PEDÁGIO
Números devem ser divulgados esta semana; alta ocorre dia 1º
Concessionárias entregam
índice de reajuste de tarifas
A ABCR (Associação Brasileira das Concessionárias
de Rodovias), regional do Paraná, divulga esta semana os percentuais
de reajuste das tarifas de pedágio das seis concessionárias
do Estado. Os números já foram entregues ao governo do Estado,
que também não os divulgou.
De acordo com os contratos de concessão, o aumento tem como base
os índices inflacionários da FGV (Fundação
Getúlio Vargas) dos últimos 12 meses. No Paraná,
são 27 praças de pedágio. Todas devem aplicar as
novas taxas a partir de 1º de dezembro.
O DER (Departamento de Estradas de Rodagem) afirma estar analisando os
índices enviados pelas concessionárias, entre elas a Rodovia
das Cataratas, mas não divulga percentuais. A assessoria de imprensa
do órgão diz apenas que o governo não vai referendar
o aumento.
Nos anos anteriores, o DER não homologou os reajustes, o que levou
as concessionárias a impetrarem ações judiciais,
e garantir a majoração. A mesma estratégia pode ser
usada este ano.
A ABCR informou que o diretor regional da Associação, João
Chiminazzo, concederá entrevista coletiva sexta-feira, depois que
os índices forem confirmados.
Ano passado, o reajuste médio aplicado foi de 3,3% e, mas algumas
concessionárias tiveram direito também a aplicar o degrau
tarifário, que decorre de aditivos contratuais negociados com o
DER.
Manifestações
Hoje deve haver um protesto diante da Assembléia Legislativa, em
Curitiba, contra o preço do pedágio. A Frente Ampla pelos
Avanços Sociais se reunirá às 14h no plenarinho da
Assembléia e fará uma convocação para uma
manifestação dia 5 de dezembro.
O deputado estadual Waldyr Pugliesi repudiou o aumento das tarifas do
pedágio. Segundo ele, as concessionárias já arrecadaram,
a partir de 1998, mais de R$ 5 bilhões nas 27 praças espalhadas
pelo Estado. Menos de 30% deste total, conforme o deputado, foi aplicado
na melhoria e duplicação das rodovias exploradas. Pugliesi
foi secretário estadual dos Transportes de 2003 a 2006.
Um levantamento da Secretaria dos Transportes indica que as tarifas tiveram
reajuste superior à inflação. De 1998 a 2007, o valor
foi elevado em 129%, enquanto a inflação ficou em 62%, segundo
o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo).
Motos isentas
Os deputados estaduais aprovaram ontem a redação final do
projeto de lei que isenta motocicletas e similares do pagamento de pedágio
nas rodovias estaduais. A iniciativa, proposta pelos deputados Mauro Moraes
(PMDB), Dr. Batista (PMN), Ademar Traiano (PSDB), Cleiton Kielse (PMDB)
e Edgar Bueno (PDT), segue para sanção do governador Roberto
Requião.
RESÍDUOS
Outra proposta que segue para sanção do Poder Executivo
é o projeto de lei que prevê o ingresso do Estado em dez
consórcios intermunicipais para Gestão de Resíduos
Sólidos Urbanos. Pela nova Lei, o Estado está autorizado
a participar de consórcios em Curitiba, Londrina, Foz do Iguaçu,
Apucarana, Maringá, Umuarama, Cascavel, Guarapuava, Campo Mourão
e Ponta Grossa.
Temporal
Um temporal domingo deixou cerca 40% das casas de Palotina, no oeste do
Paraná, sem energia elétrica. O percentual equivale a 7
mil residências. Com a força do vento, cinco árvores
foram arrancadas e algumas bloquearam avenidas no Centro e a PR-182, que
dá acesso ao Município. Uma torre de tevê caiu sobre
uma casa, mas ninguém ficou ferido.
Bolsa cai
A Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) teve um dia tenso, ao
contrário do que se poderia supor de um dia após um fim
de semana com feriado. Acompanhando o mercado norte-americano - que segue
pautado pelos temores quanto à crise do crédito imobiliário
de alto risco (subprime) -, a Bolsa paulista fechou em forte baixa. O
Ibovespa (Índice Bovespa) -principal indicador do mercado acionário
brasileiro - recuou 3,52%, a 62.336 pontos. O dólar fechou cotado
a R$ 1,768, com ganho de 1,2%.
Comércio bilateral
O assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais,
Marco Aurélio Garcia, afirmou ontem que os governos do Brasil e
da Argentina vão acelerar as articulações para substituir
o dólar como moeda utilizada no comércio bilateral entre
os dois países. A idéia é que os brasileiros utilizem
o real e os argentinos o peso. Garcia afirmou que a questão deverá
ser solucionada no começo do próximo ano.
O fim da dolarização foi tema da reunião realizada
ontem no Palácio do Planalto entre o presidente Luiz Inácio
Lula da Silva, a presidente eleita da Argentina, Cristina Kirchner, e
autoridades brasileiras e argentinas.
MUDANÇAS
Parlamento quer limitar o poder de decisão do TSE
Congresso quer controlar eleições
O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) pode deixar de ter o controle das
urnas eletrônicas. Há sete meses uma subcomissão foi
instituída na Câmara dos Deputados e um relatório
deve ser divulgado nos próximos dias com a sugestão de passar
a fiscalização das urnas a uma Comissão de Automação
Eleitoral do Congresso Nacional.
Os idealizadores da sugestão põem em dúvida a inviolabilidade
das urnas eletrônicas e questionam também a transparência
do processo eleitoral. Eles atribuem a suposta obscuridade ao excesso
de poderes do TSE. O tribunal acumularia atribuições que,
além de excessivas, seriam incompatíveis entre si: baixa
as normas que regem as eleições, administra o processo eleitoral
e dá a palavra final nos processos que têm origem nos pleitos.
De acordo com reportagem da “Folha de S.Paulo”, os deputados
estão questionando a isenção da Justiça Eleitoral.
E, a pretexto de resolver o suposto problema, sugerem que as regras do
processo eleitoral eletrônico passem a ser definidas pelos próprios
deputados e senadores, reunidos numa Comissão Eleitoral.
Em bom português, os deputados estão questionando a isenção
da Justiça Eleitoral. E, a pretexto de resolver o suposto problema,
sugerem que as regras do processo eleitoral eletrônico passem a
ser definidas pelos próprios deputados e senadores, reunidos numa
Comissão Eleitoral. Esquecem-se de um detalhe relevante: o congressista
é parte interessada no resultado das urnas. É como atribuir
à raposa a gerência do galinheiro.
A esperteza começou a andar em fevereiro de 2007. O deputado Maurício
Quintella Lessa (PR-AL) propôs a realização de uma
audiência pública na CCJ (Comissão de Constituição
e Justiça) da Câmara para discutir a segurança das
urnas eletrônicas. A tal audiência foi realizada no mês
seguinte. A estrela do encontro foi Clóvis Torres Fernandes, professor
da Divisão de Ciência da Computação do ITA
(Instituto Tecnológico de Aeronáutica).
O professor Clóvis Torres realizou, ano passado, um estudo sobre
a votação eletrônica promovida em Alagoas. Trabalho
feito por encomenda do usineiro João Lyra. Candidato ao governo
do Estado, Lyra estava inconformado com o resultado das urnas. Embora
fosse o candidato mais bem-posto nas pesquisas eleitorais, terminou derrotado
por Teotônio Vilela Filho (PSDB-AL).
Na audiência da CCJ, Clóvis Torres disse aos deputados que,
ao periciar as urnas alagoanas, constatara vulnerabilidades em pelo menos
44% delas. O deputado Jutahy Júnior (PSDB-BA) perguntou ao professor
se ele tinha segurança para afirmar que os supostos problemas teriam
resultado em fraude. A resposta foi negativa. Clóvis Torres reafirmou
a sua convicção quanto à fragilidade das urnas eletrônicas,
mas disse que os dados que coletara não permitem dizer que houve
fraude efetiva.
No início de abril, foi aprovado por unanimidade um requerimento
do deputado Geraldo Magela (PT-DF), que propôs a instalação
de uma subcomissão, no âmbito da comissão de Justiça,
para estudar a segurança da votação eletrônica
no Brasil. Nomeou-se como relator da empreitada Vital do Rego (PMDB-PB).
É o relatório desse deputado que será divulgado nos
próximos dias. Ele não esconde a intenção
de esvaziar o TSE e transferir para o Congresso o controle das urnas eletrônicas.
Reforma tributária
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a dizer ontem que
enviará uma proposta de reforma tributária ao Congresso
até o dia 30. O presidente participou da abertura do 25º Encontro
Empresarial Brasil-Alemanha e da 34ª Reunião da Comissão
Mista de Cooperação Econômica Brasil-Alemanha, em
Blumenau.
A promessa de reforma tributária faz parte das negociações
do governo com a base para obter o apoio dos aliados na votação
da PEC (Proposta de Emenda Constitucional) que prorroga a cobrança
da CPMF até 2011. Além da reforma tributária, o governo
prometeu reduzir em 0,02 ponto percentual a alíquota da CPMF -
hoje em 0,38% - de 2008 a 2011.
Campanha
O presidente nacional da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Cezar Britto,
disse ontem que a “corrupção e abuso do poder econômico
comprometem a democracia no Brasil”. Ele participou do lançamento
da Campanha Nacional de Combate à Corrupção Eleitoral.
Segundo ele, a idéia da campanha “é demonstrar para
a população e para os políticos que é possível
haver eleições limpas e, assim compreendendo, combatermos
esse tipo de corrupção que é um dos mais graves existentes
no País. A corrupção eleitoral vicia a vontade do
eleitor e, viciando essa vontade, ele vicia a própria democracia;
democracia pressupõe uma lisura de entendimento na ligação
entre o representante e o representado, entre o povo e seu representante”.
Renúncia amanhã
Licenciado da presidência do Senado desde 11 de outubro, Renan Calheiros
(PMDB-AL) deve renunciar definitivamente do cargo nesta semana. A renúncia
deve ser formalizada até amanhã. É que quinta-feira
o plenário do Senado vota mais um processo por quebra de decoro
parlamentar contra Renan. Nesse processo, Renan é acusado de usar
“laranjas” para comprar um grupo de comunicação
em Alagoas.
Renan espera contar com os votos do PT para escapar do pedido de cassação.
Em troca, ele renuncia à presidência do Senado num sinal
de boa vontade com o Planalto, que precisa pacificar a Casa para aprovar
a PEC (Proposta de Emenda Constitucional) que prorroga a cobrança
da CPMF até 2011.
|