BLOCO
Ministro da Economia pede maior abertura comercial
Uruguai diz que não
quer atual Mercosul
O ministro da Economia do Uruguai, Danilo Astori, disse que seu país
não aceitará o atual Mercosul - bloco do qual é membro
junto com Brasil, Argentina, Paraguai e Venezuela -, segundo reportagem
publicada ontem no jornal “El País”, de Montevidéu.
Após a recente reunião em Brasília com seus colegas
do bloco regional, o ministro afirmou ao jornal que espera que as projeções
uruguaias de acordos comerciais com outros países sejam correspondidas
no próximo semestre.
Astori enfatizou que o governo “não pretende esperar indefinidamente”
uma decisão dos outros membros do bloco. “Chegamos com um
Mercosul em péssimo estado, essa é a verdade, e tivemos
uma reunião muito dura, muito severa, muito rigorosa, que espero
tenha gerado pelo menos uma consciência de que o Uruguai está
tratando isto com muita firmeza e seriedade”.
Segundo ele, a proposta é que os países integrantes do bloco
possam fazer acordos fora da região com preferências tarifárias.
“Essa é nossa alternativa”.
O ministro uruguaio vê o Paraguai como o país mais inclinado
positivamente a incluir no bloco o tema da assinatura de acordos comerciais
fora do Mercosul. Segundo Astori, após a apresentação
do tema na reunião de Brasília, o Paraguai se apressou a
afirmar que “compartilhava da idéia”.
Astori lembrou que o Paraguai foi o único país a manifestar
explicitamente seu apoio à proposta uruguaia não somente
em relação à discussão sobre a autorização
de acordos comerciais fora do Mercosul, mas também ao conteúdo.
O ministro uruguaio afirmou que Celso Amorim (ministro das Relações
Exteriores do Brasil) concordou que é necessário discutir
o tema profundamente, mas que o Paraguai apoiou também o conteúdo
da proposta.
Astori afirmou ainda que seu país não tomará nenhuma
decisão radical como cortar relações com a Argentina.
Cessar-fogo
Os grupos armados palestinos, entre eles o Hamas e o Fatah, chegaram ontem
à noite a um acordo de cessar-fogo depois de dois dias de confrontos
violentos, informou Ibrahim Abu Naja, chefe de um comitê de alto
nível que reúne todos esses movimentos. “Houve um
consenso para pôr fim à escalada de violência”,
afirmou Abu Naja.
O acordo destina-se também a interromper todos os combates, estipulando
que homens armados não poderão circular nas ruas.
Pinochet
O ex-ditador chileno Augusto Pinochet, morto dia 10, colocou o general
Manuel Contreras à frente da repressão “porque ele
era bravo”, reconheceu que teve problemas com o chefe da Aeronáutica
Gustavo Leigh desde o dia do golpe e insistiu em se definir como democrata.
Estas e outras revelações estão em uma entrevista
concedida a uma historiadora e a três diretores da universidade
privada Finis Terra enquanto o ex-ditador chileno estava preso em Londres,
e que foi publicada ontem pelo jornal “La Tercera”. Também
considerava “prepotente” o cardeal Raúl Silva Henríquez,
e “não gostava” do presidente Patrício Aylwin,
a quem passou o poder em 1990, após ter perdido o plebiscito de
1988.
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