Semana D
A semana promete fortes emoções no Paço Municipal
de Cascavel. Os professores e os servidores municipais programaram para
quinta-feira a discussão sobre a continuidade da greve, deflagrada
semana passada. A expectativa deles é de que, neste intervalo de
tempo, a administração refaça as contas e encontre
uma fórmula de atender às reivindicações e
corrigir os salários ainda neste semestre.
Mas além desse contingente parado, uma outra nuvem negra se forma
no horizonte. Os motoristas e cobradores que trabalham no transporte público
sentam hoje novamente para tentar acordo e evitar a paralisação.
Esta será a quarta rodada de negociações, que até
agora pouco avançaram.
Neste caso, mesmo que os trabalhadores não cruzem os braços,
há um outro problema: o aumento dos custos do serviço, que
já amarga prejuízo de R$ 4 milhões, segundo dados
da Cettrans (Companhia de Engenharia de Transporte e Trânsito).
Com isso, o reflexo na tarifa será inevitável e, com ele,
a chiadeira da população.
Os próximos passos do governo municipal podem delinear o restante
desta gestão. Ao comprar briga com os servidores, o prefeito Lísias
Tomé dá um tiro no pé, porque são eles que
fazem a máquina fluir. São a vitrine do administrador. E
fazer propaganda contra não é nada bom para quem ainda tem
a esperança de uma reeleição.
Até agora, nesses quase dois anos e meio de administração,
o Governo Lísias tem mostrado isolamento, as decisões são
tomadas no gabinete do terceiro andar, não há participação
das entidades, dos vereadores, da sociedade organizada. Sequer as críticas
são levadas em consideração. Neste cenário
hostil, com uma tempestade se avolumando, talvez seria o momento de ceder,
retomar a humildade usada na campanha e pedir ajuda. Só que, para
isso, tem que estar disposto a dar transparência às contas
e aos atos. Se essa condição for viável, ainda há
tempo para voltar o trem aos trilhos e encerrar o mandato com algum saldo
positivo.
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