| ELEIÇÕES 2008
Algumas alfinetadas e muitas respostas evasivas
Candidatos fazem um debate
morno, de poucas propostas
O primeiro debate entre seis candidatos a prefeito de Cascavel, realizado
na manhã de ontem no estúdio da Rádio Colméia,
pouco serviu para o eleitor tirar alguma conclusão. Embora tenham
mostrado serenidade ao evitar ataques aos adversários - com algumas
poucas alfinetadas -, os candidatos também economizaram nas propostas,
sinal de que as propostas de governo ainda precisam de ajustes.
Participaram os candidatos Aderbal de Mello (PT), Marlise da Cruz (PV),
Ivanildo Claro (Psol), Lísias Tomé (PSC), Salazar Barreiros
(PP) e Francisco Menin (PR). Edgar Bueno (PDT) já havia antecipado
que não participaria do encontro e reafirmou que participará
de quatro dos debates programados.
O clima amistoso não evitou algumas cutucadas entre candidatos,
como fez Aderbal de Mello, ao lamentar que não poderia questionar
o candidato Salazar Barreiros devido ao critério de sorteios. Para
não perder o embalo, o petista lembrou o adversário Francisco
Menin de que não deveria levar em consideração as
suas três gestões em Santa Tereza do Oeste porque as cidades
têm características e dimensões diferentes. “Cascavel
não é como Santa Tereza, Menin! Aqui a realidade é
outra”.
Depois foi a vez do prefeito Lísias Tomé repreender Menin,
que afirmou ter construído 700 casas em três administrações.
“Eu construí 1.082 casas em três anos e meio e não
cobrei nada”, comparou Lísias.
Na verdade, o prefeito de Cascavel se referiu ao total de moradias construídas,
em execução ou que estão projetadas, caso da Casa
do Professor, que ainda não saiu do papel. Na soma também
entra as mais de 500 casas do Conjunto Rivadávia, que não
é de iniciativa do Município. Esses foram os momentos mais
“quentes” do debate.
O que ficou evidente também é que as propostas - e candidatos
- ainda carecem serem melhores trabalhados. As respostas, na maioria das
vezes evasivas, comprometeram as idéias de trabalho apresentadas.
Faltou clareza ao explicar aos ouvintes/eleitores o que será feito
em cada setor.
Foi a primeira impressão dos candidatos, que devem apresentar uma
munição de calibre maior a partir dos próximos debates.
As principais propostas
A reportagem do Hoje, que acompanhou o debate in loco, pincelou algumas
das propostas apresentadas pelos seis candidatos que participaram ontem
do debate na Rádio Colméia.
O candidato do PT, Aderbal de Mello, propôs para a saúde
a criação do Centro de Especialidades Médicas e Odontológicas,
projeto aprovado pela Câmara de Vereadores, mas vetado pelo prefeito
Lísias Tomé. “Nós vamos implementar no ano
que vem”, disse. A municipalização da coleta de lixo
foi outro ponto evidenciado pelo candidato, que considera o contrato de
hoje abusivo.
Salazar Barreiros (PP) deu ênfase à produção
agropecuária, característica do Município, com atendimento
aos produtores para incentivar a transformação dos produtos
e gerar emprego e renda. A preocupação com o meio ambiente
e a preservação de fundos de vale, conservação
do solo agrícola e matas ciliares, solução para habitações
irregulares, destinação para pneus usados e embalagens de
agrotóxicos também foram destacadas pelo candidato.
O ex-prefeito de Santa Tereza do Oeste Francisco Menin (PR) deu ênfase
ao social defendendo condições de vida digna às famílias,
com emprego e renda, e atenção às crianças
e adolescentes por meio da educação em tempo integral em
todas as escolas. Para a habitação, o candidato quer resolver
o déficit habitacional com o projeto Morar Fácil, de construção
rápida, fornecendo terrenos a R$ 1 o metro quadrado e toda a infra-estrutura.
Os beneficiários financiariam o material.
O candidato à reeleição prefeito Lísias Tomé
(PSC) defendeu sua gestão, lembrando que herdou o contrato do lixo.
Considera-o caro, mas o trabalho bem feito. Ele quer baixar a taxa. Apontou
obras de asfalto - 1,2 mil quadras construídas - creches, postos
de saúde, escolas e salas de aula construídas, além
de implantação do Samu, duas farmácias populares
e praças.
Ivanildo Claro da Silva (Psol) quer uma administração socialista
“e não como vem sendo feito ao logo da história, ‘um
balcão de negócios’”, como definiu. Propôs
acabar com o contrato do lixo e entregar os serviços aos servidores
públicos municipais, quer transparência administrativa, fiscalização
democrática sobre as ações da prefeitura e o uso
dos recursos públicos e auditoria rigorosa das contas municipais.
“A democracia direta, com a entrega do poder à população”.
A candidata Marlise da Cruz (PV) defende o fim do nepotismo, sendo 40%
dos cargos nas mãos de servidores concursados, atenção
ao homem do campo com patrulhas mecanizadas, que já teriam a garantia
do governador Roberto Requião em parceria com o DER, informatização
de todos os setores da administração e a participação
da comunidade nas decisões da administração. A candidata
quer criar um “conselho de notáveis”, pessoas com experiência
nas iniciativas pública e privada para oferecerem suas sugestões.
IMPASSE
Pedidos de informações motivaram adiamento
Prefeitura suspende edital
de licitação das câmeras
A Prefeitura de Cascavel publicou ontem no “Diário Oficial”
do Município a suspensão do edital de licitação
das câmeras de monitoramento para a segurança pública
da cidade. Cinco recursos e muitos pedidos de informações
levaram à decisão de suspender o edital e ampliar o prazo
aos participantes. De acordo com a Divisão de Compras da prefeitura,
o prazo não permitiria responder a todos os pedidos.
As informações constantes no edital são muito técnicas,
o que provocou algumas dificuldades de entendimento por parte das empresas
participantes. Assim, a prefeitura vai refazer o edital, simplificando
alguns termos técnicos e até quarta-feira deve publicar
novamente o documento. Depois disso será marcada uma nova data
para a abertura das propostas, que, a princípio, estava definida
para segunda-feira.
O valor máximo para a aquisição de sistema avançado
de câmeras é de R$ 3,999 milhões. O valor da licitação
é que provocou grande número de pedidos de informações
e recursos. De acordo com a Divisão de Compras, os participantes
não querem perder a concorrência simplesmente pelo não
entendimento dos quesitos exigidos por meio de dados muito técnicos.
A legislação permite que o prazo seja estendido e que nova
data seja marcada.
CRECHES
Prefeitura adianta que vetará projeto
O vereador Jorge Lauxen (DEM), autor do projeto de incentivo às
empresas que implantarem creches para os filhos de funcionários,
reuniu orientadores e monitores dos Cmeis (Centro Municipal de Educação
Infantil) de Cascavel ontem à tarde para acolher sugestões
ao seu projeto.
Mas o secretário de Educação, Elemar Muller, jogou
um balde de água fria nas pretensões do vereador ao adiantar
que o prefeito Lísias Tomé vetará o projeto caso
ele seja aprovado na Câmara de Vereadores. De acordo com o secretário,
a quase unanimidade da equipe da Secretaria vai orientar pelo veto ao
projeto.
Mesmo com o aviso do secretário e com cerca de 50% de funcionários
dos Cmeis contrários ao projeto, o vereador reuniu emendas e vai
buscar apoio dos vereadores para a aprovação em terceira
e última votação.
Os servidores contrários ao projeto de Lauxen alegam que são
favoráveis a novas creches, mas integralmente custeadas pelo Município.
Os monitores e orientadores consideram que o incentivo, descontos de 5%
de ISSQN (Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza) às
empresas que mantiverem creche, pode interferir nos seus salários,
já que reduz a arrecadação do Município.
Não precisa de lei
O secretário de Educação, Elemar Muller, declarou
ontem que o Município pode fazer este tipo de convênio sem
a necessidade de aprovação da Câmara, exceto para
o caso de renúncia de arrecadação. Ele afirmou também
que duas empresas procuraram a prefeitura este ano, mas uma já
tem descontos por dez anos e outra é do setor de comércio
e não tem ISSQN, paga somente o ICMS (Imposto sobre Circulação
de Mercadorias).
Elemar explicou que uma das empresas chegou a pedir que a prefeitura dê
preferência aos filhos de seus funcionários nas vagas de
creches do Município. “Essas empresas são as que mais
arrecadam, que mais benesses têm e que mais sonegam impostos”,
afirmou Elemar Muller.
Outra ressalva do secretário da Educação é
que o governo federal quer acabar com esse tipo de convênio nos
próximos cinco anos. E que a “briga” do Município
é por mais recursos. O vereador Jorge Lauxen, por sua vez, afirma
que, com uma fila de espera de quase 6 mil crianças, não
dá para esperar cinco anos até o governo federal acabar
com os convênios e destinar mais recursos. Hoje o Município
atende em torno de 3 mil crianças. “Nós não
podemos deixar que as mães tenham que deixar os filhos sozinhos
em casa para poderem trabalhar”, argumentou o vereador, explicando
que os descontos de imposto será equivalente ao número de
crianças que a empresa atender, com a fixação de
um teto por criança.
O projeto do vereador prevê ainda que a empresa tem que oferecer
50% das vagas para crianças pobres do bairro.
AGENDA DOS CANDIDATOS
Marlise da Cruz
9h - Marlise e Bacana visitam a 7ª Jornada de Agroecologia na Unioeste
e acompanham a palestra de Aleida Guevara, filha do revolucionário
Ernesto Che Guevara
13h - Marlise se reúne com candidatos a vereador da coligação
Honestidade e Trabalho
15h30 - Marlise faz visitas à comunidade do Bairro Lago Azul
Ivanildo Claro
O dia está reservado para análise com os demais integrantes
da coligação das propostas de governo do candidato.
**os demais candidatos não informaram a agenda
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