NASCIMENTOS
Ministério recomenda que ao menos 65% dos nascimentos sejam partos
naturais
Metade
dos partos é por cesárea
A
Rede Parto do Princípio, composta por cerca de 250 mulheres em
todo o País, denunciou ao MPF (Ministério Público
Federal) de São Paulo o aumento de cesarianas em todo o Brasil,
por meio de um dossiê que 35 páginas e de mais de 30 estudos
científicos. De acordo com Patrícia Merlin, representante
da entidade no Paraná, a média do País é de
70% cesárea e 30% parto normal, o que caracteriza a indústria
da cesárea. Em Cascavel, a média tem sido praticamente a
metade para cada técnica, acima da recomendação do
Ministério da Saúde, de apenas 35% de cesáreas de
alto risco e 27% em casos de baixo risco.
“Demonstramos ao MP que o parto natural é a melhor saída
e que, mesmo assim, existem números abusivos da cesárea.
Isso pode ser mudado com novas ações de educação
e de informação das mulheres”, explica Patrícia.
Conforme ela, a Promotoria encaminhou um relatório ao Ministério
da Saúde, e em paralelo a entidade começou a divulgar os
benefícios do parto natural, antes que haja uma decisão
de cima para baixo, com o objetivo de reduzir o número de cesarianas.
De acordo com Patrícia, o documento relata o corporativismo dos
médicos, a ineficiência da Agência Nacional de Saúde
quanto à fiscalização e a regulamentação
do setor. Com a ação, o MPF realizou a primeira audiência
que reuniu autoridades do Ministério da Saúde, ANS (Agência
Nacional de Saúde), Conselho Federal de Medicina, Conselho Regional
de Medicina, Associação dos Hospitais Privados, Conselho
Federal de Enfermagem, Escola Paulista de Medicina e representantes de
planos de saúde.
DADOS
Dados da Secretaria Estadual de Saúde de 2005 apontam que em Cascavel
nasceram neste ano 4.304 bebês, sendo 2.220 partos normais, equivalente
a 51,6%, e 2.084 por cesárea, 48,4%. Já em Foz do Iguaçu
no mesmo ano nasceram 5.261 bebês, sendo 2.614 por parto normal
(49,7%) e 2.647 por cesárea, 50,3%.
Em Toledo as cesáreas também foram maiores. Em 2005 nasceram
1.546 crianças, 680 de parto normal (44%) e 866 cesárea
(56%). Em Curitiba, o índice de cesáreas foi de 55,8%, relativo
ao nascimento de 13.686, e 44,2% normais, relativo a 10.834 crianças.
Neste ano, de janeiro a agosto, em Cascavel o índice está
em 60,12% de partos normais, correspondendo a 1.487 nascimentos, e o restante,
cesáreas.
DECISÕES
MPF levanta propostas para incentivar o natural
Em
audiência realizada pelo MPF de São Paulo, foram apontados
dois pontos essenciais de que o parto natural é melhor para a saúde
da mãe e do bebê e que a realidade é alarmante: o
Brasil pratica cesarianas em excesso. Diante disso, serão formuladas
novas medidas para reverter esse cenário com algumas prioridades,
entre elas a promoção de acesso à informação,
visando resgatar a visão positiva do parto normal. Será
elaborada uma cartilha oficial direcionada às pacientes, para que
seja distribuída pelos médicos e hospitais, esclarecendo
os benefícios do parto natural. Em conjunto será desencadeada
uma campanha nos meios de comunicação com o Ministério
da Saúde.
Outra proposta é que sejam certificados hospitais para que realizem
partos naturais e assegurar que enfermeiros obstetras possam ser responsáveis
por esses procedimentos. Será solicitado ao Conselho Federal de
Medicina que inclua em seu Código de Ética uma regulação
específica para indicações de cesáreas. Também
será articulada a criação de mais casas de parto
no País anexas aos hospitais. Outra medida é maior investimento
na revisão da formação dos médicos via Ministério
da Educação, orientando os futuros profissionais sobre a
importância do parto natural.
O MPF propõe que seja ampliada a capacitação de médicos
na assistência ao parto, com base nas evidências científicas
e a viabilização de uma melhor remuneração
ao parto normal, estabelecendo um teto para o pagamento de cesáreas
e a vinculação financeira a proporção parto
natural e cesáreas com a publicação das porcentagens
dos dois procedimentos.
“O próximo passo é sentar para negociar com as partes,
para que seja firmado um documento para que melhore o atendimento ao parto
no País”, disse Patrícia Merlin, representante da
Promotoria no Paraná que participa da campanha.
O Ministério da Saúde implantou o programa Parto Humanizado,
que tem como objetivo incentivar o parto normal. O órgão
preconiza 35% de cesáreas em situações de alto risco
e 27% em baixo risco.
PROFISSIONAL
Fator psicológico influencia na decisão
O
ginecologista e obstetra Marcos Tomasetto, que responde pela chefia da
10ª Regional de Saúde, diz que o parto normal é a melhor
saída, até porque a criança nasce no momento certo.
Ele explica que cerca de 90% das mulheres que chegam para a primeira consulta
dizem que querem fazer cesárea e que os profissionais, durante
o período de gestação, é que vão explicando
os benefícios do parto normal.
Ocorre que quando a paciente faz o parto pelo SUS (Sistema Único
de Saúde), na maioria das vezes é atendida pelo médico
que está de plantão no hospital, que, em geral, não
é o mesmo que a atendeu durante toda a gestação.
Outro problema no atendimento pelo serviço é a superlotação
da maternidade.
Tomasetto ressalta que há alguns anos dois hospitais de Cascavel
eram conveniados ao SUS, a Policlínica e o HU (Hospital Universitário),
atendendo a uma média de 320 partos por mês. Só que
hoje apenas o HU mantém o atendimento público.
Antes, com o auxílio da Policlínica, o HU tinha nove leitos
de pré-parto, mas, com a demanda, apertou e colocou mais camas,
somando 14 leitos atualmente. “Dobrou a quantidade, mas não
o espaço”, observa Tomasetto.
Segundo ele, outro fator importante é que, como o espaço
é pequeno, quando uma das gestantes entra em serviço de
parto afeta psicologicamente as outras, e que, nesse processo, algumas
mães optam pela cesárea.
Tomasetto descreve ainda que até para o profissional o parto normal
é muito mais tranqüilo, já que necessita de uma equipe
menor. A equipe médica para a cesárea exige três profissionais
e no parto normal, apenas o médico. “O valor do procedimento
não influencia o médico, até porque ninguém
trabalha pensando apenas no dinheiro, mas no bem-estar dos pacientes”.
Pelo SUS, o valor do parto normal pago é de R$ 319,75 e à
cesárea, R$ 443,68.
ACOMPANHAMENTO
Sobre a Lei Federal 11.108/2005, que propõe que a gestante tenha
o acompanhamento de uma pessoa no hospital, o médico disse que
em Cascavel pelo SUS isso não é viável, já
que o espaço está escasso. Além disso, ele observa
que nas salas pré-parto as mulheres usam apenas uma camisola aberta
e para que fosse liberado acompanhamento os leitos teriam que ser separados,
e ainda levado em consideração o risco de infecção
hospitalar. “É uma lei que não atende a nossa realidade
e por isso não é cumprida”. Desde o começo
do ano até agosto, nasceram 2.360 crianças no HU.
Escolhas
Érica Cristiane dos Santos teve o seu primeiro filho por cesárea
não por escolha, mas porque o bebê nasceu prematuro e o procedimento
teve de ser feito rapidamente. Mesmo assim, se fosse para escolher, ela
preferia essa técnica, devido à tranqüilidade no procedimento.
Segundo ela, o seu médico não fez questão de enfatizar
qual a melhor maneira de ter um filho, mas que isso não importaria,
porque a sua opinião já está formada.
Grávida do seu segundo filho, Neuza Fátima Rodrigues optou
pelo parto normal, já que também teve o primeiro filho por
esse procedimento. Ela explicou que existe mesmo a dor de se ter um bebê,
mas que os benefícios compensam, principalmente pela recuperação,
que é muito mais rápida. “A minha médica sempre
disse: ‘Quer sair pulando depois do parto? Faça normal’,
e concordo com ela”.
VIVEIRO
DA FAG
Animais doados e recuperados de traficantes recebem tratamento e até
se reproduzem
Espaço
preserva aves nativas
Um
local a dez minutos do Centro de Cascavel, com muita área verde,
2 mil metros de trilha ecológicas e mais de 250 exemplares de aves.
Esse é o Viveiro da FAG (Faculdade Assis Gurgacz), que no próximo
mês completa dois anos. O local abriga aves apreendidas pela polícia
ou de antigos criadores que não têm mais condições
de cuidar dos animais e fazem a entrega voluntária. “Todas
as nossas aves são encaminhadas pelo Ibama (Instituto Brasileiro
de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis)”, explica
Renato Herdina Erdmann, médico veterinário.
O viveiro é classificado como um criadouro que cuida da conservação
e reprodução das espécies. “Trabalhamos com
animais da fauna nativa da região. Assim tentamos criar um ambiente
o mais semelhante possível do habitat natural do animal. Eles também
recebem uma dieta balanceada, conforme a necessidade de cada um”,
diz Renato.
A estrutura é formada por 27 recintos, dez grandes, 16 pequenos
e um coletivo, que abriga várias espécies. “Algumas
conseguem conviver muito bem, mas não posso colocar um gavião
com pássaros pequenos, por exemplo, que em poucos dias o gavião
comeria todos”. Quatro profissionais trabalham no viveiro: um técnico,
dois funcionários de limpeza e um veterinário.
A primeira espécie que chegou ao criadouro foi uma arara, que ainda
mora no local. Logo depois um tucano chegou e hoje mais de 15 espécies
compõem o viveiro, entre elas papagaios, corujas, gaviões,
araçaris, tucanos, e pássaros pequenos, como sabiás,
pássaro-preto, canários e coleirinhas.
Primeiros
cuidados
Ao chegarem ao viveiro, os animais ficam 40 dias isolados das
outras aves para evitar contaminações. São tratados
e desverminados. “Muitos animais chegam em péssimas condições.
Com doenças e muito machucados, principalmente os apreendidos”,
relata Renato Herdina Erdmann, médico veterinário.
Um exemplo é um gavião que chegou no criadouro há
cerca de um mês. Ele estava com uma das pernas quebrada e, apesar
dos esforços, o membro teve de ser amputado. “Ele ainda está
em fase de adaptação a essa nova condição.
Infelizmente, não vai poder ser solto na natureza, pois não
conseguiria sobreviver assim”, diz Renato.
Os animais só são reintegrados ao meio ambiente depois de
um longo estudo, que dura no mínimo seis meses. “O animal
só é liberado com autorização do Ibama, depois
de um estudo detalhado de suas condições e as chances de
sobreviver sozinho”, explica o veterinário. A liberação
de um grupo de pássaros pretos está sendo analisada.
Qualquer pessoa pode conhecer o viveiro, mas as visitas têm de ser
agendadas com antecedência pelo telefone (45) 3321-3900. Um monitor
acompanha os visitantes e explica o trabalho.
ARARA CANINDÉ
Reprodução atesta bom trabalho
Há um ano, aconteceu o primeiro caso de reprodução
em cativeiro no Viveiro da FAG. Foi um casal de araras canindé.
“A reprodução só acontece quando os animais
estão perfeitamente adaptados ao local, bem tratados e bem nutridos”,
diz o veterinário Renato Erdmann. O casal já criou pela
segunda vez. O caçula tem apenas seis meses.
Outra espécie que tem grandes chances de se reproduzir é
o papagaio. “Os papagaios também conseguem se procriar em
cativeiro, mas os que temos aqui ainda não muito novos”.
Já outras espécies, como o araçari, dificilmente
conseguirão se reproduzir. “Para o araçari reproduzir
é preciso uma área muito grande, já que ele gosta
de voar. É muito difícil manter uma área dessas”,
diz Erdmann.
Acompanhantes
A visita da reportagem do Hoje ao recinto coletivo do Viveiro
da FAG, teve companhia ilustre: Selminha, João e Carol. Os três
pequenos papagaios acompanharam o trajeto voando e se dependurando nas
grades. “Eles são muito dóceis, quase parecem [cães]
vira-latas, de tão mansos”, brinca Renato Herdina Erdmann,
médico veterinário.
“Muitos animais chegam aqui ainda filhotes, sem penas até.
Os funcionários acabam se apegando e os tratando como membros da
família. É dessa cumplicidade que surgem os nomes”,
conta Renato, e revela: “Geralmente os nomes são de conhecidos,
parentes ou estagiários que passaram por aqui”.
Ampliação
da estrutura
No
viveiro são realizados somente pequenos procedimentos ambulatoriais.
Os procedimentos mais complicados e cirurgias são feitos em clínicas
particulares, que mantêm convênio com a FAG.
A instalação do curso de Medicina Veterinária na
instituição contribuirá com o aprimoramento da estrutura.
“Será necessária a instalação de um
hospital veterinário, que posteriormente poderá ser usado
para os procedimentos do viveiro”, diz Renato.
Os acadêmicos também poderão aproveitar o espaço
para fazer trabalhos práticos. “Alguns acadêmicos já
realizam pequenos trabalhos de pesquisa aqui, mas isso pode ser bem mais
amplo”.
Existe a idéia de se construir também um novo quarentenário
para as aves, com ambulatório, área de isolamento e internação
próprios.
PRISÃO
DOMICILIAR
Dos quatro presos procurados, somente um estava em casa
Falta
de estrutura põe
em dúvida alternativa
A precária estrutura prisional do Paraná está obrigando
a Justiça a conceder prisão domiciliar a detentos com direito
ao regime semiaberto. A discussão está na fiscalização
dos presos que recebem o direito à pena intermediária, pois
o efetivo policial já é muito aquém do necessário
para combater a criminalidade nas ruas e, portanto, não há
homens suficientes para vigiar a residência dos detentos.
Em Cascavel a concessão de prisões domiciliares - onde o
detento deve ficar segregado dentro da residência particular em
tempo integral até sua efetiva inclusão no estabelecimento
prisional adequado - foi iniciada há cerca de seis meses. A alternativa,
conforme o juiz da Vara de Execuções Penais, Paulo Damas,
está sendo utilizada por conta da falta de vagas nos estabelecimentos
com regime semiaberto do Estado, a Colônia Penal em Curitiba (1.364
detentos), o Centro de Regime Semiaberto de Guarapuava (324 presos) e
a Penitenciária Waldemar Teodoro em Ponta Grossa (90).
O magistrado explica que quando o preso ganha progressão de regime
o Estado tem de promover imediata transferência compatível
com o sistema que ganhou. Ou seja, após cumprir um sexto do regime
fechado, passa a ter direito ao semiaberto. “O entendimento nesses
casos é de que a pessoa está sofrendo constrangimento, pois
tem direito ao semiaberto, teria de estar em uma colônia penal,
que é menos rigoroso. Nesses casos o Estado é ineficiente
para implantar a pessoa na colônia. A prisão domiciliar foi
a saída que os tribunais encontraram para evitar constrangimento”,
salienta Damas.
O juiz observa que atualmente o tempo de espera por uma vaga é
ainda maior, já que desde fevereiro de 2006 os acusados por crimes
considerados hediondos - homicídio e tráfico, por exemplo
- que até então tinham direito somente ao livramento condicional
com dois terços da pena cumprida, passaram a ter direito ao semiaberto.
“Com isso aumentou a demanda e a oferta de vagas continuou a mesma”,
avalia.
Em Cascavel há atualmente cerca de 80 detentos que cumprem prisão
em regime domiciliar. Segundo Paulo Damas, somente em setembro 21 presos
receberam o benefício.
A reportagem foi à residência de quatro deles. Dois não
estavam em casa, um foi morto a tiros há cerca de um mês
em frente à residência onde mora - uma semana após
receber o benefício - e apenas um estava em casa. A família
do rapaz assassinado conta que ele se negava a ficar dentro de casa e
passava grande parte do dia em frente à residência.
O
cumprimento
O juiz da Vara de Execuções Penais de Cascavel,
Paulo Damas, ressalta que a concessão da prisão domiciliar
é um entendimento sedimentado pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça).
Antes de ter acesso ao benefício de domiciliar, o detendo passa
por teste psicológico na PIC (Penitenciária Industrial de
Cascavel), que analisa se o mesmo está apto a ter disciplina e
a entender as regras do sistema. Além disso, é preciso comprovar
documentação da existência de residencial fixa. “E
durante a audiência o preso é advertido que deverá
ficar 24 horas por dia dentro de casa sob pena de revogação
da medida concedida”, ressalta Damas, lembrando que para ter direito
a prisão domiciliar o preso não pode ser condenado nem ter
outra prisão pendente.
Quanto à ausência dos detentos que a reportagem visitou,
o juiz observa que o ideal seria ter um policial em cada porta de casa,
mas lembra que não há sequer o efetivo normal necessário.
“A prisão domiciliar funciona como saída temporária.
Tudo depende da família e da pessoa. É como aquela portaria
de fim de ano quando são soltos em média 50, 70 presos,
dois ou três não voltam, o percentual é muito pequeno”,
esclarece o juiz, observando que os que não cumprem o sistema e
forem pegos na rua voltam para o regime fechado imediatamente.
FAMÍLIA
Os dois lados da moeda
A
opinião de familiares de detentos se difere conforme o comportamento
do preso. Uma das mães entrevistadas pelo Hoje diz não saber
o que fazer para que o filho cumpra a pena. Donzila da Silva Marques,
55, mãe de um rapaz de 22 acusado por homicídio e que ganhou
a prisão domiciliar há pouco mais de um mês, conta
que o filho passou os primeiros dias da concessão em casa, mas
que agora permanece grande parte do tempo fora. “Ele sai dizendo
que já volta e fica dois, três dias fora. Depois volta, fica
mais um pouco e some. O certo é a polícia recolher ele e
levar, porque fico insegura com essa situação. Não
sei se vai voltar, se vai acontecer algo com ele. Pelo menos preso eu
sei onde está”, desabafa.
A esposa do rapaz, Janaina, explica que não está trabalhando
e vive em função de procurar o marido. “Fui hoje onde
ele está e levei nossa filha, que está com saudades dele.
Mas ele nem liga e diz que não vai voltar para casa”.
Já na residência de Douglas Alves Veloso, acusado por roubo
e que recebeu o benefício domiciliar no dia 5 de outubro, a situação
é diferente. O pai do rapaz, Laudimiro Alves Veloso, conta que
a família está contente com a presença do filho em
casa. “É a melhor coisa, porque está no convívio
familiar, não fica no meio de estranhos, com maus elementos, aprendendo
coisas erradas e piorando ainda mais o comportamento”.
Laudimiro explica que o filho terá de cumprir três meses
de prisão domiciliar e que já está agilizando um
pedido ao Judiciário para que lhe concedam o direito de trabalhar.
“Converso bastante com ele porque já sofreu bastante e nós
também, com toda essa situação. Então precisa
cumprir certinho a pena para não voltar mais para a cadeia”,
diz o pai.
SAÚDE
PÚBLICA
Cirurgias cardíaca e bariátrica integram rol de prioridades
HU
quer ser referência
em alta complexidade
Referência
no atendimento público nas regiões oeste e sudoeste do Paraná,
o HUOP (Hospital Universitário do Oeste do Paraná), em Cascavel,
pleiteia aos governos estadual e federal o credenciamento dos procedimentos
de alta complexidade nas áreas de cirurgias cardíaca, vascular,
bariátrica e obstetrícia. O atendimento à reivindicação,
que faz parte de um ousado plano de desenvolvimento da Unioeste (Universidade
Estadual do Oeste) - gestora do HU -, completará o sistema de atendimento
público de saúde. O atendimento do hospital abrange 50 municípios
e atende também pacientes do sudoeste do Paraná, Mato Grosso
do Sul, Paraguai e Argentina.
A liberação desses atendimentos evitará a angústia
de pacientes que ficam em longas filas de espera do SUS (Sistema Único
de Saúde).
O médico Oliveros Petracca Júnior, especialista em cirurgia
da obesidade, diz que na região oeste mais de 600 pessoas estão
na fila de espera porque não podem pagar pelo procedimento. Hoje
uma operação desse porte custa entre R$ 10 mil e 20 mil,
dependendo a especificidade.
Petracca afirmou que o credenciamento do HU já foi solicitado em
2003 e aguarda resposta do Ministério da Saúde. Segundo
ele, o hospital tem todas as condições físicas para
obter a liberação. Hoje, para ser credenciado, um hospital
precisa de um leito de UTI (Unidade de Terapia Intensiva), dois de cirurgia
e dois de enfermaria. “A prioridade é do Hospital Universitário,
que é uma unidade-escola e tem todas as condições
para isso”.
O diretor-geral do HU, Alberto Rodrigues Pompeu, destaca que a documentação
para tais credenciamentos já está pronta. No entanto, para
que o serviço seja liberado, será necessário atender
dois pontos fundamentais: ampliação no número de
leitos e contratação de mais funcionários.
Obstetrícia
O
setor de obstetrícia já realiza procedimentos, mas o HU
aguarda o credenciamento para partos de alta complexidade. O pedido ao
Ministério da Saúde foi encaminhado em 2003. Conforme estatísticas
da instituição, a média mensal de partos é
de aproximadamente 280, dos quais 25% são de risco, ou seja, parturientes
com pressão alta, partos prematuros, má formação
congênita, entre outras complicações.
De acordo com Alberto Rodrigues Pompeu, o hospital já dispõe
de infra-estrutura para esses atendimentos de alta complexidade, como
a UTI neonatal.
PULSANDO
Pleito para diminuir riscos de infartos
Pacientes
com doenças cardíacas que necessitam de atendimento pelo
SUS reivindicam os serviços de alta complexidade em cardiologia
no HU. O pedido de credenciamento foi feito em 2002 e aprovado nos âmbitos
municipal e estadual, restando somente a liberação do Ministério
da Saúde.
O credenciamento é prioridade para os hospitais universitários,
pois são a primeira escolha para os procedimentos de alta complexidade
com base na constituição de redes assistenciais por especialidade.
O Programa de Alta Complexidade em Cardiologia do HU já possui
a equipe, formada por médicos especializados nas diversas áreas.
O serviço tem infra-estrutura suficiente para diagnóstico
e tratamentos, incluindo cirurgias cardíacas, ou seja, problemas
de válvulas, doenças nas artérias coronárias,
cirurgias de ponte de safena, ritmo do coração (marcapasso)
e doenças da aorta, além de problemas congênitos.
O HU realizará cirurgia cardiovascular em adultos e em um segundo
momento poderá atender também doenças cardíacas
em crianças, pois já possui UTI neonatal e infantil.
Em relação à cardiologia intervencionista, o Hospital
Universitário está em fase final de construção
de um centro de imagem, que inclui o serviço de hemodinâmica
completo.
NOVOS CENTROS
Alem do atendimento de alta complexidade, há ainda outras bandeiras
regionais, como o centro de atendimentos a queimados e o centro de atendimento
de fissuras lábio-palatais.
CONQUISTAS
Apesar de levantar estas necessidades, o HU acumulou de 2000
(ano de transformação em hospital universitário)
até o momento uma série de conquistas. Uma delas foi o aumento
na área física de 35% em três anos, de 2004 a 2007,
passando de 15 mil m², em 2004, para uma previsão de 20.180
m² ao fim deste ano.
Do início das obras, em 1976, como Hospital Regional Anita Cenet,
até a consolidação do projeto do curso de Medicina
da Unioeste, o Hospital Universitário viveu três grandes
momentos. Primeiro: levou 13 anos para ficar pronto, sendo inaugurado
em 1989. Segundo: oito anos depois se consolida como Hospital Universitário.
Terceiro: com a chegada do curso de Medicina, a instituição
amplia o atendimento, contudo, as dificuldades de gestão passaram
a ser maiores.
Estão em fase de conclusão obras que totalizam investimentos
superiores a R$ 2,6 milhões, provenientes do Estado, do Fundo Nacional
de Saúde e de recursos próprios gerados por meio de serviços
prestados ao SUS. Fazem parte a ala psiquiátrica, o centro de imagem,
as alas de internação, setores administrativos, além
do novo prédio para atender à especialidade de fissuras
lábio-palatais.
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