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Reforma urgente

Os escândalos de corrupção que se sucedem deixam qualquer cidadão brasileiro indignado. Enquanto milhares de pessoas passam fome ou vivem em situação de miséria, enquanto o sistema de saúde e educação no País é precário, algumas dezenas de pessoas, eleitas para lutar pelos direitos da população, se esbaldam com o dinheiro público como se fosse o deles próprio, em atos criminosos passíveis de anos de cadeia.
Infelizmente o sistema político vigente no país deixa várias brechas para que os corruptores escapem ilesos. O escândalo do “mensalão”, por exemplo. Nenhum dos acusados foi preso ou devolveu dinheiro. Mas muitos deles renunciaram ou foram “absolvidos” no julgamento dos colegas. Agora são novamente candidatos, como se nada tivesse acontecido.
O deputado Waldemar da Costa Neto (PL), por exemplo, renunciou, após ter confessado - e ter sido denunciado pela ex-mulher - participação no caixa dois e ter administrado malas de dinheiro de origem duvidosa, mas está novamente em campanha. Chegou a admitir, inclusive, no horário eleitoral, que fez o que fez, mas que não fará de novo.
E segunda-feira o Brasil está prestes a assistir uma fuga em massa da responsabilidade por atos de corrupção. Os deputados envolvidos no escândalo da máfia - não há outro nome mais apropriado - da sanguessugas, que ganhavam propina para facilitar o desvio de dinheiro da saúde, o setor mais carente do País, devem renunciar para não perder os direitos políticos. Assim podem concorrer normalmente às eleições de outubro, como se nada tivesse acontecido.
É por isso que se prega, cada vez mais, uma ampla renovação no Congresso Nacional. Renovação de caras e de leis. Por exemplo: está parado há cinco anos em alguma gaveta da Câmara Federal o projeto que tira os direitos políticos de quem renunciar para fugir da cassação. O texto está esquecido desde 2001 e se já tivesse sido votado pelos escolhidos do povo, certamente evitaria de assistirmos cenas como já vimos e estamos prestes a ver de novo.
O dever do Senado e do Congresso é deixar longe dos cargos públicos os maus políticos, que utilizam seus mandatos para fazer corrupção. Se eles não fazem, o eleitor tem o poder de julgamento no dia 1º de outubro.

 


 

 

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