MENSALÃO
Ex-ministro não será processado por peculato
STF transforma 19 em réus;
Dirceu e Genoino escapam
Após o terceiro dia de julgamento, ontem, o STF (Supremo Tribunal
Federal) já transformou em réus 19 dos 40 denunciados por
suposta participação no esquema do “mensalão”.
Entre eles estão os ex-ministros Luiz Gushiken (da Secretaria de
Comunicação da Presidência) e Aderson Adauto (Transportes),
os deputados federais João Paulo Cunha (PT-SP) e Paulo Rocha (PT-PA),
o publicitário Marcos Valério e os ex-deputados Professor
Luizinho e João Magno.
Os ministros rejeitaram, no entanto, a denúncia por crime de peculato
contra o ex-ministro José Dirceu, o deputado federal José
Genoino (PT-SP), o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares e o ex-secretário-geral
do PT Silvio Pereira. Os quatro foram ainda denunciados por formação
de quadrilha e corrupção e podem vir a responder por esses
crimes. Essas acusações ainda não foram analisadas
pelo STF.
O ex-ministro Gushiken será processado por peculato após
decisão da maioria do plenário do STF - foram seis votos
a quatro. A aceitação havia sido recomendada pelo relator,
ministro Joaquim Barbosa. Por meio de sua assessoria de imprensa, o ex-ministro
divulgou nota em que nega participação no “mensalão”.
O plenário do Supremo definiu ainda outros nove réus: o
deputado federal João Paulo Cunha (PT-SP); os publicitários
Marcos Valério, Ramon Hollerbach e Cristiano Paz; os diretores
do Banco Rural Kátia Rabello, José Roberto Salgado, Ayanna
Tenório e Vinícius Samarane; e Henrique Pizzolato, ex-diretor
de Marketing do Banco do Brasil.
Após mais de 20 horas de sessão para apreciar a denúncia
contra 40 acusados de envolvimento com o mensalão, o STF encerrou
o terceiro dia de julgamento. A previsão é que o julgamento
se estenda até terça-feira.
RIO PARANÁ
Alvaro cobra informações
sobre indenizações no PR
O senador Alvaro Dias (PSDB/PR) pediu à ministra do Meio Ambiente,
Marina Silva, que encaminhe informações ao Senado sobre
o pagamento das indenizações pelo Ibama (Instituto Brasileiro
do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) para famílias
que foram desapropriadas de áreas rurais localizadas na área
de proteção ambiental das ilhas e várzeas do Rio
Paraná. O senador apresentou requerimento solicitando dados sobre
os valores a serem pagos, os beneficiários e, quando for o caso,
as razões para o não pagamento da indenização.
A área de proteção ambiental das ilhas e várzeas
do Rio Paraná e o Parque Nacional da Ilha Grande foram criados
pelo governo federal em setembro de 1997. Aproximadamente 3 mil famílias
tiveram seus terrenos desapropriados. “O Ibama vem interpondo recursos
na tentativa de retardar o pagamento, deixando muitos desapropriados em
difícil situação econômica. Precisamos conhecer
os motivos do Instituto para podermos cobrar uma solução
definitiva para o problema”, disse o senador na justificativa do
requerimento.
CASO RENAN
Senador quer voto secreto
O presidente do Conselho de Ética do Senado, Leomar Quintanilha
(PMDB-TO), quer votação secreta no processo contra o presidente
da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL). Para dar respaldo jurídico,
foi requisitado que uma consultoria faça a análise sobre
a proposta.
Segundo Quintanilha, a idéia é baseada na votação
do plenário em casos de cassação de mandato de parlamentares.
“Tenho convicção de que o plenário do Senado
é soberano e, ali, determina-se que o voto é secreto. Por
isso, se o voto no plenário é secreto, eu entendo que os
demais também têm que ser”, disse o presidente do Conselho
de Ética ontem.
Com o voto secreto, senadores poderiam sentir-se desinibidos na votação.
Dos 14 membros titulares do Conselho, Democratas e o PSDB juntam cinco;
os governistas, cinco; e o PMDB, quatro senadores. A outra vaga é
composta por Jéferson Peres (PDT-AM).
Quintanilha afirmou que terça-feira haverá uma reunião
com os três relatores: Renato Casagrande (PSB-ES), Marisa Serrano
(PSDB-MS) e Almeida Lima (PMDB-SE). O objetivo do encontro é para
tentar costurar um acordo e evitar que sejam apresentados dois relatórios
no Conselho: um pedindo a cassação e outro, a absolvição.
Renúncia
A diretora da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil),
Denise Abreu, entregou ontem carta de renúncia ao ministro Nelson
Jobim (Defesa). Em nota lida por um assessor da agência, Denise
Abreu alegou motivos pessoais para deixar o cargo.
Na carta, a diretora solicita a renúncia “em caráter
irretratável, por motivos pessoais”. Abreu pediu que a sua
carta de renúncia fosse encaminhada ao presidente Luiz Inácio
Lula da Silva, a quem vai prestar esclarecimentos sobre as razões
que a levaram a tomar essa decisão. Desgastada por quase um ano
de crise aérea, pela tragédia do vôo 3054 e, desde
o início desta semana, pela acusação de que teria
apresentado um documento sem validade à juíza Cecília
Marcondes, do TRF (Tribunal Regional Federal) da 3ª Região,
Abreu não resistiu. A norma inexistente de segurança tinha
como objetivo derrubar a restrição de uso da pista do aeroporto
de Congonhas.
Tranqüilo
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem, em Piraquara,
no Paraná, que ele e o governador do Estado, Roberto Requião
(PMDB), podem pensar tranqüilamente em como fazer uma boa administração,
porque não precisam pensar em embates eleitorais.
“Tenho mais três anos e meio de mandato, os prefeitos têm
mais um ano e pouco. Tem eleição [em 2008], todo mundo está
pensando só naquilo até outubro do ano que vem. Requião
e eu estamos mais tranqüilos porque não temos que fazer enfrentamento,
nós temos que governar”. Eleitos no ano passado, Lula e Requião
ficam no cargo até 2010.
INVESTIMENTO – Apenas Foz, Cascavel e Toledo terão recursos
PAC de Lula renderá
R$ 85 milhões ao oeste
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou ontem, no Guarituba,
em Piraquara (Região Metropolitana de Curitiba), o investimento
de R$ 1,25 bilhão do PAC (Programa de Aceleração
do Crescimento) em obras de saneamento básico e urbanização
de favelas e ocupações irregulares em 35 municípios
do Paraná, onde vivem 2,8 milhões de pessoas.
Deste total, R$ 85,1 milhões serão destinados a Cascavel,
Foz do Iguaçu e Toledo, que somadas às contrapartidas do
Estado e dos três municípios, chegarão a R$ 94,6 milhões.
Acompanhado pelo governador Roberto Requião e pelos ministros Paulo
Bernardo (Planejamento) e Márcio Fortes (Cidades), Lula visitou
as obras do Novo Guarituba - a maior obra de regularização
fundiária e urbanização em andamento no País
- antes de fazer o anúncio dos investimentos do PAC. O lançamento
atraiu milhares de pessoas, a maioria moradores do bairro.
“Se os governantes de 20, 30 anos atrás tivessem agido corretamente,
não teríamos tantas favelas. Vocês, homens e mulheres
que moram nas favelas desse País, são tão brasileiros
e tão cidadãos quanto o presidente da República.
O governador, os prefeitos e nós temos que dar a vocês apenas
o direito de viver com dignidade”, discursou Lula.
A maior parte do dinheiro do PAC - R$ 1,058 bilhão, ou 85% do total,
dos quais R$ 274,2 milhões do Orçamento Geral da União
e R$ 792,6 milhões de linhas de financiamento - vem do governo
federal. O Governo do Paraná irá investir R$ 143,6 milhões,
e as 35 prefeituras, R$ 39,6 milhões. “Os recursos estão
liberados, e não serão contingenciados. O dinheiro será
repassado pela Caixa Econômica Federal conforme o andamento das
obras”, garantiu Márcio Fortes.
OESTE
Cascavel receberá R$ 29,4 milhões no total, sendo 26,3 milhões
de recursos do governo federal e R$ 3,1 milhões de contrapartida,
para o sistema de esgotamento sanitário, ligações
domiciliares, projetos complementares e desapropriações.
Toledo ficará com R$ 12,5 milhões, dos quais R$ 10,4 milhões
serão de investimentos federais, para que o Município aplique
em urbanização, impermeabilização, desapropriação,
instalações elétricas e projeto social.
Já Foz do Iguaçu ficará com a maior fatia. Terá
investimentos federais na ordem de R$ 22,7 milhões para a ampliação
da rede coletora, ligações prediais, trabalho sócio
ambiental, implantação de quatro reservatórios, ligações
domiciliares, desapropriações, instalações
elétricas e projeto social, além de outros R$ 25,7 milhões
para urbanização do Loteamento James Rossato. O total, com
a contrapartida, chega a R$ 52,7 milhões.
PARANÁ
Lei que isenta pedágio
vigora a partir de terça
A partir de terça-feira os veículos emplacados nas cidades
do Paraná onde estão localizadas as praças de pedágio
estarão isentos do pagamento da tarifa. A gratuidade está
garantida pela lei estadual 15.607, sancionada e regulamentada pelo governador
Roberto Requião. A regulamentação vai ser divulgada
na edição do “Diário Oficial” do Estado
que circula segunda-feira.
Segundo o texto da regulamentação, os veículos que
ficam isentos do pagamento da taxa de pedágio “são
aqueles com domicílio já comprovado, por ocasião
do emplacamento nos municípios onde estão localizadas as
praças de pedágio, conforme exigência do Código
nacional de Trânsito”. O benefício vale apenas para
a praça referente à placa do veículo. A medida atinge
27 municípios, entre eles Cascavel, cuja praça está
localizada na BR-277, saída para Curitiba.
FUNDEB
Municípios tentam barrar perdas
Descontos em repasses do Fundeb (Fundo de Desenvolvimento da Educação
Básica), cuja realidade na região oeste é prejudicial
do ponto de vista econômico à quase totalidade dos municípios,
é um problema que os prefeitos querem enfrentar para fazer frente
à queda de arrecadação da qual estão se submetendo.
Esse foi um dos temas debatidos durante a assembléia da Amop (Associação
dos Municípios do Oeste do Paraná) realizada em Maripá.
Ao mesmo tempo, o governo lança a proposta de instituir mais um
instrumento que deverá penalizar as administrações
municipais, a DRU (Desvinculação de Repasses da União),
que “abocanha” uma parte dos recursos de origem local arrecadados
pelas prefeituras, como ISSQN (Imposto Sobre Serviços de Qualquer
Natureza) e IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano). “Se não
houver uma forte reação dos defensores do municipalismo,
as cidades, mais uma vez, sairão perdendo com uma nova drástica
diminuição na arrecadação”, comentou
o prefeito de Matelândia e presidente da Amop, Edson Primon.
A única compensação ocorrida até agora, na
opinião do presidente da Amop, foi o aumento de 1% no repasse do
FPM (Fundo de Participação dos Municípios), o que,
segundo ele, e uma medida ínfima e tímida perante os descontos
e perdas acumuladas a que os municípios estão e continuam
sendo submetidos.
DÍVIDA RURAL
Os critérios para a prorrogação das parcelas de custeio
e investimentos agropecuários das safras 2003/2004, 2004/2005 e
2005/2006, vencidas e vincendas em 2007 foram encaminhados ontem pela
Diretoria de Agronegócio do Banco do Brasil, em Brasília,
às agências bancárias de todo o País, por meio
de instrução interna. A renegociação da dívida
agrícola das safras passadas foi recentemente aprovada pelo Conselho
Monetário Nacional. Os produtores rurais contemplados pela prorrogação
já podem procurar as agências bancárias e iniciar
as negociações.
Confiança
A maioria dos empresários do comércio de bens, serviços
e turismo do Paraná espera crescimento nas vendas no segundo semestre
deste ano. Conforme 78,57% dos entrevistados que participaram da Pesquisa
de Opinião do Empresário do Comércio do Paraná,
realizada pela Federação do Comércio em maio e junho
passados, as expectativas para o restante do ano “são positivas”.
Mesmo sendo um percentual considerável de otimistas, ele é
menor do que as expectativas apuradas no final do ano passado, quando
84,54% dos empresários do setor consideravam o primeiro semestre
de 2007 como “muito positivo”.
Dólar cai
O dólar fechou em forte queda ontem, influenciado pela entrada
de divisas no País, e completou o terceiro dia seguido de baixa
em meio à recuperação dos mercados internacionais.
A moeda norte-americana fechou a R$ 1,943, em baixa de 2,26%. Na semana,
o dólar acumulou desvalorização de 4%, mas ainda
registra alta de 3,19% no mês.
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