MATÉRIA-PRIMA
Valor ficara dois anos estagnado e subiu 8% em dois meses
Alta no preço do aço encarece construções
O aumento do preço do aço
está mudando o cenário econômico da construção
civil. Há dois anos sem reajuste, o valor do mineral subiu de 6%
a 8% em Cascavel. No Paraná, o acréscimo acumulado nos últimos
12 meses chega a 12,56%.
Segundo o Sinduscon-PR (Sindicato da Indústria da Construção
Civil), o aço não foi o material que teve maior aumento
- ficou em oitavo na lista. Mas por ser uma commodity e ter uma representação
de 8,75% no investimento, é o que mais pressiona para o aumento
global da obra.
O preço do aço é baseado no dólar, mas, apesar
da valorização do real frente à moeda norte-americana,
o produto sofreu reajuste. O economista Rui São Pedro explica que
no mercado externo o valor do aço em dólar está alto.
Como no Brasil a moeda está desvalorizada, os fabricantes elevam
o preço no mercado interno para reduzir o consumo e aumentar a
exportação. “Os incentivos para exportação
são maiores, com isso a indústria tem um ganho. Isso acarreta
no aumento do preço para o consumidor final”.
O consultor do Sinduscon/Oeste (Sindicato da Indústria da Construção
do Oeste do Paraná), Agnaldo Mantovani, afirma que as políticas
habitacionais do governo federal aqueceram o mercado da construção
civil nos últimos anos, o que aumentou a quantidade de obras. “Muitas
pessoas passaram anos sem construir e agora constroem. A venda de alguns
produtos no Brasil sai da mesma origem, como cimento e aço. Com
isso, há uma exploração. É preciso que todos
fiquem atentos para os preços”.
Um vergalhão de aço custava R$ 15,76 em janeiro. Um mês
depois, a mesma peça era vendida a R$ 16,75, custo que se manteve
em março.
Outros materiais para construção, como cimento, cerâmicas
e aberturas de portas e janelas, também soferam elevação.
Luiz Afonso Cazzo é encarregado de faturamento de uma loja em Cascavel.
Segundo ele, desde janeiro a maioria das mercadorias teve reajuste. “A
procura é maior e houve aumento de preços em todas as linhas.
Na virada foi um estouro, pois todas as indústrias nos passaram
uma nova tabela de preços”.
Cazzo salienta que o aumento ao consumidor é reflexo dos preços
no atacado. Os pisos tiveram um reajuste de 5% e as aberturas de portas
e janelas, derivadas do aço, subiram 8%. Outro produto que deve
ter majoração é o tijolo. O preço médio
é de R$ 260 o milheiro. “Este preço se mantém
desde outubro e os oleiros prometem fazer pressão para um reajuste”,
antecipa.
SINDUSCON
Não há razões econômicas
Os investimentos na construção
civil são norteados pelo CUB (Custo Unitário Básico),
que oscilou 6,44% em 12 meses no Paraná. A variação
está abaixo do IGP-M (Índice Geral de Preços de Mercado),
que foi de 8,67%. Logo, não existem razões econômicas
para o reajuste de valores, afirma Agnaldo Mantovani, consultor do Sinduscon/Oeste.
“Não há aumento de preço acima do índice
de correção da inflação. Pode ser que os fabricantes
retenham o produto para aproveitar o momento”.
Valdair Ferreira da Silva trabalha em construtora que compra mil sacos
de cimento por mês. O produto também teve um ajuste elevado,
18,61% em 30 dias. “Pagávamos R$ 12,20 em um saco de 50 quilos.
Hoje pagamos R$ 14,47. A fábrica alega que a demanda está
maior que a produção”.
Essa justificativa dos fabricantes não convence os economistas.
“Não há queda na produção. Os investidores
fazem esta jogada de mercado e infelizmente quem paga mais caro é
o consumidor”, observa Rui São Pedro.
PROFESSORES
Sindicato considera ação tímida e restritiva
Programa para elevação
de nível é questionado
O modelo de cursos para elevação
de nível de professores da rede estadual de ensino ainda é
motivo de queixa por parte de profissionais da educação.
Atualmente 53 educadores do NRE (Núcleo Regional de Educação)
de Cascavel participam do PDE (Programa de Desenvolvimento da Educação)
do governo do Paraná, número considerado baixo pela categoria.
Os participantes são professores da última classe e fizeram
exame classificatório no fim do ano passado para concorrer às
1,2 mil vagas disponibilizadas pelo governo em todo o Estado.
A presidente da APP-Sindicato (Sindicato dos Trabalhadores da Educação)
de Cascavel, Valci Maria Mattos, observa que as questões aplicadas
no concurso estão sendo consideradas difíceis pelos profissionais,
que têm poucas chances de elevar o nível.
Ela ressalta que o curso está previsto no Plano de Carreiras e
equivale ao mestrado, mas a categoria defende que professores com mestrado
deveriam também ter acesso a esse nível. “Além
disso, o PDE deveria ser regulamentado por lei, pois ainda é um
decreto. A APP está trabalhando para que vire lei e que possa ser
extensivo a todos os professores de mestrado”.
A presidente ressalta que quando há elevação o profissional
passa de um nível para outro na mesma classe e da forma como o
PDE foi regulamentado pelo decreto o professor, que está na última
classe no nível II que vai começar na primeira turma, demorará
15 anos para assumir todas as classes se fizer essa caminhada de três
em três anos. “Assim poucos professores chegarão lá”,
diz ela, ressaltando que a APP quer que haja modificação.
“Desta forma não está agradando e está atingindo
uma parcela pequena da categoria”, complementa.
Estado
Sônia Maria Justo, do Departamento Técnico Pedagógico
do NRE (Núcleo Regional de Educação), observa que
o exame feito pelo PDE é bastante seletivo, mas que Cascavel apresentou
um índice alto de aprovação, com 53 profissionais,
se comparado a Foz do Iguaçu (21) e Assis Chateaubriand (11). Ano
passado, 47 docentes do Município freqüentaram o curso.
Ela observa que o exame é coordenado pela Universidade Londrina,
que trata o concurso como um vestibular.
Sônia apóia a reivindicação dos professores
e avalia que uma das saídas seria o aumento do número de
vagas, que garantiria mais chances aos profissionais.
Concorda também que o decreto vire lei, para que o benefício
continue sendo possibilidade para os profissionais nos próximos
governos, já que o curso está no segundo ano e é
inédito. “Nunca foi oferecido ao profissional 100% de tempo
para estudar”, avalia, explicando que o aperfeiçoamento tem
duração de dois anos.
No primeiro, o professor tem 100% de liberação para aulas,
estudos e demais atividades divididas em períodos de seis meses.
No segundo ano tem 25% da carga horária para estudos, aplicação
de material didático, entre outros.
CASCAVEL
Atividades durante a semana marcam o Dia Mundial da Água
Em comemoração
ao Dia Mundial da Água, a Sanepar preparou programação
de atividades que serão realizadas durante a próxima semana.
A data foi instituída pela ONU (Organização das Nações
Unidas), em 1992, com o objetivo de destacar a degradação
pela qual a água tem passado e para buscar soluções
práticas de conservação desse bem natural. O homem,
até hoje, não conseguiu criar uma tecnologia que possa fabricar
água. Não existe nada que a substitua ou que possa reproduzi-la.
Portanto, a água limpa e de fácil acesso é um bem
único.
Para marcar a data, a Sanepar participa de diversas atividades em todas
as regiões do Paraná. As ações fazem parte
da Agenda Unificada Ambiental, coordenada pela Secretaria do Meio Ambiente
e suas autarquias, e têm a participação de prefeituras,
Sanepar, Copel, Secretarias de Estado e dos municípios, ONGs, escolas
públicas e particulares, entre outros.
Em Cascavel os funcionários da Sanepar desenvolverão atividades
de sensibilização e plantarão mudas de árvores
nativas. Os eventos estão marcados para os dias 25 e 27, com início
às 8h, e no dia 26, a partir das 14h. As atividades serão
desenvolvidas no Parque Ambiental de Cascavel, com palestra sobre disponibilidade,
uso racional e cuidados necessários com a água. Para finalizar
a programação serão plantadas 500 mudas de árvores
na área que margeia a ETE/Oeste (Estação de Tratamento
de Esgoto), localizada na lateral do Córrego Bezerra, que recebe
o efluente de esgoto tratado daquela estação.
Em Toledo terça-feira haverá o abraço ao Lago Municipal
como ação em defesa da água, junto com estudantes,
órgãos públicos, ONGs e comunidade. No mesmo evento
será realizado ato público, idealizado pelo Conselho Municipal
de Meio Ambiente e Secretaria Municipal de Educação, onde
serão apresentados os projetos e intenções para a
preservação do meio ambiente, com cumprimentos previstos
para o Dia Mundial da Água de 2009. A Sanepar terá a incumbência
de produzir 60 mil mudas de árvores para revitalização
das áreas de mananciais da região.
Brasileiros gastam cinco vezes
mais água
Comemora-se hoje o Dia Internacional
da Água e o ano de 2008 foi escolhido pela ONU como o ano internacional
do saneamento.
Em pesquisa recente da H2C - Consultoria e Planejamento de Uso Racional
da Água, notou-se que o brasileiro gasta, em média, cinco
vezes mais água do que o volume indicado como suficiente pela OMS
(Organização Mundial da Saúde). A organização
recomenda o consumo diário de 40 litros diários por pessoa,
enquanto no Brasil são consumidos 200 litros dia/pessoa, em média.
De acordo com a consultoria, faltam políticas globais de incentivo
ao uso racional da água e as iniciativas existentes estão
sempre voltadas para o aumento da produção de água,
não para a diminuição do consumo. “Até
quando vamos deixar as campanhas de uso racional da água nas mãos
das concessionárias? Isso é contraditório, porque
o negócio delas é vender água, assim, quanto maior
o consumo e, por decorrência, a venda de água, mais as concessionárias
lucram”, destaca Paulo Costa, consultor e especialista em projetos
de Uso Racional da Água.
O especialista explica que há alternativas que permitiriam reduzir
o consumo de água imediatamente, sem necessidade de novos investimentos.
“Programas racionalizadores do uso da água foram empregados
com sucesso por cidades como Nova Iorque e Austin, nos EUA, e Cidade do
México, por exemplo”, relata Paulo Costa, da H2C Consultoria
e Planejamento de Uso Racional da Água. De acordo com o consultor,
a Prefeitura de Nova Iorque implementou um programa de incentivo à
substituição de equipamentos gastadores de água -
bacias sanitárias, especialmente - por outros, racionalizadores.
O programa foi implementado, entre 1994 e 1996, com investimento de US$
240 milhões no incentivo à troca de bacias e válvulas
sanitária, permitindo a economia de 288 milhões de litros
por dia. Os consumidores passaram a economizar até 35% na sua conta
de água mensal.
TRADIÇÃO
Dia foi de oração e reflexão para os fiéis
ontem
Espetáculo emociona e encanta o público
A Sexta-Feira Santa foi um dia de muita
fé e reflexão em Cascavel. Durante todo o dia os fiéis
foram às paróquias adorar a imagem de Jesus morto. A Catedral
Nossa Senhora Aparecida ficou lotada na celebração da Paixão
de Cristo, comandada pelo arcebispo dom Mauro Aparecido Santos. Em seguida
os fiéis puderam acompanhar a procissão do Cristo morto.
O tema da Campanha da Fraternidade, a vida, foi lembrado durante toda
a celebração. Mas o ponto alto do dia foi a encenação
dos últimos dias de Jesus na terra, que encantou e emocionou milhares
de pessoas no Estádio Olímpico.
Para Zair Funghetto, professora, o dia foi de reflexão: “É
um dia de reflexão sobre a nossa vida, nossos valores e transformação
desde a época dos nossos pais”.
Antonio Elias, aposentado, não perde os rituais da Igreja Católica.
“Todo ano acompanho. É como uma renovação,
agora me sinto pronto para seguir o ano”.
Durante a noite os fiéis se concentraram no Estádio Olímpico,
para assistir à Via Sacra Viva. Essa foi a 19ª edição
da encenação, organizada pelos jovens da Paróquia
São Pedro, no Bairro Alto Alegre.
Mais de 200 pessoas relembraram os últimos dias de Jesus na terra.
“Ensaiamos cerca de 60 dias para que tudo saísse perfeito”,
diz Marcelo Campagnaro, coordenador de ensaios.
Diego Bombonato, representante comercial, era o responsável pelo
personagem mais importante da noite. Ele representou Jesus. “Fiquei
surpreso e muito feliz ao ser escolhido para o papel. Já participei
dez vezes da via sacra”.
Gabriela Priviateli, nutricionista, acompanha a via sacra desde a primeira
apresentação. “É uma forma de contar a verdadeira
história de Jesus”, diz ela, que já participou como
atriz.
Loreni Franceschini, dona de casa, lembra do trabalho da comunidade para
fazer o espetáculo. “São meses de trabalho e dedicação.
É tudo muito bonito, quem nunca veio tem que vir”.
Outro ponto importante do evento é a ajuda ao próximo. “Eles
também ajudam a população com os alimentos que são
arrecadados”, lembrou Tatiane Pereira, estudante.
Os jovens receberam o apoio do Corpo de Bombeiros, que disponibilizou
um caminhão de combate a incêndio e uma ambulância,
e da Polícia Militar, que fez a segurança externa. “Estamos
com oito policiais na área para evitar os pequenos furtos e controlar
o trânsito”, disse o tenente Cláudio Ricardo Pinto,
Policia Militar.
BOLSA-FAMÍLIA
Famílias de baixa renda terão mais um benefício
As cerca de 9 mil famílias
de Cascavel atualmente atendidas pelo programa social Bolsa-Família,
do governo federal, terão mais um benefício a partir desta
semana. Jovens de 16 e 17 anos passam a receber R$ 30 por mês. Em
todo o País serão 1.156.958 pagamentos, totalizando o repasse
adicional de R$ 34,7 milhões.
Em Cascavel, conforme o secretário de Ação Social,
Santo Savi, o número de beneficiados ainda não foi apurado,
pois as famílias já cadastradas terão de levar a
documentação do filho que se enquadra no benefício
para incluí-lo no programa, cujo teto máximo por família
é de R$ 172.
Ele observa que atualmente há cerca de 15 mil famílias cadastradas
em Cascavel, mas que o limite de beneficiadas autorizado pelo MDS (Ministério
do Desenvolvimento Social e Combate à Fome) é de 9 mil.
De acordo com a secretária de Renda de Cidadania do MDS, Rosani
Cunha, receberão o repasse extra apenas as famílias cujos
filhos nessa faixa etária freqüentem a escola, limitado a
dois jovens. Ela ressaltou que o objetivo é reduzir a evasão
escolar e rebateu as críticas de que a ampliação
do Bolsa-Família em ano eleitoral teria a finalidade de conseguir
votos para a base do governo. “Estamos pagando benefícios
para famílias que já estão no Bolsa-Família.
Não há ampliação do número de famílias”,
enfatizou.
O extrato de pagamento dos benefícios neste mês contém
aviso às famílias contempladas com o novo repasse. Segundo
a secretária, a mensagem esclarece que o benefício passa
a ser maior por causa da existência de jovens de 16 ou 17 anos na
respectiva família. Avisa também que o pagamento está
condicionado à freqüência escolar mínima de 75%.
O ministério disponibilizou um telefone para prestar mais esclarecimentos:
0800-7072003.
Rosani informou também que as 11 milhões de famílias
contempladas pelo programa de transferência de renda têm 2,3
milhões de jovens de 16 e 17 anos, dos quais o governo estima que
1,7 milhão estejam na escola. Já em abril, mais 300 mil
jovens passarão a receber o benefício adicional, pois seus
nomes aparecem no controle de matrículas do Ministério da
Educação.
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