CMEIS
Educação quer mesclar concursados e estagiários nas
salas
Prefeitura vai mudar
monitores de centros
A decisão da Prefeitura de Cascavel de mexer nos monitores dos
Cmeis (Centros Municipais de Educação Infantil) promete
algumas reações. Ocorre que a administração
quer que em cada sala dos Centros tenha um monitor concursado como titular
e um auxiliar que pode ser estagiário. O problema é que
em alguns Cmeis a quantidade de concursados é maior que de estagiários
e será preciso haver o remanejamento de centros.
De acordo com o presidente do Sismuvel (Sindicato dos Servidores Municipais
de Cascavel), Noraci Nonato, essa mudança não é boa
porque muitos servidores trabalham há anos em um mesmo Cmei, já
acostumados com o local, os alunos e os pais e a mudança traria
queda da qualidade dos serviços. “No Caic do Clarito tem
20 concursados, ou seja, dez teriam que sair, sendo que muitos residem
próximos do local”.
O assunto será tratado hoje, às 14h, quando o líder
sindical se reúne com o prefeito em exercício, Vander Piaia,
para tratar sobre o possível reajuste salarial dos servidores.
O encontro contará com a presença de representantes da educação
infantil, e, segundo Noraci, antes de qualquer atitude devem ser ouvidos
os servidores. “Deve haver um diálogo e não uma imposição”.
Noraci lembrou que está para ser lançado um novo concurso
público com vagas para o cargo de monitor de Cmei e, caso os aprovados
sejam convocados logo no início do próximo ano, a mescla
de funcionários não seria necessária, já que
todos os estagiários devem ser dispensados.
O assessor de Gabinete da Secretaria de Educação, Julsemino
Siebeneichler, frisou que a medida é uma determinação
do Ministério Público do Trabalho e que terá de ser
implantada para melhorar a distribuição de funcionários
da rede.
Educadores debatem alterações
Os diretores das escolas municipais participaram na manhã de ontem
de duas reuniões. A primeira com representantes do Siprovel (Sindicato
dos Professores Municipais de Cascavel) e a outra com a presença
do secretário de Educação, Elemar Muller. Foi debatida
a portaria que regulamenta a escolha de vagas dos professores para turmas
e escolas.
De acordo com a presidente do Siprovel, Sueli de Góis da Silva,
a portaria deve seguir as normas da LDB (Lei de Diretrizes e Base da Educação)
e do PCCS (Plano de Cargos, Carreiras e Salários). “A portaria
foi apresentada semana passada aos diretores, que ficaram com algumas
dúvidas e solicitaram que o documento fosse revisto pelo sindicato,
por isso fizemos a reunião”, explicou.
Durante a reunião ficou definido que haverá mudanças
na portaria e que ela será novamente apresentada à categoria
amanhã, às 8h30, na Escola Municipal Gládis Tibola.
Com isso, os professores sem magistério terão direito de
escolher o local de trabalho e os docentes que ainda não tiveram
o nível elevado por falta de reconhecimento do certificado do curso.
Na reunião de amanhã serão apresentadas as datas
que os professores e monitores dos Cmeis terão para escolherem
o local de trabalho.
Rematrículas
A rede municipal de educação abriu ontem e encerra dia 31
o prazo para a rematrícula dos alunos que ficarão na mesma
escola. As matrículas para alunos que ingressarão na 1a
série será realizada de 6 a 13 de novembro. Para a pré-escola
as datas ainda não foram divulgadas.
Na rede estadual as rematrículas para 6a, 7a e 8a séries
encerraram ontem. De 5 a 23 de novembro serão abertas as vagas
para os egressos, alunos que queiram sair da rede privada e entrar na
estadual e para os transferidos de outras cidades.
As matrículas para a 5a série e 1º ano do Ensino Médio
serão realizadas de 3 a 14 de dezembro, somente com apresentação
de carta da Seed (Secretaria de Estado da Educação) que
será encaminhada aos alunos de 19 a 23 de novembro nas suas residências
ou escolas próximas. As vagas restantes serão preenchidas
pelos egressos, alunos da rede privada ou transferidos de 17 a 21 de dezembro.
Em janeiro, depois do retorno das férias, se for necessário
será dada continuidade às matrículas e transferências.
Pirataria
Empresa gaúcha da área de sementes que pirateou sementes
de soja desenvolvidas pela Coodetec foi condenada pela Justiça
a pagar multa estimada em R$ 500 mil. A sentença foi prolatada
pela juíza Cintia Dossin Bigolin, da 5ª Vara Cível
da Comarca de Passo Fundo (RS), atendendo a ação indenizatória,
movida pela Cooperativa.
De acordo com as provas processuais, a empresa D.M. Piccoli, com sede
em Passo Fundo, manipulou e comercializou diversos lotes de sementes de
soja desenvolvidas pela Coodetec, sem autorização.
SALÁRIOS
Docentes da Unioeste definem estratégia
A decisão prévia do governo do Estado de não conceder
o reajuste salarial de 47% pleiteado pelos professores das universidades
estaduais do Paraná resultou em cinco assembléias gerais,
em cada uma das instituições. Hoje os sindicatos de professores
e funcionários da Unioeste (Universidade Estadual do Oeste do Paraná),
UEL (Universidade Estadual de Londrina), UEM (Universidade Estadual de
Maringá), UEPG (Universidade Estadual de Ponta Grossa) e Unicentro
(Universidade Estadual do Centro-Oeste) discutirão as atividades
do Grupo de Trabalho para a Revisão da Carreira dos Docentes. Em
Cascavel, a assembléia começa às 15h, no Auditório
João Back, na Unioeste.
Na pauta do encontro está a análise das atividades do grupo
de estudos envolvido nas negociações com o governo estadual.
Por enquanto, a discussão sobre uma greve não vem sendo
tratada como prioridade para os sindicatos.
COSTA E SILVA
Comunidade escolar quer agilidade na reforma
Professores e alunos
vão às ruas protestar
“Estamos cansados de esperar. Sempre dizem que está para
sair a reforma e até agora nada e não é por falta
de cobrança, porque estamos em contato direto com o Estado”.
O desabafo é da diretora do Colégio Estadual Costa e Silva,
Bairro Maria Luiza, Sirlene Salete Tani. Dia 30, às 10h15, professores
e alunos farão um protesto à demora no início das
obras, que só faltam ser licitadas, já que os projetos foram
concluídos no começo do ano.
Os integrantes da manifestação sairão da frente do
colégio e percorrerão a Rua Cuiabá e, em seguida,
fecharão uma das vias da Avenida Carlos Gomes para explicar à
comunidade os problemas enfrentados no colégio. Conforme a diretora,
em julho o secretário de Educação, Maurício
Requião, esteve na instituição e conheceu a realidade
de perto. “Temos problemas graves de estrutura física, com
várias rachaduras. O colégio foi inaugurado em março
de 1976 e há 15 anos não recebe melhorias”, salientou.
A diretora conta que a primeira solicitação de reforma foi
feita em 1996 e em 1997 foram abertos cursos técnicos com a promessa
de que toda a escola que tivesse esse tipo de curso receberia verbas para
reforma. Só em 2005 é que engenheiros da Secretaria de Estado
de Obras Públicas estiveram no colégio para elaborar o projeto.
“Permanecemos sem resposta e a nossa paciência histórica
e pedagógica está acabando”, enfatizou.
Para explicar a situação, a diretoria do colégio
está encaminhando uma carta aberta à comunidade relatando
o histórico de luta pela reforma da estrutura e os intuitos da
manifestação.
CEASA AMIGA
A Semana Mundial da Alimentação com o tema O Direito à
Alimentação será utilizada para a implantação
do Conselho Gestor do Programa Banco de Alimentos de Cascavel. A posse
será amanhã, a partir das 9h, na sede da Areac (Associação
regional dos Engenheiros Agrônomos de Cascavel), organizada pela
Ceasa e pelo Provopar (Programa do Voluntariado Paranaense) local.
Cascavel será uma das cinco cidades do Estado que estão
incluídas no novo programa do Ceasa, que reformulará o atual
Ceasa Amiga e passará a se chamar Pras (Programa de Alimentação
Saudável). O objetivo é ampliar a captação
dos alimentos e repassar a um número ainda maior de entidades e
famílias cadastradas, além de realizar constante aperfeiçoamento
dos atendidos por meio de cursos profissionalizantes de trabalho e renda.
Para isso, a unidade local receberá cerca de R$ 140 mil de recursos
do MDS (Ministério do Desenvolvimento Social e de Combate à
Fome) para ampliação da estrutura física e comportar
novos equipamentos. O gerenciamento também passará a ser
feito pela Ceasa Paraná.
TRANSPORTE
Motoristas e cobradores
aceitam reajuste de 4,5%
A decisão dos motoristas e cobradores de aceitar os 4,5% de reajuste
salarial foi tomada sexta-feira, após votação entre
os integrantes do Sinttracovel (Sindicato dos Trabalhadores do Transporte
Coletivo Urbano de Cascavel), mas ainda não foi oficializada. O
presidente do sindicato, Procópio Panciniak, informou que a assinatura
do acordo deverá ocorrer amanhã, em reunião entre
o Sinttracovel, Cettrans (Companhia de Engenharia Transporte e Trânsito
de Cascavel) e as permissionárias.
Pelo acordo, serão pagos 3% em novembro e 1,5% em janeiro. Panciniak
informou que o retroativo será pago na próxima folha. “Queríamos
5%, mas essa foi a proposta das empresas. O reajuste equivale a R$ 40
para os motoristas e R$ 24 aos cobradores”.
BRAZMADEIRA
Desenvolvimento e o nome do bairro são fruto da economia
Resultado do ciclo da madeira
O próprio nome do bairro, Brazmadeira, revela a sua origem. Aprovado
em 28 de janeiro de 1977, na gestão do prefeito Jacy Scanagatta,
o local que abriga nove loteamentos era um pólo madeireiro, remanescente
do ciclo da madeira, como conta o escritor Alceu Sperança. “A
madeira era o ciclo forte da economia local nas décadas de 50 e
60. Tudo girava ao redor da extração, industrialização
e transporte de madeira”.
A sua nomeação segue a regra das empresas influentes batizando
o bairro. De acordo com Sperança, Brazmadeira era uma grande madeireira
que empregou muitos cidadãos. Para facilitar a chegada ao trabalho
os funcionários se mudavam para perto da empresa. “As localidades
mais antigas tinham nomes derivados de serrarias. No caso do Brazmadeira,
o nome foi adaptado do nome de uma antiga serraria. Onde havia uma, os
empregados começavam a morar ao redor e o lugar recebia naturalmente
o nome da serraria”.
“Moro aqui há 28 anos e tinha bastante serraria por aqui”,
recorda o aposentado Amandio Pinto. Segundo ele, a paisagem do bairro
não era das mais atrativas, mesmo assim optou por comprar um terreno
naquela região. “Aqui era feio, mas dava para viver e eu
vim pela necessidade de me livrar o aluguel. Uma casa aqui custava dez
contos e eu só tinha quatro”, lembra.
O Brazmadeira, na opinião de Amandio, não parou no tempo,
mas a condição financeira de algumas famílias não
é das melhores. “Aqui tem uma pobreza sem tamanho e nisso
o bairro evoluiu pouco. Quando pode, a gente ajuda”.
RUAS
Nome de rios predomina
O padrão das 46 ruas do Bairro Brazmadeira se divide nos nove
loteamentos. A maioria tem nome de rios, como Rio Ipiranga, Tibagi, Rio
das Antas e Solimões. Já no Conjunto Melissa as vias receberam
nome de árvores, entre elas Carvalho, Nogueira, Goiabeira e Limeira.
FALA MORADOR
“O que mais precisa aqui, no bairro, é o asfalto, que está
em péssimas condições. Tem algumas vias que estão
viradas em um buraco só. Na área da saúde o atendimento
do posto é ruim, principalmente para os idosos, porque, ao invés
de sermos atendidos por ordem de chegada, deixam a gente por último
e isso é péssimo. A segurança também poderia
ser melhor, mas na minha opinião não é ainda tão
ruim como em outros locais. O que tem de bom é a vizinhança,
cheia de pessoas boas. Não saio daqui porque tenho casa própria”.
Manoel Machado da Silva, aposentado
“Moro há 30 anos aqui. Quando cheguei não tinha nem
asfalto, era tudo poeirão. Nunca tive problemas no bairro, para
mim é bastante sossegado. O asfalto foi mal feito em alguns trechos
e teria que ser refeito, principalmente porque a calçada foi demolida
em alguns pontos e tem muito buraco. Do posto de saúde não
tenho nada a reclamar, porque sempre que precisei fui bem atendido. Falta
segurança para os alunos na saída da escola, como guardas
municipais, porque vem muita gente de fora. No mais está tudo bem,
porque as pessoas daqui são muito boas”.
Mário Lima da Silva, comerciante
“Moro há pouco tempo no bairro, mas já posso dizer
que a educação é boa, meus filhos são bem
atendidos. Gosto também porque eles fazem aulas de ginástica,
capoeira e futebol. A segurança está ruim, falta policiamento
e a população vive com medo. Nunca usei o posto de saúde,
mas quem vai comenta que o atendimento é bom, até porque
o posto é novo. O asfalto nas ruas perto da minha casa está
tranqüilo, em bom estado. Acho bom morar aqui”.
Elizete Minatti, dona de casa
CENÁRIO
Viaduto é entrada e referência do bairro
A Avenida Piquiri é a principal via de acesso ao Bairro Brazmadeira
e se tornou uma das maiores referências do bairro. O popularmente
conhecido Viaduto do Brazmadeira, onde a via passa sobre a PRT-467, ligando
o Bairro São Cristóvão ao Brazmadeira, demarca a
divisa dos bairros e é utilizado como ponto de referência
pelos próprios moradores.
Como o índice de acidentes era bastante grande no local, há
alguns anos foi construída uma ciclovia para a passagem de ciclistas
e de pedestres.
LAZER
Colégio oferece aulas de capoeira
São poucas as opções de lazer para os moradores
do Brazmadeira. Não existem praças nem espaços públicos
para entretenimento. A única opção para os jovens
são as aulas de capoeira realizadas no Colégio Estadual
Brazmadeira. O projeto atende 40 crianças de sete a 15 anos e as
atividades ocorrem nas segundas e sextas-feiras e abrangem, além
dos estudantes do colégio, alguns moradores do Bairro Interlagos.
A cada dois meses são feitas palestras com os pais, para que a
família participe das atividades dos filhos.
Mas a população gostaria que existissem mais oportunidades
de lazer. O cozinheiro Marcelo da Silva lembra que havia uma fonte de
água e uma praça em volta onde as pessoas se encontravam
nos fins de semana, mas o local ficou abandonado, sem iluminação
e sem segurança. “Começou a ficar perigoso ir lá,
principalmente à noite. Como todos os lugares daqui estão
perigosos hoje em dia”.
Para o estudante Jéferson José Paludo, os terrenos baldios
poderiam ser praças ou quadras para as pessoas irem nas horas vagas.
“Aqui não tem nada para fazer. Só ficar em casa mesmo”.
FOTOPERSONAGEM
“Temos que ir ao Centro para nos divertir”
Paulo César Venâncio, pintor
“Faltam segurança e iluminação nos locais
públicos”
Jéferson José Paludo, estudante
ESPORTE
Crianças têm opções; adultos, nem tanto
A estrutura esportiva do Bairro Brazmadeira é precária.
As crianças têm a oportunidade de participar do Programa
Jovem Atleta, do Instituto Alfredo Kaefer, mas os adultos ficam sem opções.
Segundo o presidente da Associação de Moradores, Anedino
das Silva, os únicos locais destinados ao esporte são as
quadras das duas escolas do bairro, também para as crianças.
“Aqui não tem nada e os moradores alugam campo em outro bairro”.
O Programa Jovem Atleta atua no Brazmadeira com dois núcleos: um
de futsal, no Colégio Estadual Brazmadeira, e o de capoeira, na
Escola Municipal Nossa Senhora da Salete.
De acordo com o coordenador do programa, José Guedes, a turma de
futsal é formada por 50 crianças com idade entre sete e
15 anos e os treinos ocorrem após o horário de aula, de
segunda a sexta-feira, das 17h30 às 18h30. “O programa atende
o pessoal da escola e também abrange o [Bairro] Interlagos, desde
que esteja dentro dos padrões do Jovem Atleta”.
O presidente da Associação de Moradores, Anedino da Silva,
informou que já sugeriu à prefeitura a construção
de um campo de futebol de areia, e que prepara um orçamento para
apresentar ao Poder Público.
Estrutura comercial
O Brazmadeira é um dos bairros de Cascavel mais carentes de estrutura
comercial. Existem cerca de dez bares, três minimercados, três
panificadoras, uma borracharia, uma tapeçaria e uma loja de confecções.
A falta de agência bancária e estabelecimentos comerciais
de grande porte é uma das principais reclamações
dos moradores do bairro. O local abriga três igrejas, sendo uma
católica e duas evangélicas.
PARTICIPE
Ajude a relembrar a história e a delinear o perfil do seu bairro.
Você pode participar escrevendo para o Jornal Hoje (hoje@jhoje.com.br)
ou entrando em contato pelo telefone (45) 3226-2233. Terça-feira
o especial será sobre o Bairro Canadá.
HORTA COMUNITÁRIA
Projeto ajuda a melhorar a alimentação
A horta comunitária instalada no Brazmadeira ajuda a população
mais pobre do bairro. A horta é uma das ações do
Projeto Fortalecendo a Família, do Instituto Alfredo Kaefer. Trinta
e duas famílias foram selecionadas. “As famílias foram
escolhidas com base na renda. Outro ponto analisado é a participação
das crianças no Projeto Jovem Atleta”, diz Leonice Rotava,
Instituto.
As famílias trabalham duas vezes por semana no cultivo de diversos
tipos de verduras. Tudo o que é produzido fica para o consumo próprio
das famílias. “Geralmente eles têm um trabalho. A horta
é uma forma de melhorar a alimentação, já
que as famílias também recebem cestas básicas”,
diz conta Leonice.
A assistente social Márcia Nogueira ressalta que todos os aspectos
sociais são considerados: “Cada família tem especificidades
que precisam ser tratadas. Analisamos cada caso e tentamos ajudar da melhor
maneira possível”.
A parte técnica fica por conta de professores e acadêmicos
do curso de Engenharia Agrônoma da FAG que prestam a assistência
técnica necessária.
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