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Reduzir a maioridade penal?

Sandro Mattevi Dal Bosco, advogado, é integrante da equipe de advogados do escritório Dietrich Advogados Associados - sandro@dietrich.adv.br

Ultimamente temos visto a imprensa divulgar crimes gravíssimos praticados por menores, alguns ainda crianças, o que tem estimulado uma importante reflexão na sociedade sobre a matéria, se o Brasil deve ou não reduzir a maioridade penal.
De um lado, aqueles que entendem que, se o jovem pode votar aos 16 anos para escolher as pessoas que governarão a nação, é razoável que tenha discernimento para assumir as conseqüências de seus atos quando se tratarem de infrações penais, ou seja, deverá ser punido conforme os ditames e rigores da lei.
Talvez os partidários desta opinião estejam sob o efeito da repercussão do caso do menor Champinha, que, apesar de ter participado do cruel assassinato do casal Liana e Felipe, poderá voltar às ruas depois de ter ficado detido por três anos na Febem, ou talvez condicionados pela pesquisa publicada em 2 de agosto de 2006, no Jornal “O Estado de São Paulo”, que revelou que 85% dos paulistas aprovam a redução da menoridade penal para 16 anos.
Nessa esteira, existem atualmente 12 projetos de lei e 27 emendas tramitando na Câmara dos Deputados para alterar o Estatuto da Criança e do Adolescente, que vão desde propostas para o aumento da pena máxima de internação, que hoje é de três anos, para cinco anos, até propostas que pedem 27 anos de internação.
Do outro lado, os que defendem que a pessoa abaixo dos 18 anos não tem o desenvolvimento capaz de compreender exatamente a natureza de sua conduta, não estando apta a ser condenada a uma pena, portanto inimputável, conforme disposto no Artigo 228 da Constituição Federal. Os partidários dessa opinião sustentam a convicção principalmente através dos dados estatísticos da criminalidade infantil, como aqueles apresentados pela Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo, que demonstrou que os menores de 18 anos são responsáveis por cerca de apenas 1% dos homicídios dolosos e 1,5% do total de roubos no Estado.
Também robustece essa corrente o fato de que 71% das legislações do mundo estabelecem o critério de 18 anos para a idade penal e países como a Espanha tiveram que rever para 18 anos a idade penal, que tinha sido reduzida para 14, pois a experiência resultou em aumento da criminalidade.
Assim, acreditam que a simples redução da maioridade penal nem de longe representa a solução para reduzir a criminalidade, pois os presídios já estão abarrotados e não oferecem condição de recuperar alguém, muito menos jovens, que estão em fase de formação da personalidade, estarão recebendo forte carga negativa dos adultos.
Apesar de guardarmos todo respeito pela opinião dos partidários da primeira corrente, entendemos que o perigoso momento histórico que o País vive em relação ao aumento da criminalidade não deve servir como incentivo à criação de leis irresponsáveis e oportunistas, mas para fiscalizarmos se os setores que formam a base do Estado, como educação e saúde, cumprem seu papel, pois, se queremos que as crianças de hoje sejam os cidadãos de amanhã, devemos dar exemplos de cidadania.
(Este artigo foi redigido meramente para fins de informação e debate, não devendo ser considerado uma opinião legal para qualquer operação ou negócio específico)


O milagre na política

Octacilio Mion Neto é especialista em Direito Civil e Processual Civil e reside em Cascavel - neto@mion.com.br

As relações humanas, assim como outros aspectos inerentes ao homem, demandam estudos da filosofia e de outros ramos do conhecimento para efetivação do saber. Nessa panacéia de envolvimentos, verificada desde a antiguidade por pensadores como Aristóteles, passando pela Idade Média e cravando os pés na contemporaneidade com Hannah Arendt, observamos que o pensar a política continua nos causando espanto e admiração.
Sabemos que somos capazes de realizações inimagináveis, tanto para o bem como para o mal, como no caso do Holocausto e do advento da bomba atômica, das viagens espaciais e a ida do homem à lua. Essas realizações são verdadeiros milagres. Não como aqueles apregoados pelas religiões, mas milagres de vida ou de morte, de bem ou de mal.
Segundo a enciclopédia Houaiss: “Milagre: Fato cuja causa escapa à razão humana (...)”. E é somente entre os homens que tais milagres acontecem, conforme a concepção de Arendt, e que nos remete à idéia de que, como a política também se dá somente entre os homens, “o que se espera da política é sempre um milagre”.
Ocorre que no Brasil a coisa - para não dizer a política - parece ter tomado um rumo inusitado. Em meio aos escândalos envolvendo deputados “mensaleiros” e sanguessugas, ao descarado e prejudicial assistencialismo, verifica-se um distanciamento da ética e da responsabilidade social. E o pior: parece existir a adesão ao pensamento de que “o que se espera da política é um milagre”.
Sabem que o brasileiro espera um milagre na política nacional. A classe politiqueira brasileira sabe disso! Sabe que é capaz realmente de operar milagres. Aprendeu a operar milagres. Mas qual é o milagre da política? O milagre na política aos olhos dos adeptos de subterfúgios é ser honesto. Acham que o maior benefício que podem dar ao estado é a sua honestidade, sua índole moral. E é na pregação de sua honestidade e de sua moralidade, em programas e propagandas eleitorais, que abarcam uma grande quantidade de votos. Sabem que o que se espera da política nacional é um milagre e acham que esse milagre se consubstancia na sua proclamação de que são idôneos, senhores da moral, e que seus maiores adjetivos são a ética e a honestidade. Ledo engano. Acham que realmente operam milagres políticos quando bradam a todos os ventos uma das frases mais traiçoeiras da política brasileira: “Votem em mim. Eu sou honesto”. Esse, definitivamente, não é o milagre da política.





 

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