Nova embalagem, velho presente
O governo federal prepara o anúncio de novos pacotes econômicos para esta semana. Um deles deve abranger a construção civil. A previsão é de que sejam lançados até amanhã. Mas a expectativa é de que apenas a embalagem seja nova, o presente já vem usado.
O governo federal surpreendeu com a série de medidas paliativas anunciadas este ano. O problema é que, geralmente, a prática fica longe da teoria, ou melhor, das reivindicações.
Foi assim com a agricultura, que, por três anos seguidos, implorou ao governo a prorrogação das dívidas com prazos de carência e mudanças estruturais na política econômica. As dívidas puderam ser renegociadas, mas o saldo foi descontado da capacidade de endividamento e a carência ficou muito aquém da esperada. Já as mudanças na política econômica, talvez em 2007.
Mês passado criou-se uma nova expectativa, de que, dessa vez, o governo iria acertar e atender ao setor produtivo. Houve a sinalização de mudanças na política cambial, alvo de críticas desde a indústria de química fina ao exportador de produto in natura. Aos poucos o ânimo foi dando lugar ao descaso, na medida em que o governo deixava escapar que o pacote não era tudo aquilo que todos esperavam. Quando foi oficializado, não deu outra: críticas pela maioria, já que atendeu a apenas uma pequena parcela do setor exportador.
Os incentivos à construção civil iriam ajudar o brasileiro trabalhador a ter a sua casa própria, afinal, os produtos ficariam mais baratos com a isenção de impostos. Até agora, nada chegou ao consumidor final. Após essa constatação, já se fala em novo pacote, este que deve “ser aberto” amanhã. Assim como os outros, o otimismo foi reduzindo aos poucos, pois já se sabe que o presente será curto.
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou que o trabalhador agora pode movimentar seu salário de um banco para o outro sem pagar CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira). Grande avanço.
As ações setorizadas e reduzidas comprovam aquilo que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva dizia na campanha eleitoral de 2002: que as reformas são urgentes e necessárias no País, para evitar remendos. Pena que ele não ouviu essa parte do seu discurso.
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