| IMPASSE – Cláudio Gontijo reafirmou que
dinheiro era do senador
Advogado acusa Renan
de fraudar documentos
O advogado Pedro Calmon Filho, que defende a jornalista Mônica
Veloso, acusou ONTEM o advogado do senador Renan Calheiros (PMDB-AL),
Eduardo Ferrão, de "forjar" documentos. Calmon depôs
ontem para o Conselho de Ética do Senado, que analisa a representação
do PSOL contra Renan por quebra de decoro parlamentar.
Calmon Filho acusou Ferrão de ter fraudado documentos na defesa
do senador. Entre os documentos apontados como fraudados por Calmon Filho
estaria um documento em que Renan alega ter depositado R$ 100 mil para
constituir um fundo para arcar com despesas futuras de educação
da filha que teve com Mônica.
Questionado pelo senador Valter Pereira (PMDB-MS) se havia algum "documento
de mentirinha" na defesa de Mônica, Calmon respondeu: "Quem
produziu documentos forjados foi o advogado ali [apontando para Ferrão]".
"Se fizerem investigações, vão encontrar fraudes
nos documentos deles. Estou desafiando qualquer pessoa no Brasil a provar
que esse pagamento foi feito para constituir um fundo", disse Calmon
Filho para o Conselho de Ética.
Ele também trocou farpas com Sibá Machado (PT-AC) - que
atuou como relator do caso contra Renan em substituição
ao senador Epitácio Cafeteira (PTB-MA), que pediu licença
por alegando problemas médicos. Ao ser questionado repetidas vezes
sobre como os pagamentos de Renan eram efetivados à Mônica
Veloso,o advogado reagiu. "Eu já respondi a essa questão
quatro vezes, mas acho que o senador não entendeu", afirmou
Calmon Filho.
BOXXX
Dinheiro do senador
Cláudio Gontijo, gerente de Desenvolvimento de Mercado da empreiteira
Mendes Júnior, disse em depoimento ao Conselho de Ética
e Decoro Parlamentar ontem, que fazia depósitos bancários
em favor da jornalista Mônica Veloso, no dia 5 de cada mês
e que, depois de dez a 12 meses - ele disse que não poderia ser
preciso a este respeito - teria passado a fazer os pagamentos em dinheiro.
Gontijo que intermediava pagamento de pensão à jornalista,
mãe de uma filha do senador Renan Calheiros (PMDB-AL), assegurou
que nunca usou recursos seus ou da empresa em que trabalha para fazer
os pagamentos.
Gontijo disse ainda que atuava como mensageiro tanto de Mônica quanto
de Renan para assuntos relacionados com a criança e sustentou ter
uma relação amistosa com Mônica, que teria conhecido
entre março e abril de 2003, por meio de Renan.
Superfaturamento
O ralo por onde o dinheiro público escoa está localizado,
principalmente, no superfaturamento de licitações. Um rastreamento
do modelo da corrupção com obras públicas no Brasil,
elaborado pela Associação de Peritos da Polícia Federal,
mostra que as irregularidades surgem no edital de licitação
e abrangem, também, a execução do contrato.
Segundo o mapeamento da associação, em vários casos
existem a apresentação de projetos "viciados"
entregues por construtoras aos órgãos que fazem a licitação.
Entre os vícios, estão o superdimensionamento das quantidades
de material, a omissão de serviços e materiais necessários,
a introdução de defeitos no projeto e o sobrepreço
de materiais.
Há, ainda, o conluio de construtoras para que por meio de preços
superfaturados definam, entre si, quem irá vencer a licitação.
“Se não houver superfaturamento, não tem como haver
propina, corrupção ativa, lavagem de dinheiro, crimes eleitorais
e compras de votos porque essa é a forma de fazer o caixa”,
disse Alan Lopes, que ajudou a elaborar pela associação
um projeto de lei para criminalizar superfaturamento de obras públicas.
Depois de publicado o edital de licitação, começa
a fase de negociação, geralmente por lobby político
- ações junto à parlamentares com a liberação
de emendas.
Reajuste
Os salários dos cargos comissionados na administração
pública federal serão reajustados em até 140%. A
Medida Provisória 375, que concede o aumento, foi publicada ontem
no Diário Oficial da União.
De acordo com nota da assessoria do Ministério do Planejamento,
o último reajuste na remuneração dos cargos comissionados
foi concedido em junho de 2002. A elevação nos salários,
de acordo com a medida provisória, vale a partir de 1º de
junho e terá impacto de R$ 277 milhões até dezembro.
O aumento para o período de um ano, a partir de 2008, será
da ordem de R$ 475,6 milhões.
Os índices de reajuste variam de 30,57% a 139,75%, conforme o cargo.
Entre os que terão reajuste nos salários estão secretários
especiais da Presidência da República e comandantes da Marinha,
Exército e Aeronáutica, que ocupam cargos de natureza especial.
Dos 21,5 mil ocupantes de cargos comissionados - da administração
pública federal direta, autárquica e fundacional - beneficiados
com a MP, 4,6 mil deles não realizaram concurso público.
O salário de quem ocupa um DAS-6, por exemplo, passará de
R$ 7.575 para R$ 10.448.
TRILHOS
TJ mantém a falência da Ferropar
O TJ (Tribunal de Justiça) do Paraná negou ontem, por três
votos a um, o recurso impetrado pela Ferropar (Ferrovia Paraná
S.A.) contra a decisão do juiz da 3ª Vara Cível de
Cascavel, Rosaldo Elias Pacagnan, que em dezembro julgou procedente o
pedido de falência da subconcessionária movido pela Ferroeste
(Estrada de Ferro do Oeste do Paraná S.A.) - empresa do governo
do Estado -, que retomou o comando dos 248 quilômetros da ferrovia
que liga Cascavel e Guarapuava.
Conforme o assessor de Comunicação da Ferropar, Túlio
Bandeira, os advogados da empresa estão analisando a sentença
e devem se posicionar hoje se entrarão ou não com recurso
no Supremo Tribunal Federal.
O presidente da Ferroeste, Samuel Gomes, observa que a decisão
era aguardada pelo governo. “Ela consolida a retomada da Ferropar
e cria um ambiente de estabilidade e previsibilidade, permitindo que setores
privados, empresas, possam investir na ferrovia, participando dos investimentos
necessários ao funcionamento da Ferropar”.
Na última semana a Justiça divulgou levantamento dos credores
e valores a receber da massa falida, que aponta dívidas de R$ 119,9
milhões, sendo R$ 102,7 milhões somente para a Ferroeste.
Os dados indicam ainda que a massa falida tinha pouco mais de R$ 12,518
milhões em valores a receber na ocasião da falência,
sendo R$ 2,775 milhões referentes aos bens.
ABANDONO
Proposta é discutir a reutilização das estruturas
Grupo analisará bases
náuticas da Costa Oeste
Um grupo de trabalho analisará a situação das bases
náuticas localizadas nos municípios das margens do lago
de Itaipu. A decisão foi tomada na reunião do Conselho Revisor,
ontem, no miniauditório do Palácio das Araucárias.
O presidente do Conselho e vice-governador Orlando Pessuti reuniu representantes
do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais
Renováveis), da Itaipu Binacional e do governo do Estado, como
o IAP (Instituto Ambiental do Paraná), Secretarias do Turismo e
da Administração e Procuradoria Geral do Estado para o que
chamou de “entendimento ambiental”.
As bases náuticas estão instaladas em cinco municípios,
em áreas pertencentes à Itaipu. Em quatro existem áreas
anexas que pertencem ao Estado. Algumas das estruturas estão abandonadas,
sem uso algum.
O Conselho Revisor quer definir a destinação e a responsabilidade
ambiental das áreas. Para iniciar esse processo, a Secretaria de
Estado do Turismo vai solicitar a transferência da responsabilidade
pelo licenciamento ambiental que era do Ibama para o IAP. Pela legislação
atual, as áreas de preservação permanente são
de responsabilidade dos órgãos estaduais.
Com o levantamento que será desenvolvido pelo grupo de trabalho,
sugerido pela Itaipu, será possível analisar, área
por área, e definir o licenciamento junto ao IAP. O secretário
do Turismo, Celso Caron, acredita que as propostas da reunião são
soluções para as bases náuticas.
Carga tributária
O secretário da Receita Federal, Jorge Rachid, disse ontem que
a carga tributária de 2006 ficou “abaixo de 37%”, tanto
pela velha metodologia de cálculo do PIB (Produto Interno Bruto)
quanto pela nova. Na metodologia antiga, a carga tributária de
2005 ficou em 37,37%, ou seja, a carga de 2006 teria sido menor do que
a do ano anterior. Pouco depois, no entanto, Rachid recuou e disse que
estava considerando apenas a nova metodologia de cálculo, que aumentou
o tamanho do PIB e por isso coloca naturalmente a carga tributária
em valores mais baixos.
Ferrugem
O Paraná adotará o vazio sanitário para o plantio
de soja a partir de 2008. Entre 15 de junho e 19 de setembro não
deverá haver plantio de soja no Estado. As plantas de soja que
nascem nas beiras de estradas, caminhos e ferrovias serão eliminadas.
A medida já adotada em outros estados pelo governo federal para
evitar a disseminação da ferrugem asiática. A proposta
foi avaliada ontem, durante reunião do Conselho Estadual de Sanidade
Agropecuária, em Curitiba.
A resolução instituindo o vazio sanitário deverá
ser assinada pelo secretário da Agricultura e do Abastecimento,
Valter Bianchini, após o aprofundamento das discussões de
algumas medidas técnicas. A resolução vai criar o
Programa Estadual de Controle da Ferrugem Asiática, marcando a
adesão do Paraná ao Programa Nacional de Controle da Ferrugem
Asiática da Soja, implementado pelo Ministério da Agricultura
em 29 de janeiro deste ano.
COMBATE À VIOLÊNCIA
Ministro pede ajuda à Igreja
para implementar programa
O ministro da Justiça, Tarso Genro, foi ontem até a CNBB
(Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) para pedir à
Igreja protagonismo na execução do novo Pronasci (Programa
Nacional de Segurança Pública com Cidadania), cujos projetos
técnicos serão apresentados ao presidente Luiz Inácio
Lula da Silva dia 9. Há um mês, Lula aprovou o programa,
mas determinou que a metodologia fosse transformada em ações.
O ministro explica que a Conferência dos Bispos é parceira
do governo “na interlocução”. “Como será
essa associação é a CNBB quem vai decidir”.
“Me coloco inteiramente a disposição”, disse
o presidente da CNBB, dom Geraldo Lyrio Rocha, ao final do encontro.
“O ministro procurou a CNBB porque essa conversa já vem de
longa data. Há campanhas da fraternidade que já abordaram
esse tema e depois a atuação da igreja para a educação
nos meios de comunicação social, que são instrumentos
poderosíssimos”, afirmou.
Paralisação
Os servidores administrativos da PF (Polícia Federal) darão
continuidade a partir de hoje ao calendário de paralisações
iniciado no dia 5 de junho. A nova paralisação também
é de 72 horas e prossegue até quinta-feira. A categoria
promete cruzar os braços por tempo indeterminado caso não
tenha sua pauta de reivindicações atendida, entre elas a
criação de um plano de reestruturação da carreira
e reajuste salarial.
|