Edição nº 4941 - sábado, 22 de março de 2008 Classificados | Assinatura | Impressão
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MATÉRIA-PRIMA
Valor ficara dois anos estagnado e subiu 8% em dois meses
Alta no preço do aço encarece construções

O aumento do preço do aço está mudando o cenário econômico da construção civil. Há dois anos sem reajuste, o valor do mineral subiu de 6% a 8% em Cascavel. No Paraná, o acréscimo acumulado nos últimos 12 meses chega a 12,56%.
Segundo o Sinduscon-PR (Sindicato da Indústria da Construção Civil), o aço não foi o material que teve maior aumento - ficou em oitavo na lista. Mas por ser uma commodity e ter uma representação de 8,75% no investimento, é o que mais pressiona para o aumento global da obra.
O preço do aço é baseado no dólar, mas, apesar da valorização do real frente à moeda norte-americana, o produto sofreu reajuste. O economista Rui São Pedro explica que no mercado externo o valor do aço em dólar está alto. Como no Brasil a moeda está desvalorizada, os fabricantes elevam o preço no mercado interno para reduzir o consumo e aumentar a exportação. “Os incentivos para exportação são maiores, com isso a indústria tem um ganho. Isso acarreta no aumento do preço para o consumidor final”.
O consultor do Sinduscon/Oeste (Sindicato da Indústria da Construção do Oeste do Paraná), Agnaldo Mantovani, afirma que as políticas habitacionais do governo federal aqueceram o mercado da construção civil nos últimos anos, o que aumentou a quantidade de obras. “Muitas pessoas passaram anos sem construir e agora constroem. A venda de alguns produtos no Brasil sai da mesma origem, como cimento e aço. Com isso, há uma exploração. É preciso que todos fiquem atentos para os preços”.
Um vergalhão de aço custava R$ 15,76 em janeiro. Um mês depois, a mesma peça era vendida a R$ 16,75, custo que se manteve em março.
Outros materiais para construção, como cimento, cerâmicas e aberturas de portas e janelas, também soferam elevação. Luiz Afonso Cazzo é encarregado de faturamento de uma loja em Cascavel. Segundo ele, desde janeiro a maioria das mercadorias teve reajuste. “A procura é maior e houve aumento de preços em todas as linhas. Na virada foi um estouro, pois todas as indústrias nos passaram uma nova tabela de preços”.
Cazzo salienta que o aumento ao consumidor é reflexo dos preços no atacado. Os pisos tiveram um reajuste de 5% e as aberturas de portas e janelas, derivadas do aço, subiram 8%. Outro produto que deve ter majoração é o tijolo. O preço médio é de R$ 260 o milheiro. “Este preço se mantém desde outubro e os oleiros prometem fazer pressão para um reajuste”, antecipa.

SINDUSCON
Não há razões econômicas
Os investimentos na construção civil são norteados pelo CUB (Custo Unitário Básico), que oscilou 6,44% em 12 meses no Paraná. A variação está abaixo do IGP-M (Índice Geral de Preços de Mercado), que foi de 8,67%. Logo, não existem razões econômicas para o reajuste de valores, afirma Agnaldo Mantovani, consultor do Sinduscon/Oeste. “Não há aumento de preço acima do índice de correção da inflação. Pode ser que os fabricantes retenham o produto para aproveitar o momento”.
Valdair Ferreira da Silva trabalha em construtora que compra mil sacos de cimento por mês. O produto também teve um ajuste elevado, 18,61% em 30 dias. “Pagávamos R$ 12,20 em um saco de 50 quilos. Hoje pagamos R$ 14,47. A fábrica alega que a demanda está maior que a produção”.
Essa justificativa dos fabricantes não convence os economistas. “Não há queda na produção. Os investidores fazem esta jogada de mercado e infelizmente quem paga mais caro é o consumidor”, observa Rui São Pedro.

PROFESSORES
Sindicato considera ação tímida e restritiva
Programa para elevação de nível é questionado

O modelo de cursos para elevação de nível de professores da rede estadual de ensino ainda é motivo de queixa por parte de profissionais da educação. Atualmente 53 educadores do NRE (Núcleo Regional de Educação) de Cascavel participam do PDE (Programa de Desenvolvimento da Educação) do governo do Paraná, número considerado baixo pela categoria. Os participantes são professores da última classe e fizeram exame classificatório no fim do ano passado para concorrer às 1,2 mil vagas disponibilizadas pelo governo em todo o Estado.
A presidente da APP-Sindicato (Sindicato dos Trabalhadores da Educação) de Cascavel, Valci Maria Mattos, observa que as questões aplicadas no concurso estão sendo consideradas difíceis pelos profissionais, que têm poucas chances de elevar o nível.
Ela ressalta que o curso está previsto no Plano de Carreiras e equivale ao mestrado, mas a categoria defende que professores com mestrado deveriam também ter acesso a esse nível. “Além disso, o PDE deveria ser regulamentado por lei, pois ainda é um decreto. A APP está trabalhando para que vire lei e que possa ser extensivo a todos os professores de mestrado”.
A presidente ressalta que quando há elevação o profissional passa de um nível para outro na mesma classe e da forma como o PDE foi regulamentado pelo decreto o professor, que está na última classe no nível II que vai começar na primeira turma, demorará 15 anos para assumir todas as classes se fizer essa caminhada de três em três anos. “Assim poucos professores chegarão lá”, diz ela, ressaltando que a APP quer que haja modificação. “Desta forma não está agradando e está atingindo uma parcela pequena da categoria”, complementa.
Estado
Sônia Maria Justo, do Departamento Técnico Pedagógico do NRE (Núcleo Regional de Educação), observa que o exame feito pelo PDE é bastante seletivo, mas que Cascavel apresentou um índice alto de aprovação, com 53 profissionais, se comparado a Foz do Iguaçu (21) e Assis Chateaubriand (11). Ano passado, 47 docentes do Município freqüentaram o curso.
Ela observa que o exame é coordenado pela Universidade Londrina, que trata o concurso como um vestibular.
Sônia apóia a reivindicação dos professores e avalia que uma das saídas seria o aumento do número de vagas, que garantiria mais chances aos profissionais.
Concorda também que o decreto vire lei, para que o benefício continue sendo possibilidade para os profissionais nos próximos governos, já que o curso está no segundo ano e é inédito. “Nunca foi oferecido ao profissional 100% de tempo para estudar”, avalia, explicando que o aperfeiçoamento tem duração de dois anos.
No primeiro, o professor tem 100% de liberação para aulas, estudos e demais atividades divididas em períodos de seis meses. No segundo ano tem 25% da carga horária para estudos, aplicação de material didático, entre outros.

CASCAVEL
Atividades durante a semana marcam o Dia Mundial da Água
Em comemoração ao Dia Mundial da Água, a Sanepar preparou programação de atividades que serão realizadas durante a próxima semana. A data foi instituída pela ONU (Organização das Nações Unidas), em 1992, com o objetivo de destacar a degradação pela qual a água tem passado e para buscar soluções práticas de conservação desse bem natural. O homem, até hoje, não conseguiu criar uma tecnologia que possa fabricar água. Não existe nada que a substitua ou que possa reproduzi-la. Portanto, a água limpa e de fácil acesso é um bem único.
Para marcar a data, a Sanepar participa de diversas atividades em todas as regiões do Paraná. As ações fazem parte da Agenda Unificada Ambiental, coordenada pela Secretaria do Meio Ambiente e suas autarquias, e têm a participação de prefeituras, Sanepar, Copel, Secretarias de Estado e dos municípios, ONGs, escolas públicas e particulares, entre outros.
Em Cascavel os funcionários da Sanepar desenvolverão atividades de sensibilização e plantarão mudas de árvores nativas. Os eventos estão marcados para os dias 25 e 27, com início às 8h, e no dia 26, a partir das 14h. As atividades serão desenvolvidas no Parque Ambiental de Cascavel, com palestra sobre disponibilidade, uso racional e cuidados necessários com a água. Para finalizar a programação serão plantadas 500 mudas de árvores na área que margeia a ETE/Oeste (Estação de Tratamento de Esgoto), localizada na lateral do Córrego Bezerra, que recebe o efluente de esgoto tratado daquela estação.
Em Toledo terça-feira haverá o abraço ao Lago Municipal como ação em defesa da água, junto com estudantes, órgãos públicos, ONGs e comunidade. No mesmo evento será realizado ato público, idealizado pelo Conselho Municipal de Meio Ambiente e Secretaria Municipal de Educação, onde serão apresentados os projetos e intenções para a preservação do meio ambiente, com cumprimentos previstos para o Dia Mundial da Água de 2009. A Sanepar terá a incumbência de produzir 60 mil mudas de árvores para revitalização das áreas de mananciais da região.

Brasileiros gastam cinco vezes mais água
Comemora-se hoje o Dia Internacional da Água e o ano de 2008 foi escolhido pela ONU como o ano internacional do saneamento.
Em pesquisa recente da H2C - Consultoria e Planejamento de Uso Racional da Água, notou-se que o brasileiro gasta, em média, cinco vezes mais água do que o volume indicado como suficiente pela OMS (Organização Mundial da Saúde). A organização recomenda o consumo diário de 40 litros diários por pessoa, enquanto no Brasil são consumidos 200 litros dia/pessoa, em média.
De acordo com a consultoria, faltam políticas globais de incentivo ao uso racional da água e as iniciativas existentes estão sempre voltadas para o aumento da produção de água, não para a diminuição do consumo. “Até quando vamos deixar as campanhas de uso racional da água nas mãos das concessionárias? Isso é contraditório, porque o negócio delas é vender água, assim, quanto maior o consumo e, por decorrência, a venda de água, mais as concessionárias lucram”, destaca Paulo Costa, consultor e especialista em projetos de Uso Racional da Água.
O especialista explica que há alternativas que permitiriam reduzir o consumo de água imediatamente, sem necessidade de novos investimentos. “Programas racionalizadores do uso da água foram empregados com sucesso por cidades como Nova Iorque e Austin, nos EUA, e Cidade do México, por exemplo”, relata Paulo Costa, da H2C Consultoria e Planejamento de Uso Racional da Água. De acordo com o consultor, a Prefeitura de Nova Iorque implementou um programa de incentivo à substituição de equipamentos gastadores de água - bacias sanitárias, especialmente - por outros, racionalizadores.
O programa foi implementado, entre 1994 e 1996, com investimento de US$ 240 milhões no incentivo à troca de bacias e válvulas sanitária, permitindo a economia de 288 milhões de litros por dia. Os consumidores passaram a economizar até 35% na sua conta de água mensal.

TRADIÇÃO
Dia foi de oração e reflexão para os fiéis ontem
Espetáculo emociona e encanta o público

A Sexta-Feira Santa foi um dia de muita fé e reflexão em Cascavel. Durante todo o dia os fiéis foram às paróquias adorar a imagem de Jesus morto. A Catedral Nossa Senhora Aparecida ficou lotada na celebração da Paixão de Cristo, comandada pelo arcebispo dom Mauro Aparecido Santos. Em seguida os fiéis puderam acompanhar a procissão do Cristo morto. O tema da Campanha da Fraternidade, a vida, foi lembrado durante toda a celebração. Mas o ponto alto do dia foi a encenação dos últimos dias de Jesus na terra, que encantou e emocionou milhares de pessoas no Estádio Olímpico.
Para Zair Funghetto, professora, o dia foi de reflexão: “É um dia de reflexão sobre a nossa vida, nossos valores e transformação desde a época dos nossos pais”.
Antonio Elias, aposentado, não perde os rituais da Igreja Católica. “Todo ano acompanho. É como uma renovação, agora me sinto pronto para seguir o ano”.
Durante a noite os fiéis se concentraram no Estádio Olímpico, para assistir à Via Sacra Viva. Essa foi a 19ª edição da encenação, organizada pelos jovens da Paróquia São Pedro, no Bairro Alto Alegre.
Mais de 200 pessoas relembraram os últimos dias de Jesus na terra. “Ensaiamos cerca de 60 dias para que tudo saísse perfeito”, diz Marcelo Campagnaro, coordenador de ensaios.
Diego Bombonato, representante comercial, era o responsável pelo personagem mais importante da noite. Ele representou Jesus. “Fiquei surpreso e muito feliz ao ser escolhido para o papel. Já participei dez vezes da via sacra”.
Gabriela Priviateli, nutricionista, acompanha a via sacra desde a primeira apresentação. “É uma forma de contar a verdadeira história de Jesus”, diz ela, que já participou como atriz.
Loreni Franceschini, dona de casa, lembra do trabalho da comunidade para fazer o espetáculo. “São meses de trabalho e dedicação. É tudo muito bonito, quem nunca veio tem que vir”.
Outro ponto importante do evento é a ajuda ao próximo. “Eles também ajudam a população com os alimentos que são arrecadados”, lembrou Tatiane Pereira, estudante.
Os jovens receberam o apoio do Corpo de Bombeiros, que disponibilizou um caminhão de combate a incêndio e uma ambulância, e da Polícia Militar, que fez a segurança externa. “Estamos com oito policiais na área para evitar os pequenos furtos e controlar o trânsito”, disse o tenente Cláudio Ricardo Pinto, Policia Militar.

BOLSA-FAMÍLIA
Famílias de baixa renda terão mais um benefício
As cerca de 9 mil famílias de Cascavel atualmente atendidas pelo programa social Bolsa-Família, do governo federal, terão mais um benefício a partir desta semana. Jovens de 16 e 17 anos passam a receber R$ 30 por mês. Em todo o País serão 1.156.958 pagamentos, totalizando o repasse adicional de R$ 34,7 milhões.
Em Cascavel, conforme o secretário de Ação Social, Santo Savi, o número de beneficiados ainda não foi apurado, pois as famílias já cadastradas terão de levar a documentação do filho que se enquadra no benefício para incluí-lo no programa, cujo teto máximo por família é de R$ 172.
Ele observa que atualmente há cerca de 15 mil famílias cadastradas em Cascavel, mas que o limite de beneficiadas autorizado pelo MDS (Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome) é de 9 mil.
De acordo com a secretária de Renda de Cidadania do MDS, Rosani Cunha, receberão o repasse extra apenas as famílias cujos filhos nessa faixa etária freqüentem a escola, limitado a dois jovens. Ela ressaltou que o objetivo é reduzir a evasão escolar e rebateu as críticas de que a ampliação do Bolsa-Família em ano eleitoral teria a finalidade de conseguir votos para a base do governo. “Estamos pagando benefícios para famílias que já estão no Bolsa-Família. Não há ampliação do número de famílias”, enfatizou.
O extrato de pagamento dos benefícios neste mês contém aviso às famílias contempladas com o novo repasse. Segundo a secretária, a mensagem esclarece que o benefício passa a ser maior por causa da existência de jovens de 16 ou 17 anos na respectiva família. Avisa também que o pagamento está condicionado à freqüência escolar mínima de 75%.
O ministério disponibilizou um telefone para prestar mais esclarecimentos: 0800-7072003.
Rosani informou também que as 11 milhões de famílias contempladas pelo programa de transferência de renda têm 2,3 milhões de jovens de 16 e 17 anos, dos quais o governo estima que 1,7 milhão estejam na escola. Já em abril, mais 300 mil jovens passarão a receber o benefício adicional, pois seus nomes aparecem no controle de matrículas do Ministério da Educação.


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