Edição nº 4878 - sábado, 19 de janeiro de 2008 Classificados | Assinatura | Impressão
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Unioeste: a mágica e a política dos números

Edison Luiz Leismann é professor da Unioeste - elleismann@gmail.com

A Unioeste, no processo eleitoral de 25 de setembro de 2007, além dos diretores de Campus e de Centro, teve um reitor eleito com índice final (IF) igual a 48 (Altevir Castro dos Santos) e um segundo colocado com índice 47 (Alcebíades Luis Orlando).
Para chegar a esse resultado, a Comissão Eleitoral e o Conselho Universitário seguiram exatamente o que determina o Regimento da Unioeste.
Após uma denúncia infundada feita por professor ligado ao grupo perdedor, visando conturbar o processo e justificar possível nomeação do perdedor do processo eleitoral, uma comissão foi formada pela Seti e chegou a um resultado em que apresenta irregularidades no processo. As quatro “irregularidades” não mudam o resultado. Três delas têm a ver com fatos ligados diretamente à equipe do perdedor e outros detalhes que foram discutidos e votados no Conselho Universitário. A quarta diz respeito ao resultado da seguinte fórmula que eu conclamo os alunos da 5ª série do Ensino Fundamental a ajudar a resolver, tendo em vista o imbróglio criado por doutores em Matemática da UEM e da UFPR.
As fórmulas aplicadas aos dois candidatos com os números seguem abaixo, observando-se que são três parcelas, separadas pelo sinal de +, e depois multiplicado por 100:


Observações: de acordo com o regulamento, cada parcela deve ser arredondada para a segunda casa após a vírgula (assim, se a terceira casa ficar entre 0 e 4 arredonda-se para baixo e se ficar entre 5 e 9 arredonda-se para cima). Depois somam-se as três parcelas, observando-se os colchetes, e em seguida multiplica-se por 100, chegando-se ao resultado. O regulamento geral ainda prevê que se existirem decimais, o resultado final deveria arredondar para uma casa após a vírgula, o que não é o caso, pois os resultados dos dois candidatos o resultado são números inteiros.
O que fizeram os doutores da UFPR e da UEM contratados ou convidados: arredondaram 0,47 para 0,5 e 0,48 para 0,5 e depois multiplicaram por 100, chegando a um empate de 50 e 50 pontos. Em caso de empate o Regimento prevê como primeiro critério de desempate o maior grau acadêmico. Neste caso, Altevir continua sendo o reitor eleito. O resultado não muda.
O curioso nesta história ridícula é que aplicado o mesmo processo esdrúxulo de cálculo nos números das eleições de quatro anos atrás, teríamos também um empate entre os três primeiros colocados: Alcibíades: 30; Leismann: 30; Paulo: 30. Pelo critério de desempate eu teria vencido as eleições, pois era o único doutor entre os três candidatos.
Alunos da 5ª série, fiquem tranqüilos, a matemática continua sendo uma ciência exata e não será transformada em ciência política por alguns perdedores incorformados ou professores de outras instituições que resolveram a fórmula sem atentarem-se para os colchetes e ler o regulamento.
Mas se alguém achar que o método deles está certo, fui o reitor eleito na eleição de 2003, o que é um absurdo. É a tentativa de transformar a matemática em mágica e em ciência política. Eu morro e não vejo tudo!

Soluções apressadas

Luiz Leitão é articulista em São Paulo - luizmleitao@gmail.com

A capacidade dos administradores públicos brasileiros de resolver problemas por decreto é inesgotável. Exemplos disso não faltam, e o mais freqüente deles é lançar mão do aumento de tributos. O enterro da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira) é a exceção que confirma a regra, até porque a sua ressurreição, apesar de veementemente negada, já vem sendo aventada.
Frente a problemas que, por omissão, do governo, acabam adquirindo proporções catastróficas, anunciam-se medidas imediatas com o intuito apenas de acalmar a opinião pública. Foi assim com o apagão aéreo, quando o governo anunciou a intenção de construir um novo aeroporto em São Paulo e a terceira pista - inviável - do aeroporto de Guarulhos. Em complemento, a Agência Nacional de Aviação Civil anunciou um aumento de até 16.000% nas taxas aeroportuárias e a limitação das conexões no aeroporto de Congonhas. Escondeu-se, apenas e se tanto, o problema, que sobrevive latente.
Outro caso emblemático da precariedade das providências tomadas foi o anúncio, logo após os atentados do PCC contra as forças de segurança em São Paulo, em julho de 2007, da instalação de bloqueadores de celulares eficazes nas prisões, o que não foi feito até hoje, como mostra reportagem do jornal “O Estado de S.Paulo” de 8 de janeiro, segundo a qual 900 celulares - 30 por dia - são apreendidos todos os meses nos presídios paulistas. A solução simples e eficaz do problema passa por um tema que todo estudante do Ensino Médio conhece: a gaiola de Faraday, uma tela metálica que impede a recepção dos sinais de radiofreqüência.
Agora, com o intuito de promover a diminuição dos assaltos em São Paulo, em vista do grande o número de roubos cometidos com o emprego de motos, estuda-se proibir motociclistas de levar passageiros. O prefeito Gilberto Kassab deverá remover o veto da então prefeita Marta Suplicy ao projeto do vereador Jooji Hato, aprovado em 2003. A medida conta também com a simpatia do governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral.
Segundo a Polícia Civil de São Paulo, 61,5% de 15 mil roubos praticados em determinadas regiões da capital tiveram a participação de motociclistas, mas as estatísticas não asseguram que os autores destes crimes levavam passageiros na garupa.
É fato incontestável que os condutores destes veículos de grande mobilidade no trânsito caótico da capital têm extrema facilidade de fugir após cometerem crimes, e que muitos motociclistas são contumazes transgressores das normas de trânsito, mas proibi-los de levar alguém na garupa é propor uma solução ligeira para um problema maior.
As intenções são louváveis, mas o fato é que muita gente utiliza motos para levar mais de uma pessoa, e a capacidade destes veículos, dois passageiros, consta no documento oficial emitido pelos órgãos de trânsito, e isso não pode ser negado por lei municipal. Além do mais, segurança pública é atribuição exclusivamente estadual e federal.
Em que pesem os argumentos a favor da proibição, nada leva a crer que motociclistas sozinhos não possam cometer assaltos à mão armada, pois os policiais do Rocam (Rondas Ostensivas com Apoio de Motocicletas), que andam em duplas, mas cada um na sua motocicleta, dão conta de patrulhar, interceptar e prender criminosos. Que raciocínio autoriza a concluir que os ladrões não irão agir sozinhos ou em duplas, embora em motos separadas?
Outro dia mesmo, 16 de janeiro, um coronel da PM paulista foi assassinado por um motociclista solitário que desceu do veículo e desferiu-lhe vários tiros. A questão, portanto, não é proibir garupas, mas fiscalizar intensamente tantos motociclistas quanto possível, com ou sem passageiros.

 

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