Apagão da verdade
Até a tragédia do vôo 1907 da Gol, que matou 154
pessoas em 29 de setembro do ano passado, no maior desastre aéreo
do Brasil, não se ouvia falar e não havia reclamações
por atrasos de vôos com a freqüência que se tornou após
o acidente.
O sistema de tráfego aéreo brasileiro sempre foi considerado
um dos mais seguros do mundo. Quedas de aeronaves, raras, apenas por problemas
técnicos e não por falha humana, como ocorreu com o vôo
1907.
De lá para cá o sistema já não funciona mais
direito, os aparelhos estão sempre em pane e os aeroportos passaram
a conviver rotineiramente com filas imensas e passageiros por horas à
espera do embarque.
É bem provável acidente trouxe à tona um problema
que sempre existiu, mas nunca ninguém deu a devida importância.
A exposição dos controladores, que vivem sobrecarregados
pela falta de investimento pelo governo federal é fato grave.
Mas há algo ainda mais perigoso em andamento: o apagão da
verdade. Até hoje, quase sete meses depois da tragédia,
ainda não foi esclarecida a verdade.
Agora o governo quer impedir a criação da CPI do Apagão
Aéreo. O que há de tão secreto que não pode
ser revelado ao público. Outro escândalo com as dimensões
do “mensalão”? Ao que tudo indica sim. O Jornal Correio
Braziliense do fim de semana colocaram em xeque a lisura das negociações
e o trabalho de diretores da Infraero. Como sempre, envolve cifras vultuosas.
Estamos diante de um escândalo político e administrativo
de grandes proporções cujas conseqüências tendem
a agravar-se à cada novo caos nos aeroportos. Quem será
responsabilizado em caso de uma nova tragédia?
Não é possível que o apagão aéreo seja
tratado apenas como um problema técnico. O governo brasileiro deve
resposta às famílias das vítimas e a todos os brasileiros,
usuários ou não dos serviços aéreos, todos
comovidos com a tragédia de 29 de setembro de 2006.
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