Um pouco de vontade
“Caos” é a expressão mais utilizada nos últimos
tempos em Cascavel para descrever a situação da saúde
pública. Os hospitais padecem do mesmo problema das cadeias públicas:
estão superlotados, com estrutura precária e falta de recursos
humanos.
É claro que a situação dos hospitais é muito
mais grave, porque está lidando com doentes, pessoas que a qualquer
momento podem ser o seu mal agravado, colocando a vida em risco. Por isso
se tornou comum pacientes serem atendidos em corredores ou até
mesmo em ambulâncias.
O caos que se estabeleceu na saúde pública é fruto
da falta de investimento do governo em diversos setores, principalmente
saneamento básico e prevenção. As pessoas não
ficam doentes por acaso, mas precisam de atendimento e o sofrimento aumenta
quando não conseguem. E é difícil entender o por
quê, embora paguem impostos ou vejam nos noticiários que
pessoas influentes foram presas – e soltas logo depois – por
desviarem milhões. E para saúde, nada.
Na semana passada o secretário de Saúde, Cláudio
Xavier, esteve em Cascavel e nem manifestou vontade de visitar o Hospital
Univeristário, que tem a maior demanda e enfrenta as maiores dificuldades.
Uma semana depois, com um pouco de esforço, retornou ao Município
dizendo que serão liberados mais dez leitos de UTI (Unidade de
Terapia Intensiva) dos próximos dias e que outros 30 leitos do
SUS (Sistema Único de Saúde) serão ajeitados ainda
neste semestre.
Isso representa apenas 10% do que a região inteira precisa. Se
forem confirmados mais 40 leitos em Corbélia, o índice atingirá
20%. Basta um pouquinho de vontade dos governos do Estado e Federal que
a situação se resolve. É preferível dar um
atendimento digno à população na saúde, trabalhar
na prevenção, investir em saneamento básico e aumentar
a qualidade de vida do que ficar construindo estradas da liberdade, só
porque o governador não gosta de pedágio. Do pedágio
ninguém gosta, mas a população doente não
viaja, fica na cama, por isso não precisará de estrada nenhuma.
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