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Frutas e frutos do Natal

Faustino Vicente é consultor de empresas e mora em Jundiaí – SP. -
faustino.vicente@uol.com.br

Final de ano é a época em que as empresas se preparam para fechar a contabilidade e apurar o saldo numérico de todas as transações comerciais realizadas, analisando se as estratégias planejadas no passado atingiram o desempenho esperado. As causas dos efeitos não desejados serão rastreadas com a devida abrangência, para que não voltem a desagradar acionistas, clientes, funcionários, fornecedores ou a comunidade. A imprensa mostrará, na retrospectiva anual, os acontecimentos políticos, sociais, religiosos e econômicos que abalaram o mundo e transformaram as nossas vidas.
Merecerão destaque especial as descobertas científicas e as inovações tecnológicas que tornaram o homem capaz de destruir o planeta, mas o mantiveram incompetente para assegurar condições mínimas, e dignas, à população mundial. A classe política divulgará suas realizações e justificará as promessas de campanha não cumpridas, fato que corrobora para que, apesar de todos viverem sob o mesmo céu, nem todos desfrutem do mesmo horizonte. O restrito acesso aos serviços de educação e saúde, de excelente qualidade, é o fator inibidor mais significativo para que as condições de igualdade do desenvolvimento do ser humano sejam, ainda, apenas retóricas.
Também as organizações do chamado terceiro setor, ou voluntariado de responsabilidade social, cujo movimento tem apresentado impressionante expansão, prestarão contas aos seus parceiros e colaboradores. O voluntário tem a nobreza de partilhar o mais precioso tesouro da nossa era - o conhecimento – certidão de nascimento da cidadania. De forma idêntica cada um de nós deve fazer a sua reflexão, analisando o seu desempenho pessoal na abrangência dos sete fatores motivacionais: saúde física, carreira profissional, vida familiar, espiritualidade, saúde mental, relacionamento social e o aspecto financeiro.
A harmonia entre esses indicadores evidenciará se as metas que planejamos, os sonhos que acalentamos e as ações que empreendemos foram desenvolvidas rumo ao objetivo maior de todo ser humano – a felicidade. Interiormente, devemos verificar se nos tornamos menos arrogantes e mais tolerantes, menos professores e mais aprendizes, menos gananciosos e mais generosos, enfim, se estamos conscientizados de que os votos de feliz Natal não foram apenas manifestações episódicas de amor ao próximo, mas continuadas práticas de fraternidade.
A própria transformação da paisagem nos contagia, pois as ruas, as fachadas das casas, as vitrines das lojas e, até árvores, ganham decorações especiais, luzes multicoloridas e enfeites criativos. As ornamentações dos interiores das residências, e das igrejas simbolizam o nascimento do homem que, para os cristãos, dividiu a história da humanidade em antes, e depois dele - Jesus Cristo. Os especialistas em marketing disputam cada centímetro, e cada segundo da mídia, principalmente da irresistível telinha da televisão.
Para os desempregados a chance de conseguir uma colocação, mesmo que temporária, para os empresários a oportunidade de maior faturamento e para o país o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) – o qual deve ter como missão a melhoria contínua da distribuição de renda. Até as frutas consumidas no Natal fazem parte das estimativas dos especialistas em gestão, porém, se não colhermos os frutos da espiritualidade, a morte na cruz terá sido em vão. Esperançosos que o espírito natalino tenha sensibilizado os nossos corações erradicando a discriminação, o preconceito e todas as formas de exclusão social – chagas ainda vivas na sociedade - entendemos que a arquitetura de um mundo mais justo economicamente e mais igualitário socialmente, é condição essencial à conquista da tão sonhada paz entre os povos do planeta azul.

 

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