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Paraná: Os sem-terra continuam atacando

Eduardo Sciarra é deputado federal e vice-presidente nacional do Democratas para assuntos econômicos - imprensa@eduardosciarra.com.br

Santa Tereza do Oeste, a poucos quilômetros de Cascavel, é um município próspero, formado por famílias empreendedoras, em pleno coração do agronegócio paranaense. Já faz tempo, porém, o otimismo e a esperança do seu povo vêm cedendo lugar ao medo e ao desalento diante de ataques violentos ao direito de propriedade, tolerados, se não fomentados, por um governo estadual populista, demagógico e anômico, cujo titular parece obcecado pelo título de Hugo Chavez do Cone Sul.
Há mais de um ano, em Santa Tereza, alegando protestar contra o emprego ilegal de sementes transgênicas, militantes da Via Campesina, espécie de versão continental do MST, invadiram a fazenda experimental da empresa suíça Syngenta Seeds, que pesquisa e desenvolve, entre outras, sementes capazes de resistir às secas cada vez mais freqüentes e severas que castigam os campos do sul brasileiro. Muito embora a Justiça tenha concedido reintegração de posse, determinando a desocupação da área, o governador Roberto Requião recusou-se a cumprir a ordem judicial. Isso, sem dúvida, encorajou os invasores da Via Campesina a barrarem a entrada até mesmo de integrantes da Comissão Especial de Investigação da Assembléia Legislativa do Paraná sobre invasões de fazendas do Oeste paranaense, relatada pelo então deputado estadual, hoje federal, Barbosa Neto (PDT), no seguinte tom de desafio: “Aqui político não entra, aqui deputado não manda, aqui quem manda é a Via Campesina. Aqui é área internacional!”
A despeito da ampla divulgação dos danos ambientais causados pelos invasores e constatados pelo próprio Ibama, ninguém foi autuado. Em outubro, a Justiça deferiu pedido de tutela antecipatória requerida pela Syngenta e fixou multa de diária de 50 mil reais para o estado, caso a reintegração de posse não se procedesse num prazo de 60 dias. Na data-limite, enquanto a PM/PR supervisionava a transferência dos invasores e suas barracas do interior da fazenda para as margens da rodovia a poucos metros dali, Requião baixou decreto declarando de utilidade pública, para fins de desapropriação, a área da estação experimental. Pretexto: instalar uma unidade de “agroecologia”. Detalhe: inúmeras áreas na mesma região há haviam sido oferecidas ao Incra, sendo que um terreno pertencente à União e situado ao lado da Syngenta prestar-se-ia perfeitamente a tal fim, sem custo algum de indenização para o Erário!... Ato contínuo, os invasores reocuparam as instalações da empresa.
Hoje, mesmo depois de o Ministério Público Federal de Cascavel haver reconhecido a plena legalidade dos experimentos e atividades da Syngenta, a invasão continua.
Dia 13 último, na qualidade de relator de Proposta de Fiscalização e Controle da autoria do meu colega Abelardo Lupion (Democratas/PR), na Comissão de Agricultura da Câmara, estive em missão no local, e pude constatar diversas irregularidades contra, primeiro o direito de propriedade, contra o patrimônio da empresa em questão, e principalmente contra o meio-ambiente. Não podemos desistir de lutar pela legalidade; caso contrário perderá o povo da região, perderá a economia do Paraná e perderá o agronegócio brasileiro com a fuga de investimentos e de tecnologia de grandes empresas como a Syngenta para outros estados e países.
É claro que tal advertência não se aplica apenas ao caso do Paraná. Afinal, o PT, partido do presidente da República, não esconde sua ligação histórica com o MST, nem sua solidariedade para com os violentos atentados à vida e à propriedade por ele perpetrados. De fato, os invasores no governo Lula, nunca viveram tão bem graças ao dinheiro do contribuinte repassado por cooperativas que são meras fachadas legais para um movimento clandestino e criminoso. E foi graças a essa generosidade governamental que, na última semana, o MST, mais uma vez, ocupou as praças de pedágio no Paraná, marchou sobre Brasília, acampou na Esplanada dos Ministérios e invadiu a sede do Incra, em uma orquestração reproduzida simultaneamente em muitas outras cidades de Norte a Sul do País.

 

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