PESQUISA
Na Região Sul a mudança climática aumenta o risco
da cultura
Estudo mostra a relação
clima x qualidade do trigo
O trigo é um cereal utilizado na fabricação de inúmeros
produtos, e as indústrias, ao efetuarem a compra desse cereal,
observam alguns parâmetros de qualidade industrial, que usualmente
são determinados através de testes como peso hectolitro
(PH), força de glúten, número de queda, dentre outros,
realizados em laboratórios especializados.
De acordo com estimativas da Conab (Companhia Nacional do Abastecimento),
o Brasil produz entre 2 milhões e 5 milhões de toneladas
por ano para um consumo de mais ou menos 10 milhões de toneladas.
Os maiores produtores de trigo são os estados do Rio Grande do
Sul, Paraná e Santa Catarina, onde a variabilidade climática
é grande, o que pode ser um fator de influência nos resultados
dos testes de qualidade.
Nesse sentido, Simone Miloca, da Unioeste (Universidade Estadual do Oeste
do Paraná), e equipe resolveram fazer uma avaliação
estatística de algumas variáveis meteorológicas que
afetaram a qualidade industrial do trigo em algumas regiões do
Paraná nos anos de 1999, 2000 e 2001, utilizando técnicas
da análise estatística multivariada.
Estudos mostram que os principais fatores que influenciam os resultados
dos testes de qualidade industrial do trigo são: a genética
(cultivar) da semente; a fertilização do solo; o clima da
região; a secagem dos grãos; e a armazenagem.
De acordo com artigo publicado na edição de janeiro/fevereiro
de 2007 da revista “Ciência Rural”, “técnicos
especializados da área relatam que a fertilização,
a secagem e a armazenagem são fatores que, no período do
plantio até a colheita e a pós-colheita, podem ser bem administrados,
sendo a maior preocupação os fatores relacionados ao clima
e à genética. Nos estados do Paraná, de Santa Catarina
e do Rio Grande do Sul, a variabilidade climática é muito
grande, fazendo com que a produção tritícola (de
trigo) seja uma atividade de risco”.
Segundo os pesquisadores, há uma ligação direta entre
as mudanças do clima e o resultado final da semente de trigo, o
que revela a necessidade de atenção especial por parte dos
agricultores para evitar danos às colheitas
EUA X UNIÃO EUROPÉIA
Às vésperas de Davos,
agricultura volta à carga
Autoridades agrícolas de primeiro escalão dos Estados Unidos
e da União Européia analisaram tarifas, subsídios
e uma reforma das leis agrícolas norte-americanas sexta-feira,
às vésperas de uma reunião de cúpula na cidade
suíça de Davos, onde há esperanças de salvar
a rodada Doha de negociações comerciais.
Jean-Luc Dimarty, diretor-geral de agricultura da Comissão Européia,
reuniu-se com Mark Keenum, importante autoridade do Departamento de Agricultura
dos EUA, que supervisiona o polêmico programa de subsídios
agrícolas do país. Os subsídios norte-americanos
têm sido um dos pontos que bloquearam as negociações,
que já duram cinco anos.
Na reunião Keenum repetiu que os europeus e os representantes de
outros países têm de melhorar suas ofertas de redução
das tarifas às importações agrícolas, antes
de os EUA considerarem uma redução nos subsídios
que dá ao setor.
“Estamos dispostos a fazer concessões nos subsídios
domésticos, mas temos de conseguir algo em troca, e isso é
acesso a mercados. Essa é nossa mensagem”, disse.
Especialistas acreditam que um progresso na rodada Doha, que fracassou
em julho em meio à divergência na área agrícola,
é necessário nos próximos meses para pressionar o
Congresso dos EUA a renovar os poderes do governo de George W. Bush para
negociar acordos comerciais, que vence em julho.
Alguns vêem o Fórum Econômico Mundial, que ocorre nesta
semana em Davos e onde a representante comercial dos EUA, Susan Schwab,
se reunirá com seu colega europeu, Peter Mandelson, como uma chance.
PREVISÃO
Impacto do
PAC será de
R$ 65 bilhões
A ministra Dilma Rousseff fecha, neste fim de semana, os últimos
detalhes da seleção definitiva dos investimentos prioritários
do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), a ser anunciado
amanhã pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No entanto,
o impacto no Orçamento brasileiro já está quantificado:
serão disponibilizados para estes projetos específicos R$
65 bilhões, até 2010, considerando, inclusive, a inflação
no período.
Os projetos prioritários, apelidados de intocáveis, terão
um acompanhamento vigoroso. “Não que os outros investimentos
não terão, mas estes serão blindados”, contou
alta fonte do governo ao “Estadão”. Nesta contabilidade
não estão as PPPs (Parcerias Público-Privado).
O PAC priorizará o crescimento, com investimentos principalmente
em infra-estrutura.
Também estarão dentro do PAC projetos de desoneração
de R$ 6 bilhões ainda em 2007. A principal medida deve ser a redução
de alíquota de Imposto de Renda.
No que tange os investimentos, haverá redução do
aproveitamento do pagamento do PIS/Cofins para 24 meses. Hoje o prazo
de depreciação de imóvel vai até 25 anos.
E os projetos de investimento, que não têm retorno rápido,
terão maior benefício neste quesito: não pagarão
PIS/Cofins.
Deve haver também desoneração na compra de equipamentos
relativos à depreciação. O prazo para pagamento de
INSS, PIS/Cofins será maior, de 30 dias, aliviando a necessidade
de capital de giro.
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