Edição nº 5183 - quarta-feira, 19 de novembro de 2008 Classificados | Assinatura | Impressão
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COMÉRCIO
Apesar do acordo no G-20, os dois países querem aumentar a taxa para alguns produtos

Brasil e Argentina estudam barreiras

Dois dias depois de assinarem a declaração conjunta do G20, que inclui uma rejeição ao protecionismo e a promessa de passar um ano sem criar barreiras ao comércio, autoridades do Brasil e da Argentina defenderam o aumento da TEC (Tarifa Externa Comum) do Mercosul para produtos como vinhos, pêssegos, lácteos, têxteis, couro e móveis de madeira.
A decisão de aumentar barreiras para estes itens faz parte do comunicado divulgado pela Secretaria de Indústria do governo argentino, após reunião, em Buenos Aires, entre negociadores dos dois países.
"[Os dois governos] decidiram levar à próxima reunião do Mercosul [que ocorre em dezembro, em Salvador] os requerimentos para o aumento da TEC para vinhos, pêssegos, lácteos, têxteis, produtos de couro, móveis de madeira, entre outros", diz o texto.
Perguntado sobre esta iniciativa, anunciada após reunião do G20, em Washington, um assessor da Secretaria de Indústria da Argentina afirmou que "não há contradição", já que a idéia de aumentar a TEC não significa medida ampla, mas sim "específica para produtos sensíveis à entrada de similares produzidos fora do bloco".
O assessor ainda destacou: "Isso não é protecionismo. É defender nossa produção. Todos os países do mundo estão cuidando de suas indústrias sensíveis, vulneráveis neste momento [de crise financeira internacional]”.
O comunicado da Secretaria de Indústria informa ainda que a Argentina destacou, na reunião de segunda, a "preocupação" com determinadas exportações brasileiras para o mercado local - reclamação que já era esperada e havia sido anunciada em outubro por autoridades do país.
"Apesar de se tratar de casos isolados, o governo [brasileiro] se comprometeu em estudar a situação nos setores de metal mecânico, autopeças e outras mercadorias industriais", afirma o comunicado.
No mês passado, assim que a crise financeira internacional se acelerou, o governo argentino anunciou a adoção de medidas para proteger sua indústria, inclusive contra mercadorias brasileiras.

 

ESTADOS UNIDOS
Obama herda maior
poder de espionagem

O presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, herdará um governo com o maior poder de espionagem doméstica dos últimos 30 anos e enfrentará escolhas difíceis para definir sua proposta para o polêmico tema de liberdade civil e a extensão do poder do governo.
O Departamento de Justiça, afirma reportagem do jornal "The New York Times", terá que responder a moções em processos sobre o programa de grampos da Agência de Segurança Nacional e decidir se continuará com a linha da administração do atual presidente, George W. Bush, de defender "segredos de Estado" alegando riscos à segurança nacional para se livrar de explicações, ou concordar em dar mais informações sobre o programa e suas funções aos americanos.
Como candidato presidencial, Obama condenou a operação de espionagem da Agência como ilegal e ameaçou vetar projeto de lei que daria ao governo ainda mais poder de vigilância sobre os americanos, além de conceder imunidade às empresas telefônicas que fizeram grampos sem autorização judicial.
Contudo, em um sinal de que pode mudar sua postura no governo, Obama preferiu adotar um ar mais centrista e votou, em julho, a favor da lei que dá imunidade legal a companhias telefônicas. O voto foi criticado pela ala liberal do partido que apontou a concessão de Obama à direita.
O teste mais difícil para Obama será talvez o processo aberto por grupos de liberdade civil contra as companhias de telefone que participaram do programa da Agência e que esperam saber se o juiz do caso irá considerar a imunidade recém-adquirida no Congresso.

 

PARADO
Colômbia pressiona pelo livre-comércio

O presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, e o vice-presidente eleito dos Estados Unidos, Joe Biden, conversaram por telefone sobre o tratado de livre-comércio entre os países que está à espera de ratificação no Congresso americano, informou uma fonte oficial em Bogotá ontem.
Um funcionário colombiano confirmou a jornalistas que Uribe recebeu um telefonema de Biden, com quem conversou dez minutos e acrescentou que, nessa conversa, "houve sintonia".
Conforme a fonte, o chefe de Estado colombiano insistiu sobre a importância do tratado, assinado em 2006. O convênio comercial não foi ratificado devido à oposição da maioria do Partido Democrata no Congresso dos EUA, que exige da Colômbia melhorias no âmbito dos direitos humanos e da proteção sindical.
Segundo informações da imprensa, o assunto do tratado foi um dos discutidos semana passada, na Casa Branca, entre o atual presidente dos EUA, George W. Bush, e o sucessor eleito, Barack Obama.

 

Posse de Obama
Funcionários federais e distritais estão se preparando para receber 4 milhões de pessoas no National Mall, em Washington, para a posse do presidente eleito, Barack Obama, no dia 20 de janeiro, segundo informação publicada ontem pelo jornal "The Washington Post".
Até hoje o maior evento realizado no local reuniu 1 milhão de pessoas. Apenas uma pequena parcela deste público estará perto o suficiente para assistir à cerimônia, mas organizadores estão planejando colocar grandes telões ao longo da Avenida Pensilvânia, onde haverá o desfile, para que o público possa fazer parte do dia histórico.

 

POUCO DINHEIRO
Pacotão não salva a economia

O secretário do Tesouro norte-americano, Henry Paulson, mostrou uma visão sóbria da economia do país ontem, afirmando que é "irreal" esperar que o pacote de resgate de US$ 700 bilhões vá reverter os estragos causados pela crise financeira e admitiu que é necessário fazer mais.
Em discurso preparado para o Comitê de Serviços Financeiros da Câmara, Paulson rejeitou ainda a necessidade de usar recursos do fundo de resgate para ajudar os mutuários, indo de encontro aos comentários da presidente da Corporação Federal de Seguro de Depósitos, Sheila Bair, presente na mesma audiência.
Ao lado do presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, Paulson afirmou que a aprovação do plano de resgate em outubro permitiu que o governo federal tomasse "ações decisivas" para evitar mais choques ao sistema financeiro. Mas, admitiu, "é necessário fazer mais". "Não é uma panacéia para todas as nossas dificuldades econômicas", disse.
"O plano de resgate não tinha a intenção de ser um estímulo econômico ou um pacote de recuperação econômica; ele tinha como objetivo fortalecer os fundamentos da nossa economia por meio da estabilização do sistema financeiro, e é ilusório esperar que o plano reverta os danos que já foram provocados pela gravidade da crise".
Na audiência, Sheila Bair defendeu que o governo dos EUA precisa fazer mais para evitar o número recorde de execuções de hipotecas que causou a crise financeira atual. "Conforme as execuções aumentam, estamos claramente ficando atrasados. Uma intervenção muito mais agressiva é necessária, se quisermos conter os danos a nossas vizinhanças e à saúde da economia".

 

FOTOLEGENDA
O superpetroleiro saudita Sirius Star, seqüestrado no fim de semana por piratas somalis, ancorou ontem no porto de Haradhere, na costa da Somália, segundo a Vela International, dona do barco. Fontes, que não quiseram se identificar, disseram que a empresa está fazendo o possível para liberar o barco, mas negaram que esteja havendo uma negociação com os seqüestradores. Os 25 tripulantes passam bem.
Segundo a Vela, há dois britânicos, dois poloneses, um croata, um saudita e 19 filipinos a bordo. O pequeno porto em que o navio atracou é um reduto dos piratas e fica a cerca de 300 quilômetros de Mogadíscio, capital da Somália. Até agora, não há informações sobre as intenções dos piratas, nem foi divulgado se eles pediram resgate.

 

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