Edição nº 4786 - Sexta-feira, 19 de Outubro de 2007 Classificados | Assinatura | Impressão
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IMPASSE
Presidente russo também diz ser aliado do Irã

Putin cobra prazo dos
EUA para retirar tropas

O presidente russo, Vladimir Putin, afirmou ontem que os EUA (Estados Unidos) devem fixar uma data para sua retirada do Iraque. E ainda defendeu mais diálogo com o Irã. As declarações foram feitas um dia após o presidente dos EUA, George W. Bush, falar em Terceira Guerra Mundial caso os iranianos obtivessem armas nucleares.
“Concordo com o presidente norte-americano [George W. Bush] quando diz que o contingente internacional só poderá partir quando o país estiver em situação de garantir sua estabilidade”, afirmou Putin em uma sessão de perguntas e respostas com cidadãos russos ao vivo na televisão.
“A diferença de nossas posições é que os norte-americanos dizem que não podem fixar uma data. Acredito que isto deveria ser feito, caso contrário os dirigentes iraquianos se sentirão sob a proteção de um guarda-chuva norte-americano e não se apressarão a reforçar por si próprios a segurança do Iraque”, acrescentou. “É inadmissível manter eternamente um regime de ocupação”, completou o presidente russo.
Sobre o Irã, país que visitou no começo desta semana, Putin afirmou que é preciso conversar mais e que o país árabe é parceiro da Rússia. Foi a primeira de um líder russo ou soviético a Teerã desde que Joseph Stalin participou, em 1943, da Conferência de Teerã, junto com o presidente dos Estados Unidos, Franklin Roosevelt, e o primeiro-ministro britânico, Winston Churchill.
O presidente russo sustenta que não há provas que confirmem que o Irã esteja fabricando armas nucleares e bloqueou no Conselho de Segurança da ONU qualquer iniciativa para aprovar uma resolução que inclua o uso da força contra o país.
“O diálogo direto é um caminho mais curto para o êxito que uma política de ameaças, sanções e, sobretudo, de pressões”, disse.
Segundo o presidente, “a Rússia, assim como outros países, adota medidas dirigidas a solucionar este problema [a crise nuclear iraniana] por meios pacíficos, que são de interesse de toda a comunidade internacional e do povo iraniano”.
“O Irã e a Rússia sempre foram vizinhos. Tivemos e continuaremos a ter uma relação de boa vizinhança com esse país. Em matéria de petróleo, gás e energia atômica, somos parceiros muito importantes”, afirmou.


Terceira guerra
O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, afirmou quarta-feira que os líderes mundiais devem evitar que o Irã obtenha armas nucleares, “se quiserem evitar a Terceira Guerra Mundial”.
“Temos um líder que anunciou que deseja destruir Israel. Então digo às pessoas que, se vocês estiverem interessados em evitar uma Terceira Guerra Mundial, me parece que vocês devem impedir que [os iranianos] tenham conhecimento necessário para fabricar a arma nuclear”.
Bush também descartou estar preocupado com os crescentes nexos entre o Irã e a Rússia e afirmou que continuará trabalhando com seu colega russo, Vladimir Putin, para encontrar maneiras de desativar o programa nuclear de Teerã.
“Putin reconhece que não é do interesse do mundo que o Irã tenha capacidade de fabricar armas nucleares, e manteve um firme apoio às Nações Unidas”, afirmou Bush.


ACORDO
Após exílio, Bhutto volta ao Paquistão

A ex-premiê Benazir Bhutto voltou para o Paquistão ontem, após passar quase nove anos no exílio. O avião que a levava aterrissou ontem na cidade de Karachi, no Paquistão, após decolar de Dubai, nos Emirados Árabes Unidos.
Bhutto, que era esperada no aeroporto por dezenas de milhares de simpatizantes, passou parte de sua temporada no exílio em Dubai, e outra em Londres.
Após chegar ao solo paquistanês, ela seguiu em um veículo blindado até o mausoléu de Mohammed Ali Jinnah - considerado o “pai da pátria” paquistanesa - onde fez um discurso.
A ex-premiê - que governou o país entre 1988 e 1996 - deixou o Paquistão em 1999, após sofrer acusações de corrupção. Seu retorno ocorre em um período de instabilidade política. Com eleições parlamentares marcadas para janeiro, ela espera liderar o Partido do Povo do Paquistão em uma campanha eleitoral para um terceiro mandato como premiê.
Bhutto abriu caminho para seu retorno por meio de negociações com o presidente paquistanês, Pervez Musharraf, que tomou o poder em 1999 em um golpe de Estado. Ele promete deixar o comando do Exército caso possa assegurar um novo mandato.


CONFLITO
Bolívia militariza aeroporto

O Governo da Bolívia interveio militarmente ontem no aeroporto da cidade de Santa Cruz, o principal do país, onde um conflito administrativo provocou a paralisação das operações de ao menos três companhias aéreas, informaram autoridades locais.
O vice-ministro do Interior, Rubén Gamarra, ao anunciar a intervenção, na qual dois militares ficaram feridos, afirmou que o funcionamento do aeroporto de Viru Viru, ao Leste do país, estava “totalmente garantido”.
Em declarações dadas a jornalistas em La Paz, Gamarra explicou que a intervenção aconteceu “devido a situações ilegais, cobranças extorsivas e ações práticas de seqüestro de aviões realizadas pelos administradores [do aeroporto Viru Viru], fatos esses que afetam as linhas aéreas internacionais”.
“Diante dessas ações, que põem em perigo a condição de aeroporto internacional de Viru Viru, o governo nacional realizou a intervenção e assumiu o controle das operações técnicas e aeroportuárias de Viru Viru”.


França pára
Os transportes públicos ficaram prejudicados ontem na França por causa de uma greve contra o fim dos regimes especiais de aposentadoria, primeira proposta de mudança no sistema previdenciário apresentada pelo presidente Nicolas Sarkozy. Esta é a greve mais importante dos transportes desde 1995. Os oito sindicatos de transportes convocaram a greve em conjunto, assim como os seis sindicatos do metrô parisiense e cinco das federações do setor de Energia. Os sistemas ferroviário e metroviário estavam muito prejudicados já no início da manhã.


Separação
O presidente da França, Nicolas Sarkozy, e sua esposa, Cécilia, se separaram após 11 anos de casamento, anunciou ontem o Palácio do Eliseu. Cécilia e Nicolas Sarkozy “anunciaram sua separação por consentimento mútuo. Não farão nenhum comentário”, anunciou o Palácio em um breve comunicado. O anúncio oficial é divulgado depois que, na véspera, a imprensa revelou que o processo de separação teve início segunda-feira, no primeiro divórcio de um presidente francês em exercício.
A confirmação do divórcio entre o chefe de Estado, de 52 anos, e sua esposa, de 49, vem após semanas de rumores, alimentados pelas várias e notáveis ausências da primeira-dama em atos oficiais desde o meio do ano.


FOTOLEGENDA: Folha Imagem
Presidente do Chile, Michelle Bachelet troca presentes com o papa Bento XVI ao fim de reunião no Vaticano. A presidente teve uma audiência com o papa, a sós, que durou cerca de 40 minutos. O encontro ocorreu na biblioteca privada do Papa e, após a mesma, o séquito que acompanhava a governante chilena foi saudar o Pontífice. Entre eles estavam os presidentes do Senado, Eduardo Frei; da Corte Suprema, Enrique Tapia; e da Câmara dos Deputados, Patricio Walker.


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