Edição nº 4??? - segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008 Classificados | Assinatura | Impressão
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PAC

Não há máquinas nem mão-de-obra especializada suficientes

Falta de estrutura pode
comprometer as obras

Depois de solucionados os problemas com licenciamento ambiental e licitações, o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) pode enfrentar mais obstáculos que vão atrasar a conclusão das obras. O ritmo mais acelerado da economia está gerando uma falta de equipamentos e profissionais qualificados para os projetos.
Segundo o jornal, o fenômeno pode causar atrasos e encarecer os projetos, que estão sendo modificados para contornar a falta de insumos e equipamentos. As dificuldades, como a falta de guindastes, por exemplo, já afetam obras como o Completo Petroquímico, no Rio de Janeiro; o Rodoanel, em São Paulo; Companhia Siderúrgica do Atlântico, também no Rio, e a Refinaria Abreu de Lima, em Pernambuco.
Somente nessas obras levantadas, estão previstos investimentos de R$ 24 bilhões até 2010. O gasodutos previstos pelo PAC também teriam dificuldades de construção pela falta de peças específicas e soldadores.
Outro problema apontado é a falta de qualificação profissional. Segundo o Confea (Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Administração), há um déficit de 40 a 50 mil engenheiros no País. Na construção civil, até os pedreiros estão em falta.
O governo federal pretende resolver o problema, segundo adiantou a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, com um programa de qualificação profissional.

LEVANTAMENTO
Congresso tem “entulho”
de 52 MPs nunca votadas

O Congresso deu início a um novo debate sobre a necessidade de promover mudanças na forma de tramitação das medidas provisórias, sob o argumento de que elas impedem o funcionamento do Legislativo. Mas deputados e senadores ainda não conseguiram resolver a situação de 52 MPs que, apesar de serem parte importante da legislação recente do País, nunca foram votadas e, em 2001, acabaram numa espécie de limbo legislativo - à espera de que os parlamentares um dia resolvam o que fazer com elas.
Nessa situação, que os congressistas apelidaram de “entulho legal”, encontram-se, por exemplo, o Código Florestal, três agências reguladoras - ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres), Antaq (Agência Nacional de Transportes Aquaviários) e Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) -, o Sistema Nacional Antidrogas, as normas para a federalização de bancos estaduais, formas de funcionamento da AGU (Advocacia-Geral da União), compensação para as empresas do setor elétrico que tiveram prejuízo com o apagão de 2001, artigos da Consolidação das Leis do Trabalho destinados a dar maior rapidez às ações trabalhistas, acesso ao patrimônio genético no Brasil e na plataforma continental e a regulamentação dos planos privados de Previdência.
Parlamentarismo
Os debates em torno das medidas provisórias resultaram na Emenda Constitucional 32, promulgada no dia 11 de setembro de 2001. Essa emenda estabeleceu que, depois de 45 dias de edição, as MPs passariam a trancar a pauta da Câmara e do Senado até que fossem votadas, pois em 120 dias caducariam. Também ficou decidido que a votação ocorreria separadamente na Câmara e no Senado. Antes disso, se uma MP não fosse votada dentro de um mês, o presidente da República poderia reeditá-la indefinidamente.


Liquidação
Os juros pagos pelo Tesouro Nacional vêm reforçando o caixa de bancos que estão em liquidação há mais de uma década e devem bilhões de reais ao próprio governo.
Detentores de créditos do FCVS (Fundo de Compensação das Variações Salariais), criado em 1967 com o objetivo de cobrir eventuais saldos devedores de financiamentos habitacionais do SFH (Sistema Financeiro de Habitação), instituições como Nacional, Econômico e Mercantil de Pernambuco ficaram, juntas, com cerca de R$ 200 milhões do R$ 1,4 bilhão desembolsado pela União em 2007 como despesa de juros desses créditos.
A situação inusitada tende a aumentar ainda mais à medida que as liquidações se arrastam, os créditos se valorizam no mercado e a parcela que ainda não está reconhecida oficialmente, mas consta da contabilidade desses bancos, vai se transformando em ativo de fato das massas falidas.


NUCLEAR

Cooperação entre os dois países criará nova binacional

Brasil e Argentina vão
construir submarino

Brasil e Argentina construirão juntos um submarino de propulsão nuclear, segundo anunciou o ministro brasileiro da Defesa, Nelson Jobim, em declarações publicadas ontem em Buenos Aires. "Conversamos com a ministra [argentina da Defesa] Nilda Garré e com os três comandantes militares argentinos e decidimos constituir uma empresa binacional para produzir o reator compacto" para propulsar o submarino, disse Jobim.
No projeto, os argentinos contribuirão com sua experiência nuclear para a produção de um reator compacto e os brasileiros com o combustível atômico e com a estrutura não nuclear do veículo, que terá tecnologia francesa. "Com o presidente [da França] Nicolas Sarkozy discutimos na semana passada uma aliança estratégica: decidimos criar condições para uma sociedade bilateral destinada a fabricar no Brasil a parte não nuclear do submarino", informou Jobim.
"O reator de propulsão seria produzido pela binacional argentino-brasileira", acrescentou Jobim, que fez o anúncio em Buenos Aires durante a visita oficial de dois dias realizada pelo presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva.
A Argentina possui um protótipo do reator de propulsão, o Carem, desenvolvido pela empresa estatal de alta tecnologia Invap, que exporta reatores nucleares para pesquisa ou para a produção de materiais de uso médico e industrial.
O ministro brasileiro explicou que esta parceria também tem aplicações civis. "Essa tecnologia nos permitirá construir centrais elétricas com capacidade para abastecer, por exemplo, grandes cidades", afirmou.
Lula e a presidente argentina, Cristina Kirchner, anunciaram sexta-feira a criação de uma empresa binacional de enriquecimento de urânio para fins pacíficos e a decisão de desenvolver um gerador nucleoelétrico, entre outros acordos energéticos e do setor aeronáutico.

LULA
País não pode gastar à toa

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que é preciso aproveitar o momento de expansão econômica do Brasil e o novo status de credor do país e contrair novas dívidas para investir em infra-estrutura, sem gastar "à toa".
"Em 500 anos de história, apenas a partir de quinta-feira passamos a ter mais reservas do que a nossa dívida pública e privada", afirmou.
"Precisamos aproveitar uma situação que não é privilegiada, mas melhor que têm todos os países. Temos, todos os países, que começar a nos endividar. Não para gastar dinheiro à toa, mas para gastar com infra-estutura, para facilitar o desenvolvimento da América do Sul".
As declarações de Lula foram feitas durante discurso no Congresso Nacional argentino, um dos pontos da sua visita à Argentina.
As afirmações do presidente foram feitas em cima dos dados do Banco Central mostrando que o Brasil passou a ser credor em dívida externa tanto pública quanto privada. Com isso, o país registra reservas superiores à sua dívida externa do setor público e do setor privado.
Lula defendeu a aliança estratégica com a Argentina que inclui, a partir desta sua viagem à capital do país vizinho, um acordo na área de energia nuclear.
"Vamos lançar um satélite conjunto e desenvolver programa de cooperação pacífica em matéria nuclear que será exemplo para um mundo conflagrado pela tentação armamentista e pela intolerância política e ideológica", disse.

ECONOMIA
Investimento em bens de
capital acelera importações

Os investimentos em bens de capital aceleraram o ritmo das importações nos últimos meses. Entre setembro e novembro do ano passado, as importações brasileiras passaram a crescer numa cadência mais forte que nos meses anteriores, de 35% a 40% em relação aos mesmos períodos de 2006. De dezembro pra cá, o ritmo se acelerou ainda mais, para até 46,9%. Esse movimento, segundo levantamento feito pelo Iedi (Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial), está sendo puxado principalmente pelos bens de capital.
O principal fator para essa tendência é a queda do dólar em relação ao real: sexta-feira, a moeda americana atingiu a cotação mais baixa dos últimos oito anos. Com o câmbio na casa de R$ 1,70, empresas de diferentes setores desembolsam menos reais para ter acesso a inovações tecnológicas que garantem saltos de produtividade e eficiência.
Com base em dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, o Iedi calculou a evolução das compras externas, comparando a média das importações por dia útil de cada mês. Em janeiro deste ano, as importações dos chamados bens de investimento deram um salto de 56,9%, em relação a janeiro de 2007, contribuindo com 26,2% para o aumento das importações totais do País.
Ao longo de 2007, os números eram mais modestos. As importações haviam crescido 32,7%, em comparação com 2006, e a contribuição do setor para o aumento das importações brasileiras como um todo foi de 21,1%.
"É uma indicação forte de que o ano se inicia com um ritmo maior de investimentos", diz Júlio Sérgio Gomes de Almeida, consultor do Iedi e autor do trabalho. "É a indústria se reequipando, se modernizando e ampliando sua capacidade de produção".

BUROCRACIA
Paraguai troca
Paranaguá por
outros portos


Segundo reportagem do site “Tudo Paraná”, o principal corredor de importação e exportação do Paraguai até o fim da década passada, o porto franco, que o país vizinho tem em Paranaguá, está em franca decadência. A movimentação mensal, de 1,2 mil contêineres em média até 2000, hoje não chega a duas dezenas. A situação é pior nos silos cobertos, que ocupam nove mil metros quadrados na área portuária e têm capacidade para armazer 118 mil toneladas. O local, por onde já passou 1,2 milhão de toneladas de grãos no período de um ano, está parcialmente arrendado para uma empresa brasileira e, apesar expectativa da safra recorde de soja no Paraguai, não deve receber nenhum grão para exportação neste ano.
A situação é tão precária que, mesmo com o arrendamento dos silos, a Administração Nacional de Navegação e Portos do Paraguai é obrigada a absorver um prejuízo mensal de cerca de R$ 30 mil para bancar os custos operacionais das estruturas, cedidas por meio de um convênio assinado em 1957 pelo então presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira.
O Paraguai aumentou a importação e a exportação, mas está utilizando os portos do Uruguai e da Argentina. Dois pontos pesam: a morosidade e do rigor da Receita Federal nos trâmites relacionados aos contêineres e da decisão do governador Roberto Requião, em 2003, de proibir o embarque de transgênicos pelo porto.

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TURISMO ECOLÓGICO
Pantanal vai além da pesca

"O Pantanal" compreende 11 regiões com características próprias dentro da confluência do cerrado, do chaco paraguaio e da região amazônica nos Estados do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, nas fronteiras com Paraguai e Bolívia.
O Pantanal Sul abrange dois terços da planície pantaneira: lá estão, por exemplo, a Nhecolândia ou "Paraíso das Águas", as cidades de Miranda e Aquidauana, com grande parte dos serviços de hospedagem e infra-estrutura para turistas, e o Porto Murtinho, das pescarias. As principais portas de acesso ao sul são Campo Grande e Corumbá.
No Pantanal Norte, ao sul da capital Cuiabá, os principais destinos são Barão de Melgaço (com savanas e ninhais), Poconé e Cáceres, áreas de acesso difícil devido ao prolongado alagamento.
As chuvas ditam as regras da vida pantaneira, multiplicando em variedade e quantidade a beleza da vegetação e dos animais que ali habitam. As aves parecem gigantes, como a tuiuiú (símbolo do Pantanal), cuja altura chega a 1,60 metro, ou a arara-azul e a colhereiro, de quase um metro.
As aves mergulham para comer, como gaviões e biguás, ou saem em disparada, como as emas. Algumas, em bandos, exibem-se com as asas abertas nos galhos das árvores, com as penas secando ao sol. Peixes, répteis, anfíbios e mamíferos não ficam atrás no quesito "tamanho GG": sucuris ultrapassam os 4 metros de comprimento, jacarés e lagartos chegam a 2,50 metros. Um único jaú pode pesar 100 quilos, para a glória (e o esforço) do pescador que precisa retirá-lo da água. A onça-pintada, um ser solitário e felizmente anti-social, pouco avistado, é o maior felino do continente americano.

 


OLHO NO CALENDÁRIO
Qual a época propícia para visitar?

Num mundo onde o despertador é substituído pelos guinchos dos pássaros e até o físico dos cavalos precisa resistir aos charcos, o turista goza de autonomia apenas relativa. Guias locais são artigos de primeira necessidade, bem como os veículos com tração nas quatro rodas, os transportes aquáticos e os animais que eles disponibilizam nas trilhas, da manhã à noite. A infra-estrutura encarece a estadia. Mas antes de escolher o tipo de hospedagem e assessoria técnica dos passeios, vale dar uma olhada no calendário das águas, porque a chuva ou a seca definem o que se vai ver ou deixar de ver.
O período de seca vai de maio a setembro. Em julho, por exemplo, época de férias escolares em boa parte do país, as chuvas fracas sinalizam para a baixa das águas e para a reprodução das aves, até novembro. São meses indicados para o birdwatching (observação dos pássaros), portanto.
De janeiro a março, chove muito e o calor é intenso: rios, lagos e banhados viram uma planície só. Por conta do aguaceiro, recomenda-se fazer o passeio pela Estrada Parque (120 km de aterro que cortam o Pantanal Sul, com mais de 80 pontes) durante a seca, de maio a setembro. O melhor período para pescar o pacu é de março a maio; para o pintado, de agosto a outubro.
Na hora da reserva, agências de turismo e as próprias pousadas e hotéis-fazenda devem informar sobre as últimas notícias do clima e sobre os atrativos da região escolhida. O contato com as aves e com mamíferos como macacos e capivaras pode se iniciar já na hospedagem, avançando em variedade das espécies de flora e fauna a partir dos passeios programados, dois ou três por dia. Entre os serviços oferecidos ao turista estão cavalgadas, safári fotográfico, canoagem e passeios de barco.

 


As atrações
*** A Pantaneta, nome do Carnaval fora de época da região, reúne dezenas de milhares de foliões em Aquidauana (MS), em setembro. A primeira edição da festa foi em 1997. Dez anos depois, o número de camarotes pulou de 25 para 120 e o evento passou a contratar artistas como Daniela Mercury, Ivete Sangalo e Banda Eva, além de grupos locais. No centro de Aquidauana, a avenida Pantaneta se estende por 1 quilômetro.

*** Em junho, em Corumbá (MS), a Festa de São João se destaca com uma procissão até o cais do rio Paraguai.

*** A Dança dos Mascarados embeleza, com seu colorido figurino, três eventos de Poconé (MT): a Folia dos Mascarados, em fevereiro; a Festa de São Benedito, em julho; e o Festival Folclórico do Pantanal, em agosto. Os movimentos da dança lembram o de uma quadrilha, e os dançarinos, como no teatro grego, são todos homens.

*** Uma comunhão maior com os recursos naturais do Pantanal se realiza nos tradicionais Festival Internacional de Pesca, em Cáceres (MT), em setembro, e no Festival Internacional de Pesca Esportiva, em Corumbá (MS), em outubro. Ambos atraem centenas de participantes, de todos os cantos do Brasil e do exterior.


Os parques
Parque das Nações Indígenas
Diariamente, da manhã à noite, os moradores de Campo Grande aproveitam o Parque das Nações Indígenas para descansar, praticar esportes, almoçar e jantar no meio do verde. Os turistas também podem curtir os riachos e lagos dos 120 hectares de vegetação de cerrado.

Parque Temático Pantanal
Em Coxim (MS), o Parque Temático Pantanal reúne esculturas do artista plástico José Alves Branco Corrêa. Também abriga objetos e ferramentas para agricultura de habitantes ancestrais da região, desde o século 18, e obras de arte e artesanato de autoria dos alunos da Oficina de Barro.

Reservas Particulares do Patrimônio Natural
A agência Ecotrópica, em Cuiabá (MT), organiza visitas às Reservas Particulares do Patrimônio Natural, com direito a banho de poço na trilha do Fundão, observação de animais, de vitórias-régias e de inscrições rupestres na orla do rio Paraguai.

Parque Nacional do Pantanal
Vizinho às reservas, o Parque Nacional do Pantanal, patrimônio natural da humanidade que possui 135 mil hectares, pode ser visitado com consulta prévia ao Ibama. Acesso de lancha a partir de Porto Jofre.

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