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Mudança de responsabilidade

Após intensa polêmica a respeito da maioridade penal, a CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado deu um passo que poucos acreditavam que ocorreria tão cedo: mudou o limite de idade para a punição de criminosos. A medida divide opiniões, mas, acima de tudo, exige uma grande mudança: maior responsabilidade dos governos em relação aos jovens.
A questão central a respeito do assunto sempre foi se uma pessoa de 16 anos já seria totalmente consciente para ser responsabilizada pelos seus atos. Em função disso, tinha-se que apenas depois dos 18 anos um criminoso deveria ser tratado e punido como adulto.
Os constantes episódios hediondos envolvendo menores suscitaram o debate em torno do assunto. O caso de Champinha, o adolescente de 16 anos acusado de estuprar e matar a estudante Liana Friedenbach, 16, que pode não cumprir nem os três anos de detenção a que foi condenado, é um exemplo recente. Outro caso chocante foi o do pequeno João Hélio, de sete anos, que foi arrastado por sete quilômetros por criminosos que roubaram o carro em que estava. Entre os marginais, um menor.
Devido às penas brandas atribuídas aos adolescentes, muitas vezes são recrutados pelas quadrilhas para que assumam os crimes, protegendo os demais integrantes. Com isso, seu envolvimento na marginalidade começa cada vez mais cedo.
E é justamente por isso que a questão da maioridade penal exige mudança de postura do Estado. Ao assumir o compromisso de punir os jovens com maior rigor, o governo torna-se responsável por eles. Precisa agir com mais rigor nas políticas sociais preventivas, de forma a oferecer alternativas a esses jovens. Deve estabelecer medidas que auxiliem na reinserção social do menor infrator, na tentativa de levá-lo a uma condenação que poderá chegar a 30 anos de prisão.
Embora a decisão efetiva ainda leve algum tempo para sair, independente dela esse primeiro passo deve ser o pontapé inicial para o governo trabalhar um pacote coerente e efetivo de combate à violência, que inclua políticas eficientes contra a exploração sexual infantil, de valorização pessoal e profissional, de reinserção social, de educação, de combate à fome e à miséria, enfim, ações que permitam escolhas entre viver em sociedade ou no submundo do crime.

 

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