Edição nº 4941 - sábado, 22 de março de 2008 Classificados | Assinatura | Impressão
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INVESTIGAÇÃO
Especialistas apuram ataque ao acampamento das Farc do dia 1º de março
Colômbia lançou bombas de alta tecnologia no Equador

No ataque colombiano ao acampamento das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) no Equador, no dia 1º de março, foram utilizadas dez bombas de alta tecnologia, segundo uma investigação da Força Aérea equatoriana, publicada ontem pelo jornal local "El Comercio".
Em 6 de março, especialistas em armas da Força Aérea equatoriana iniciaram uma perícia sobre o bombardeio em Angostura, onde estava o acampamento das Farc e onde morreu o porta-voz internacional da organização, Raúl Reyes, e ao menos outros 16 guerrilheiros.
De acordo com o relatório dos peritos, foram utilizadas dez bombas GBU 12 Paveway 2 de 227 quilos, que deixaram crateras de 2,40 metros de diâmetro por 1,80 metro de profundidade, publicou o jornal equatoriano.
O jornal ainda afirmou que, segundo as especificações do fabricante da bomba GBU 12, Texas Instruments, o explosivo pode ser guiado por laser, GPS ou tecnologia intersensorial.
O relatório diz também que foram encontradas cápsulas de projéteis no setor sul do acampamento, disparadas por metralhadoras de helicópteros que, segundo a Força Aérea equatoriana, fizeram a segurança dos soldados que realizaram a infiltração.
As bombas utilizadas no ataque são do mesmo tipo que as usadas durante a operação americana Tempestade do Deserto, no Iraque.
De acordo com o relatório, a maioria das bombas caiu na área de dormitórios e de doutrinamento do acampamento, enquanto as zonas de lavanderia e de treinamento ficaram intactas.
Um guia de identificação de armas da Otan (Organização do Tratado do Atlântico do Norte) diz que as bombas GBU 12 podem ser transportadas apenas por aviões A7, A10, B52, F111, F117, F15, F16, F/A 18 C/D, F14 e A6, segundo o "Comercio".
O Ministério da Defesa colombiano afirmou que a operação Fênix, como foi chamado o ataque à base das Farc em Angostura, usou aviões Super Tucano. No entanto, segundo a Otan, estes aparelhos não estão incluídos entre os que podem levar bombas GBU 12.

TIBETE
China admite uso de armas em manifestantes
A China reconheceu ontem, pela primeira vez, que atirou contra os manifestantes tibetanos, enquanto milhares de tropas se posicionaram nas últimas horas pelas províncias onde há conflito para dissuadir novos protestos.
Os tiros dos policiais, que deixaram quatro feridos, ocorreram no condado de Aba, na Província de Sichuan, vizinha ao Tibete, e para onde se estenderam as manifestações a partir de Lhasa (capital tibetana). Os protestos também se espalharam para Gansu e Qinghai, que também contam com uma grande comunidade tibetana.
Segundo a agência oficial Xinhua, os agentes abriram fogo “em defesa própria” dia 14, quando ocorreram os distúrbios na capital tibetana, depois que os manifestantes ignoraram disparos de aviso, atacaram agentes com facas e tentaram desarmá-los.
Enquanto isso, grupos de ativistas tibetanos divulgaram a mobilização de forças paramilitares e da polícia chinesa nas zonas mais conflituosas. Em Gansu, mais de 200 caminhões com cerca de 25 efetivos cada chegaram à região de Gannan, onde as autoridades fecharam as três ruas principais, segundo um comunicado do grupo com base em Londres Free Tibet Campaign.

Invasão
A pré-candidata democrata à Presidência dos Estados Unidos Hillary Clinton e o provável candidato republicano, John McCain, também foram vítimas do acesso não autorizado a documentos vinculados a seus passaportes. O departamento de Estado norte-americano se desculpou pelo caso.
O anúncio, realizado pelo porta-voz do Departamento de Estado, Sean McCormack, ocorreu horas depois de vir à tona a notícia de que três funcionários do departamento haviam acessado o histórico do passaporte do pré-candidato democrata Barack Obama.
Ontem o comitê da senadora Hillary afirmou que já havia recebido uma notificação do acesso aos arquivos em 2007. Os documentos de Hillary foram violados por um trainee contratado para auxiliar no atraso na entrega de passaportes, segundo o porta-voz do Departamento de Estado.
O acesso aos arquivos de McCain foi realizado no início deste ano, por uma das pessoas que também violou os arquivos de Obama.

ESPANHA
Carro-bomba explode perto da Guarda Civil
Um carro-bomba explodiu ontem junto ao quartel da Guarda Civil de Calahorra, em La Rioja, no Norte da Espanha, que havia sido desocupado após um telefonema em nome da organização terrorista ETA (Euskadi Ta Askatasuna, Pátria Basca e Liberdade) alertando para a explosão.
Segundo o jornal “El País”, a Guarda Civil ampliou o cordão policial no local por suspeitar que houvesse um segundo carro-bomba. A região estava cheia porque acabava de terminar a procissão da Sexta-Feira Santa. Apesar disso, segundo a polícia de Calahorra, a explosão não causou muitos danos. A agência de notícias Associated Press informa que apenas um policial ficou levemente ferido.
A DYA, organização que presta auxílio aos motoristas nas estradas, do País Basco confirmou que recebeu uma ligação em nome do ETA avisando que um carro-bomba iria explodir. A DYA é um dos canais usados habitualmente pelo ETA para avisar da explosão de bombas.

Falta de pão
Pelo menos quatro pessoas morreram nas últimas semanas em conflitos gerados pela falta de pão em padarias populares na capital do Egito, Cairo.
O governo não divulgou oficialmente o número de vítimas, mas a crise da falta do produto está sendo considerada uma das mais sérias das últimas décadas no país.
Estima-se que 20% dos cerca de 80 milhões de egípcios vivem abaixo da linha da pobreza e, outros 30%, pouco acima. Mais da metade da população do país recorre ao pão que é subsidiado pelo governo, muito mais barato do que o não subsidiado.
A escassez do pão e as conseqüentes filas são problemas que vêm ocorrendo há cerca de um ano, quando o preço do trigo disparou no mercado mundial. Nesse período, o valor do trigo triplicou internacionalmente.

FAIXA DE GAZA
Hamas tentará sedimentar o controle
Ismail Haniyeh, líder do Hamas na Faixa de Gaza, ampliará a estrutura do governo em meio a esforços para sedimentar o controle da organização sobre o território costeiro, afirmou ontem uma autoridade familiarizada com a administração do grupo militante na região.
A decisão de Haniyeh de consolidar o domínio do Hamas sobre a Faixa de Gaza se choca com a exigência do presidente palestino, Mahmoud Abbas, de que o grupo islâmico entregue o controle do território. Delegações do Hamas e da Fatah, a facção ligada a Abbas, reúnem-se atualmente no Iêmen em busca de uma reconciliação.
Os membros do Hamas assumiram o controle sobre a Faixa de Gaza em junho, quando expulsaram dali a Fatah.
“Há consultas voltadas a ampliar o governo liderado por Ismail Haniyeh”, disse a autoridade à Reuters. “O primeiro-ministro [Haniyeh] em Gaza ofereceu a alguns palestinos destacados a chance de participarem do governo e essas pessoas manifestaram sua disposição inicial de participar”.
Nenhum porta-voz da Fatah se manifestou a respeito.

 

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