FIDELIDADE
Proposta apresentada vale a partir do próximo ano
Senado aprova PEC que
livra infiéis da cassação
O Senado aprovou em segundo turno a PEC (Proposta de Emenda Constitucional)
que estabelece a fidelidade partidária nas disputas eleitorais
do País. Em menos de uma hora, por acordo, os senadores aprovaram
a matéria em dois turnos por unanimidade. No primeiro turno foram
56 votos a favor e no segundo, 58. Para entrar em vigor, a PEC ainda precisa
ser aprovada pela Câmara dos Deputados.
A proposta determina que os mandatos pertencem aos partidos, e não
aos candidatos eleitos. Pelo texto, as mudanças deverão
entrar em vigor a partir de 2008 para prefeitos e vereadores, que no ano
que vem disputarão as eleições municipais. Para os
demais cargos - deputados federais, estaduais, senadores, governadores
e presidente da República - a mudança passa a valer a partir
de 2010.
A PEC foi aprovada um dia depois de o TSE (Tribunal Superior Eleitoral)
estabelecer a fidelidade partidária para cargos majoritários
- governadores, prefeitos, senadores e presidente da República.
O STF (Supremo Tribunal Federal) já havia determinado a mudança
para os cargos proporcionais -deputados federais, estaduais e vereadores.
O relator da PEC, senador Tasso Jereissati (CE), disse que a proposta
vai regulamentar as decisões já tomadas pelo Poder Judiciário.
“A proposta dá uma definição dos pontos que
ficaram em aberto com a decisão do TSE”, disse Tasso.
Os senadores interpretaram a aprovação da PEC como uma resposta
do Legislativo às decisões do Judiciário. “Muitos
assuntos, em função da omissão do Congresso, terminam
sendo objeto de deliberação do Poder Judiciário.
Se isso ocorre, é porque não estamos, como deveríamos,
dar a prioridade que o tema merece”, disse o autor da proposta,
senador Marco Maciel (DEM-PE).
MUDANÇAS
O texto aprovado estabelece que os senadores só poderão
compor chapas “limpas” nas eleições de 2010
- sem a reunião de nomes de vários partidos para concorrer
ao Senado. Dessa forma, se um senador trocar de partido a partir de 2010,
quem assumirá sua cadeira no Senado é o suplente, que deverá
ser do mesmo partido do titular.
No caso de governadores e presidente da República, a proposta estabelece
que o vice assumirá o mandato no lugar do titular em casos de mudança
de partido - mesmo que não seja da mesma legenda que o titular
do cargo. Ao contrário da disputa ao Senado, a PEC não prevê
chapas “limpas” para governadores e presidente com o objetivo
de manter o atual sistema de coligações partidárias.
Deputados criticam PEC
Sem consenso entre os deputados, a PEC (Proposta de Emenda Constitucional)
que estabelece a fidelidade partidária a partir das eleições
de 2008 - aprovada pelo Senado - deve gerar polêmicas na Câmara.
O assunto será discutido na reunião de líderes com
o presidente da Casa, Arlindo Chinaglia (PT-SP), na próxima semana.
Mas desde já os parlamentares divergem sobre o tema.
O presidente nacional do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ), defende que
seja mantida a regra estabelecida pela PEC do Senado. Mas para o vice-líder
do PT, Henrique Fontana (RS), a proposta nem deve ser colocada na ordem
de prioridades da Câmara. “O que vale é a regra definida
pelo STF [Supremo Tribunal Federal] e também pelo TSE [Tribunal
Superior Eleitoral]. Sou favorável à fidelidade plena, o
que não pode é criar mecanismos que retroajam à lei”,
disse o petista, criticando o texto aprovado pelo Senado.
O líder do PPS na Câmara, Fernando Coruja (SC), também
condenou a PEC aprovada no Senado. Para ele, não há possibilidade
de mantê-la na Casa.
Na Câmara, a PEC aprovada pelos senadores deve ser submetida a novas
análises e votações. A primeira etapa é na
CCJ (Comissão de Constituição e Justiça),
que definirá sua admissibilidade.
O presidente da comissão, deputado Leonardo Picciani (PMDB-RJ),
disse que ainda não recebeu a proposta do Senado. Ele disse que
tão logo receba o documento, escolherá o relator. Porém,
disse ser contrário ao texto.
REFORMA
Câmara inicia discussão sobre reeleição
Em meio às discussões sobre fidelidade partidária,
a Câmara dos Deputados começa a discutir uma espécie
de minirreforma eleitoral. Na próxima semana, a CCJ (Comissão
de Constituição de Justiça) discute a admissibilidade
da PEC (Propostas de Emendas à Constituição) que
propõe o fim da reeleição para presidente da República,
governadores e prefeitos, a ampliação do mandato de deputados
federais e o voto facultativo - que hoje é obrigatório.
O relator, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), preparou relatórios sugerindo
a admissibilidade das propostas. Ele pretende apresentar os pareceres
terça-feira. “Não entrei no mérito, apenas
julguei a admissibilidade”, afirmou.
Se aprovadas as admissibilidades das emendas, as propostas seguirão
para comissões especiais que analisarão os méritos.
Para cada assunto deverá ser designado um relator diferente. Mas
antes disso, os debates na CCJ deverão ser intensos. O próprio
relator reconhece que o tema inspira opiniões divergentes.
“Pessoalmente, sou favorável ao fim da reeleição
em todos os casos e apóio a manutenção dos mandatos
dos deputados [quatro anos] e senadores [oito anos], como são atualmente.
Mas sou contrário a senador que se elege sem voto”, disse
Cunha, referindo-se à eleição de senadores suplentes,
que podem assumir o mandato sem terem obtido votos.
Jocelito Canto
O Ministério Público Federal ajuizou ontem ação
civil pública contra o deputado estadual Jocelito Canto (PTB) e
outras dez pessoas por irregularidades na licitação da obra
de construção da Maternidade de Ponta Grossa. Em 1999, quando
exercia o cargo de prefeito de Ponta Grossa, Canto assinou convênio
com o Ministério da Saúde que tinha por objeto a transferência
de recursos federais no valor de R$ 270 mil para a construção
da maternidade. Foram, contudo, descobertas diversas irregularidades na
licitação relativa à execução da obra,
em auditoria realizada pelo Ministério Público Estadual.
Constatou-se, inclusive, a ocorrência de fraude documental e a prestação
de “serviço-fantasma”. A empresa vencedora, Polis Urbanismo
e Meio Ambiente Ltda, sequer preenchia os requisitos para participar da
licitação. A obra custou mais caro que o previsto e foi
entregue antes do tempo, com notas de outras empresas.
BOLSO DO CONTRIBUINTE
No ano a carga já é 9,94% superior a 2006
Arrecadação de impostos
bate recorde em setembro
O governo federal arrecadou em setembro R$ 48,480 bilhões em impostos
e contribuições, um recorde para o mês, informou a
Receita Federal do Brasil ontem.
A arrecadação de setembro é 4,14% superior aos R$
46,552 bilhões recolhidos em igual período do ano passado,
segundo dados corrigidos pelo IPCA (Índice Nacional de Preços
ao Consumidor Amplo).
No ano, a arrecadação acumulada é de R$ 435,011 bilhões,
um aumento de 9,94% ante os R$ 395,684 bilhões do mesmo período
de 2006.
A receita previdenciária somou de janeiro a setembro deste ano
R$ 107,393 bilhões. O valor representa um aumento real (pelo IPCA)
de 11,54% em relação ao montante registrado em igual período
de 2006.
Segundo nota da Receita, a expansão na arrecadação
previdenciária reflete o crescimento na massa salarial, que de
janeiro a agosto de 2007 subiu 10,04% ante o mesmo intervalo do ano passado,
segundo dados do IBGE.
Além disso, foram criados 1,36 milhão de empregos formais,
de acordo com os dados do Ministério do Trabalho.
Saúde pública
O Paraná vai receber R$ 157,1 milhões a mais, por ano, do
governo federal para investimentos na saúde pública. O anúncio
foi feito ontem pelo ministro da Saúde, José Gomes Temporão,
durante o encontro de governadores do Codesul (Conselho de Desenvolvimento
e Integração Sul que envolve os estados do Paraná,
Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul).
Os recursos serão aplicados para ampliar o limite do teto financeiro
de média e alta complexidade, nos sistemas de consultas médicas
e cirurgias. O dinheiro a mais também servirá para um reajuste
médio em 30% nos procedimentos do SUS (Sistema Único de
Saúde) no Estado, que vai atingir mil atendimentos.
MATERNIDADE
A Comissão de Direitos Humanos do Senado aprovou ontem projeto
que dá incentivos fiscais para empresas que prorrogarem a licença-maternidade
para seis meses. Como não precisa ser aprovada pelo plenário
por ter caráter terminativo, a iniciativa segue para a Câmara
dos Deputados.
De acordo com o projeto, a empresa que aderir voluntariamente ao Programa
Empresa Cidadã terá direito a deduzir no cálculo
do Imposto de Renda o valor integral da remuneração que
a mãe recebia, nos 60 dias de prorrogação da licença.
O projeto foi aprovado por unanimidade na Comissão de Direitos
Humanos.
TRANSGÊNICOS
Seab libera o herbicida Roundup Ready
O glifosato Roundup Ready, da Monsanto, está liberado no Paraná
pela Seab (Secretaria da Agricultura) desde o dia 16 de outubro. O herbicida
é usado no cultivo de sementes geneticamente modificadas e deve
ser lançado nesta safra, já que aproximadamente 50% da área
plantada de soja será transgênica. Para a Faep (Federação
da Agricultura do Estado do Paraná), com as chuvas dos últimos
dias, os produtores de soja puderam começar o plantio. Eles têm
a garantia de utilizar o glifosato. Isso porque a Monsanto obteve decisão
favorável sobre a liberação do produto em agosto.
A Secretaria da Agricultura incluiu o glifosato RR no cadastro de agrotóxicos
permitidos para uso no Paraná apenas no dia 16 de outubro. De acordo
com a Secretaria, foi feita a análise da eficácia agronômica
do produto. Porém, o cadastro possui restrições para
quatro plantas invasoras.
BOA NOTÍCIA
PIB da agropecuária já
cresceu 5,26% no ano
O ano continua favorável ao agronegócio, que acumula taxa
de crescimento de 2,94% até julho, segundo levantamento da CNA
(Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil)
e do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada) da
Universidade de São Paulo. Somente em julho registrou aumento de
0,89%, a maior variação mensal no ano, em relação
aos meses anteriores. Quanto à agropecuária, o crescimento
superou 1,41% em julho, acumulando aumento de 5,26% no ano. Os números
são resultado de uma soma de fatores positivos: safra recorde de
grãos, produção recorde de carnes e bons preços
internos, estimulados pela demanda interna e bons preços internacionais.
A produção da agricultura cresceu 1,27% em julho, acumulando
4,89% no ano. O segmento pecuário também manteve crescimento
acelerado dentro da porteira da fazenda, atingindo a taxa de 1,59% somente
em julho, acumulando 5,75% no ano, com destaque aos segmentos de frango
e leite.
Os resultados do PIB (Produto Interno Bruto) da pecuária, com dados
de julho, mostram que o segmento vai bem dentro e fora da porteira. A
indústria de processamento animal registrou crescimento de 3,17%
em julho, acumulando, no ano, aumento de 3,54%. A indústria de
abate de animais cresceu 4,99% em julho, acumulando 6,89% no ano, enquanto
a indústria de laticínios acelerou seu processo de crescimento,
registrando 0,87% em julho.
Os bons preços internacionais e o aquecimento da demanda interna
aumentaram as cotações dos preços dos produtos agropecuários
no mercado interno. Para 2007, a perspectiva é de um faturamento
bruto para o setor de R$ 199,78 bilhões, com dados de outubro,
o que representa um aumento de 12,78% em relação ao VBP
(Valor Bruto da Produção) de 2006, de R$ 177,13 bilhões.
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