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Osmar vem a Cascavel
O senador Osmar Dias, candidato a governador do Paraná pela coligação Paraná da Verdade, estará em Cascavel hoje, na sua última visita antes da eleição de domingo. Ele chega às 10h e concede entrevista coletiva à imprensa na Amop (Associação dos Municípios do Oeste do Paraná). Logo depois participa de mobilização política com integrantes da coordenação de sua campanha. De Cascavel Osmar segue para Maringá.

AEROPORTO
Alcebíades diz que ajuda de Requião é ato eleitoral
O fórum realizado ontem pela Prefeitura de Cascavel para discutir a implantação do aeroporto regional em Cascavel motivou o vereador Alcebíades Pereira da Silva (sem partido) a externar sua indignação com o que considera oportunismo eleitoreiro do governador licenciado e candidato à reeleição, Roberto Requião (PMDB) (leia mais sobre o evento na página 7 desta edição).
O vereador lembra que inúmeras vezes o atual governador se posicionou contrário à construção de um novo aeroporto e até mesmo à revitalização do atual, afirmando que o aeroporto “serve a apenas alguns ricos da cidade”.
“Agora ele vem com essa mentira que está revendo sua posição. Não podemos aceitar mais esse truque eleitoreiro. Sou capaz de apostar que ele não vai investir um centavo sequer em um novo aeroporto ou na reforma do atual”, frisou Alcebíades.
O vereador observou que “coincidentemente, o fórum para discussão do assunto foi marcado exatamente para a semana que antecede a eleição. É só mais uma artimanha para tentar conseguir votos e reverter a situação desfavorável a ele em Cascavel”, reforçou o vereador.
Para basear sua argumentação, Alcebíades lembra que o convite foi emitido pelo Executivo e que o prefeito já declarou abertamente seu apoio à reeleição do atual governador. “Não podemos mais ser tratados dessa maneira. Ele [Requião] perdeu aqui no primeiro turno e está fazendo de tudo para permanecer no poder”, finalizou.

INVESTIGAÇÃO
Relatório da CEI da Ucam será apresentado segunda
Está agendada para segunda-feira a apresentação do relatório final da CEI (Comissão Especial de Inquérito) instituída para investigar denúncias de irregularidades na administração da Ucam (União Cascavelense das Associações de Moradores). Os vereadores Fernando Dias Lima (presidente), Jorge Lauxen (relator) e Leonardo Mion (membro) se reúnem às 9h30 no plenário do Legislativo e fazem a leitura e votação do documento. Não é necessária a realização de sessão ordinária ou extraordinária e a votação ocorre somente entre os três integrantes da CEI. Em seguida, o relatório, com 101 páginas, será encaminhado aos órgãos competentes, como o Ministério Público.
Fernando Bacana adiantou que as investigações constataram diversas irregularidades e muita coisa precisará ser explicada. Mas não contou quem serão as pessoas denunciadas, reservando as revelações para o dia da apresentação do relatório.

EDGAR BUENO
Deputado fala das eleições e da administração municipal
“Perderam o respeito
e baixaram o nível”

O deputado estadual eleito Edgar Bueno (PDT) soltou o verbo em entrevista ao Hoje, quarta-feira, momentos antes de visitar a Câmara de Vereadores de Cascavel. No plenário do Legislativo o deputado disse que deixará as divergências políticas com o prefeito Lísias Tomé de lado para ajudar a cidade e se colocou à disposição para lutar pelos projetos do prefeito.
Mas isso não quer dizer que teceu elogios à administração atual. Pelo contrário. Fez críticas duras.
Mas foi o atual governador Roberto Requião, candidato à reeleição e adversário do senador Osmar Dias, o alvo da indignação de Edgar Bueno. O deputado eleito afirmou que Osmar faz uma campanha silenciosa, de respeito e só responde aos insultos de Requião. “Barulho quem faz é o governador que vai para a reeleição. Helicóptero para cima e para baixo, aviões. Um gasto absurdo. A nossa campanha é silenciosa, é uma luta por propostas para um Paraná melhor”, disse.
O ex-prefeito de Cascavel condenou o que considerou ser um oportunismo eleitoral do governador ao colocar nas ruas policiais sem o devido preparo. Os novos soldados da Polícia Militar foram liberados do estágio probatório, que equivale à última etapa de treinamento. “Foi uma irresponsabilidade e isso já surtiu efeito negativo, no caso em Guarapuava, onde um policial recém-formado matou uma pessoa. Foi um oportunismo eleitoral”, ressaltou.
Edgar disse ainda que as pesquisas eleitorais não refletem a realidade. Ele próprio já foi vítima dessa armadilha, pois na corrida para a Prefeitura de Cascavel era apontado como favorito, mas acabou derrotado. “Chamo a pesquisa que vi de ‘Datafalha’. Um dia antes da eleição no primeiro turno eles apontaram o Requião com 50% e ele conquistou 42,8%. Deram para o Osmar 34% e ele chegou aos 38,6%. O Rubens seria o terceiro na pesquisa, mas ficou em quarto. Isso mostra que hoje, na diferença que apontam, que o Osmar tem mais pontos”, observou.
O deputado eleito também não concorda com o tom da campanha adversária. “Os ataques são terríveis. Perderam o respeito com a população. O Osmar disse para não atacar porque o Requião sempre o elogiou. Tanto que foi na casa dele seis vezes antes da eleição e o convidou para fazer parte de sua campanha e tinha certeza de que não haveria baixo nível. Mas enfrentar o Requião quer dizer enfrentar armadilhas”.
PRIORIDADES
Edgar citou que as prioridades de Osmar Dias, caso eleito, serão a segurança, saúde, educação e geração de emprego e renda. “Chega de descaso. É preciso colocar pessoas competentes nos diversos setores. O nosso secretário de Segurança [Luiz Carlos Delazari], por exemplo. Não tem nada a ver com o cargo. Ele está mais preocupado com vaidades pessoais. Ele imita o chefe, com brincadeiras grosseiras. Ele não tem o respeito da corporação. O Osmar vai mudar isso e colocar pessoas competentes para trabalhar e não fantoches que apenas fazem de conta”, concluiu.

Falta visão administrativa a Lísias
Na entrevista, Edgar Bueno não tratou apenas das eleições. Ele se colocou à disposição do prefeito Lísias Tomé, mas não deixou de avaliar e criticar a atual administração. “A situação do prefeito é lamentável. Não teve direcionamento político. Desfilou, mas não apoiou o Rubens [Bueno]. Depois se ofereceu para o Osmar Dias, mas quando soube que seria o Rubens a avalizar seu apoio, não teve coragem de encará-lo. Ele saiu do PPS porque seria expulso”, disse.
Para Edgar, falta visão administrativa ao prefeito. “Ele não estava preparado para assumir quando ganhou. E ainda não está, por falta de conhecimento da máquina. Mas ainda há tempo para ele se recuperar, porque tem mais dois anos de mandato e torço para que isso aconteça. Se ele continuar desmandando, o Município, na situação de estagnação que vive hoje, ficará em situação ainda mais difícil”, observou.
Edgar denunciou que a prefeitura não paga algumas oficinas mecânicas desde fevereiro. “Eles fizeram serviço sem empenho. Isso é compra irregular. E eu lamento pela situação difícil dos empresários. Isso sem contar outros setores, como saúde, desvio de remédios, carência administrativa. Hoje estão fazendo meio-expediente para economizar porque gastam mal. Perderam o rumo e lamento porque não era isso que gostaria para o Município”.
Sobre a CEI (Comissão Especial de Inquérito) que investiga o sumiço de material que serviria para a construção da ponte, Edgar se defendeu. “Estão dizendo que houve sumiço de material. Que procurem a Justiça, o promotor de Justiça e provem isso. Não falem mentira. A ponta não saiu porque o DER [Departamento de Estradas e Rodagem] não enviou as vigas. Mas o material não sumiu, foi reaproveitado adequadamente. Não sumiu nada nem um grão de areia”, garantiu.

R$ 5,3 milhões
O deputado estadual Edgar Bueno também comentou sob o episódio do engavetamento do projeto do novo terminal de transbordo oeste e sobre o “rombo” no caixa da Cettrans (Companhia de Engenharia, Transporte e Trânsito). Ele disse que deixou R$ 500 mil no caixa da autarquia e mais R$ 4,3 milhões no caixa geral da prefeitura provenientes do contrato do transporte coletivo. “Eles não têm conhecimento do projeto porque nada conhecem de administração. Além desse dinheiro, resgataram R$ 580 mil que deixei para pagar o autódromo. Dá um total de R$ 5,3 milhões. Ele [Lísias] gastou mal. Em três meses torrou o dinheiro que tinha na prefeitura. Não conclui várias obras, mas as deixei pagas. Mas demoraram para conclui-las. Algumas, que demorariam mais dois meses, levaram quase um ano”, criticou.
Sobre o terminal, Edgar lembrou que deixou programado no orçamento. “Precisaria de aditivo, sim. Mas poderiam pegar do dinheiro que deixei no caixa geral da prefeitura. Fiz o orçamento para mim, porque não imaginei que perderia a eleição. Então não era armadilha. Eles que não souberam administrar a situação”.
Edgar disse que Lísias está perdendo credibilidade e, por isso, as finanças municipais estão caindo na arrecadação.
Sobre a possibilidade de Edgar disputar a prefeitura em 2008 e deixar a vaga na Assembléia Legislativa, ele disse que não é o momento de conversar sobre isso. “Pode ser uma conseqüência. Mas só lá na frente. Primeiro vou assumir o mandato e trabalhar. Se a população entender que sim, vamos discutir o projeto. Mas não penso nisso agora”, finalizou.

ELEIÇÕES 2006 – Candidatos abordaram assuntos polêmicos
Objetivo, Osmar pressiona
Requião e vence o debate

O último encontro entre os dois candidatos a governador do Paraná realizado ontem à noite pela Rede Paranaense de Televisão (Rede Globo) mostrou que, olho no olho, Osmar Dias (PDT) levou vantagem sobre seu oponente, o candidato à reeleição Roberto Requião (PMDB). Do primeiro ao último bloco, o senador pressionou o governador licenciado e frisou, em diversas oportunidades, que “ele mente e maquia os números que apresenta à população”, referindo-se ao governador. Osmar também bateu forte contra a tentativa de Requião obter terceiro mandato, observando que “ele não cumpriu suas promessas nos oito anos que administrou o Estado. Não pode continuar”.
Nos dois primeiros blocos, os candidatos trocaram farpas. Requião instigou Osmar, ligando a sua campanha a de ex-governador Jaime Lerner e acusando-o de fazer propostas vazias. Só que o senador minou as tentativas e deixou Requião sem reação. Osmar manteve o estilo inicial e rebateu todos os números apresentados pelo adversário.
O DEBATE
Os dois candidatos abordaram vários temas em tom de polêmica, começando pela tarifa de água. Requião afirmou que Osmar não estava preparado para apresentar uma proposta de acabar com a tarifa mínima da água, porque não sabia o impacto financeiro que isso causaria e afirmou que o projeto só beneficiaria quem tem casa no litoral. A resposta veio em tom de provocação: “Porque ele [Requião] não pensou nisso antes, agora fica tentando desqualificar a minha proposta. Estudei todos os riscos e a Sanepar vai absorver o impacto. O programa da tarifa social é bom, mas eu vou ampliar acabando com a taxa mínima de água. Não é promessa, é compromisso”, disse.
Osmar contra-atacou ao falar de segurança e acusou o governador de irresponsabilidade ao colocar policiais sem o treinamento adequado nas ruas, mas sim finalidade eleitoral. Requião não concordou e disse que os policiais estão aptos. Osmar lembrou o episódio ocorrido em Guarapuava, onde um policial recém formado matou uma pessoa com deficiência mental, e em seguida disse que, se eleito, vai chamar os policiais para terminar o treinamento.
A Copel também entrou na discussão, quando Requião insinuou que Osmar iria privatizar a empresa. “Que memória fraca. Eu fui o primeiro a assinar o abaixo-assinado contra a privatização da Copel. Não fale mentiras”, rebateu o senador.
BRANDÃO
Osmar Dias propôs a Requião comparar biografias e perguntou por que as pessoas que fazem oposição ao governador nunca prestam. Roberto Requião afirmou que o senador estava mal acompanhado, que se desencaminhou, se referindo ao ex-governador Jaime Lerner. Osmar Dias respondeu que estava perplexo com a capacidade de mentir que tem o governador. Lembrou que Requião fez um discurso quando era senador, acusando Hermas Brandão de corrupção e depois convidou o mesmo para ser candidato a vice-governador.
Osmar ainda tentou mostrar que Requião mente, que não tem palavra. Citou casos como a promessa do “pedágio baixa ou acaba”. Afirmou que o adversário não faz um bom governo. Do outro lado, o governador tentava desqualificar qualquer proposta do adversário.
Requião acusou Osmar de ser latifundiário e de ter uma fazenda no Tocantins que poderia abrigar mil famílias. Só que ouviu do adversário a acusação de que o irmão tem uma empresa portuária em Miami. “Eu, pelo menos, invisto no Brasil. E você tem mansão em Miami e seu irmão uma empresa de consultoria portuária”.
Requião fechou o debate pedindo votos para reeleição e se dizendo vítimas de ataques do adversário. Osmar pediu uma chance, dizendo ser paranaense “e não posso continuar a ver essa história triste no Paraná. Chegou a hora de mudança”.
Domingo o eleitor decide.

 

 

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