INFECÇÃO
Embora com sintomas semelhantes, patologias são diferentes
Cuidado
com os olhos, eles
podem ter terçol ou calázio
A
pessoa acorda e percebe que está com o olho inchado e que há
uma feridinha na pálpebra que dificulta um pouco os movimentos.
Logo descobre que está com um terçol, uma inflamação
causada pela penetração de bactéria naquele local,
cujos principais sintomas são dor, vermelhidão e calor.
“Quase todas as lesões da pálpebra são consideradas
terçóis, embora existam duas patologias diferentes responsáveis
por seu aparecimento: uma com infecção, o terçol,
e a outra sem infecção, o calázio”, esclarece
a oftalmologista Maria José Carrari, médica do IMO (Instituto
de Moléstias Oculares).
Para explicar essa diferença, a médica explica que na borda
da pálpebra estão os cílios e, em sua parte interna,
o músculo orbicular, que fecha o olho, uma cartilagem chamada tarso
e glândulas cujas funções são a de produzir
substâncias para se misturar com as lágrimas. A glândula
de Meibômio é a maior e as de Zeis e Mol são menores
e estão localizadas nas margens ao lado dos cílios. “O
terçol ou hordéolo consiste na inflamação
das glândulas Zeis e Mol. Apresenta como sintomas dor, vermelhidão
e calor, típicos de infecção provocada por uma bactéria.
Já a inflamação da glândula de Meibômio,
normalmente, não é produzida por uma bactéria e chama-se
chalázeo ou calázio”, diz Maria José Carrari.
O terçol se instala na borda da pálpebra, perto dos cílios.
Por causa da localização das glândulas, os sinais
da inflamação são mais acentuados. “Embora
haja mais vermelhidão, mais dor e mais ardência, ele geralmente
desaparece espontaneamente. O calázio, por sua vez, atinge uma
glândula mais profunda e, mesmo depois de ter sido controlada a
inflamação, fica um granuloma que pode aumentar ou diminuir
sem sinais inflamatórios”, explica a oftalmologista.
A incidência de calázios depende muito do tipo de pele, porque
a glândula onde eles se formam produz uma substância que vai
misturar-se com a lágrima. Pacientes com acne rosácea ou
com muita oleosidade na pele têm mais tendência à formação
de calázios porque a glândula se enche e um bloqueio em sua
saída pode impedir que ela extravase.
Um quadro de calázio pode persistir por meses. “Geralmente,
a presença freqüente desse tipo de inflamação
não-infecciosa pode ser indicativo de algum defeito de refração
do olho”, completa a médica. Muitas vezes, o olho é
obrigado a fazer um esforço maior para compensar um defeito de
refração: um pouco de astigmatismo ou de hipermetropia.
“É esse ajuste através do músculo ciliar e
da acomodação do cristalino que induz a vasodilatação
na borda palpebral e predispõe o aparecimento dos calázios”,
afirma a oftalmologista.
Nas pessoas idosas, esse quadro pode tornar-se crônico, o que obriga
o oftalmologista a curetar a glândula.
Tratamento
Após o diagnóstico do oftalmologista, o tratamento
do terçol é feito, na fase aguda, com aplicação
de calor úmido, colírios ou pomadas com antibióticos
no local. “Se o paciente for idoso ou muito debilitado, é
preciso dar uma cobertura sistêmica de antibiótico por via
oral, porque a irrigação da pálpebra é muito
rica e a infecção pode disseminar-se”, afirma o oftalmologista
Virgilio Centurion, diretor do IMO.
Porém, em condições normais, bastam o antibiótico
de uso tópico e a aplicação de compressas de água
quente, na fase aguda. Caso haja vazamento de material, recomenda-se compressas
frias, no tratamento final do processo inflamatório.
No calázio, o tratamento é praticamente o mesmo, só
que não se usam medicamentos com corticóides, nem antibióticos.
“Compressas costumam ser suficientes, mas se o quadro tornar-se
muito repetitivo, é importante encaminhar o paciente para avaliação
refracional, isso é, para verificar se não sofre de astigmatismo,
miopia”, diz Virgilio Centurion.
Além dos cuidados já mencionados, indicam-se cuidados de
higiene da pele com xampus de pH neutro que funcionam como detergente.
SUOR
Quando a transpiração é exagerada
Dia
quente, muito sol. Tempo para pensar em praia, sorvete e... suor. Isso
mesmo: suar, todo mundo sua, ainda mais no calor. Mas quando a transpiração
é exagerada, ela pode se transformar em um problema - dos mais
incômodos. Em alguns casos ela é sinal de doença,
a hiperidrose, que costuma surgir ainda na infância ou na adolescência
e atinge entre 0,6% e 1% da população brasileira. Ela não
tem predileção por sexo nem raça e se manifesta em
várias partes do corpo, principalmente axilas, mãos, pés,
rosto, costas e até virilha. Pode ser generalizada (em todo o corpo),
localizada (em alguma parte do corpo), simétrica (atinge os dois
lados do corpo) ou assimétrica (acomete só um lado).
Normalmente transpiramos para regular a temperatura corporal, por meio
das glândulas sudoríparas écrinas, localizadas em
toda superfície do corpo e que têm a função
de produzir o suor, composto por água e sais minerais. Ou seja,
suar faz parte de um mecanismo utilizado pelo ser humano para lidar com
a exposição a temperaturas elevadas - e isso não
ocorre só nos dias de calor, mas também em estados febris,
durante a prática de atividades físicas e até mesmo
em momentos de forte ansiedade.
No caso da hiperidrose, embora a causa ainda seja desconhecida, a dermatologista
Renata Domingues, coordenadora do serviço de dermatologia da Santa
Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro, acredita que ela esteja
relacionada à hiperatividade das glândulas sudoríparas
écrinas. Estudos também mostram que o mecanismo que desencadeia
a produção excessiva de suor pode estar associado ao mau
funcionamento do sistema nervoso simpático, que regula as funções
involuntárias do corpo.
Pés e mãos denunciam
Pessoas com as mãos molhadas de tanto suar e pés
encharcados são cenas comuns. O problema se chama hiperidrose palmoplantar.
A médica Keila Azevedo diz que essas áreas suam devido ao
mecanismo termorregulador das glândulas sudoríparas, que
se distribuem por toda a pele, sendo mais encontradas nas palmas das mãos,
plantas dos pés e axilas. Quando afeta as mãos, a hiperidrose
se transforma em um problema social. “Essa transpiração
excessiva pode ser exacerbada pelo estresse, razões emocionais
ou exercícios físicos, mas, em geral, ocorre sem causa aparente”,
explica a dermatologista Renata Domingues.
FONTE: REVISTA
VIVA SAÚDE
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