Edição nº 4626 - Sábado, 19 de maio de 2007 Classificados | Assinatura | Impressão
Principal - Saúde

ALERTA
Problema atinge entre 15% e 50% da população idosa
As quedas podem ser
fatais na terceira idade

Apesar de muitas vezes não receberem muita importância, as quedas tornam-se cada vez mais perigosas conforme a idade avança. Este mês morreu o publisher do Grupo Folha, Octavio Frias. O empresário sofreu uma queda em sua casa e foi submetido a uma cirurgia para a remoção de um hematoma craniano. Mesmo com a alta hospitalar no fim do ano passado, seu estado de saúde não foi positivo, o que resultou em um quadro de insuficiência renal grave, tudo conseqüência do que parecia ser apenas um acidente doméstico.
Ano passado outras personalidades tiveram complicações decorrentes de quedas domésticas. Uma delas foi Chico Anísio, que caiu dentro de casa e quebrou a vértebra cervical e ficou internado. Oscar Niemeyer foi outro nome conhecido que enfrentou o mesmo problema do humorista. Niemeyer quebrou o quadril e ficou internado. Ambos se submeteram a cirurgia para correção das seqüelas.
Casos como esses ilustram uma estatística preocupante. Cerca de 15% a 50% das pessoas com mais de 65 anos morrem por complicações no intervalo de um ano após sofrerem uma queda.
O problema também é responsável por grande parte das internações e mortes direta ou indiretamente como foi o caso de Frias. Além disso, 30% das pessoas com mais de 65 anos caem pelo menos uma vez ao ano no Brasil.

Desequilíbrio
Em grande parte dos casos de queda, a origem da queda pode estar dentro do ouvido. “Com o avanço da idade, existe um envelhecimento das estruturas relacionadas ao equilíbrio corporal, como o labirinto, os órgãos responsáveis pela sensibilidade corpórea e a diminuição da visão. O envelhecimento desses três sistemas já pode, por si só, causar desequilíbrio e favorecer as quedas”, explica Raquel Mezzalira, médica otorrinolaringologista, coordenadora da Campanha de Prevenção a Quedas na Terceira Idade e membro da SBO (Sociedade Brasileira de Otologia).
A médica ainda ressalta que os principais perigos estão no próprio ambiente doméstico, já que 60% das quedas são dentro de casa e 25% são decorrentes das armadilhas domésticas.
Além disso, os idosos devem se manter em dia com sua saúde com exercícios físicos adaptados às suas condições físicas, uma boa alimentação e não utilizar medicamentos sem a orientação médica.

GESTAÇÃO
Coração de mãe exige cuidados especiais
Um dos primeiros e mais importantes cuidados que uma mãe deve ter para garantir o bem-estar de seu filho é cuidar da própria saúde desde os primeiros dias da gravidez. E isso inclui o coração, que durante a gestão trabalha 50% a mais do que o normal, devido à alteração de todo o metabolismo do organismo da mulher. Sem o funcionamento saudável do coração da mãe, não há como o bebê se desenvolver de maneira adequada.
“Mulheres que desejam engravidar e que apresentam problemas cardíacos devem sempre consultar um especialista antes, para se informar sobre os riscos e formas de precaução. Desta forma, ela garante a própria integridade e a segurança para o bebê”, explica a cardiologista Maria do Rocio Peixoto de Oliveira, chefe de ergometria do Hospital Cardiológico Costantini, de Curitiba.
A médica conta que a hipertensão e o diabetes são fatores de risco bastante sérios, que podem arriscar a vida de ambos. Para a mãe, a pressão alta pode comprometer o funcionamento dos rins, provocar desmaios e fortes dores de cabeça. “Para o bebê em desenvolvimento, a hipertensão da mãe pode diminuir o volume de sangue que passa pela placenta, alterando o peso e o tamanho normal do bebê, ou ainda, retardando seriamente o crescimento intra-uterino”, observa. No caso do diabetes gestacional (desenvolvida somente na gravidez), o feto nasce com excesso de peso. Isso faz com que o bebê já tenha, desde o início da vida, alto risco de desenvolver a mesma doença.
Para a especialista, a palavra de ordem continua sendo prevenção, especialmente nos casos das mulheres expostas a fatores de risco provocados pelo aumento da atividade e competitividade no mercado de trabalho.

OBESIDADE
Quando a cirurgia é necessária
“A cirurgia de obesidade não é uma questão de estética, mas de sobrevivência”. A afirmação é do chefe do Serviço de Cirurgia de Obesidade da Unicamp, José Carlos Pareja.
Segundo o especialista, a operação é necessária porque não há tratamento clínico eficaz para portadores de obesidade mórbida, uma doença crônica que traz complicações sérias - como diabetes, hipertensão, cardiopatias e colesterol alto - e pode levar à morte. “Mesmo que o portador mude seus hábitos alimentares, faça regime e exercícios, ele não consegue emagrecer e manter o peso sem o auxílio de remédios. O corpo humano tende sempre a voltar para o seu maior peso”, explica.
Para identificar o nível de obesidade, diz Pareja, divide-se o peso do paciente em quilos pela sua altura ao quadrado, o que resulta no IMC (Índice de Massa Corpórea). Ele define que são considerados obesos mórbidos aqueles que têm o IMC acima 40 (ou seja, estão 40 quilos acima do seu peso ideal), superobesos, os que têm o IMC acima de 50, e obesos moderados, os que têm o IMC entre 30 a 39,9.
Presidente da Comissão Científica da Sociedade Brasileira de Obesidade, Pareja ressalta que a maioria dos obesos se enquadra no caso de obesidade mórbida, mas que a cirurgia também é indicada para obesos moderados que sofram de doenças cardiopulmonares ou de diabetes graves.
Estima-se que a taxa de mortalidade entre os obesos é 12 vezes maior em adultos, entre 25 e 40 anos, quando comparada a indivíduos de peso normal.
De acordo com o cirurgião, no Brasil há cerca de 1 milhão de obesos.

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