Plásticos biodegradáveis, abrace essa causa
Eduardo Van Roost é empresário e presidente da Res Brasil
O plástico foi desenvolvido a partir dos anos 30 e continua sendo uma das grandes conquistas do homem. Com o crescimento da população mundial e o descarte irresponsável no meio ambiente, o plástico passou a ganhar status de vilão. O resultado são toneladas diárias de lixo, que são despejadas em terrenos impróprios, sem contar o que acaba nos rios e matas, gerando sérios problemas para o meio ambiente e para a população. Mas essa história não deveria ser assim, afinal o plástico é um material fantástico e indispensável no nosso dia-a-dia.
Os plásticos que hoje são abandonados, sem jamais serem coletados e reciclados, causam danos como morte de animais por ingestão e sufocamento, entupimento dos sistemas de drenagem urbanos etc. Mais de 50% dos resíduos encontrados nas praias são plásticos e mais de 60% dos resíduos encontrados nos oceanos são constituídos de plásticos. Agora, eles se tornaram alvo das críticas dos ambientalistas e ONGs.
Do ponto de vista do produto, os plásticos, em especial as embalagens, são materiais com inúmeras vantagens para o consumo e superam outros materiais como o papel, o vidro e o metal. Eles são recicláveis, podem ser fabricados a partir de materiais reciclados e são reutilizáveis. São mais leves, resistentes, impermeáveis, possuem características de proteção para o produto embalado, consomem menos energia e água em sua produção, ocupam menos espaço nos estoques e no transporte e, por serem mais leves, precisam de menos caminhões para transporte, o que significa menos queima de combustíveis e menos veículos nas ruas e estradas.
Porém, as mesmas características positivas de resistência o torna um material de difícil e lenta degradação. Por conta disso, e, principalmente, devido à ação do homem - que não descarta corretamente as embalagens - e ao plástico não ser economicamente interessante para a reciclagem, ele tem sido banido de muitos países, mas a culpa não é do plástico.
A ciência e os institutos de pesquisa têm estudado e desenvolvido plásticos menos agressivos ao meio ambiente. Em parceria com universidades e cientistas, especialistas de diversos setores buscam soluções para que o plástico não se transforme em um produto nocivo ao ecossistema. Para tanto, já existem muitas tecnologias que são utilizadas em todo mundo.
Entre as soluções desenvolvidas pela ciência estão os plásticos biodegradáveis e compostáveis, tais como PLA, PHAs e PHBs. Existem também os plásticos derivados do amido de milho, onde a grande maioria tem em sua composição o amido e o poliéster, por isso são chamados de híbridos. Outro tipo utiliza um aditivo chamado d2w.
No caso do d2w, trata-se da introdução de 1% de um aditivo durante o processo de produção das embalagens plásticas convencionais. As embalagens d2w são produzidas com as mesmas matérias-primas, máquinas e processos convencionais. Possuem as mesmas características desejáveis das embalagens plásticas comuns, com uma única diferença: vão se degradar totalmente, de forma muito mais rápida e sem causar impacto no ecossistema, caso fiquem abandonadas no meio ambiente. Estes plásticos também são reutilizáveis, recicláveis e podem ser fabricados a partir de plásticos reciclados.
Entre tantas iniciativas que despontam no Brasil, uma delas vem da capital do Rio Grande do Sul. Recentemente, Porto Alegre começou a usar sacolas biodegradáveis d2w para fezes dos cachorros em um dos principais parques da cidade gaúcha. Na maioria dos casos são produzidas a partir de plásticos reciclados e que não mais serão reciclados por estarem contaminados por detritos. Iniciativas como essa são louváveis. Podemos citar também centenas de empresas brasileiras que adotam o uso de embalagens biodegradáveis em seus produtos (só o d2w conta com mais de 160 empresas do setor plástico).
Entretanto, em paralelo ao uso de tecnologias para reduzir o impacto das embalagens no meio ambiente, é necessário que a população não esqueça as boas práticas do consumo sustentável e responsável. Esse é um primeiro passo para enfrentar o problema. Da mesma forma, o poder público deve criar e incentivar políticas públicas de reciclagem, reuso e de educação ambiental, para que isso deixe de ser apenas uma boa ação e passe a ser uma obrigação de cada um de nós.
Contradição no mundo do trabalho
Wilson Roberto Giustino é presidente do Cebrac (Centro Brasileiro de Cursos) - wilson@cebrac.com.br
Parece incrível, mas o Brasil ainda convive com uma realidade em que coexistem altos índices de desemprego e vagas de trabalho que não são preenchidas por falta de qualificação da mão-de-obra. Isso é o que se conclui a partir de números divulgados pelo Sine (Sistema Nacional de Empregos).
De 1,927 milhão de vagas captadas pelo sistema público de recrutamento no último ano, apenas 907 mil foram preenchidas. Com 1,02 milhão de postos sem ocupação, o índice de recolocação dos trabalhadores, da ordem de 47%, é o menor desde 2000.
O que observa, portanto, é que há oportunidades de sobra, mas falta especialização em setores específicos. Nossa experiência indica que muitas empresas encontram dificuldades para preencher vagas disponíveis, e isso não se dá por falta de interessados. Dentro do próprio Ministério do Trabalho, responsável pelo Sine, avalia-se que o principal obstáculo para a inserção de mão-de-obra no mercado formal é a reduzida qualificação dos profissionais.
Não significa que os trabalhadores sejam menos competentes, mas sim que o país carece de uma política educacional mais contundente, que vá ao encontro dos anseios e exigências do mercado de trabalho.
Tal carência deve ser levada a sério, em especial neste momento em que é possível vislumbrar um cenário de crescimento econômico para os próximos anos. Se o país precisa de trabalhadores especializados para avançar na produção de tecnologia e bens de valor agregado, é imperativo que governo e iniciativa privada assumam a dianteira.
O grande desafio vem da base, com reflexos em longo prazo, e consiste em colocar todas as crianças na escola. Mas como o objetivo é um tanto quanto imediato, já é passada a hora de multiplicar as opções de especialização em todas as áreas do conhecimento. Não é tanto o caso do ensino superior, seja pelo custo elevado ou pelo tempo despendido, mas sim de incentivar a disponibilidade de cursos profissionalizantes, capazes de abrir portas para o mercado.
Além do custo acessível, é o tipo de educação que permite um aprendizado focado em determinadas habilidades e competências, algo que as empresas buscam. Com o conhecimento aplicável, essencial para formar um bom cidadão, o profissional pode gerar renda suficiente para ter acesso a uma faculdade, o passo seguinte na caminhada profissional. A solução depende tanto do governo quanto da iniciativa privada e é essencial começar o quanto antes.
Enquanto a educação não for a grande prioridade em nosso país, beneficiando crianças e jovens de todas as classes sociais, o problema da falta de mão-de-obra especializada irá continuar. Cabe a cada um fazer a sua parte. O que não podemos é conviver com um quadro antagônico: milhões de desempregados e milhões de vagas disponíveis.
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