O Natal de Lísias
O prefeito de Cascavel, Lísias Tomé, voltou mais falante
da viagem ao Chile. E a razão para essa postura é porque
ele tem uma série de situações que precisam ser contornadas,
a exemplo do que vem ocorrendo em dois anos de administração.
Em meio à reforma administrativa, que está ocorrendo a conta
gotas, o prefeito se desentendeu com o secretário de Finanças,
Ângelo Malta, que até então era um dos homens de confiança.
Malta e Lísias pensam de maneira diferente. O primeiro é
mais ponderado, age com a razão e conhece como ninguém a
situação financeira do Município. O prefeito, em
muitos momentos, age por impulso. Mas ele foi o eleito, por isso tem o
poder de decisão.
Malta deixou a prefeitura num momento delicado. Fim de ano é momento
de fechar o caixa e, pelo que consta, os cofres da prefeitura estão
vazios. O ex-secretário garante que há um rombo de R$ 3,5
milhões, enquanto o prefeito sustenta que há R$ 500 mil
em caixa. Fica a palavra de um contra o outro, já que ninguém
tem acesso à real situação financeira do Município.
E é justamente dinheiro o motivo de polêmica. A prefeitura
autorizou um aumento questionável ao contrato do lixo, quando ainda
corre na Justiça a definição sobre a irregularidade
de outro reajuste concedido em 2005, que poderá acarretar na devolução
aos cofres públicos, hoje em torno de R$ 500 mil.
Ao mesmo tempo, empresários da cidade lamentam não poder
contar com a ajuda da administração municipal para enfeitar
a cidade com as tradicionais decorações de Natal. Motivo:
falta dinheiro.
Além disso, há uma série de outros problemas na cidade
que serão resolvidos a partir da entrada de recursos, como obras
inacabadas, ruas esburacadas e contratação de médicos.
No momento, a única pendência do prefeito que não
envolve finanças é a sua decisão de se filiar em
algum partido político. Lísias diz que não tem pressa,
vai esperar mais um ano, quem sabe um pouco mais, e decidir só
lá na frente, próximo das eleições.
É um jogo de risco, por que o prefeito dará oportunidade
para que outros líderes cresçam dentro dos partidos, como
o PMDB, por exemplo. Além disso, será o seu desempenho no
próximo ano que determinará o interesse futuro das siglas.
Hoje o PMDB quer, mas pode mudar de idéia em 2008.
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