GINÁSTICA – Hipermobilidade pode gerar dor nas extremidades
do corpo
Elasticidade
é genética,
mas nem sempre é boa
No centro
do picadeiro, a contorcionista parece feita de borracha. Estica de um
lado, puxa do outro e faz parte do respeitável público resgatar
o velho sonho de fugir com o circo. Mas, sem querer ser estraga-prazeres,
é bom avisar: deixe o contorcionismo fora de suas ambições
circenses.
A flexibilidade, fundamental nesse tipo de atividade, pode ser aprimorada
com exercícios. Mas grande parte da capacidade de esticar o corpo
está ligada a componentes genéticos.
"Se você não ‘escolheu bem’ seus pais, esqueça",
brinca o médico Cláudio Gil Soares de Araújo, diretor
da Clinimex (Clínica de Medicina do Exercício). "Pode
ver que muitos desses artistas vêm de famílias com tradição
em contorcionismo."
Essa "herança" inclui a titina, conhecida como a "proteína
da flexibilidade". Embora todas as pessoas tenham essa proteína
nas fibras musculares, uma parte dela é variável, e essas
mudanças ajudam a definir se você será mais ou menos
maleável, diz Tania Salvini, professora de fisioterapia da Universidade
Federal de São Carlos.
Uma das formas de saber em que grupo você se encaixa é um
exame conhecido como Flexiteste, que foi desenvolvido por Soares. Composto
por 20 movimentos, cada um com uma pontuação que varia de
zero a quatro, o exame mede quão flexível alguém
é.
Quem alcança uma pontuação acima de 70 tem hipermobilidade.
Isso não é, necessariamente, uma característica boa:
a síndrome de hipermobilidade benigna, que leva a um nível
de flexibilidade muito alto nas articulações, costuma gerar
dores nas extremidades do corpo.
Mesmo em casos menos extremos, a mobilidade excessiva pode ser um problema.
"Se um atleta tem frouxidão ligamentar, o risco de ele ter
uma entorse no tornozelo enquanto corre é grande. Em casos assim,
o ideal é deixar a musculatura do tornozelo dele mais tensa",
diz o fisioterapeuta José Luís Pimentel do Rosário,
conselheiro do Crefito (Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional)
de São Paulo.
Além disso, a flexibilidade excessiva também pode afetar
o funcionamento de órgãos internos. Uma pesquisa realizada
por Soares, da Clinimex, constatou que uma alteração cardíaca
conhecida como prolapso (deslocamento) da válvula mitral é
mais comum em mulheres com hipermobilidade.
Não por acaso o problema é mais associado a mulheres. De
modo geral, elas são muito mais flexíveis que os homens.
Essa diferença surge após os sete ou oito anos de idade
- até então, meninos e meninas apresentam corpos igualmente
maleáveis. Na puberdade, porém, características hormonais
levam as mulheres a ter uma mobilidade maior.
Durante a gravidez, os hormônios voltam a atuar, deixando as mulheres
ainda mais flexíveis -uma preparação para as exigências
do parto.
Por volta dos 40 anos, tanto homens quanto mulheres tendem a perder flexibilidade.
O ganho de peso e o sedentarismo contribuem para isso, mas o processo
também está ligado à maior rigidez e à menor
hidratação do tecido conjuntivo.
Corpo travado
Uma das principais conseqüências da perda de flexibilidade
é que os músculos se tornam mais curtos. "A musculatura
encurtada deixa os músculos numa posição complicada.
Isso cria desgastes nas articulações, e a pessoa precisa
usar mais força para fazer as mesmas atividades", diz Rosário.
Além disso, o "endurecimento" pode levar a "compensações"
em outras áreas do corpo. O professor de ioga Kalidas Nuyken, proprietário
do Surya Espaço de Yoga, em São Paulo, exemplifica isso
com o ato de pegar um livro numa estante. "Quem tem o ombro flexível
levanta a mão facilmente. Já quem não consegue levantar
muito o braço inclina o corpo para trás, para aumentar o
alcance da mão, e tende a jogar a lombar para a frente." Resultado:
dores nas costas.
Gordura trans: tudo o que você precisa saber
De acordo
com a resolução RDC360 da Anvisa (Agência de Vigilância
Sanitária), é determinado que sejam declarados nos rótulos
dos alimentos industrializados a quantidade de gordura trans presente
nos alimentos. Desde o dia 1º de agosto de 2006 as empresas devem
obrigatoriamente especificar esta informação na embalagem
de seus produtos
Os produtos fabricados e embalados no país ou importados até
31 de julho de 2006 poderão ser vendidos até o final dos
estoques, observados os prazos de validade.
Ainda existem muitas dúvidas sobre o assunto, como, por exemplo:
O que este tipo de gordura causa no organismo? Quais alimentos contem
este tipo de gordura? Aonde verificar a informação sobre
gordura trans? Por este motivo, elaboramos algumas perguntas e respostas
sobre gordura trans.
A gordura trans é um tipo de gordura formada pelo processo de hidrogenação
natural ou industrial. O processo de hidrogenação industrial
consiste na adição de hidrogênio nos óleos
vegetais até que este se torne sólido a temperatura ambiente.
A recomendação é que se consuma o mínimo possível.
Procure não ultrapassar a quantidade de 2 g por dia.
Qual a necessidade de ter este tipo de gordura nos alimentos?
Para melhorar a consistência dos alimentos, dar um sabor mais acentuado,
deixar os alimentos mais sequinhos, crocantes e apetitosos. E também
para dar um prazo de validade maior aos alimentos.
Por que é prejudicial este tipo de gordura? O que causa no organismo?
O consumo excessivo de gordura trans no organismo causa alterações
no metabolismo lipídico. Aumenta o colesterol total e o LDL (colesterol
ruim), além de diminuir o HDL (colesterol bom). Com o aumento do
colesterol, pode acontecer a obstrução dos vasos sanguíneos,
causando doenças cardiovasculares. Estudos mostram também
que o excesso de gordura trans favorece o acúmulo de gordura visceral,
que é a gordura armazenada entre as vísceras ou órgãos
do corpo. Na obesidade do tipo andróide (onde a gordura se armazena
na barriga) é onde a gordura visceral se acumula e produz substâncias
prejudiciais ao organismo.
Alimentos industrializados, sorvetes, batata frita, salgadinhos de pacote,
bolos, biscoitos, margarinas, pratos congelados, empanados, etc. A gordura
trans também está presente em menor quantidade, em alguns
alimentos in natura onde passam por um processo de hidrogenação
natural, ocorrido nos animais. Podemos citar a carne e o leite.
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