HUOP
Família pede agilidade em diagnóstico
A dona-de-casa Célia Chagas de Lima procurou o Hoje em busca de ajuda para o seu marido, o vendedor Carlos Alberto Anastácio, 45, que desde o dia 18 está internado no HU (Hospital Universitário) de Cascavel sem um diagnóstico de sua enfermidade.
“Ele passou mal no sábado [dia 16]. Fomos para o PAC II [Posto de Atendimento Continuado] três vezes e só davam um remédio e o mandavam para casa. No dia 18 ele teve uma crise de dor e voltamos para o PAC e então nos encaminharam para o HU”, conta Célia.
Carlos não consegue fazer as necessidades fisiológicas, o que faz com que sua barriga fique inchada. “Não tenho do que reclamar do atendimento, apenas gostaria de uma solução para o meu caso. Não agüento mais a dor, se for para ficar aqui, deitado, sem resposta, prefiro ir para a minha casa”, afirma Carlos.
“Eu me ofereci para pagar o exame que ele tem de fazer, mas me disseram que é contra as normas do SUS [Sistema Único de Saúde]. Então o que fazer? Deixá-lo gritando de dor o tempo todo?”, indaga Célia.
De acordo com profissionais do pronto-socorro, o quadro do paciente é considerado estável, mas ainda não possuem um diagnóstico devido à superlotação. “Estamos fazendo o possível e o impossível. Tem muita gente. Ele passará por uma ecografia segunda-feira [hoje]”, explicou uma enfermeira.
No início da noite de ontem Célia entrou em contato com o Hoje para informar que a situação mudara.
“Passaram a dar mais atenção e o mudaram para uma ala, mas ainda aguardamos uma resposta do hospital”.
O diretor-geral do HU, Alberto Pompeu, não atendeu ao telefone celular.
ZOONOSES
Recursos seriam a contrapartida para a construção do projeto
Justiça manda Município
explicar uso de R$ 113 mil
O juiz da 1ª Vara Cível de Cascavel, Fabrício Mussi, determinou que o Município demonstre o destino do montante de R$ 113.307,06 reservados à contrapartida da verba federal recebida para a construção do Centro de Controle de Zoonoses de Cascavel. A quantia de R$ 493.794,08, depositada nos cofres públicos pela Funasa (Fundação Nacional de Saúde) em 2003, foi restituída pelo Município em fevereiro deste ano devido ao não cumprimento do contrato, mas, em uma ação civil pública, o promotor Ângelo Ferreira pede que a administração pública cumpra a obrigação de edificar a unidade, conforme Convênio 385/02, firmado entre a prefeitura e a Funasa.
Segundo o promotor na ação, o objeto do pedido foi a omissão da administração pública que, por dever constitucional, deveria prestar um serviço relevante à saúde em matéria de prevenção e não o fez. “A devolução do recurso público apenas aumenta a distância entre a satisfação do dever legal de base constitucional e contratual pretendida e a conduta do demandado diminui em nada o dever a ele imposto, pelo contrário, enaltece sua responsabilidade pelo ato ilícito e a perda do recurso gerando um viés ainda não apontado de se agir indevido, qual seja, a improbidade administrativa do prefeito de Cascavel”, ressalta Ângelo em um trecho da ação.
De acordo com despacho do juiz, além de explicar onde foi aplicado o recurso, o Município terá que indicar e fornecer parte da Lei de Diretrizes Orçamentárias e da Lei Orçamentária de Cascavel que no período do convênio contemplavam as exigências e a previsão do recurso próprio de contrapartida. Determina ainda que o Escritório Regional da Funasa em Curitiba informe se a fundação anuiu previamente com a rescisão do contrato decorrente do convênio, se foram fixadas condições para o cancelamento e que forneça o documento prévio ao recebimento da devolução dos recursos públicos pela qual foi ajustada a rescisão.
De acordo com o procurador do Município, Antonio Linares, o departamento ainda não recebeu a intimação do juiz, e por isso, irá se pronunciar somente após tomar ciência da notificação.
Uma das principais funções do Centro de Zoonoses é a retirada de cães e gatos das ruas e o controle de infecções e doenças que podem ser adquiridas em contato com animais.
Entenda o caso
Em 2001 a prefeitura enviou um projeto para a construção do Centro de Zoonoses de Cascavel para a Funasa, que aprovou o documento em 2002 e firmou convênio que previa orçamento para a obra de R$ 1,1 milhão. A primeira parcela da verba foi depositada nos cofres públicos dia 27 de junho de 2003 e as demais seriam depositadas de acordo com a execução da obra.
Como a edificação não foi iniciada, em 19 de maio de 2005 o MP (Ministério Público) recomendou administrativamente ao Município que em 90 dias desse início à construção. O prazo se extinguiu em 19 de agosto de 2005 sem respostas.
Devido ao não cumprimento da recomendação, este ano o promotor Ângelo Ferreira entrou com a ação civil pública na qual pede que o Município seja obrigado a executar o projeto inicial.
A prefeitura teve de devolver a verba federal à União por não ter iniciado a obra.
SANTA CATARINA
Hospital reabre os 42 leitos pelo SUS
A 10ª Regional de Saúde liberou todos os 42 leitos do Hospital Santa Catarina cadastrados no SUS (Sistema Único de Saúde) para atendimento de baixa e média complexidades à população de Cascavel.
A decisão foi tomada depois de uma reunião entre a direção do hospital e a Vigilância Sanitária do órgão estadual. “Os leitos foram liberados porque foi constatado que o hospital já tinha condições para receber os pacientes”, afirma o chefe da 10ª Regional de Saúde, Jorge Trannin.
A instituição já estava atendendo com 20 leitos do SUS antes da liberação e recebia os pacientes do Siate , Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) e os encaminhados pela Central de Leitos para cirurgia eletiva.
Quanto à abertura de atendimento em alta complexidade, o chefe da 10ª Regional de Saúde afirma que tudo depende do próprio hospital na agilização da instalação de uma UTI (Unidade de Terapia Intensiva).
O processo deve ser lento, porque o Estado não repassará os equipamentos ao Santa Catarina solicitados pela direção. “Disse para ele [Mauro Fujiwara, proprietário do hospital] que isso não seria possível porque senão também teremos de viabilizar uma UTI para o HU [Hospital Universitário] e não temos como fazer isso”, argumenta Trannin.
O proprietário do hospital, Mauro Fujiwara, não foi encontrado para comentar sobre a instalação da UTI no Santa Catarina.
REDE PÚBLICA
Escolas devem receber mais computadores até o fim do ano
Governo entrega máquinas,
mas esquece da estrutura
As escolas estaduais de Cascavel e região estão recebendo computadores do Estado por meio do Programa Paraná Digital. Segundo o Núcleo Regional de Educação, em Cascavel, 16 colégios já receberam os equipamentos e até o fim do ano todos contarão com as máquinas, que serão conectadas à internet. Em algumas instituições já foi feita a instalação. No entanto, por enquanto o projeto está subutilizado porque falta estrutura e um funcionário para manter as salas em ordem.
O Colégio Estadual Cataratas, por exemplo, já recebeu os computadores e aguarda a instalação.
O diretor do Colégio Estadual Jardim Consolata, Paulino Pereira da Luz, conta que os computadores não foram instalados. “Não está funcionando ainda e não temos um monitor, uma pessoa encarregada. O Estado não fez a contratação para a área de informática. É extremamente complicado, já que quando o professor for dar aula no laboratório, não terá como orientar cerca de 30, 40 alunos. Teria que haver uma pessoa para monitorar os estudantes no laboratório”, observa Paulino.
As novas máquinas ainda não chegaram para os alunos do Colégio Estadual Ieda Baggio Mayer, mas a secretária Silvana Rodrigues esclarece que os computadores chegarão em poucos dias. “Na verdade os alunos desfrutarão somente no ano que vem da informatização. Mas ainda não sabemos quem vai orientá-los nos laboratórios”, observa.
No Colégio Estadual Marechal Castelo Branco as máquinas também não chegaram. “Recebemos até agora mesas e cadeiras. Daqui alguns dias chegam os computadores. O problema é que não teremos pessoas preparadas para monitorar os estudantes”, destaca o vice-diretor Deonir Giacomini.
Somente promessas
O Colégio Estadual Jardim Nova Itália ainda não recebeu as máquinas. A secretária Hilda Maria Souza dos Santos explica que a instituição recebeu duas vezes mesas e cadeiras para a sala de informática. “Recebemos mesas e cadeiras este ano e há alguns anos, mas nada de computador. O laboratório está construído. Já ligamos para reclamar, já enviamos ofício. Até os computadores da secretaria estão em mau estado. O governo não é fácil. As promessas ocorrem somente por causa da eleição”, salienta Hilda.
Direitos
Segundo o assessor pedagógico do Núcleo Regional de Educação, João Berti, das 92 escolas que o núcleo de Cascavel atende, 60 já fizeram licitação para receber computadores. “A maioria não tem laboratório de informática. O objetivo do governo é que todas tenham acesso à internet”, explica João.
Ele diz que não sabe como ficará a situação da contratação de pessoas responsáveis pelos laboratórios. “O que se comenta é que tenha um responsável”, esclarece.
Projeto antigo
O Colégio Estadual Olivo Fracaro, do Bairro Morumbi, já conta com laboratório de informática, que tem oito computadores. Ele foi beneficiado com o projeto do Estado chamado Proinfo (Programa Nacional de Informática na Educação) e agora também receberá novas máquinas pelo Programa Paraná Digital. “O objetivo do projeto é atingir 100% da informatização”, diz o assessor pedagógico João Berti.
Segundo a secretária Nelci Taborda, o Colégio Estadual Olivo Fracaro receberá mais 20 computadores. “Não temos uma pessoa responsável para cuidar dos laboratórios. Deveria ter. Os computadores acabam estragando, já que não tem quem cuide e oriente os alunos que não têm muito domínio”, declara Nelci.
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