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MUDANÇAS – Novo sistema foi anunciado ontem durante reunião com entidades

Saúde se responsabilizará
repasses da Ação Social

Cerca de 30 entidades não-governamentais que têm convênio com a Prefeitura de Cascavel foram informadas ontem, durante encontro com a secretária de Ação Social, Dione Kniphoff, de mudanças quanto ao repasse de recursos, até agora feito pela pasta.
De acordo com Dione, algumas entidades passarão a receber o repasse financeiro previsto em convênio via Secretaria de Saúde. “Temos de prestar satisfações ao Tribunal de Contas e estamos realizando um preparo com as entidades para que a exposição no dia 20 de março”.
Uma das instituições afetadas pelo novo sistema é a Unidade de Recuperação Molivi (Movimento de Libertação de Vidas), localizada no Bairro Periollo. E de acordo com o presidente da unidade, reverendo Luiz Carlos Gabas, até dezembro o recurso vinha da Ação Social e desde que foi repassado para a Saúde, a verba deixou de ser enviada a entidade. “Estamos nos mantendo, pois alguns garotos de outras cidades estão conosco”.
Segundo ele, em breve haverá um processo de adequação junto ao Cocasma (Comunidade Católica Sermos de Maria) e, se não der certo, haverá um outro convênio para que a construção de uma casa de atendimento. O convênio com a Cocasma será assinado na próxima semana pela Secretaria de Saúde.

ESMERALDA
Após três anos de espera,
pavimentação será iniciada

Depois de três anos de espera, as obras de pavimentação asfáltica no Bairro Esmeralda, região sul de Cascavel, terão início esta semana. De acordo com o chefe de Gabinete da prefeitura e secretário de Serviços e Obras Públicas, Cleverson Thomé, a obra será concluída definitivamente, sem interrupções. “Vamos pavimentar tudo de uma vez”, garante, ressaltando que o anúncio oficial do empreendimento será feito pelo prefeito Lísias Tomé, que repassará a data estipulada para a conclusão da pavimentação.
Os moradores do bairro reivindicam a obra desde fevereiro de 2004, quando começaram a pagar em parcelas o montante referente ao asfalto.
A moradora Maria Benedita Luiz, por exemplo, quitou os R$ 2,4 mil em dezembro de 2005. A aposentada espera ansiosa o início das obras, pois deixou de pagar as prestações do terreno onde mora para quitar a pavimentação. “Falaram que logo iniciariam as obras e por isso deixei outras contas de lado para pagar essa e até agora nada do asfalto”.

 

SALA DE AULA

Trabalho e gravidez precoce são as principais razões do abandono dos bancos escolares

Evasão escolar: a vilã da educação

João Ricardo Pinho, 18, Cristina Marques, 27, Priscila Portes, 22, Vinícius Araújo, 21, Sheina da Silva, 16, Rogério Olbermann, 22, Josiel Coutinho, 19, David Fernando, 18, e Daniela Regina Rodrigues, 18. Nove jovens que têm algo em comum: estão fora da escola há muito tempo e que retornaram ao ambiente escolar este ano.
João Ricardo Pinho, que já deveria ter concluído o Ensino Médio, abandonou os estudos há dois anos. Ao invés de estudar, ele se obrigou a trabalhar como pedreiro durante a noite. Atualmente, ele trabalha na reforma de um prédio no centro de Cascavel. “Parei de estudar na 7ª série. Eu dependia do dinheiro que ganhava e para eu receber pelo trabalho do dia, precisava trabalhar a noite também”. Apesar da dificuldade, João não desiste, ele planeja com um futuro melhor e já se prepara para regressar ao banco escolar. “Meu sonho é ter um trabalho em que se eu seja registrado. Estou tentando voltar a estudar pelo Ceebja (Centro Estadual de Educação Básica para Jovens e Adultos). Se tudo der certo, logo estou de volta a escola”.
Abandonar os estudos por causa do trabalho. Essa é a característica predominante da pequena parcela que compõe o montante de 4.192 alunos que desistiram dos estudos nos últimos dois anos na rede pública estadual em Cascavel. O abandono dos bancos escolares é movido, na maioria dos casos, pelos problemas econômicos que obrigam os alunos a se dedicarem mais ao trabalho que aos estudos.
Porém esse não é o único fator determinante. Três dos jovens entrevistados, Sheina, Josiel e Daniela, tiveram um forte motivo para pararem de estudar: Sheina e Daniela engravidaram e Josiel engravidou a namorada. A responsabilidade de cuidar dos filhos os obrigou a deixar os estudos e agora, além da vontade, eles têm uma motivação a mais para retornar. “Eu me arrependo de ter parado, mas não tinha opção, tinha de ajudar a cuidar do meu filho. Tentei fazer um curso de auto-elétrica, mas não pude por não ter o Ensino Médio completo”, lamentou Josiel, que sonha em fazer o curso e estudar Odontologia.
Daniela poderia ter continuado os estudos, mas, segundo ela, a vergonha da gravidez a impediu de prosseguir. “Gosto de estudar e quero cursar Administração, mas as pessoas poderiam ficar falando de mim. Fiquei envergonhada”.
Enoque Pereira de Assis, 18 anos, trocou os estudos pelo trabalho. Ele era aluno do supletivo do Colégio Estadual Padre Carmelo Perrone e estava na 7ª série quando desistiu. “Estudava à noite e era difícil conciliar. Ainda mais quando pararam de disponibilizar o supletivo”.
Apesar dos quase seis meses longe da sala de aula, Enoque não desistiu de concluir sua formação. “Ainda estou em tempo de recuperar. Foi ruim por ter perdido um ano na escola, mas foi uma causa necessária”.


NÚCLEO
Ações não inibem o problema

O NRE (Núcleo Regional de Educação) de Cascavel deve fechar os números da evasão escolar apenas em abril, mas os dados parciais até setembro revelam que em 2006 ao menos 1.457 estudantes abandonaram os estudos na rede estadual.
Conforme o chefe do NRE, professor José Oliveira da Rocha, o combate à evasão escolar é constante, mas alguns fatores contribuem para que o problema não seja exterminado. Vários desses alunos se matriculam nas escolas apenas para conseguirem uma declaração de matrícula. “Eles apresentam a declaração no emprego, freqüentam alguns dias, mas acabam abandonando em função do trabalho”.
O meio socioeconômico dos estudantes, geralmente ligado a problemas financeiros, a falta de interesse e o desvio de conduta são outros “incentivos” à evasão.
Um levantamento parcial feito pelo NRE apontou o índice do abandono nas escolas em 2006 dos 18 municípios de abrangência. Em Cascavel, as escolas com os maiores indicadores de evasão escolar são: Colégio 14 de Novembro, 11%; Colégio Estadual Cataratas, 10,7%; Colégio Estadual Padre Carmelo Perrone, 9,1%; Colégio Estadual Interlagos e Colégio Estadual Consolata, 11,1%, e Colégio Estadual Santa Cruz, 9,2%. Os cinco colégios correspondem a 62,2% do total de alunos que pararam de estudar, enquanto as demais 33 escolas dividem o percentual restante.

BOX
CARMELO PERRONE
166 abandonaram a escola em 2006
Os maiores índices de abandono são no período da noite. No Colégio Estadual Padre Carmelo Perrone, por exemplo, 166 alunos pararam de freqüentar as aulas ano passado. O diretor da escola, professor Aldo de Oliveira Carvalho, justifica o alto índice como um reflexo de um problema existente há anos.
Segundo ele, tudo começou em 2000, quando apenas três escolas permaneceram com o EJA (Educação para Jovens e Adultos), o Padre Carmelo, Colégio Júlia Wanderley e o Colégio Horácio Ribeiros dos Reis, no Bairro Santa Felicidade. Na época, o Estado tentou atrair alunos e, com o passar do tempo, implantaram no colégio o Ensino Fundamental regular de 5ª a 8ª série. “A maioria dos alunos que se matricularam estava havia muito tempo fora da escola e não conseguiu se adaptar e procurou o EJA”.
Mesmo assim, o ensino regular foi mantido e passou a receber pessoas vindas da Casa de Passagem, o que repeliu outros alunos. “Os demais estudantes não conseguiram conviver com os que vieram da Casa de Passagem e desistiram”.
Apesar de o problema ser específico, o professor também salientou as questões genéricas da evasão escolar, sendo a principal delas o aspecto econômico que desmotiva o aluno a conciliar trabalho e estudo.

OS NÚMEROS DA EVASÃO
Os dados levantados pelo NRE apresentaram queda na evasão escolar nos últimos dois anos em Cascavel. Em 2005 foram matriculados 30.890 alunos, dos quais 2.735 abandonaram a escola, uma percentagem de 8,8%. Em 2006 a quantidade de matrículas foi maior, 34.040, mas o número de alunos evadidos diminuiu: 1.457 estudantes, o que corresponde a 4,3% (dados parciais).
Em toda a abrangência do NRE o índice de evasão foi de 4,7% em 2006.
Segundo o chefe do Núcleo, professor José Oliveira da Rocha, alguns estudantes podem ter voltado à escola no último bimestre.

BOX
Longa espera

Enquanto muitos consideram o regresso escolar um desafio quase utópico, outros provam que nunca é tarde para voltar ao banco escolar. Eunice Cazuza dos Santos ficou 30 anos fora da escola e há seis anos retomou os estudos pelo Ceebja (Centro Estadual de Educação Básica para Jovens e Adultos). “Quando eu era mais nova não dava tanta importância. Somente após ter casado e tido filhos percebi a necessidade do estudo”.
Eunice concluirá o Ensino Médio este ano e já pensa no próximo passo que dará. Ela sonha em trabalhar na área de enfermagem. “Tudo depende do interesse. Eu me interessei e estou conseguindo terminar meus estudos”, orgulha-se.
A exemplo de Eunice, Ana Chaves Cariolette sonha com uma boa profissão. Após nove anos longe da escola, comemora os dois anos de estudo: “Quero estudar pedagogia. No começo tive muita dificuldade, mas agora me adaptei”.
O Ceebja atende cerca 2 mil pessoas com idade entre 14 e 70 anos. Conforme o diretor do José Armando Peletti os alunos estudam todo um grau durante um ano. As aulas são disponibilizadas nos três turnos gratuitamente. O Ceebja fica na Avenida Brasil, 4.541.

 

Fotopersonagem
“Quero estudar pedagogia”
Ana Chaves Cariolette, aluna do Ceebja

ENROLADO
Pendência parou nas mãos do governador do Estado

Dívida do Cisop completa
três anos sem definições

A primeira reunião da diretoria do HU (Hospital Universitário) de Cascavel e da reitoria da Unioeste (Universidade Estadual do Oeste do Paraná) com o governo do Estado para pedir ajuda para escalonar e sanar a dívida do hospital completou três anos este mês, mas a única coisa que mudou nesse intervalo de tempo foi o valor do débito. Na época falava-se em R$ 2,4 milhões. Hoje, o saldo ultrapassa os R$ 5,3 milhões.
Embora a dívida esteja no nome do Cisop (Consórcio Intermunicipal de Saúde do Oeste do Paraná), a pendência financeira teve origem no HU, que, por não possuir personalidade jurídica, usava o CNPJ (Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica) do Cisop para receber recursos do SUS (Sistema Único de Saúde) e pagar fornecedores. Essa situação só mudou em 2005, quando a Unioeste assumiu oficial e definitivamente a instituição.
Sem condições de o HU assumir e quitar o débito, o Cisop recorreu ao governo do Estado, que solicitou a auditoria do montante em fevereiro de 2004. A auditoria foi apresentada em agosto daquele ano e revelou uma dívida de R$ 4,2 milhões.
Novas auditorias foram realizadas e, inclusive, ano passado, durante reunião na Amop (Associação dos Municípios do Oeste do Paraná), os 25 prefeitos que integram o consórcio definiram que seria feita uma perícia contábil sobre o montante. Esse último procedimento emperrou na dependência de uma sinalização do governo do Estado se irá ou não assumir a dívida.
Ao todo, foram formadas sete comissões, mas até agora o governo não se posicionou oficialmente sobre o caso.
Enquanto o débito aumenta, o consórcio continua impossibilitado de receber verbas por meio de parcerias, emendas parlamentares e recursos públicos. As empresas protestam os títulos na esperança de vir a recebê-los. Até o fechamento do consórcio foi discutido ano passado.
O atual presidente do Cisop, Edevilson Tomaz Fabrício, se mostra cansado e desesperançado com a situação. “Tentamos achar uma saída, depois temos que achar outra, e assim vai, nunca se define nada. Chega a desanimar”.
Fabrício ressalta que, após a eleição da diretoria executiva do consórcio, marcada para 15 de março, o novo presidente deve marcar uma reunião com os prefeitos na tentativa de, juntos, agendarem uma reunião com o governo do Estado.


VOLTA ÀS AULAS
Ano letivo
da Unioeste
começa amanhã

A Unioeste (Universidade Estadual do Oeste do Paraná) inicia amanhã o ano letivo de 2007. É também a época em que os colegiados deverão recepcionar os acadêmicos e calouros. Para tanto, as direções de centros, coordenadorias de cursos e Diretório Central dos Estudantes de cada campi estão preparando uma série de atividades que deverão substituir o trote. A intenção de todos é inserir os alunos no meio acadêmico por meio de atividades socioambientais que visem promover a integração dos alunos, ao mesmo tempo que busca apresentar aos novos acadêmicos a universidade.
A Unioeste, por meio das direções dos campi, quer também promover recepção saudável e alegre, evitando trotes que resultem em humilhações aos novos acadêmicos ou mesmo a prática de qualquer tipo de ato que possa resultar em violência. Com esse objetivo, a direção do campus de Cascavel elaborou uma carta aos estudantes ingressantes e outra aos pais, distribuídas por ocasião da matrícula, encerrada quinta-feira.
Nas cartas, o diretor-geral do campus, Alfredo Petrauski, diz entender “o desejo de festejar a honra de conquistar uma vaga em uma universidade pública e de qualidade como a Unioeste”, mas lembra que a prática do trote está proibida por força de lei desde 2000. Há também uma resolução que proíbe quaisquer ações contra a integridade física e/ou moral dos acadêmicos, especialmente a prática do trote, aprovada ano passado, pelo COU (Conselho Universitário).

 

Pauta
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