Edição nº 5067 - sábado, 26 de julho de 2008 Classificados | Assinatura | Impressão
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ELEIÇÕES 2008
Algumas alfinetadas e muitas respostas evasivas

Candidatos fazem um debate
morno, de poucas propostas

O primeiro debate entre seis candidatos a prefeito de Cascavel, realizado na manhã de ontem no estúdio da Rádio Colméia, pouco serviu para o eleitor tirar alguma conclusão. Embora tenham mostrado serenidade ao evitar ataques aos adversários - com algumas poucas alfinetadas -, os candidatos também economizaram nas propostas, sinal de que as propostas de governo ainda precisam de ajustes.
Participaram os candidatos Aderbal de Mello (PT), Marlise da Cruz (PV), Ivanildo Claro (Psol), Lísias Tomé (PSC), Salazar Barreiros (PP) e Francisco Menin (PR). Edgar Bueno (PDT) já havia antecipado que não participaria do encontro e reafirmou que participará de quatro dos debates programados.
O clima amistoso não evitou algumas cutucadas entre candidatos, como fez Aderbal de Mello, ao lamentar que não poderia questionar o candidato Salazar Barreiros devido ao critério de sorteios. Para não perder o embalo, o petista lembrou o adversário Francisco Menin de que não deveria levar em consideração as suas três gestões em Santa Tereza do Oeste porque as cidades têm características e dimensões diferentes. “Cascavel não é como Santa Tereza, Menin! Aqui a realidade é outra”.
Depois foi a vez do prefeito Lísias Tomé repreender Menin, que afirmou ter construído 700 casas em três administrações. “Eu construí 1.082 casas em três anos e meio e não cobrei nada”, comparou Lísias.
Na verdade, o prefeito de Cascavel se referiu ao total de moradias construídas, em execução ou que estão projetadas, caso da Casa do Professor, que ainda não saiu do papel. Na soma também entra as mais de 500 casas do Conjunto Rivadávia, que não é de iniciativa do Município. Esses foram os momentos mais “quentes” do debate.
O que ficou evidente também é que as propostas - e candidatos - ainda carecem serem melhores trabalhados. As respostas, na maioria das vezes evasivas, comprometeram as idéias de trabalho apresentadas. Faltou clareza ao explicar aos ouvintes/eleitores o que será feito em cada setor.
Foi a primeira impressão dos candidatos, que devem apresentar uma munição de calibre maior a partir dos próximos debates.


As principais propostas

A reportagem do Hoje, que acompanhou o debate in loco, pincelou algumas das propostas apresentadas pelos seis candidatos que participaram ontem do debate na Rádio Colméia.
O candidato do PT, Aderbal de Mello, propôs para a saúde a criação do Centro de Especialidades Médicas e Odontológicas, projeto aprovado pela Câmara de Vereadores, mas vetado pelo prefeito Lísias Tomé. “Nós vamos implementar no ano que vem”, disse. A municipalização da coleta de lixo foi outro ponto evidenciado pelo candidato, que considera o contrato de hoje abusivo.
Salazar Barreiros (PP) deu ênfase à produção agropecuária, característica do Município, com atendimento aos produtores para incentivar a transformação dos produtos e gerar emprego e renda. A preocupação com o meio ambiente e a preservação de fundos de vale, conservação do solo agrícola e matas ciliares, solução para habitações irregulares, destinação para pneus usados e embalagens de agrotóxicos também foram destacadas pelo candidato.
O ex-prefeito de Santa Tereza do Oeste Francisco Menin (PR) deu ênfase ao social defendendo condições de vida digna às famílias, com emprego e renda, e atenção às crianças e adolescentes por meio da educação em tempo integral em todas as escolas. Para a habitação, o candidato quer resolver o déficit habitacional com o projeto Morar Fácil, de construção rápida, fornecendo terrenos a R$ 1 o metro quadrado e toda a infra-estrutura. Os beneficiários financiariam o material.
O candidato à reeleição prefeito Lísias Tomé (PSC) defendeu sua gestão, lembrando que herdou o contrato do lixo. Considera-o caro, mas o trabalho bem feito. Ele quer baixar a taxa. Apontou obras de asfalto - 1,2 mil quadras construídas - creches, postos de saúde, escolas e salas de aula construídas, além de implantação do Samu, duas farmácias populares e praças.
Ivanildo Claro da Silva (Psol) quer uma administração socialista “e não como vem sendo feito ao logo da história, ‘um balcão de negócios’”, como definiu. Propôs acabar com o contrato do lixo e entregar os serviços aos servidores públicos municipais, quer transparência administrativa, fiscalização democrática sobre as ações da prefeitura e o uso dos recursos públicos e auditoria rigorosa das contas municipais. “A democracia direta, com a entrega do poder à população”.
A candidata Marlise da Cruz (PV) defende o fim do nepotismo, sendo 40% dos cargos nas mãos de servidores concursados, atenção ao homem do campo com patrulhas mecanizadas, que já teriam a garantia do governador Roberto Requião em parceria com o DER, informatização de todos os setores da administração e a participação da comunidade nas decisões da administração. A candidata quer criar um “conselho de notáveis”, pessoas com experiência nas iniciativas pública e privada para oferecerem suas sugestões.


IMPASSE
Pedidos de informações motivaram adiamento

Prefeitura suspende edital
de licitação das câmeras

A Prefeitura de Cascavel publicou ontem no “Diário Oficial” do Município a suspensão do edital de licitação das câmeras de monitoramento para a segurança pública da cidade. Cinco recursos e muitos pedidos de informações levaram à decisão de suspender o edital e ampliar o prazo aos participantes. De acordo com a Divisão de Compras da prefeitura, o prazo não permitiria responder a todos os pedidos.
As informações constantes no edital são muito técnicas, o que provocou algumas dificuldades de entendimento por parte das empresas participantes. Assim, a prefeitura vai refazer o edital, simplificando alguns termos técnicos e até quarta-feira deve publicar novamente o documento. Depois disso será marcada uma nova data para a abertura das propostas, que, a princípio, estava definida para segunda-feira.
O valor máximo para a aquisição de sistema avançado de câmeras é de R$ 3,999 milhões. O valor da licitação é que provocou grande número de pedidos de informações e recursos. De acordo com a Divisão de Compras, os participantes não querem perder a concorrência simplesmente pelo não entendimento dos quesitos exigidos por meio de dados muito técnicos. A legislação permite que o prazo seja estendido e que nova data seja marcada.


CRECHES
Prefeitura adianta que vetará projeto

O vereador Jorge Lauxen (DEM), autor do projeto de incentivo às empresas que implantarem creches para os filhos de funcionários, reuniu orientadores e monitores dos Cmeis (Centro Municipal de Educação Infantil) de Cascavel ontem à tarde para acolher sugestões ao seu projeto.
Mas o secretário de Educação, Elemar Muller, jogou um balde de água fria nas pretensões do vereador ao adiantar que o prefeito Lísias Tomé vetará o projeto caso ele seja aprovado na Câmara de Vereadores. De acordo com o secretário, a quase unanimidade da equipe da Secretaria vai orientar pelo veto ao projeto.
Mesmo com o aviso do secretário e com cerca de 50% de funcionários dos Cmeis contrários ao projeto, o vereador reuniu emendas e vai buscar apoio dos vereadores para a aprovação em terceira e última votação.
Os servidores contrários ao projeto de Lauxen alegam que são favoráveis a novas creches, mas integralmente custeadas pelo Município. Os monitores e orientadores consideram que o incentivo, descontos de 5% de ISSQN (Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza) às empresas que mantiverem creche, pode interferir nos seus salários, já que reduz a arrecadação do Município.


Não precisa de lei

O secretário de Educação, Elemar Muller, declarou ontem que o Município pode fazer este tipo de convênio sem a necessidade de aprovação da Câmara, exceto para o caso de renúncia de arrecadação. Ele afirmou também que duas empresas procuraram a prefeitura este ano, mas uma já tem descontos por dez anos e outra é do setor de comércio e não tem ISSQN, paga somente o ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias).
Elemar explicou que uma das empresas chegou a pedir que a prefeitura dê preferência aos filhos de seus funcionários nas vagas de creches do Município. “Essas empresas são as que mais arrecadam, que mais benesses têm e que mais sonegam impostos”, afirmou Elemar Muller.
Outra ressalva do secretário da Educação é que o governo federal quer acabar com esse tipo de convênio nos próximos cinco anos. E que a “briga” do Município é por mais recursos. O vereador Jorge Lauxen, por sua vez, afirma que, com uma fila de espera de quase 6 mil crianças, não dá para esperar cinco anos até o governo federal acabar com os convênios e destinar mais recursos. Hoje o Município atende em torno de 3 mil crianças. “Nós não podemos deixar que as mães tenham que deixar os filhos sozinhos em casa para poderem trabalhar”, argumentou o vereador, explicando que os descontos de imposto será equivalente ao número de crianças que a empresa atender, com a fixação de um teto por criança.
O projeto do vereador prevê ainda que a empresa tem que oferecer 50% das vagas para crianças pobres do bairro.


AGENDA DOS CANDIDATOS


Marlise da Cruz
9h - Marlise e Bacana visitam a 7ª Jornada de Agroecologia na Unioeste e acompanham a palestra de Aleida Guevara, filha do revolucionário Ernesto Che Guevara
13h - Marlise se reúne com candidatos a vereador da coligação Honestidade e Trabalho
15h30 - Marlise faz visitas à comunidade do Bairro Lago Azul

Ivanildo Claro
O dia está reservado para análise com os demais integrantes da coligação das propostas de governo do candidato.

**os demais candidatos não informaram a agenda

 

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