Edição nº 4853 - terça-feira, 25 de dezembro de 2007 Classificados | Assinatura | Impressão
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PACAEMBU
Apesar do potencial, o bairro precisa de melhoria na estrutura e na saúde

Rede de esgoto ainda é deficiente

Fruto da especulação imobiliária que marcou o início de Cascavel, o Bairro Pacaembu progrediu conforme a procura de moradores pelo local e atualmente possui poucos problemas a serem resolvido. Um dos principais é a falta de esgoto em 50% do bairro, além da ausência de um posto de saúde adequado para o atendimento. O ex-presidente da Associação de Moradores Ney de Souza reclama da falta de um pediatra e do excesso de clínicos gerais na unidade de saúde, a qual dispõe de três médicos dessa especialidade. Além disso, os médicos têm que se revezar em uma sala improvisada.
O Bairro Pacaembu, de acordo com Ney de Souza, é considerado tranqüilo e a população unida. Segundo ele, a comunidade sempre apoiou a luta para o crescimento local e uma das conquistas, cuidadosamente lembrada por ele, se refere ao Colégio Estadual Pacaembu, que formou esse ano a primeira turma de alunos nascidos no bairro.
Com a chegada da população ao Pacaembu vieram os comércios e a escola, que impulsionou o progresso do bairro, acelerado a partir de 1996. “Um dos primeiros fatores que ajudaram o bairro a crescer foi a construção do colégio estadual, que ajudou a destacar”, revela. Bem antes dos moradores receberem a estrutura escolar, o atual posto de saúde servia de escola e igreja para os primeiros moradores do Pacaembu, que conheceram um bairro com apenas duas ruas asfaltadas.
Um deles é o aposentado Pedro Boiko, 77. Ele se mudou para o bairro, com sua família, em 1990 e recorda que, na época, foi o local com os terrenos mais baratos da cidade.
A procura, segundo ele, se deu ao dinheiro desvalorizado que recebeu após o confisco do então presidente da República, Fernando Collor de Mello. “Começamos a procurar o lugar mais barato, por causa do ‘amigo’ Collor. Com o dinheiro que ele devolveu não se pagava nada”, recorda. A população começou a crescer e hoje Pedro não se arrepende da decisão tomada há 17 anos. “Hoje o bairro tem tudo. Gosto daqui porque é calmo”, afirma.
A velha escolinha que ensinou seus filhos a ler e a escrever ainda está na memória no pioneiro. “A escola era de madeira, servia de igreja. A gente tinha que ter cuidado para não cair no buraco das madeiras”, relembra.


NOME
Fábrica de óleos definiu o nome do bairro

Para os moradores, o nome do Bairro Pacaembu faz referência a uma antiga indústria de óleos, cuja estrutura é hoje ocupada pela Diplomata. No local funcionou a grande empresa paulista, Óleos Pacaembu, que, segundo o escritor e historiador Alceu Sperança, “montou esmagadoras indústrias junto a centros de produção, como aqui no Paraná e no Mato Grosso do Sul. Mesmo ganhando muito dinheiro, a empresa faliu por má administração”.
O pioneiro Pedro Boiko recorda que a escolha do nome Pacaembu não se deu devido à instalação da indústria, já que ela chegou ao bairro quando já havia moradores. Sperança também confirma a versão do pioneiro. “Quando a indústria foi instalada, já havia moradores na área e, como tantos outros na época, era um loteamento originalmente clandestino. Ao ser regularizado, em 1974, recebeu esse nome porque a indústria paulista já estava fazendo ali a recepção de soja”.
De acordo com o escritor, o batismo do bairro também é uma homenagem ao bairro paulista, que abriga o Estádio do Pacaembu. “O nome, como tantos outros, tem inspiração externa”, afirma.


RUAS
Cidades do Paraná e países da América do Sul

O Bairro Pacaembu possui 26 ruas e elas se referem a algumas cidades do Paraná, personagens da história e países da América do Sul. A prevalência é das cidades paranaenses, como Céu Azul, Matelândia, Capitão Leônidas Marques e Francisco Beltrão. Martin Afonso de Souza e Bartolomeu de Gusmão também configuram as ruas do bairro. O único loteamento que foge a regra de nome e de estrutura é o Nacional, no qual as ruas Chile, Bolívia, Peru e Venezuela não possuem asfalto.


Estrutura comercial
O Pacaembu conta com uma ótima estrutura comercial, concentrada nas Avenidas Brasil e Rocha Pombo. São dois supermercados, um de grande porte e outro médio, duas farmácias, uma panificadora, uma marcenaria e uma agropecuária. O que predomina no bairro são as concessionárias, três de carro e uma de moto, além das inúmeras garagens de carros seminovos.
Também existem algumas mecânicas de veículos leves e pesados, chapeações, metalúrgicas, duas indústrias gráficas, o Centro de Convenções e Eventos de Cascavel, uma indústria de óleo e o kartódromo. Porém, não há lojas de confecções e calçados.
O bairro conta com uma igreja católica, a Capela Nossa Senhora das Graças, que vai ganhar uma sede nova, e duas evangélicas, a Assembléia de Deus e Testemunha de Jeová.


FALA MORADOR

“O Pacaembu é um bairro bom para se morar, porque oferece uma boa estrutura. A área da saúde é que precisa melhorar, pois temos posto de saúde, mas está faltando médico e, para conseguir uma consulta, a gente precisa madrugar para pegar ficha. Na área da educação estamos bem porque temos duas escolas, uma municipal e uma estadual. A segurança poderia ser melhor, sofremos um pouco com o som alto dos carros que passam por aqui e param nas ruas. Outra coisa que poderia ser melhor é a limpeza dos lotes baldios, alguns estão com o mato bem alto”.
Marli de Oliveira, 44 anos, dona de casa

“Moro aqui, no Pacaembu, faz sete anos e gosto bastante do bairro, porque ele é tranqüilo. Constantemente temos a presença da polícia aqui pelo bairro e isso é bom, porque é feito um trabalho de prevenção e nos sentimos seguros. Temos uma boa estrutura também, como o posto de saúde que presta um bom atendimento e as duas escolas, uma municipal e uma estadual. A vizinhança é boa, todas pessoas trabalhadoras”.
Josmar Felisbino, 48 anos, comerciante

“Gosto bastante de bairro, moro aqui desde que nasci. O local é tranqüilo e temos uma estrutura boa. O asfalto tem uma boa qualidade, assim como o atendimento do posto de saúde, que é bom. O único problema nesta área da saúde é que está faltando pediatra e quando preciso levar o meu filho consultar vou sempre ao PAC [Posto de Atendimento Continuado]. A educação também é boa, falta uma creche, mas tivemos a informação de que vai sair uma aqui próxima. Na questão da segurança ela é tranqüila, a Polícia passa sempre por aqui”.
Simone Franciele de Souza, 23 anos, dona de casa



CENÁRIO
O Centro de Convenções e Eventos é a principal referência do Bairro Pacaembu. O local que foi construído na gestão do prefeito Salazar Barreiros, é palco de grandes shows e eventos da cidade. No interior do Centro, fica localizado o Anfiteatro Emir Sfair, construído anos depois, na gestão do prefeito Edgar Bueno, local onde são realizados diversos eventos da cidade, com capacidade para aproximadamente 800 pessoas sentadas.
Outro ponto de lazer é a Praça Itália, inaugurada no ano passado e que hoje o principal atrativo do bairro.

Casa própria
O Bairro Pacaembu é formado por famílias de classe média que estavam em busca de um bom lugar para morar. “Praticamente todos que compraram terrenos construíram para aqui ficar”, diz Ney de Souza, ex-presidente da Associação de Moradores do Bairro Pacaembu. Aproximadamente 90% dos moradores vivem em casas próprias e dificilmente encontra-se uma casa para alugar. “As casas não ficam mais de dois dias com a placa de aluga-se”, complementou Ney.
A grande quantidade de novas construções no bairro e nas proximidades está fazendo com que o preço dos poucos terrenos ainda não ocupados aumente. “Cerca de 20% dos terrenos são usados na especulação imobiliária”, contou Ney. Um dos destaques da região é a construção de condomínios fechados. O primeiro bloco de um novo condomínio de prédios já está sendo erguido e em breve, os lotes de um condomínio de casas devem começar a ser comercializados.

 


Festa sem álcool
Uma característica do bairro é a festa sem álcool. A idéia foi de integrantes da igreja e há cinco anos é colocada em prática. “A festa ocorre em novembro, quando é comemorado o Dia da Padroeira”, explica Ney de Souza, ex-presidente da Associação de Moradores do Bairro Pacaembu. É um domingo em que não existe bebida alcoólica.
No começo, os organizadores enfrentaram muitas críticas. “No início foi difícil, mas agora as pessoas já se acostumaram”. A renda da festa é destinada à construção de uma nova sede para a Capela Nossa Senhora das Graças. A obra deve custar R$ 500 mil.

 

ESPORTE
Taekwondo se fortalece,
enquanto futebol acaba

Funcionando há mais de três anos, a Escola de Taekwondo, patrocinada pela Associação de Moradores do Bairro Pacaembu, irá exportar valores. Alguns atletas que se destacaram em competições e passaram por um processo seletivo foram fazer testes em uma academia de Recife. A ida desses atletas para Pernambuco faz parte de um intercâmbio entre as duas entidades.
A comunidade do Pacaembu conta uma quadra poliesportiva, construída no terreno da Associação de Moradores, e é usada pela escola municipal. Um outro projeto esportivo é o da ginástica, que atende mais de 35 mulheres. As aulas são ministradas no salão comunitário. O projeto é desenvolvido pela Semel (Secretaria Municipal de Esporte e Lazer).
ESCOLINHA FECHADA
O bairro contava com uma escolinha de futebol que fechou em 2006 por falta de apoio e de local para treinar. Por não terem local apropriado, os garotos eram obrigados a se deslocar para outros bairros, desagradando os pais e, por isso, a escolinha foi desativada. Isso deixou evidente a necessidade que o Pacaembu tem de um campo de futebol.



Emprego
No período de recesso procura por emprego diminui

Sobram vagas no
mercado de trabalho

Terminar o ano com emprego e carteira assinada é o presente que muita gente pediu para o papai-noel. E se em outras épocas seria um pedido difícil, este ano, em Cascavel, sobram vagas no mercado de trabalho.
Segundo levantamento feito junto a Agência do Trabalhador, na Capital do Oeste estão disponíveis 205 vagas, algumas delas há muito tempo. Falta mão de obra especializada para alguns setores e, em alguns casos, falta de procura de pessoas que não estão inseridas no mercado.
O ano foi altamente positivo para o emprego formal. Em 2007 foram criadas 5 mil novas vagas de trabalho e há oferta para mais, pois além da Agência do Trabalhador, as próprias empresas dispõe de meios próprios para oferta de vagas, como anúncios de jornais e banco de dados, por meio de cadastramento de currículos.
Este ano, segundo o Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), foram criados quase 5 mil novas vagas com carteiras assinadas em Cascavel, o que representa um aumento de 67% em relação a 2006. O setor de construção civil foi o que mais empregou.
Muitas vagas
Basta uma simples pesquisada na lista de empregos disponíveis na Agência do Trabalhador para perceber que há vagas para todos os tipos, desde as que exigem curso superior até a oferta àqueles que não têm experiência.
As empresas recrutam desde auxiliares para setores administrativos, como cozinheiros, motoristas, mecânicos, costureiros e zeladores, entre outros.
Há, por exemplo, 36 vagas disponíveis para auxiliares financeiros. Mas ninguém precisa mais de mão de obra do que o setor de produção. São 80 vagas disponíveis para trabalhar nas industrias de Cascavel.
A consulta das vagas também pode ser feita pela Internet, pelo endereço www.sine.pr.gov.br, onde é possível verificar ofertas de todo o Paraná.


Procura diminui

A Agência do Trabalhador de Cascavel registrou uma diminuição na procura por emprego no mês de dezembro. “Geralmente atendemos 200 pessoas por dia. Neste mês, não passou de 50”, diz Carlos Alberto Vichoski, subgerente da Agência do Trabalhador.
A maioria dos atendimentos feito nesta época é com relação ao seguro desemprego. “As pessoas ficam com medo da agência entrar em recesso e eles ficarem sem o dinheiro do seguro”, explica Carlos.
Ele lembra que a agência entra em recesso, mas a maioria das empresas e a oferta de vagas continuam normalmente. “Hoje temos 205 vagas disponíveis. As pessoas têm que ficar atentas, entrar em contato direto com as empresas, não depender somente da agência”.
Já o CPA (Central do Profissional Autônomo) sempre registra um aumento na procura por profissionais. “As pessoas aproveitam o fim de ano e as férias para colocar a casa em dia. Pintores, jardineiros e diaristas são bem procurados”, afirma o subgerente.
A agência volta a atender no dia 02 de janeiro em horário especial, das 8h às 16h.

NATAL
Presentes de última hora
movimentam o comércio

Quem esqueceu de algum presente ou ainda não havia adquirido aqueles para a troca entre amigos e familiares na noite de Natal, aproveitou ontem, véspera da data. O movimento no Centro de Cascavel foi intenso logo pela manhã e as lojas ficaram lotadas de consumidores. Outros locais que tiveram uma boa procura foram os minishoppings, um dos locais preferidos de boa parte da população e que ficaram abertos até o início da noite.
A gerente de uma loja de calçados do Centro da cidade Amélia Joana Johann confirmou que muitas pessoas deixaram para comprar os presentes na última hora e, por isso, ontem o dia foi movimentado. Segundo ela, os melhores dias de vendas foram sexta-feira e sábado, já o domingo em que as lojas ficaram abertas, não houve a procura esperada. “Foi devagar o domingo, esperávamos mais vendas”, disse.
Ângela Mara Micoanski, caixa de uma loja que vende jeans, também reforçou a baixa procura pelos presentes domingo, mas que o dia acabou compensado pelos, outros como o sábado, que deu um bom movimento e na véspera, já que logo cedo a loja tinha uma boa quantidade de consumidores.
A vendedora de uma loja de roupas Sandra Aparecida Konzen enalteceu o movimento neste fim de semana. “Mesmo as pessoas deixando para comprar na última hora as vendas estão bastante aquecidas”, reforçou. Para ela, pelo domingo ter sido um pouco fraco as vendas da segunda-feira prometiam. “Com certeza haverá um bom movimento nesta véspera”, enfatizou.
Não foi para todos que o domingo não foi dos melhores. Nos minishoppings o movimento do dia foi bom. A comerciante Marlene da Silva Bertolino disse que as vendas foram intensas em todo o fim de semana, inclusive, domingo e que na véspera as lojas ficariam abertas até atender a todos os clientes. “Estamos com as vendas aceleradas”, comemorou.


POPULAÇÃO
Em busca dos últimos presentes

Algumas pessoas aproveitaram a segunda-feira, véspera de Natal, para comprar os últimos presentes para a noite natalina, outros apenas para passear. A encarregada administrativa, Célia da Silva, aproveitou a segunda-feira de folga para dar uma olhada nas vitrines. “Hoje só estou passeando, não deixei nada para a última hora comprei tudo antes”, relatou.
Juliano Montanari, auxiliar administrativo, foi uma das pessoas que aproveitou o domingo para gastar. “Para mim foi bom as lojas ficarem abertas no domingo, porque trabalhei no sábado e pude pesquisar o que queria no domingo, sem pressa”, apontou. Na manhã de ontem ele foi até o centro da cidade acompanhar a mãe para comprar os últimos presentes.
A empresária Viviane Bertoli foi até um minishopping na manhã de ontem acompanhar a filha. “Muitas pessoas deixam para a última hora, mas eu comprei tudo antes, vim até aqui para acompanhar minha filha que deixou para hoje algumas compras”, contou.

Foto personagem:
“Hoje que é véspera o dia promete”
Amélia Joana Johann, gerente

“Muitos deixam para o limite de fechamento”
Ângela Mara Micoanski, caixa

“O domingo não foi o que esperávamos”
Sandra Aparecida Konzen, vendedora

“Comprei os presentes no domingo, dia 23”.
Juliano Montanari, auxiliar administrativo

“Antecipei todos os presentes”
Célia da Silva, encarregada administrativa

“Vim acompanhar minha filha nas compras”
Viviane Bertoli, empresária


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