Reação em cadeia
Quem disse que é só no período eleitoral que os
políticos ouvem a população está enganado.
A pressão popular faz muitos deles agirem rapidinho. O problema
é que ela quase nunca ocorre.
Infelizmente, o povo não tem noção da força
que tem. Prova disso é a reação de vários
parlamentares contra o megarreajuste de salário conferido por eles
mesmos. A má repercussão fez alguns se mexerem para tentar
reverter o benefício. E isso pode acontecer, basta que todos continuem
a manifestar sua opinião.
Não que o reajuste seja algo de outro mundo. Afinal, realmente
havia uma defasagem. O que não dá é para observar
o gigantesco abismo entre a discussão do salário mínimo
com o vencimento dos parlamentares. É R$ 375 contra R$ 24.500;
10% contra 91%. A distância é muito grande. Logo, é
totalmente possível que o Congresso aplique uma correção
gradual, de forma a minimizar os impactos em toda a nação
e o efeito cascata, que põe em risco as finanças de muitos
municípios.
Além disso, há a própria avaliação
dos parlamentares. No segundo semestre a produção foi praticamente
insignificante, já que a maioria estava mais preocupada com as
eleições do que com o Legislativo brasileiro. Após
o pleito, o plenário permaneceu vazio. Tanto que, com baixo quorum,
foi fácil para o deputado José Janene escapar da cassação,
já que não havia como somar os votos exigidos para tomar-lhe
o mandato.
Ontem vários partidos impetraram ações na Justiça
para tentar reverter o reajuste. Chama a atenção, porque
a medida saiu da discussão administrativa, que poderia levar as
presidências das Casas ao recuo.
Várias siglas manifestaram-se contrárias à elevação,
tanto no Senado, quanto na Câmara. Isso mostra que, se falta diálogo
entre eles, quem dirá com a população que é
quem, no fim das contas, arcará com o prejuízo.
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