O
custo das medidas paliativas
Há
cerca de três anos, quando a agricultura foi atingida pelas intempéries
climáticas que deram início a uma das piores crises do setor,
as entidades organizadas alertaram o governo sobre as medidas que deveriam
ser adotadas para evitar a falência do campo. Foram ignoradas.
No ano seguinte, novos problemas e o agravamento da crise foi inevitável.
O homem do campo acumulou dívidas e se descapitalizou. Houve um
recuo nos investimentos, inclusive nas lavouras, devido à falta
de dinheiro. Muitos quebraram e abandonaram a atividade. Nem mesmo a diversidade
ajudou a aliviar a situação. Todos perderam muito nesse
período e os reflexos foram estendidos à cidade, inclusive
no comércio.
Desde o início, entidades como Faep (Federação da
Agricultura do Estado do Paraná) e CNA (Confederação
Nacional da Agricultura e Pecuária) defenderam a prorrogação
da dívida para longo prazo. Pediram um período para dar
fôlego ao produtor e lhe garantir a recuperação, sem
que interrompesse os investimentos. Foram ignoradas.
Por conta e risco, o governo foi empurrando com a barriga, fazendo prorrogações
curtas, para não beneficiar aqueles que só estavam à
espera da oportunidade para lucrar. Resultado: todos perderam.
No ano seguinte, diante da ineficácia da medida, nova ação
paliativa, novo prazo insuficiente, só aumentando a dívida
do agricultor que, sem condições, cortava custos no plantio
e via seus rendimentos caírem.
Agora, amargando ainda as perdas ocorridas com as geadas e à espera
se o governo irá realmente prorrogar novamente as contas pendentes,
o produtor perde preços mais baixos nos insumos para a próxima
safra. Atrasa sua programação. Corre o risco ainda de, caso
demore demais, atrasar o plantio e comprometer seus resultados.
O setor agropecuário tem papel relevante na economia brasileira,
principalmente na geração de empregos. Por muitos anos financiou
o desenvolvimento de outras atividades. É fundamental na balança
comercial. Garante os alimentos na mesa dos brasileiros. Não dá
para entender por que é tão difícil sentar e adotar
uma política coerente, séria, que dispense remendos ao longo
do caminho. Que permita a retomada do setor e lhe garanta condições
de atravessar os obstáculos impostos pela natureza.
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