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Eleição e bebida alcoólica

Marcio Geron é juiz de Direito da Vara Criminal e Anexos da Comarca de Capanema/PR - marcio@ampernet.com.br

“...não é próprio dos reis beber vinho, nem dos príncipes desejar bebida forte, para que não bebam, e se esqueçam da lei, e privem todos os aflitos dos seus direitos.” (Prov  31, 4-5).

Quem já visitou uma clínica de recuperação ou já andou pelos corredores de uma Vara de Família sabe que há um grande combustível nas desgraças nacionais: a bebida alcoólica.
Sim! É a bebida alcoólica responsável, em grande parte, pela violência (acidentes de trânsito e brigas domésticas), pela degradação da saúde pública (são inúmeras doenças que acabam lotando o SUS - Sistema Único de Saúde) e pela perda da produtividade brasileira (o aluno não consegue estudar, o funcionário falta e não produz).
Desta forma, o eleitor, melhor, o pai e a mãe, deveriam observar de todos os candidatos, especialmente, dos candidatos ao cargo de presidente da República, a sua postura frente à bebida alcoólica e seu programa para combater o tráfico e o uso de drogas (incluído, o álcool).
Também, é preciso ficar claro, uma política que restrinja a penetração da bebida alcoólica na sociedade brasileira não é imposição de aspecto religioso ou moralista. Mas uma necessidade determinada pela preservação dos interesses nacionais, basta analisar os seguintes dados:
a) primeiro, 19 milhões de brasileiros são dependentes do álcool;
b) segundo, mais de 40% dos estudantes do Ensino Fundamental usam álcool com freqüência;
c) terceiro, 45% dos problemas familiares e conjugais estão relacionados ao hábito da bebida; e,
d) quarto, os nossos jovens estão bebendo cada vez mais cedo, ou seja, a partir dos 14 anos de idade. 
É algo simples. Ou mudamos a situação atual (liberalidade criminosa do álcool) ou teremos um país com jovens e adultos dominados pela bebida alcoólica. Pergunto: quem defenderá a nossa soberania? As indústrias de bebida alcoólica!
Por isso, os candidatos devem ser claros em relação ao álcool e às demais drogas, sem esquecer que o exemplo arrasta. Assim, não beber e não estimular o referido hábito é obrigação do presidente da República e dos demais candidatos.
Aliás, entendo que um bom candidato para o Brasil além de não beber deveria defender (em parceria com os municípios e estados da Federação):
a) primeiro, a redução dos pontos de venda (são muitos bares no Brasil, inclusive, há venda de bebidas alcoólicas em postos de gasolina e próximos às escolas);
b) segundo, o controle do horário de venda (em termos simples: a partir de determinado horário a venda deve ser proibida);
c) terceiro, a proibição da propaganda da bebida alcoólica na televisão e no rádio; e,
d) quarto, o aumento de impostos para a produção e a comercialização da bebida alcoólica (o dinheiro arrecadado deveria ser usado para o combate ao tráfico/especialmente, nas abandonadas fronteiras brasileiras e no tratamento de dependentes).
Enfim, é preciso que o eleitor observe a postura e os programas dos candidatos em relação às drogas, particularmente, no tocante ao álcool.

 

Assunto de família?

Percival Puggina é escritor em Porto Alegre - www.puggina.org

A imprensa registra, periodicamente, fatos exóticos ou escandalosos envolvendo iniciativas pedagógicas no campo da educação sexual. Quando isso acontece, os pais, que provavelmente andavam preocupados com o assunto, preocupam-se mais, enquanto escolas e autoridades que pretendiam avançar nesse campo refluem de suas intenções. O tema é delicado. Afinal, educação sexual é necessária? Sim, e muito. Nas escolas? Também. Só para os alunos? Não. Os equívocos percebidos nas experiências feitas nesse campo decorrem de idéias erradas sobre o que seja educação.
A liberdade com que o temário é abordado nos meios de comunicação tem feito com que as crianças deste início de milênio pareçam ter vindo ao mundo perfeitamente a par dos “fatos básicos da vida” (como se dizia antigamente), da mesma forma como parecem nascer gostando de ketchup e sabendo mexer com relógio digital, telefone celular e computador.
A necessária educação sexual não deve ser confundida com simples instrução sobre anatomia, desenvolvimento dos órgãos reprodutivos e fisiologia do ato. Menos ainda há de ser vista como simples oportunidade curricular de orientar a gurizada para a prática do chamado sexo seguro. Educação vai muito além da simples informação.
Por paradoxal que possa parecer, quanto mais os jovens dão sinais de estarem informados sobre sexo, mais evidências fornecem de andarem desorientados a respeito dos muitos aspectos da vida sexual que transbordam da questão anatômica e fisiológica e que envolvem o caráter incomparavelmente humano da sexualidade. Ao contrário do que a cultura contemporânea se empenha em sustentar, nenhuma ação humana é apenas animal. Se tudo o que fazemos é humano por natureza, que dizer do ato com que a própria vida tem origem? Quanto mal produz quem transmite a jovens e a adultos conceitos que reduzem o sexo a artigo de consumo, a pessoa ao corpo, e o corpo a um parque de diversões?
A única faixa etária em que cresce o índice de natalidade é a da adolescência. É fácil presumir a quantidade de dramas ocultos por trás dessas estatísticas. Elas refletem relações desordenadas que começam por onde as afeições maduras e bem-sucedidas tendem a chegar. Por tudo isso, parece urgente re-humanizar a sexualidade mediante uma educação que a oriente para o bem.
Sustento, então, a necessidade de que as escolas, de modo correto e com profissionais habilitados, tratem desse assunto com os alunos em presença dos pais. Afinal, a última palavra sobre a educação dos filhos é atribuição deles.

 

 

 

 

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