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O poder da moda

Mário Ferreira de Oliveira é cidadão cascavelense - mariofoliveira@terra.com.br

A moda não tem cérebro, não tem coração, mas tem o poder de influir no cérebro e no coração das pessoas, especialmente na juventude. Mais forte que o bom senso, mais forte que as leis, mais forte que as religiões está a moda, poderosa e absoluta.
A moda não é obra da natureza e não tem relação com a beleza, caráter ou virtude. Os criadores da moda são gananciosos e espertos. Descobriram que há um vazio na mente do ser humano, e, através da mídia, colocam a idéia que desejam na mente das pessoas. As pessoas se comportam como marionetes nas mãos de malabaristas.
A moda muda com certa freqüência, de acordo com o interesse dos grupos econômicos, mas os danos que ela causa permanecem, porque se tornam hábitos e costumes. Antigamente estava na moda a valentia; o jovem tinha de ser corajoso, guerreiro e valente. Os governos precisavam de soldados valentes para combater os seus inimigos. Nos dias de hoje a violência não está na moda, mas permanece nos costumes das pessoas. A educação, antídoto da violência, não consegue detê-la.
Com o advento dos meios de comunicação que beneficiaram poucos e prejudicaram muitos, o povo se tornou massa de manobra, não só do governo, mas também de grupos econômicos. Segue como um rebanho, tangido por malabaristas anônimos que tiram proveito da ignorância do povo. O trabalhador é um número de identidade que pode produzir bens e dar lucro, por isso o consideram gente, mas se não possuir bens e não tiver emprego é descartável.
Mercantilistas gananciosos formam quadrilhas e utilizam a moda para ganhar fortunas com facilidade. Lançam um produto no mercado já sabendo o quanto vai vender e o quanto vão ganhar. O que adianta se colocar contra o cigarro e a bebida, se a moda colocou na mente das pessoas que é chique fumar e beber?
O ser humano sente que está sendo prejudicado pelos costumes e vícios, mas não tem uma personalidade forte para divergir, então ele segue a tropa, não pode parar porque todo o mundo caminha na mesma direção. Prefere mil vezes errar com a maioria do que acertar sozinho.
As pessoas, em sua maioria, têm preguiça de pensar, por isso aceitam a moda, por mais ridícula que seja. Ela já está pronta e acabada.
No ramo de vestuário e calçado a moda decide o que as pessoas, principalmente os jovens, vestirão e calçar no próximo Verão ou no próximo Inverno. Os jovens ficam imaginando qual a moda que será lançada. Cada um quer ser o primeiro a se vestir na moda. Faz qualquer sacrifício; paga altos preços, utiliza o crediário, mas andará na moda custe o que custar. Os gananciosos que têm a mídia e estilistas em sua folha de pagamento agradecem o povo alienado. Lançam moda nova para recolher o dinheiro circulante.
A moda exerce um fascínio total quando se trata de vestuário feminino, as jovens fazem o possível e até o impossível para estarem na moda; e muitas vezes, com certo exagero, preferem pecar pelo excesso que pela omissão. O que parecia impossível aconteceu, a beleza escultural do corpo feminino está sendo violentada com essas calças e saias que deixa a descoberta à metade da bunda da mulher.
Com a cinta apertando as nádegas à mulher fica deformada e perde a cintura original. Todas as canções de amor cantadas em prosas e versos exaltando a beleza da mulher com uma cintura de violão, não eram suficientes para descrever a beleza feminina. Mas agora, para aquelas que estão na moda com cintura ao meio da bunda; a (éguinha pocotó - do Lacraia) já está de bom tamanho.

 

 

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