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DIREITOS HUMANOS
País arquivou denúncia sem abrir ação penal

OEA condena Brasil por
ignorar caso de racismo

A Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA (Organização dos Estados Americanos), em uma decisão inédita, condenou o Brasil em um caso de discriminação racial. Segundo o organismo internacional, o País violou artigos da Convenção Americana de Direitos Humanos e da Convenção Racial ao permitir que um caso de racismo fosse arquivado sem a abertura sequer de uma ação penal.
É a primeira vez que um país do continente é responsabilizado pelo sistema interamericano de direitos humanos pelo crime de discriminação racial. Segundo o relatório da comissão da OEA, publicado no começo do mês, o estado “falhou ao não cumprir a sua obrigação”, definida em convenções internacionais às quais assinou, de garantir a investigação de um caso de racismo.
A sanção da comissão da OEA foi divulgada mais de oito anos depois de o caso ter sido arquivado pela Justiça de São Paulo.
No dia 2 de março de 1997, uma amiga de Simone viu um anúncio de classificados. A vaga era para empregada doméstica de “preferência branca”.
Simone respondeu ao anúncio, teve confirmada a exigência e, quando perguntaram a sua cor, disse que era negra e tentou argumentar, sem resultado.
Na seqüência ela ligou para a subcomissão do negro da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) de São Paulo. Iniciava ali uma campanha que chegou a reunir mais de 100 entidades de classe, de direitos humanos e do movimento negro.
Simone denunciou o caso à polícia e foi aberto um inquérito. Na delegacia, a autora do anúncio confirmou a preferência por uma candidata branca. Em 14 dias a polícia concluiu o inquérito e o encaminhou à Justiça, sem responsabilizar ninguém. Na época, o Ministério Publico pediu o arquivamento do caso. Argumentou que não havia “qualquer ato de racismo” ou “base para oferecimento de denúncia”.


Adeus a Tebet
O senador Ramez Tebet (PMDB-MS), 70, morreu sexta-feira, por volta das 23h30, em Campo Grande (MS). Tebet estava em sua casa, com os quatro filhos e a esposa. O senador sofria de câncer no fígado e havia sido internado no final de outubro no hospital Albert Einstein, em São Paulo, por causa de uma infecção causada por reações alérgicas após trocar a medicação utilizada na quimioterapia.


SOCIAIS
Movimentos
listam sete
prioridades

A executiva nacional da Assembléia Popular, congregação de alguns dos mais importantes movimentos sociais, ONGs e sindicatos do País, elegeu sete pontos prioritários de pressão por mudanças no segundo mandato de Luiz Inácio Lula da Silva. A revisão da privatização da Vale do Rio Doce e a redução da tarifa de energia elétrica estão entre as reivindicações consideradas prioritárias.
A definição ocorreu em reunião dias 15 e 16 em Brasília.
O terceiro ponto prioritário é a luta pela auditoria da dívida pública. A Constituição de 1988 definiu que o governo federal deveria fazer uma auditoria dos seus contratos de dívida externa e interna. Até hoje a auditoria nunca foi realizada.
Outro ponto de consenso é a campanha exigindo que o governo federal e o Congresso Nacional façam plebiscitos e referendos para definir as leis mais importantes.

 

 

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