| DÉFICIT
Dos 2 mil à espera do transplante, só 110 conseguiram
Apenas
0,2% da população
é doadora de medula óssea
De acordo com o Redome (Registro Nacional de Doadores Voluntários
de Medula Óssea), o Brasil conta hoje com cerca de 410 mil doadores
voluntários de medula óssea cadastrados, o que corresponde
a apenas 0,24% dos cerca de 170 milhões de habitantes. Na Alemanha,
por exemplo, o percentual chega a 4,85%: dos 82,4 milhões de habitantes,
cerca de 4 milhões estão cadastrados no banco de doadores
do país, o DKMS.
Ano passado, no Brasil, das mais de 2 mil pessoas que estão na
espera pelo transplante de medula, apenas 110 foram transplantadas. Destes,
77 foram feitos por meio do Redome e do BSCU (Banco de Sangue de Cordão
Umbilical). Os 33 transplantes restantes foram feitos com ajuda dos bancos
internacionais, em que o custo de cada um chega a US$ 42 mil.
Um dos tipos de tratamento de leucemia é realizado por meio do
transplante de medula óssea, que consiste na injeção
de células saudáveis contidas no material colhido na medula
do paciente, podendo, assim, produzir células sangüíneas
saudáveis e controlar a doença.
Na última Conferência Internacional de Onco-Hematologia,
promovida pela Abrale (Associação Brasileira de Linfoma
e Leucemia), de 25 a 27 de maio, Suely Walton, doadora voluntária,
comentou sobre a experiência: “Perdi meu irmão com
leucemia em março de 1992 e nesta época não havia
banco de medula e infelizmente eu não era compatível com
ele”.
Em dezembro do mesmo ano foi aberto o primeiro banco, ela se cadastrou
e fez a primeira doação de medula óssea não-aparentada
no Brasil em 1995 a uma menina de 11 anos que tinha apenas mais um ano
de vida. A segunda doação ocorreu em 2000. “Eu tive
a felicidade de poder doar duas vezes, ser compatível com uma pessoa
é difícil, com duas é mais difícil ainda.
Doe por amor e não pela dor. Se cadastre em um Banco”, reforça.
De acordo com a presidente da Abrale, Merula Steagall, a dificuldade em
encontrar um doador compatível ocorre porque há muitas misturas
de raça no Brasil, e a combinação genética
deve ser totalmente igual. “Por isso, em um país tão
grande como o nosso, precisamos de muitos doadores para que as chances
de encontrar uma pessoa compatível aumentem e, assim, podermos
atender aos pacientes que aguardam por um transplante de medula óssea”.
Tipos
de transplante
Existem três tipos de transplante: autólogo, em
que são coletadas e utilizadas células da medula do próprio
paciente; alogênico, quando as células são retiradas
do cordão umbilical ou da medula óssea de um doador compatível
previamente selecionado; e singênico, que provém do irmão
gêmeo idêntico.
Para ser doador de medula a pessoa tem que ter entre 18 e 55 anos. Caso
não esteja nesta faixa etária, mas em boas condições
de saúde, após avaliação médica pode-se
abrir exceção.
24 DE JUNHO
Dia Internacional de Combate ao AVC
O
Dia Internacional de Combate ao Acidente Vascular Cerebral, o chamado
AVC, é lembrado no mundo inteiro no dia 24 de junho. Conhecido
popularmente como derrame cerebral, o AVC é hoje a principal causa
de incapacitação funcional e morte no Brasil, superando,
inclusive, a taxa de mortalidade do infarto agudo do miocárdio.
Segundo Eli Faria Evaristo, neurologista do Serviço de Neurologia
de Emergência do Hospital das Clínicas, em São Paulo,
isso ocorre devido à maior letalidade do AVC (15%) em comparação
à do infarto do miocárdio (7%). “O AVC tem um alto
risco de morte, relacionado diretamente à lesão cerebral
e às complicações que podem ocorrer posteriormente,
como infecções, embolia pulmonar e arritmias cardíacas”,
explicou.
Segundo ele, cerca de 70% dos sobreviventes de AVC apresentam algum prejuízo
funcional em relação à sua vida; geralmente, a doença
traz graves seqüelas físicas e mentais (cognitivas), gerando
impacto econômico, pois compromete a vida produtiva dos pacientes,
e um impacto social, na medida em que interfere profundamente na dinâmica
da família e da sociedade em que o paciente vive.
Segundo estimativas internacionais e nacionais, cerca de 80% dos acidentes
vasculares cerebrais são isquêmicos e 20% hemorrágicos.
Como
ocorre
O AVC isquêmico ocorre quando há um entupimento
de vasos (artérias) que levam sangue ao cérebro, causando
lesão e prejuízo no funcionamento da região cerebral
que ficou sem circulação sanguínea adequada. O entupimento
da artéria cerebral é geralmente causado por coágulos
sanguíneos, formados na parede de artérias doentes, ou por
pedaços de coágulos (êmbolos) desprendidos dessas
artérias ou do interior das cavidades cardíacas.
Dependendo da região cerebral atingida, o paciente sofrerá
seqüelas maiores ou menores, podendo até mesmo falecer. Quando
há ruptura de um vaso sanguíneo cerebral, o AVC é
caracterizado como hemorrágico. Nesse caso, a lesão cerebral
ocorre por um derrame de sangue no interior do cérebro ou no espaço
que o rodeia. Em qualquer dos tipos de AVC ocorre morte de células
nervosas.
Prevenção
Os especialistas alertam que a única maneira de prevenir
a ocorrência de um AVC é controlar os fatores de risco. Esses
incluem a hipertensão arterial sistêmica, o diabetes mellitus,
o aumento do colesterol ruim, o aumento dos triglicérides e o tabagismo,
os quais aceleram o processo de endurecimento e entupimento das artérias,
conhecido como aterosclerose. Também as doenças cardíacas,
como o infarto agudo do miocárdio, os problemas das válvulas
cardíacas e as arritmias, aumentam o risco da formação
e desprendimento de coágulos que podem entupir vasos cerebrais
(embolia cerebral). O alcoolismo e doenças mais raras que comprometem
os vasos e a coagulação também fazem parte dos fatores
de risco.
Quem já sofreu um derrame deve tomar uma série de medidas
para prevenir a recorrência do AVC. O risco de uma pessoa voltar
a ter um AVC é de 15% a 30% em cinco anos.
Como reconhecer um AVC
Às
vezes os sintomas de um AVC são difíceis de ser identificados,
mas reconhecê-los pode salvar uma vida. A pessoa que está
tendo um derrame pode apresentar os seguintes sinais:
*Diminuição
ou perda súbita da força na face, braço ou perna
de um lado do corpo;
*Alteração súbita da sensibilidade com sensação
de formigamento na face, braço ou perna de um lado do corpo;
*Perda súbita de visão num olho ou nos dois olhos;
*Alteração aguda da fala, incluindo dificuldade para articular
e expressar ou para compreender a linguagem;
*Dor de cabeça súbita e intensa sem causa aparente;
*Instabilidade, vertigem súbita intensa e desequilíbrio
associado a náuseas ou vômitos.
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