PAC
Não há máquinas nem mão-de-obra especializada
suficientes
Falta de estrutura pode
comprometer as obras
Depois de solucionados os problemas com licenciamento ambiental e licitações,
o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) pode enfrentar
mais obstáculos que vão atrasar a conclusão das obras.
O ritmo mais acelerado da economia está gerando uma falta de equipamentos
e profissionais qualificados para os projetos.
Segundo o jornal, o fenômeno pode causar atrasos e encarecer os
projetos, que estão sendo modificados para contornar a falta de
insumos e equipamentos. As dificuldades, como a falta de guindastes, por
exemplo, já afetam obras como o Completo Petroquímico, no
Rio de Janeiro; o Rodoanel, em São Paulo; Companhia Siderúrgica
do Atlântico, também no Rio, e a Refinaria Abreu de Lima,
em Pernambuco.
Somente nessas obras levantadas, estão previstos investimentos
de R$ 24 bilhões até 2010. O gasodutos previstos pelo PAC
também teriam dificuldades de construção pela falta
de peças específicas e soldadores.
Outro problema apontado é a falta de qualificação
profissional. Segundo o Confea (Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura
e Administração), há um déficit de 40 a 50
mil engenheiros no País. Na construção civil, até
os pedreiros estão em falta.
O governo federal pretende resolver o problema, segundo adiantou a ministra-chefe
da Casa Civil, Dilma Rousseff, com um programa de qualificação
profissional.
LEVANTAMENTO
Congresso tem “entulho”
de 52 MPs nunca votadas
O Congresso deu início a um novo debate sobre a necessidade de
promover mudanças na forma de tramitação das medidas
provisórias, sob o argumento de que elas impedem o funcionamento
do Legislativo. Mas deputados e senadores ainda não conseguiram
resolver a situação de 52 MPs que, apesar de serem parte
importante da legislação recente do País, nunca foram
votadas e, em 2001, acabaram numa espécie de limbo legislativo
- à espera de que os parlamentares um dia resolvam o que fazer
com elas.
Nessa situação, que os congressistas apelidaram de “entulho
legal”, encontram-se, por exemplo, o Código Florestal, três
agências reguladoras - ANTT (Agência Nacional de Transportes
Terrestres), Antaq (Agência Nacional de Transportes Aquaviários)
e Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária)
-, o Sistema Nacional Antidrogas, as normas para a federalização
de bancos estaduais, formas de funcionamento da AGU (Advocacia-Geral da
União), compensação para as empresas do setor elétrico
que tiveram prejuízo com o apagão de 2001, artigos da Consolidação
das Leis do Trabalho destinados a dar maior rapidez às ações
trabalhistas, acesso ao patrimônio genético no Brasil e na
plataforma continental e a regulamentação dos planos privados
de Previdência.
Parlamentarismo
Os debates em torno das medidas provisórias resultaram na Emenda
Constitucional 32, promulgada no dia 11 de setembro de 2001. Essa emenda
estabeleceu que, depois de 45 dias de edição, as MPs passariam
a trancar a pauta da Câmara e do Senado até que fossem votadas,
pois em 120 dias caducariam. Também ficou decidido que a votação
ocorreria separadamente na Câmara e no Senado. Antes disso, se uma
MP não fosse votada dentro de um mês, o presidente da República
poderia reeditá-la indefinidamente.
Liquidação
Os juros pagos pelo Tesouro Nacional vêm reforçando o caixa
de bancos que estão em liquidação há mais
de uma década e devem bilhões de reais ao próprio
governo.
Detentores de créditos do FCVS (Fundo de Compensação
das Variações Salariais), criado em 1967 com o objetivo
de cobrir eventuais saldos devedores de financiamentos habitacionais do
SFH (Sistema Financeiro de Habitação), instituições
como Nacional, Econômico e Mercantil de Pernambuco ficaram, juntas,
com cerca de R$ 200 milhões do R$ 1,4 bilhão desembolsado
pela União em 2007 como despesa de juros desses créditos.
A situação inusitada tende a aumentar ainda mais à
medida que as liquidações se arrastam, os créditos
se valorizam no mercado e a parcela que ainda não está reconhecida
oficialmente, mas consta da contabilidade desses bancos, vai se transformando
em ativo de fato das massas falidas.
NUCLEAR
Cooperação entre os dois países criará nova
binacional
Brasil e Argentina vão
construir submarino
Brasil e Argentina construirão juntos um submarino de propulsão
nuclear, segundo anunciou o ministro brasileiro da Defesa, Nelson Jobim,
em declarações publicadas ontem em Buenos Aires. "Conversamos
com a ministra [argentina da Defesa] Nilda Garré e com os três
comandantes militares argentinos e decidimos constituir uma empresa binacional
para produzir o reator compacto" para propulsar o submarino, disse
Jobim.
No projeto, os argentinos contribuirão com sua experiência
nuclear para a produção de um reator compacto e os brasileiros
com o combustível atômico e com a estrutura não nuclear
do veículo, que terá tecnologia francesa. "Com o presidente
[da França] Nicolas Sarkozy discutimos na semana passada uma aliança
estratégica: decidimos criar condições para uma sociedade
bilateral destinada a fabricar no Brasil a parte não nuclear do
submarino", informou Jobim.
"O reator de propulsão seria produzido pela binacional argentino-brasileira",
acrescentou Jobim, que fez o anúncio em Buenos Aires durante a
visita oficial de dois dias realizada pelo presidente do Brasil, Luiz
Inácio Lula da Silva.
A Argentina possui um protótipo do reator de propulsão,
o Carem, desenvolvido pela empresa estatal de alta tecnologia Invap, que
exporta reatores nucleares para pesquisa ou para a produção
de materiais de uso médico e industrial.
O ministro brasileiro explicou que esta parceria também tem aplicações
civis. "Essa tecnologia nos permitirá construir centrais elétricas
com capacidade para abastecer, por exemplo, grandes cidades", afirmou.
Lula e a presidente argentina, Cristina Kirchner, anunciaram sexta-feira
a criação de uma empresa binacional de enriquecimento de
urânio para fins pacíficos e a decisão de desenvolver
um gerador nucleoelétrico, entre outros acordos energéticos
e do setor aeronáutico.
LULA
País não pode gastar à toa
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que é preciso
aproveitar o momento de expansão econômica do Brasil e o
novo status de credor do país e contrair novas dívidas para
investir em infra-estrutura, sem gastar "à toa".
"Em 500 anos de história, apenas a partir de quinta-feira
passamos a ter mais reservas do que a nossa dívida pública
e privada", afirmou.
"Precisamos aproveitar uma situação que não
é privilegiada, mas melhor que têm todos os países.
Temos, todos os países, que começar a nos endividar. Não
para gastar dinheiro à toa, mas para gastar com infra-estutura,
para facilitar o desenvolvimento da América do Sul".
As declarações de Lula foram feitas durante discurso no
Congresso Nacional argentino, um dos pontos da sua visita à Argentina.
As afirmações do presidente foram feitas em cima dos dados
do Banco Central mostrando que o Brasil passou a ser credor em dívida
externa tanto pública quanto privada. Com isso, o país registra
reservas superiores à sua dívida externa do setor público
e do setor privado.
Lula defendeu a aliança estratégica com a Argentina que
inclui, a partir desta sua viagem à capital do país vizinho,
um acordo na área de energia nuclear.
"Vamos lançar um satélite conjunto e desenvolver programa
de cooperação pacífica em matéria nuclear
que será exemplo para um mundo conflagrado pela tentação
armamentista e pela intolerância política e ideológica",
disse.
ECONOMIA
Investimento em bens de
capital acelera importações
Os investimentos em bens de capital aceleraram o ritmo das importações
nos últimos meses. Entre setembro e novembro do ano passado, as
importações brasileiras passaram a crescer numa cadência
mais forte que nos meses anteriores, de 35% a 40% em relação
aos mesmos períodos de 2006. De dezembro pra cá, o ritmo
se acelerou ainda mais, para até 46,9%. Esse movimento, segundo
levantamento feito pelo Iedi (Instituto de Estudos para o Desenvolvimento
Industrial), está sendo puxado principalmente pelos bens de capital.
O principal fator para essa tendência é a queda do dólar
em relação ao real: sexta-feira, a moeda americana atingiu
a cotação mais baixa dos últimos oito anos. Com o
câmbio na casa de R$ 1,70, empresas de diferentes setores desembolsam
menos reais para ter acesso a inovações tecnológicas
que garantem saltos de produtividade e eficiência.
Com base em dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria
e Comércio Exterior, o Iedi calculou a evolução das
compras externas, comparando a média das importações
por dia útil de cada mês. Em janeiro deste ano, as importações
dos chamados bens de investimento deram um salto de 56,9%, em relação
a janeiro de 2007, contribuindo com 26,2% para o aumento das importações
totais do País.
Ao longo de 2007, os números eram mais modestos. As importações
haviam crescido 32,7%, em comparação com 2006, e a contribuição
do setor para o aumento das importações brasileiras como
um todo foi de 21,1%.
"É uma indicação forte de que o ano se inicia
com um ritmo maior de investimentos", diz Júlio Sérgio
Gomes de Almeida, consultor do Iedi e autor do trabalho. "É
a indústria se reequipando, se modernizando e ampliando sua capacidade
de produção".
BUROCRACIA
Paraguai troca
Paranaguá por
outros portos
Segundo reportagem do site “Tudo Paraná”, o principal
corredor de importação e exportação do Paraguai
até o fim da década passada, o porto franco, que o país
vizinho tem em Paranaguá, está em franca decadência.
A movimentação mensal, de 1,2 mil contêineres em média
até 2000, hoje não chega a duas dezenas. A situação
é pior nos silos cobertos, que ocupam nove mil metros quadrados
na área portuária e têm capacidade para armazer 118
mil toneladas. O local, por onde já passou 1,2 milhão de
toneladas de grãos no período de um ano, está parcialmente
arrendado para uma empresa brasileira e, apesar expectativa da safra recorde
de soja no Paraguai, não deve receber nenhum grão para exportação
neste ano.
A situação é tão precária que, mesmo
com o arrendamento dos silos, a Administração Nacional de
Navegação e Portos do Paraguai é obrigada a absorver
um prejuízo mensal de cerca de R$ 30 mil para bancar os custos
operacionais das estruturas, cedidas por meio de um convênio assinado
em 1957 pelo então presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira.
O Paraguai aumentou a importação e a exportação,
mas está utilizando os portos do Uruguai e da Argentina. Dois pontos
pesam: a morosidade e do rigor da Receita Federal nos trâmites relacionados
aos contêineres e da decisão do governador Roberto Requião,
em 2003, de proibir o embarque de transgênicos pelo porto.
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TURISMO ECOLÓGICO
Pantanal vai além da pesca
"O Pantanal" compreende 11 regiões com características
próprias dentro da confluência do cerrado, do chaco paraguaio
e da região amazônica nos Estados do Mato Grosso e Mato Grosso
do Sul, nas fronteiras com Paraguai e Bolívia.
O Pantanal Sul abrange dois terços da planície pantaneira:
lá estão, por exemplo, a Nhecolândia ou "Paraíso
das Águas", as cidades de Miranda e Aquidauana, com grande
parte dos serviços de hospedagem e infra-estrutura para turistas,
e o Porto Murtinho, das pescarias. As principais portas de acesso ao sul
são Campo Grande e Corumbá.
No Pantanal Norte, ao sul da capital Cuiabá, os principais destinos
são Barão de Melgaço (com savanas e ninhais), Poconé
e Cáceres, áreas de acesso difícil devido ao prolongado
alagamento.
As chuvas ditam as regras da vida pantaneira, multiplicando em variedade
e quantidade a beleza da vegetação e dos animais que ali
habitam. As aves parecem gigantes, como a tuiuiú (símbolo
do Pantanal), cuja altura chega a 1,60 metro, ou a arara-azul e a colhereiro,
de quase um metro.
As aves mergulham para comer, como gaviões e biguás, ou
saem em disparada, como as emas. Algumas, em bandos, exibem-se com as
asas abertas nos galhos das árvores, com as penas secando ao sol.
Peixes, répteis, anfíbios e mamíferos não
ficam atrás no quesito "tamanho GG": sucuris ultrapassam
os 4 metros de comprimento, jacarés e lagartos chegam a 2,50 metros.
Um único jaú pode pesar 100 quilos, para a glória
(e o esforço) do pescador que precisa retirá-lo da água.
A onça-pintada, um ser solitário e felizmente anti-social,
pouco avistado, é o maior felino do continente americano.
OLHO NO CALENDÁRIO
Qual a época propícia para visitar?
Num mundo onde o despertador é substituído pelos guinchos
dos pássaros e até o físico dos cavalos precisa resistir
aos charcos, o turista goza de autonomia apenas relativa. Guias locais
são artigos de primeira necessidade, bem como os veículos
com tração nas quatro rodas, os transportes aquáticos
e os animais que eles disponibilizam nas trilhas, da manhã à
noite. A infra-estrutura encarece a estadia. Mas antes de escolher o tipo
de hospedagem e assessoria técnica dos passeios, vale dar uma olhada
no calendário das águas, porque a chuva ou a seca definem
o que se vai ver ou deixar de ver.
O período de seca vai de maio a setembro. Em julho, por exemplo,
época de férias escolares em boa parte do país, as
chuvas fracas sinalizam para a baixa das águas e para a reprodução
das aves, até novembro. São meses indicados para o birdwatching
(observação dos pássaros), portanto.
De janeiro a março, chove muito e o calor é intenso: rios,
lagos e banhados viram uma planície só. Por conta do aguaceiro,
recomenda-se fazer o passeio pela Estrada Parque (120 km de aterro que
cortam o Pantanal Sul, com mais de 80 pontes) durante a seca, de maio
a setembro. O melhor período para pescar o pacu é de março
a maio; para o pintado, de agosto a outubro.
Na hora da reserva, agências de turismo e as próprias pousadas
e hotéis-fazenda devem informar sobre as últimas notícias
do clima e sobre os atrativos da região escolhida. O contato com
as aves e com mamíferos como macacos e capivaras pode se iniciar
já na hospedagem, avançando em variedade das espécies
de flora e fauna a partir dos passeios programados, dois ou três
por dia. Entre os serviços oferecidos ao turista estão cavalgadas,
safári fotográfico, canoagem e passeios de barco.
As atrações
*** A Pantaneta, nome do Carnaval fora de época da região,
reúne dezenas de milhares de foliões em Aquidauana (MS),
em setembro. A primeira edição da festa foi em 1997. Dez
anos depois, o número de camarotes pulou de 25 para 120 e o evento
passou a contratar artistas como Daniela Mercury, Ivete Sangalo e Banda
Eva, além de grupos locais. No centro de Aquidauana, a avenida
Pantaneta se estende por 1 quilômetro.
*** Em junho, em Corumbá (MS), a Festa de São João
se destaca com uma procissão até o cais do rio Paraguai.
*** A Dança dos Mascarados embeleza, com seu colorido figurino,
três eventos de Poconé (MT): a Folia dos Mascarados, em fevereiro;
a Festa de São Benedito, em julho; e o Festival Folclórico
do Pantanal, em agosto. Os movimentos da dança lembram o de uma
quadrilha, e os dançarinos, como no teatro grego, são todos
homens.
*** Uma comunhão maior com os recursos naturais do Pantanal se
realiza nos tradicionais Festival Internacional de Pesca, em Cáceres
(MT), em setembro, e no Festival Internacional de Pesca Esportiva, em
Corumbá (MS), em outubro. Ambos atraem centenas de participantes,
de todos os cantos do Brasil e do exterior.
Os parques
Parque das Nações Indígenas
Diariamente, da manhã à noite, os moradores de Campo Grande
aproveitam o Parque das Nações Indígenas para descansar,
praticar esportes, almoçar e jantar no meio do verde. Os turistas
também podem curtir os riachos e lagos dos 120 hectares de vegetação
de cerrado.
Parque Temático Pantanal
Em Coxim (MS), o Parque Temático Pantanal reúne esculturas
do artista plástico José Alves Branco Corrêa. Também
abriga objetos e ferramentas para agricultura de habitantes ancestrais
da região, desde o século 18, e obras de arte e artesanato
de autoria dos alunos da Oficina de Barro.
Reservas Particulares do Patrimônio Natural
A agência Ecotrópica, em Cuiabá (MT), organiza visitas
às Reservas Particulares do Patrimônio Natural, com direito
a banho de poço na trilha do Fundão, observação
de animais, de vitórias-régias e de inscrições
rupestres na orla do rio Paraguai.
Parque Nacional do Pantanal
Vizinho às reservas, o Parque Nacional do Pantanal, patrimônio
natural da humanidade que possui 135 mil hectares, pode ser visitado com
consulta prévia ao Ibama. Acesso de lancha a partir de Porto Jofre.
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