Principal > Opiniões

A praça é do povo

Afonso Carlos Galdino, coordenador do Núcleo Setorial de Videolocadoras da Acic (Associação Comercial e Industrial de Cascavel) - afonsogaldino@onda.com.br

Esta semana o Executivo Municipal surpreende a população de Cascavel com o Anteprojeto de Lei 230, que pretende firmar convênio com a Associação Cascavelense dos Esportistas Amadores e com a Associação dos Vendedores Ambulantes da Praça Wilson Joffre.
É estranho o fato de que o anteprojeto contemple duas entidades tão distintas, ora, qualquer cidadão de bem zela pelo desportismo amador e apóia qualquer ação que venha beneficiar os atletas amadores do Município, já a assinatura de convênios com a Associação dos Vendedores Ambulantes da Praça Wilson Joffre, nos deixa algumas questões a serem elencadas aos proponentes do referido anteprojeto.
Primeiramente a associação é formada por ambulantes, se o são não deveriam estar ocupando o espaço público da praça, e sim “ambulando”, conforme alude o nome da entidade. O anteprojeto prevê a construção de 40, barracas de camelô, mas na referida praça existem apenas 16 camelôs, para qual fim seriam destinadas as outras 24 barracas?
A instalação do camelódromo na região central da cidade não pode ser feita antes de mais nada, por que é ilegal, fere a lei orgânica municipal em seu Artigo 168 que reza: “É proibida a doação, venda, ou concessão de uso de qualquer fração dos parques, praças, jardins ou logradouros públicos”, logo, indiferente à denominação utilizada pelo Executivo Municipal, é uma concessão de uso, portanto não pode existir.
Cabe lembrar que a referida praça, apesar de ser considerada por todos como de propriedade do município de Cascavel, ainda existe um processo judicial discutindo a quem pertence a mesma, logo estando a praça em litígio a concessão de uso a outrem, virá somente complicar ainda mais o imbróglio.
O caso de estabelecimento de camelôs na praça Wilson Joffre, já foi no passado tema de infinitos debates, onde fora criado o centro de comércio popular da Rua Carlos Gomes, em frente ao cemitério municipal, ora se já haviam sido retirados da praça cabe ao poder publico municipal zelar pela praça e não permitir, novamente, o estabelecimento dos mesmos ali.
Curioso o fato de que a praça se situa no local de maior valor por metro quadrado do Município, não é de se estranhar o enorme interesse que a área desperta. Injustificável a intenção de se montar um centro comercial ali, pois existem inúmeras salas na região central, próprias para tal fim e com valores de locação inferiores aos valores anunciados que seriam pagos pelos camelos á prefeitura, desconsiderando ainda o fato de que existe um grande numero de locais já construídos e próprios para a exploração de tal atividade.
Citando valores anunciados pela imprensa de Cascavel que seriam investidos ali R$ 240 mil, e efetuado um repasse ao Município de R$ 5 mil por mês, e estes investimentos seriam feitos pelos ambulantes, derruba por terra o argumento de que são desafortunados, pois desafortunados com estas quantias para investimento? Tal investimento demonstra, no mínimo, que o negócio é de alta rentabilidade e se o é, a quem interessa?
O comércio da região central sofre com o mais caro aluguel por metro quadrado do Município, com a mais alta tarifa de IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano), com a mais alta Taxa de Coleta de Lixo, com o maior taxa de alvará do Município, devem pagar caso contrário sofrem pressões do Executivo, e têm seu CNPJ incluso na divida ativa, isso sem contar os tributos federais e estaduais e os encargos trabalhistas.
Os comerciantes legalmente estabelecidos adquirem sua mercadoria no mercado interno, gerando fluxo de renda e fomentando o desenvolvimento da nação, contribuindo com a previdência, e fazendo sua função de cidadão.
A propriedade do comércio da região central não é formada por ricos e abastados comerciantes, e sim por microempresários que labutaram a vida toda, honestamente, para progredir e junto trazer o desenvolvimento de Cascavel, gerando empregos e dividendos para o Município, e não podem ser penalizados com uma concorrência desleal, e predatória, que não cumpre as regras do mercado, não recolhe impostos, é desempregadora e responsável pela deterioração do mercado de trabalho, convertendo empregos formais em informais, subvertendo as regras do jogo e causando falência e retração no comércio legal.
A questão não é somente sobre a praça e sim sobre o que é certo e o que é errado; o que é legal e o que é ilegal; esta questão é sobre a justiça e a exploração da miséria por terceiros, que utilizam a imagem da pobreza para auferir lucros espúrios.
Seria esta mais uma tentativa atrapalhada e mal-pensada de se efetuar uma ação positiva e social pelo Poder Executivo municipal? Ou seria a conclusão de acordos populistas eleitoreiros? O pleito deste ano se aproxima e os números dão as regras do jogo, mas a sociedade organizada não pode aceitar, pois, os ônus serão pagos por todos nós.




 

Pauta
Envie sua sugestão de pauta, matéria ou release para o Jornal Hoje.
Edições Anteriores
disponíveis na íntegra para consulta.
Enquete

Na sua opinião, a renovação das cadeiras no Legislativo de Cascavel foi para:

Melhor
Pior
Ficou igual


Resultado Parcial

Copyright Jornal Hoje. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página
em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita do Jornal Hoje.