PERFIL
José Alexandre Polasek, 53 anos, é casado, pai de um filho
e comerciante. Natural de Porto União (SC), chegou em Cascavel
há 26 anos, a trabalho. Representante da Acic (Associação
Comercial e Industrial de Cascavel no Conseg (Conselho Comunitário
de Segurança), há dois anos assumiu a presidência.
Cargo que deixa terça-feira.
A criminalidade chegou ao ápice
Um dos presidentes mais atuantes do Conseg (Conselho Comunitário
de Segurança) de Cascavel, Alexandre Polasek deixa o comando da
entidade amanhã com a percepção de alguns avanços,
mas que ainda há muito a ser feito. Em um balanço sobre
sua experiência à frente do cargo, Polasek faz duras revelações:
a situação da criminalidade é mais séria do
que as autoridades a vêem e a falta de representatividade política
deixou a cidade ignorada por tempo demais. “Por isso, dia 1o de
outubro as pessoas têm que votar consciente”, argumenta.
Jornal Hoje - O que te surpreendeu à frente do Conseg?
Polasek - Sabíamos das dificuldades, mas fiquei chocado com a realidade
dos bairros, com a pobreza, com o nível de abandono e a carência
que as pessoas têm. Vimos jovens casais tentando construir a vida
e, de repente, alguém leva tudo o que tinham. Ver a frustração
dessas pessoas serviu para enxergar uma sociedade que desconhecia. Em
contrapartida, conheci muitas pessoas fantásticas que se doam para
a cidade.
Jornal Hoje - Qual a dimensão dos problemas em Cascavel?
Polasek - Sentimos as dificuldades da segurança em Cascavel. Percebíamos
que ano a ano os indicadores de criminalidade aumentavam, até chegarmos
a algumas situações insustentáveis, como ano passado,
quando teve que vir a força-tarefa para amenizar. Infelizmente,
a solução para a segurança não atende na velocidade
e na necessidade da cidade. A força policial tem boa vontade, mas
não tem estrutura.
Jornal Hoje - Qual foi o maior problema que encontrou?
Polasek - Cascavel, nos últimos anos, ficou esquecida no item segurança.
De 2000 para cá a violência aumentou, em todos os indicadores.
Hoje estamos no ápice de homicídios, de assaltos, de arrombamentos,
e fica a sensação de impunidade. Ficamos indignados com
certas coisas que acontecem e não existe uma resposta do governo,
do Judiciário, para criar barreiras à criminalidade. As
pessoas que estão no mundo do crime têm a certeza de que
não serão punidas. Não respeitam e não temem
as autoridades.
Jornal Hoje - O que representa a instalação da Polícia
Federal em Cascavel?
Polasek - Em primeiro lugar começaremos a ter um trabalho de inteligência
mais forte que hoje e, automaticamente, essas informações
serão repassadas às policias Civil e Militar. Com isso,
acreditamos que os resultados comecem a surgir de forma mais intensa.
Jornal Hoje - Houve alguma resposta às reivindicações
feitas pelo Conseg e entidades organizadas de Cascavel?
Polasek - Já tivemos alguns resultados, Não sei se é
em função da insistência na reivindicação
ou pela proximidade das eleições, mas agora começa
a haver resposta. Este ano tivemos a reimplantação da Datox
(Delegacia Antitóxicos), temos 100 homens treinando na Polícia
Militar, as viaturas estão chegando, existe a promessa para a criação
de mais um distrito na região norte, dependendo apenas de um concurso
da Polícia Civil. Se tentar enxergar Cascavel daqui a seis meses,
um ano, estaremos em melhores números.
Jornal Hoje - O problema do efetivo e da estrutura das policias é
maquiado pelo governo?
Polasek - Sem dúvida. Nossa necessidade é bem maior. Estamos
felizes com o que está vindo, mas a tendência é que
a Militar perca neste ano quase 50 homens, que se aposentarão.
Por isso, nossa preocupação é conscientizar a população
para que registre todos os crimes. Toda vez que cobramos o governo recebemos
a resposta de que Cascavel tem indicadores normais para o porte da cidade,
mas, na verdade, imaginamos que 50% das ocorrências não são
registradas. As pessoas não procuram a polícia porque já
sabem que não haverá retorno.
Jornal Hoje - A Guarda Municipal é viável?
Polasek - Acho que é até uma necessidade. No fim do ano,
para nós, da área central, foi fantástico tê-los
caminhando. Não precisa estar armado para impor respeito e eles
fizeram esse papel. É uma conquista que Cascavel já teve
e não pode perder. Não precisam andar armados, porque demanda
muito treinamento. Mas é uma questão de treinamento, de
vivência, e, principalmente, de sentir como a guarda vai se comportar.
Jornal Hoje - Qual é o principal culpado pela criminalidade em
Cascavel?
Polasek - Em primeiro lugar é o baixo efetivo, os recursos para
a polícia fazer a repressão conforme a demanda. Foi isso
o que gerou essa sensação de impunidade. Muitas vezes as
pessoas não eram alcançadas pela força policial,
o que estimulou a sociedade a não registrar mais os crimes porque
sabe que não terá resposta. O fato de não haver uma
polícia presente deixou um vazio muito tempo evidente à
comunidade. Hoje estamos reocupando esse espaço. O problema social
existe, mas não pode ser a desculpa para tudo. É grave,
mas nem todos viram bandidos por causa disso.
Jornal Hoje - O que move a criminalidade em Cascavel?
Polasek - Um dos problemas na nossa cidade é o crescimento da distribuição
de drogas. Sabemos que existem crianças que ganham R$ 500, R$ 1
mil para serem olheiros, distribuidores, fazerem o frete da droga. Qualquer
objeto de roubo serve de moeda corrente nesse meio. E já vemos
os primeiros resultados. As polícias Militar e Civil estão
trabalhando bastante no serviço de inteligência e prendendo
traficantes. Novamente a sociedade é importante, para passar a
informação e dar subsídio para que a polícia
possa trabalhar. Nossa participação é fundamental
nisso.
Jornal Hoje - E quanto ao trânsito, tem havido mudanças?
Polasek - Essa é uma questão que nos preocupa bastante.
A implementação de radares e pardais é fundamental.
Já que não temos efetivo para fazer a fiscalização,
vamos fazê-la por meio eletrônico. As pessoas têm que
saber viver em sociedade e respeitar as regras estabelecidas. Quem não
quiser pagar multa, é só respeitar o que determina a legislação.
Bate-pronto
Lísias Tomé, prefeito de Cascavel
“Possui uma preocupação em acertar o social. Busca
soluções ao menor infrator e quanto às drogas. É
uma parte positiva”.
Roberto Requião, governador
“Enxergou as necessidades da segurança de Cascavel só
este ano. Deixou muito tempo Cascavel sem resposta”.
Luiz Delazari, secretário de Segurança do Paraná
“Enxerga o macro, as grandes questões, e não houve
a população nas pequenas questões. Isso passa batido
e é uma falha”.
Nerilda Bittecourt, secretária de Segurança de Cascavel
“Não a conheço para opinar”
Mauro Pinto, comandante do 6o BPM
“Um policial cidadão, procurando dar resposta à sociedade”.
Amadeu Trevisan, delegado-chefe da 15a SDP
“Vende uma credibilidade boa e procura soluções para
a nossa cidade. Quer ser parceiro em tudo. A reativação
da Datox é mérito dele”.
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