Organizadas, até quando?
Anteontem, antes do jogo do Inter em Florianópolis, dois ônibus de torcidas foram parados pela Polícia Rodoviária. Os viajantes identificados devolveram o que haviam roubado um pouco antes, num bar da estrada, e, imediatamente, foram obrigados a voltar a Porto Alegre. À noite, depois do jogo do Santos com o Fluminense, o goleiro Fábio Costa foi esperado na saída do vestiário, agredido (não poderá jogar por uma semana) e se não fosse a pronta ação de funcionários do Santos a coisa poderia ter sido pior.
O que isso tem em comum?
Ocorreram com torcidas organizadas e mesmo que eu não me baseie em estudos sociológicos e apenas me ampare na experiência pessoal, no que leio e vejo em filmes produzidos no mundo todo, não acredito em recuperação do clima de convivência esportiva saudável se não houver, primeiro, a proibição de organizações que antes de unir torcedores têm outros fins (inclusive escondendo ações criminosas, de pedofilia e de tráfico de drogas). Não vamos avançar para a solução do problema.
Tem que haver a proibição das torcidas, tem que ser implantados os juizados especiais nos estádios, punindo os infratores no mesmo dia das ocorrências. Só assim voltaremos a ter no estádio de futebol um local seguro, para torcer ou para simplesmente levar a família.
Não sei no que se baseia o promotor do Ministério Público que liberou as torcidas em Caxias do Sul, mas tenho certeza de que a sua decisão só não será questionada por fatos graves até o primeiro jogo importante, que reúna torcidas adversárias.
Enquanto não houve esse rigor os estádios europeus foram locais de guerra. Hoje nem têm alambrados, porque quem invade é imediatamente preso, e quem briga filmado pelas inúmeras câmeras preparadas para identificar os arruaceiros.
Vantagem
Agora, depois dos últimos jogos, o Grêmio é que tira distância do Inter e se aproxima do São Paulo. No fundo, técnico e direção sabem que o título é uma ilusão momentânea. Não têm grupo para isso. Mas a briga pela vaga na Libertadores continua e com boas chances.
Desde o ano passado, quando o Grêmio saiu da Segundona e voltou à elite, já tinha uma equipe bem armada. Com o decorrer do campeonato aprimorou o seu futebol e neste ano agregou mais qualidade com jogadores como Hugo no meio-campo, William na zaga, Rômulo no ataque, e, especialmente, firmando Lucas, hoje seu principal jogador, como titular.
O Grêmio de hoje é outro em relação ao do ano passado e até mesmo ao do começo deste ano e por isso os resultados.
O Inter também mudou seu time, especialmente depois da conquista da Libertadores, e como o técnico quase sempre escolhe mal os jogadores, a crítica de hoje é forte e os resultados são ruins. No último jogo, em Florianópolis, jogou tão mal contra o Figueirense que Fernandão fez mais falta como organizador (ele parece ser o verdadeiro técnico) do que como jogador. Ele volta no próximo jogo contra o Corinthians, mas continuam os outros, erradamente, escolhidos pelo técnico.
Curtas
Dunga convocou a Seleção para o amistoso do dia 7, contra o Kuwait. Entre as novidades, Lucas, do Grêmio, e Daniel Alves, o baiano que é a sensação do Sevilla.
+++O Cascavel tem, pelo que o Hoje divulgou, boas chances de subir para a Divisão Especial. Mas não pode abandonar os jogadores, deixando-lhes faltar até comida. Se isso acontecer, tem que ficar na Segundona até aprender a se organizar.
+++A torcida do Inter, que na viagem a Florianópolis assaltou uma loja de conveniência, não é reconhecida, segundo os dirigentes do clube. Mas o dono da empresa de ônibus - Sul Travel - diz que os R$ 2,2 mil cobrados pela viagem de três organizadas são pagos pelo clube. Além do assalto, os torcedores quebraram um dos ônibus e o dono da empresa vai cobrar os estragos em três monitores de tevê, frigobar e cafeteira danificados.
+++O meio-campista Lucas, do Grêmio, agora convocado para a Seleção, passou a interessar, também, ao PSV da Holanda, além do Atlético de Madrid. |