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GOVERNO – Boa parte das medidas já é praticada pelos bancos
Pacote não deverá
reduzir juro bancário

Não são novas nem terão impacto significativo sobre o spread bancário e os juros as medidas em estudo no governo para tentar aumentar a concorrência no setor financeiro.
Das propostas divulgadas pelo ministro Guido Mantega - criação do cadastro positivo, portabilidade do crédito, DOC reverso e redução da contribuição dos bancos ao Fundo Garantidor de Crédito -, quase todas já existem na prática. O debate já gerou ruídos entre a Fazenda e a Febraban (Federação Brasileira de Bancos), que chegou a desautorizar seu economista-chefe após ele ter feito críticas às propostas do governo.
A medida considerada mais eficaz, o cadastro positivo - relação dos bons pagadores acessível a todas as instituições financeira -, vem sendo estudada desde o governo passado. Mas, de fato, já existe.
Há dois anos os bancos informam ao Banco Central o saldo de todas as operações superiores a R$ 5 mil, o que permite saber o grau de endividamento de cada tomador de recursos. "Se isso for feito com as operações menores, pode ser mais factível que o cadastro positivo", diz Mário Sérgio Vasconcelos, diretor de relações institucionais da Febraban.
O "DOC reverso" - transferência de salários depositados em um banco para outro com menos burocracia - já está na pauta dos bancos, que disputam as contas de funcionários municipais e estaduais. E a transferência de créditos também já vem sendo praticada na disputa por novos clientes.
Para especialistas, os juros e o "spread" - diferença entre as taxas que os bancos pagam para captar recursos e as que cobram ao emprestar ao cliente - são altos porque a oferta de crédito é menor que a demanda.
"A demanda potencial de crédito equivale a 100% do PIB [Produto Interno Bruto], mas o crédito concedido corresponde a apenas de 32% do PIB", observa Alberto Borges Matias, professor da USP de Ribeirão Preto. Ele se baseia no fato de que na maioria dos países o volume de crédito supera o PIB.

IMPASSE
Brasil pode aceitar reajuste
no preço do gás boliviano

O ministro de Minas e Energia, Silas Rondeau, admitiu que o Brasil pode aceitar um reajuste no preço do gás boliviano, caso La Paz comprove que há desequilíbrios no contrato atual. "A posição (da Petrobras) não é de não aceitar reajustes, mas de negociar dentro do limite do razoável", explicou o ministro, em desacordo com declarações recentes de executivos da estatal, para quem não há espaço para aumentos.
Segundo Rondeau, "se houver clareza que existe prejuízo da parte do fornecedor, é claro que a Petrobras não agiria de forma unilateral". "Mas é preciso que a Bolívia demonstre isso", disse ele, em entrevista na Bolsa do Rio. Indagado se isso seria uma mudança de posição da estatal, o ministro respondeu: "Não há mudança de posição. O reajuste será feito se as duas partes concordarem."
Na semana passada, Petrobras e YPFB concordaram em ampliar o prazo de negociações por mais 60 dias. O acordo evitou que os bolivianos recorressem à arbitragem internacional, mecanismo previsto em contrato para resolução de conflitos. Mas foi interpretado pelo mercado como um sinal de que a Petrobras pode ceder e aceitar mudanças no contrato. Autoridades bolivianas declararam esta semana, no entanto, que não vão aceitar nova prorrogação e devem partir para a arbitragem se não houver consenso em dois meses. A próxima reunião entre as duas partes será realizada em meados de setembro.

 

Crédito
O governo federal ampliou em R$ 530 milhões os recursos disponíveis neste ano para o financiamento de moradias de baixa renda. A linha de crédito é concedida com dinheiro subsidiado do FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço) exclusivamente para a construção de casas para famílias que ganham até cinco salários mínimos. O Ministério das Cidades calcula que 90 mil famílias poderão ser atendidas com esses recursos.
O Orçamento da União deste ano previa um aporte inicial de R$ 1,3 bilhão para essa linha de crédito. Segundo dados do Ministério das Cidades, até o final de julho R$ 1,1 bilhão já tinham sido contratados. Com a ampliação de R$ 530 milhões, autorizada na última quinta-feira, o montante de recursos disponível subiu para R$ 1,83 bilhão.


Reservas
Após oito anos, as reservas internacionais voltaram a ficar acima da marca dos US$ 70 bilhões. A última vez em que isto havia acontecido foi em julho de 1998. Naquele período, as reservas estavam em US$ 70,210 bilhões, valor apenas US$ 22 milhões maior que os US$ 70,188 bilhões da semana que passou. A posição divulgada pelo Banco Central, entretanto, continua distante do pico histórico de US$ 74,656 bilhões alcançado em abril de 1998, quando o país precisava ter reservas altas para sustentar uma cotação do real quase igual a do dólar nos Estados Unidos. Com a flutuação do câmbio a partir de janeiro de 1999, as reservas passaram a flutuar entre US$ 28 bilhões e US$ 64 bilhões até o ano passado.

 

 

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