Edição nº 4664 - Terça-feira, 19 de junho de 2007 Classificados | Assinatura | Impressão
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DÉFICIT
Dos 2 mil à espera do transplante, só 110 conseguiram
Apenas 0,2% da população
é doadora de medula óssea

De acordo com o Redome (Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea), o Brasil conta hoje com cerca de 410 mil doadores voluntários de medula óssea cadastrados, o que corresponde a apenas 0,24% dos cerca de 170 milhões de habitantes. Na Alemanha, por exemplo, o percentual chega a 4,85%: dos 82,4 milhões de habitantes, cerca de 4 milhões estão cadastrados no banco de doadores do país, o DKMS.
Ano passado, no Brasil, das mais de 2 mil pessoas que estão na espera pelo transplante de medula, apenas 110 foram transplantadas. Destes, 77 foram feitos por meio do Redome e do BSCU (Banco de Sangue de Cordão Umbilical). Os 33 transplantes restantes foram feitos com ajuda dos bancos internacionais, em que o custo de cada um chega a US$ 42 mil.
Um dos tipos de tratamento de leucemia é realizado por meio do transplante de medula óssea, que consiste na injeção de células saudáveis contidas no material colhido na medula do paciente, podendo, assim, produzir células sangüíneas saudáveis e controlar a doença.
Na última Conferência Internacional de Onco-Hematologia, promovida pela Abrale (Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia), de 25 a 27 de maio, Suely Walton, doadora voluntária, comentou sobre a experiência: “Perdi meu irmão com leucemia em março de 1992 e nesta época não havia banco de medula e infelizmente eu não era compatível com ele”.
Em dezembro do mesmo ano foi aberto o primeiro banco, ela se cadastrou e fez a primeira doação de medula óssea não-aparentada no Brasil em 1995 a uma menina de 11 anos que tinha apenas mais um ano de vida. A segunda doação ocorreu em 2000. “Eu tive a felicidade de poder doar duas vezes, ser compatível com uma pessoa é difícil, com duas é mais difícil ainda. Doe por amor e não pela dor. Se cadastre em um Banco”, reforça.
De acordo com a presidente da Abrale, Merula Steagall, a dificuldade em encontrar um doador compatível ocorre porque há muitas misturas de raça no Brasil, e a combinação genética deve ser totalmente igual. “Por isso, em um país tão grande como o nosso, precisamos de muitos doadores para que as chances de encontrar uma pessoa compatível aumentem e, assim, podermos atender aos pacientes que aguardam por um transplante de medula óssea”.

Tipos de transplante
Existem três tipos de transplante: autólogo, em que são coletadas e utilizadas células da medula do próprio paciente; alogênico, quando as células são retiradas do cordão umbilical ou da medula óssea de um doador compatível previamente selecionado; e singênico, que provém do irmão gêmeo idêntico.
Para ser doador de medula a pessoa tem que ter entre 18 e 55 anos. Caso não esteja nesta faixa etária, mas em boas condições de saúde, após avaliação médica pode-se abrir exceção.

24 DE JUNHO
Dia Internacional de Combate ao AVC
O Dia Internacional de Combate ao Acidente Vascular Cerebral, o chamado AVC, é lembrado no mundo inteiro no dia 24 de junho. Conhecido popularmente como derrame cerebral, o AVC é hoje a principal causa de incapacitação funcional e morte no Brasil, superando, inclusive, a taxa de mortalidade do infarto agudo do miocárdio. Segundo Eli Faria Evaristo, neurologista do Serviço de Neurologia de Emergência do Hospital das Clínicas, em São Paulo, isso ocorre devido à maior letalidade do AVC (15%) em comparação à do infarto do miocárdio (7%). “O AVC tem um alto risco de morte, relacionado diretamente à lesão cerebral e às complicações que podem ocorrer posteriormente, como infecções, embolia pulmonar e arritmias cardíacas”, explicou.
Segundo ele, cerca de 70% dos sobreviventes de AVC apresentam algum prejuízo funcional em relação à sua vida; geralmente, a doença traz graves seqüelas físicas e mentais (cognitivas), gerando impacto econômico, pois compromete a vida produtiva dos pacientes, e um impacto social, na medida em que interfere profundamente na dinâmica da família e da sociedade em que o paciente vive.
Segundo estimativas internacionais e nacionais, cerca de 80% dos acidentes vasculares cerebrais são isquêmicos e 20% hemorrágicos.

Como ocorre
O AVC isquêmico ocorre quando há um entupimento de vasos (artérias) que levam sangue ao cérebro, causando lesão e prejuízo no funcionamento da região cerebral que ficou sem circulação sanguínea adequada. O entupimento da artéria cerebral é geralmente causado por coágulos sanguíneos, formados na parede de artérias doentes, ou por pedaços de coágulos (êmbolos) desprendidos dessas artérias ou do interior das cavidades cardíacas.
Dependendo da região cerebral atingida, o paciente sofrerá seqüelas maiores ou menores, podendo até mesmo falecer. Quando há ruptura de um vaso sanguíneo cerebral, o AVC é caracterizado como hemorrágico. Nesse caso, a lesão cerebral ocorre por um derrame de sangue no interior do cérebro ou no espaço que o rodeia. Em qualquer dos tipos de AVC ocorre morte de células nervosas.

Prevenção
Os especialistas alertam que a única maneira de prevenir a ocorrência de um AVC é controlar os fatores de risco. Esses incluem a hipertensão arterial sistêmica, o diabetes mellitus, o aumento do colesterol ruim, o aumento dos triglicérides e o tabagismo, os quais aceleram o processo de endurecimento e entupimento das artérias, conhecido como aterosclerose. Também as doenças cardíacas, como o infarto agudo do miocárdio, os problemas das válvulas cardíacas e as arritmias, aumentam o risco da formação e desprendimento de coágulos que podem entupir vasos cerebrais (embolia cerebral). O alcoolismo e doenças mais raras que comprometem os vasos e a coagulação também fazem parte dos fatores de risco.
Quem já sofreu um derrame deve tomar uma série de medidas para prevenir a recorrência do AVC. O risco de uma pessoa voltar a ter um AVC é de 15% a 30% em cinco anos.

Como reconhecer um AVC

Às vezes os sintomas de um AVC são difíceis de ser identificados, mas reconhecê-los pode salvar uma vida. A pessoa que está tendo um derrame pode apresentar os seguintes sinais:

*Diminuição ou perda súbita da força na face, braço ou perna de um lado do corpo;
*Alteração súbita da sensibilidade com sensação de formigamento na face, braço ou perna de um lado do corpo;
*Perda súbita de visão num olho ou nos dois olhos;
*Alteração aguda da fala, incluindo dificuldade para articular e expressar ou para compreender a linguagem;
*Dor de cabeça súbita e intensa sem causa aparente;
*Instabilidade, vertigem súbita intensa e desequilíbrio associado a náuseas ou vômitos.

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