| IRAQUE
Número de civis mortos pode chegar a 223 mil
Cinco anos de guerra e
US$ 5 bilhões de custo
A invasão do Iraque liderada pelos EUA (Estados Unidos) completa
cinco anos hoje. O número total de mortos desde o início
do conflito é discrepante. A OMS (Organização Mundial
da Saúde) afirmou, em janeiro, que o número de civis mortos
violentamente desde o início da invasão oscila entre 104
mil e 223 mil. A organização não-governamental IBC
(Iraq Body Count) afirma que entre 82.249 e 89.760 civis morreram desde
março de 2003.
Entre 2003 e 2008, cerca de 4 mil militares norte-americanos foram mortos
-principalmente em ataques terroristas e confrontos com insurgentes -
em um conflito que já consumiu mais de US$ 504 bilhões [R$
859,82 bilhões] dos cofres públicos americanos, de acordo
com a ONG National Priorities Project, um grupo independente que visa
medir os gastos governamentais em diversas áreas, os conflitos.
Segundo estudo do prêmio Nobel de Economia norte-americano Joseph
Stiglitz, a Guerra deve consumir cerca de US$ 3 trilhões (R$ 5,1
trilhões) até 2010.
“O custo das operações militares norte-americanas
- sem levar em conta os gastos a longo prazo, como cuidados com os ex-combatentes
- já supera o custo da guerra do Vietnã, que durou 12 anos,
e representa mais que o dobro do que custou a guerra da Coréia”,
segundo o livro The Three Trillion Dollar War: The True Cost of the Iraq
Conflict (A guerra de três trilhões de dólares: o
verdadeiro custo do conflito no Iraque).
Após cinco anos, parece haver poucos ou nenhum motivo para comemorar.
Um dos maiores indicativos da situação atual do país
é a questão dos refugiados.
Atualmente, um em cada cinco iraquianos é classificado como refugiado.
Após cinco anos em queda, os pedidos de refúgio no mundo
tiveram alta em 2007, principalmente devido ao aumento do número
de solicitantes iraquianos, segundo o Alto Comissariado das Nações
Unidas para Refugiados.
De acordo com o órgão da ONU (Organização
das Nações Unidas), “pelo segundo ano seguido os iraquianos
lideraram a lista de solicitantes de refúgio nos países
mais industrializados do mundo. O número de solicitantes iraquianos
praticamente dobrou em um ano, saindo de 22.900 em 2006 para 45.200 em
2007”.
O Acnur afirma que o conflito no Iraque fez com que 4,5 milhões
de iraquianos deixassem suas casas. Destes, 2,4 milhões são
deslocados internos. Outros 2 milhões estão refugiados principalmente
nos países vizinhos, como Síria e Jordânia - não
inclusos na lista de países mais industrializados.
Violência
No início de 2007, os EUA enviaram mais 30 mil militares ao Iraque,
elevando o contingente do Exército no país a aproximadamente
150 mil homens. Com a intensificação do patrulhamento de
Bagdá, em meados de 2007, as estatísticas indicam uma queda
no número de mortos dos chamados não-combatentes desde então.
Além do aumento do número de soldados norte-americanos,
outro motivo apontado para a queda da violência no país foi
a ordem dada pelo clérigo radical xiita Moqtada al Sadr - considerado
inimigo dos EUA - para que o principal grupo armado xiita iraquiano, o
Exército de Mehdi, respeitasse um cessar-fogo com as forças
dos EUA e do Iraque.
Especialistas indicam, no entanto, que a situação atual
é bem melhor que a registrada no mesmo período do ano passado.
CHINA
Tibetanos começam a se entregar
Ao menos 105 tibetanos que participaram dos protestos em Lhasa (capital
da região autônoma do Tibete) contra a repressão chinesa
se entregaram à polícia até a noite de terça-feira,
informou ontem a agência oficial Xinhua.
O anúncio das rendições foi feito pelo governo da
região autônoma do Tibete, mais de um dia após o fim
do prazo que havia sido dado pela China - que expirou à meia-noite
de segunda -, que prometeu clemência aos que se entregassem e fez
ameaças de duros castigos aos que não procurassem as autoridades.
A Xinhua informou ontem que um dos tibetanos que se renderam, de 25 anos,
estava embriagado em casa durante a revolta quando ouviu gritos de "Saia
ou queimaremos sua casa”. O jovem então decidiu seguir “às
cegas” a multidão que tomava as ruas e ajudou a destruir
a pedradas um automóvel e uma caminhonete.
Outro homem, de 53 anos, disse que, ao ouvir a mesma ameaça contra
sua propriedade, resolveu se juntar aos manifestantes. Porém, muito
perturbado pelo que tinha feito, decidiu se entregar.
Dalai Lama
Ainda ontem, depois de ter ameaçado renunciar, o Dalai Lama se
reuniu com exilados radicais tibetanos, informaram seus colaboradores.
A reunião do Dalai Lama com o Congresso da Juventude Tibetana e
outros grupos de pressão radicais aconteceu no momento em que proliferam
as críticas de grupos de exilados ao líder do movimento
tibetano.
O pró-independência Congresso da Juventude Tibetana deseja
uma revisão da política de “via intermediária”
do Dalai Lama, que combina a não-violência com uma ampla
autonomia, ao invés da independência. Ao contrário
do dalai-lama, este grupo radical pediu um boicote internacional dos Jogos
Olímpicos de Pequim.
TIMOR LESTE
Ramos-Horta deixa o hospital
O presidente do Timor Leste, José Ramos-Horta, deixou ontem o
hospital australiano no qual estava internado desde o atentado que sofreu
no dia 11 de fevereiro.
Ramos-Horta cumprimentou os 25 médicos que o atenderam e lhes presenteou
com café timorense e com uma foto que fez em janeiro com o papa
no Vaticano.
“Quando fui baleado o próprio papa rezou por mim”,
disse o presidente, enquanto o diretor do hospital, Len Notases, contou
que o escritório da Santa Sé ligou várias vezes para
saber como estava Ramos-Horta.
“Eu me lembro de cada detalhe desde que me balearam (...) no caminho
ao heliporto, quando caí do assento várias vezes porque
não havia cinto de segurança”, relatou o Nobel da
Paz. Ramos-Horta recebeu três tiros, dois nas costas e um no estômago.
Bolívia
O presidente da Bolívia, Evo Morales, acusou ontem os Estados Unidos
de condicionar a ajuda fornecida a seu governo, após a polêmica
em torno da suposta rejeição de uma doação
de farinha feita pelos norte-americanos e avaliada em US$ 10 milhões.
“Às vezes as doações são condicionadas
politicamente. Vamos estudar este tema”, disse Morales em uma breve
conferência no Palácio do Governo de La Paz, sem confirmar
se a farinha foi rejeitada ou não.
Terça-feira, vários meios de comunicação nacionais
publicaram que a ministra de Desenvolvimento Rural boliviana, Susana Rivero,
decidiu não aceitar uma doação de farinha norte-americana
avaliada em US$ 10 milhões “por dignidade”.
ERROS
O Ministério de Assuntos Exteriores da Espanha reconheceu ontem
que houve "erros" no tratamento dado a passageiros brasileiros,
iniciando uma crise entre os dois países. "Nenhum sistema
é infalível. (...) Isso disse o próprio [ministro
do Interior, Alfredo Pérez] Rubalcaba", disse o porta-voz
do ministério, após admitir que não tinha ciência
“dos erros até que eles começaram a chamar a atenção
da imprensa e da opinião pública”.
A crise será discutida em uma reunião entre representantes
dos dois governos. No encontro, se tentará colocar um ponto final
no conflito e buscar formas de solucionar as falhas.
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