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CAMPINA DA LAGOA
No Paraná, mais de 14% das comarcas não têm titular
Ausência de delegados
compromete a segurança

Ao visitante desapercebido, a cidade de Campina da Lagoa, a 110 quilômetros de Cascavel, pode parecer mais uma cidade pacata do interior do Paraná, com cerca de 15 mil habitantes. Mas não é esse o clima entre a população. A falta de um delegado no Município aumenta a sensação de insegurança. Segundo moradores e autoridades locais, o problema, que persiste há mais de cinco anos, dificulta o início das investigações e a conclusão dos inquéritos na comarca - circunscrição jurídica da cidade -.
As atividades da Polícia Civil da comarca, a qual abrange também as cidades de Nova Cantu e Altamira do Paraná, são coordenadas pela delegacia de Ubiratã. No entanto, com o afastamento e a transferência dos investigadores e do delegado da cidade, a responsabilidade por Campina da Lagoa passou temporariamente ao delegado de Campo Mourão, Nagib Nassif Palma.
De acordo com Palma, embora o acúmulo de mais de cinco municípios atendidos não impossibilite a coordenação dos processos, o atraso no andamento das investigações e inquéritos é inevitável. “Temos que nos desdobrar para coordenar os processos, mas conseguimos suprir a demanda”, explica. “O ideal é que cada comarca tenha um delegado [como prevê a Constituição Estadual]”.
Das 154 comarcas do Paraná, 22 não possuem um delegado de carreira. Conforme a assessoria de imprensa da Secretaria de Segurança do Estado, a falta de profissionais em algumas circunscrições se deve à transferência de delegados para locais onde a demanda é maior.
Segundo Nagib, o governo deve realizar ainda este ano um concurso para contratar 50 novos agentes.

Prefeito admite
pouca esperança

A exigência de um delegado de carreira na Comarca de Campina da Lagoa é uma luta antiga de representantes da cidade. Segundo o prefeito Celso Ferreira, há seis meses o Município enviou ao secretário de Segurança do Paraná, Luiz Fernando Delazari, um pedido formal para a nomeação de um agente na comarca. No entanto, o prefeito tem poucas esperanças de que o pedido seja atendido. “Para melhorar a situação na cidade fizemos um convênio com o governo do Estado e disponibilizamos quatro servidores para ajudar na delegacia, mas não acredito que teremos um delegado tão cedo”, confessa.
A delegacia de Campina da Lagoa possui dois servidores concursados. De acordo com o escrivão João Marcos Rogatto, embora os prazos para o andamento dos processos sejam cumpridos, um maior número de policiais tornaria as operações mais eficazes. “O problema é que a falta de efetivo faz com que os policiais exerçam mais de uma função. Com mais agentes, os nossos serviços seriam melhores”.
Segundo o juiz da Comarca, Luiz Gustavo Fabris, além de agilizar o início das investigações e a conclusão dos inquéritos, a presença de um delegado na cidade traria uma maior sensação de segurança ao Município. “À medida que o serviço aumenta o andamento dos processos é prejudicado. Com um delegado de carreira e mais investimentos na área de segurança, a cidade seria beneficiada”.

ABAIXO-ASSINADO
População pede segurança

A sensação de insegurança entre os moradores de Campina da Lagoa levou o agricultor Ivan Crespo a organizar um abaixo-assinado por mais policiamento na cidade. Até agora foram recolhidas cerca de 500 assinaturas.
De acordo com Ivan, que já teve a casa invadida por marginais três vezes, as principais reclamações são os arrombamentos e furtos a lojas e residências. “Os ladrões aproveitam a hora em que as pessoas saem para invadir as casas. A população tem medo de sair”, revela.
Uma das histórias mais famosas sobre furtos a residências na cidade é a da moradora Graça Pianaro, que teve a casa incendiada pelos bandidos no momento em que foram descobertos. “Entraram em casa quando eu estava na missa. Ao voltar, notei que havia pessoas pegando as roupas no varal. Quando me viram, jogaram óleo diesel em volta da casa e colocaram fogo”, relembra.
Para os comerciantes, a situação está péssima: “Assaltam as lojas, e são sempre as mesmas pessoas. É claro que me sinto inseguro”, desabafa João Batista Saraiva.
O comandante do destacamento da PM (Polícia Militar) de Campina da Lagoa, Sargento Sebastião Joaquim Barbosa, reconhece as dificuldades. “Alguns jovens foram apreendidos até quatro vezes e, mesmo assim, continuam nas ruas. Como não podemos prendê-los, não há o que fazer”, lamenta.
De acordo com o comandante, a PM registra em média cerca de dez a 12 furtos por mês. O destacamento possui seis homens, que atendem também os distritos de Sales de Oliveira, Herveira e Bela Vista do Piquiri. Dois dos militares estão de férias.

 

 

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