Caixa furado
Quando Cascavel municipalizou o sistema de trânsito, a previsão
era de que o setor fosse auto-sustentável, uma vez que as multas
aplicadas retornariam para o Município. Houve a possibilidade de
estruturar o estacionamento regulamentado, chamado Zona Azul e mais tarde
de EstaR, os agentes de trânsito poderiam fiscalizar o trânsito
e as multas aplicadas na cidade voltariam para os cofres municipais.
Embora muitas vezes chamada de indústria da multa, a Cettrans (Companhia
de Engenharia de Transporte e Trânsito) tinha como justificativa
que apenas quem agia irregularmente era punido. Em um trânsito tido
como um dos mais violentos, a rigidez na fiscalização é
uma arma poderosa para reduzir o número de acidentes e, conseqüentemente,
de vítimas.
Passados os primeiros anos, em que houve necessidade de estruturação,
havia a consciência de que em pouco tempo a receita das multas custearia
o setor. A realidade se mostrou muito diferente.
A notícia de que o sistema público de transporte coletivo
de Cascavel banca o setor de trânsito preocupa, uma vez que quem
paga o primeiro é o pedestre, geralmente aquele que não
tem outro meio de locomoção.
E não é preciso investigar muito para identificar algumas
falhas. Os flanelinhas dividem a calçada com os agentes de trânsito,
que estão cada vez mais raros. Em dias de céu encoberto
as vagas de estacionamento na área central tornam-se raras, porque
a regulamentação deixa de valer. Não raro verificar
um agente de trânsito percorrer seis, sete quadras sozinho ao longo
do dia.
De outro lado está o usuário do transporte coletivo, obrigado
a pagar uma passagem cara, sem sequer saber que está cobrindo um
furo que não tem responsabilidade.
Ninguém quer que a Cettrans transforme-se em uma indústria
da multa. Mas é preciso eficiência. Ao assumir o setor, houve
o compromisso de encontrar alternativas de melhorar o fluxo urbano, para
eliminar os gargalos e tornar o trânsito mais seguro. É fundamental
que isso ocorra, econômica e socialmente.
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