estavam
dentro do microônibus no momento dos disparos que mataram um adolescente
e deixaram nove pessoas feridas. Cerca de 500 pessoas assistiam a uma
apresentação da Polícia Militar em uma escola de
Rondonópolis. A PM simulava o resgate de um seqüestro com
refém. Só que, em vez de balas de festim, munição
verdadeira foi usada no evento.
Segundo o delegado regional de Rondonópolis, João de Morais
Pessoa Filho, os policiais foram afastados temporariamente até
a conclusão das investigações, prevista para acontecer
daqui a 30 dias.
Defesa
O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), marcou para hoje, às
15h30, um discurso para se defender da acusação de que a
empreiteira Mendes Júnior pagava algumas de suas despesas pessoais.
Renan informou que pretende rebater as acusações, uma a
uma. Para tanto, usará suas declarações do Imposto
de Renda de anos anteriores. Segundo ele, os documentos de IR provarão
que possui renda para pagar a pensão e que não necessita
da ajuda de empreiteiros.
A denúncia foi feita por reportagem da revista “Veja”,
que circulou sexta-feira em edição extraordinária.
OPERAÇÃO NAVALHA
STF pede informações
e adia a análise de HC
O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes solicitou
mais informações ao STJ (Superior Tribunal de Justiça)
para analisar o pedido de habeas corpus impetrado pelos advogados do dono
da Gautama, Zuleido Veras, suspeito de chefiar esquema de fraude de licitações
de obras públicas. Inicialmente, a expectativa era que Mendes tomasse
sua decisão ontem.
O STF informou que o ministro aguardará o envio dessas informações
para formar sua decisão. Na opinião dele, o habeas corpus
não foi bem instruído e por isso ele precisa de informações
adicionais para analisar o pedido.
Além de Veras, os advogados pediram a soltura dos diretores da
Gautama Vicente Vasconcelos Coni e Maria de Fátima Palmeira, mas
o STF disse não ter recebido oficialmente o pedido de habeas corpus
para a diretora.
Sábado a ministra do STJ Eliana Calmon revogou a prisão
do irmão de Zuleido, Dimas Soares de Veras, depois de ele prestar
depoimento. Ela ouviu também o funcionário da Gautama no
Piauí João Manuel Soares, acusado de participar de esquema
de fraude de licitações, que continua preso.
Apenas nove dos 48 detidos na Operação Navalha continuam
presos.
FOTOLEGENDA: AGÊNCIA BRASIL
A Organização das Nações Unidas estimam que
a missão de paz no Haiti deverá se estender por pelo menos
mais quatro anos. Segundo o vice-representante do secretário-geral
da ONU no Haiti, o brasileiro Luís Carlos da Costa, esse tempo
mínimo vem sendo planejado em função das experiências
anteriores da ONU em missões como a do Timor Leste, onde se avalia
que a retirada prematura do apoio estrangeiro levou a nova desestabilização
do país. A missão é liderada por tropas brasileiras.
|