O país dos mortos vivos
Gelciara Trapp é estudante do Ensino Médio do Colégio Estadual Duque de Caxias em Corbélia - orientada pela professora Nilcea Schwambach
Sabemos que hoje a fome é um fenômeno mundial e afeta, principalmente, alguns países dos continentes pobres e subdesenvolvidos, como Ásia, África e América Latina.
E, dentre esses países, temos o Brasil, que não é um país pobre, mas, mesmo assim, tem cerca de 30 milhões de famintos, com certeza, um número alarmante. A questão é que não se trata de números, mas de seres humanos. São crianças, adultos, mulheres e idosos que hoje estão vivendo na mais completa miséria.
Que país é este?
Sabemos que é um país tão rico em minérios, terra fértil, água, variedades de vegetais e... com um povo tão pobre?
Como pode o Brasil ser a oitava economia no mundo ocidental, ocupar uma posição importante na produção de riquezas, ter 30 milhões de miseráveis sem acesso a lazer, educação, moradia, trabalho e, principalmente, alimentação, enfim, uma vida descente e digna de um cidadão?
Em 1947 começaram a aparecer na sociedade os primeiros bichos, que eram homens, atrás de comida. Hoje a miséria está aumentando assustadoramente e transformando a vida de pessoas em uma espécie de zoológico.
A fome não se trata apenas da falta de calorias necessárias às pessoas, e sim de elementos básicos para o bom funcionamento do organismo. E, com essa falta de alimentação, ocorre a desnutrição, facilitando o aparecimento de outras doenças, que podem levar o desnutrido à morte.
Não se trata apenas de dar comida aos famintos, mas agir contra a miséria e saber o que a gerou. Certamente, não basta dar comida ao povo, pois onde está o direito de um cidadão, quando precisa manter uma família com o mísero salário de R$ 350 mensais?
O Nordeste, no entanto, é a região que mais sofre com a fome e a miséria. Os órgãos governamentais começaram a anunciar que entre 1961 e 1974 a desnutrição tinha diminuído em 24% entre a população nordestina. Milagre? Não, mentira. Pois a fome ainda ronda por lá, e cada vez mais devastadora.
A fome não diminuiu no Nordeste, mas foi trazida para o Sul e o Sudeste, pelos 28 milhões de migrantes que vieram em busca de melhores condições de vida. O que nada adiantou, pois em 1976 52% dos desnutridos brasileiros estavam no Sul e Sudeste do Brasil.
Ela continua a violentar os brasileiros, transformando-os em bichos. Em 1983 explodiu também em São Paulo e no Rio de Janeiro. Quanto aos dias de hoje, basta abrirmos os jornais para vermos que a explosão do número de famintos continua a ocorrer.
A pobreza é tanta que em algumas regiões temos uma nova espécie de homem, a qual foi batizada como “homem gabiru”, porque vive do lixo e não alcança mais de 1,45 metro de altura.
Os governantes há muito tempo sabem que a maioria do povo passa fome, mas pouco fazem para remediar a situação. Pois esta fatalidade serve para promessas eleitorais. Vários projetos são iniciados, mas poucos são efetivados ou têm continuidade de um governo para outro. Uma das medidas tomada pelo governo, com a ajuda de um programa alimentar norte-americano, em 1955, que continua a existir, por bem ou por mal, é a merenda escolar. Ah! Não podemos esquecer que temos ainda Bolsa-Escola, a entrega de leite, Vale-Gás, cestas básicas...
Nos jornais os cientistas alertam que “O Brasil está na UTI”. Será que o Brasil vai se salvar?
Neste país, desde 1530, temos as atividades agrícolas como fonte de riqueza, o único problema é que esses produtos são destinados à exportação ou estão mal distribuídos.
Para sairmos da UTI devemos agir em conjunto, pois a sociedade, em geral, não demonstra muito interesse e continua calada deixando a fome e o descaso - com esse e outros problemas - alastrarem-se com velocidade e ferocidade.
Temos que lutar por nossos direitos, ajudar o próximo, manifestar a nossa opinião, saber em quem votar, acompanhar os projetos de leis criados pelos nossos representantes, participar da vida política não só como eleitores, mas, sim, exercendo nossos deveres e exigindo nossos direitos de cidadão. Uma vez que, se não nos impusermos, seremos sempre marionetes nas mãos dos governantes e sabemos que dificilmente podemos contar com eles.
Não devemos aceitar que continuem a dar o peixe, sem ensinar a pescar, ou seja, não adianta apenas dar aos brasileiros o que comer, é preciso investir em algo duradouro e de direito de todos os cidadãos que pagam impostos, tais como emprego, educação, saúde e lazer, pois, só assim, poderemos viver com dignidade, qualidade de vida e nos orgulharmos de sermos brasileiros.
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