Edição nº 4726 - Segunda-feira, 20 de agosto de 2007 Classificados | Assinatura | Impressão
Principal - Editorial

O custo das medidas paliativas

Há cerca de três anos, quando a agricultura foi atingida pelas intempéries climáticas que deram início a uma das piores crises do setor, as entidades organizadas alertaram o governo sobre as medidas que deveriam ser adotadas para evitar a falência do campo. Foram ignoradas.
No ano seguinte, novos problemas e o agravamento da crise foi inevitável. O homem do campo acumulou dívidas e se descapitalizou. Houve um recuo nos investimentos, inclusive nas lavouras, devido à falta de dinheiro. Muitos quebraram e abandonaram a atividade. Nem mesmo a diversidade ajudou a aliviar a situação. Todos perderam muito nesse período e os reflexos foram estendidos à cidade, inclusive no comércio.
Desde o início, entidades como Faep (Federação da Agricultura do Estado do Paraná) e CNA (Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária) defenderam a prorrogação da dívida para longo prazo. Pediram um período para dar fôlego ao produtor e lhe garantir a recuperação, sem que interrompesse os investimentos. Foram ignoradas.
Por conta e risco, o governo foi empurrando com a barriga, fazendo prorrogações curtas, para não beneficiar aqueles que só estavam à espera da oportunidade para lucrar. Resultado: todos perderam.
No ano seguinte, diante da ineficácia da medida, nova ação paliativa, novo prazo insuficiente, só aumentando a dívida do agricultor que, sem condições, cortava custos no plantio e via seus rendimentos caírem.
Agora, amargando ainda as perdas ocorridas com as geadas e à espera se o governo irá realmente prorrogar novamente as contas pendentes, o produtor perde preços mais baixos nos insumos para a próxima safra. Atrasa sua programação. Corre o risco ainda de, caso demore demais, atrasar o plantio e comprometer seus resultados.
O setor agropecuário tem papel relevante na economia brasileira, principalmente na geração de empregos. Por muitos anos financiou o desenvolvimento de outras atividades. É fundamental na balança comercial. Garante os alimentos na mesa dos brasileiros. Não dá para entender por que é tão difícil sentar e adotar uma política coerente, séria, que dispense remendos ao longo do caminho. Que permita a retomada do setor e lhe garanta condições de atravessar os obstáculos impostos pela natureza.

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