Unioeste: a mágica e a política
dos números
Edison Luiz Leismann é professor da Unioeste - elleismann@gmail.com
A Unioeste, no processo eleitoral de 25 de setembro de 2007, além
dos diretores de Campus e de Centro, teve um reitor eleito com índice
final (IF) igual a 48 (Altevir Castro dos Santos) e um segundo colocado
com índice 47 (Alcebíades Luis Orlando).
Para chegar a esse resultado, a Comissão Eleitoral e o Conselho
Universitário seguiram exatamente o que determina o Regimento da
Unioeste.
Após uma denúncia infundada feita por professor ligado ao
grupo perdedor, visando conturbar o processo e justificar possível
nomeação do perdedor do processo eleitoral, uma comissão
foi formada pela Seti e chegou a um resultado em que apresenta irregularidades
no processo. As quatro “irregularidades” não mudam
o resultado. Três delas têm a ver com fatos ligados diretamente
à equipe do perdedor e outros detalhes que foram discutidos e votados
no Conselho Universitário. A quarta diz respeito ao resultado da
seguinte fórmula que eu conclamo os alunos da 5ª série
do Ensino Fundamental a ajudar a resolver, tendo em vista o imbróglio
criado por doutores em Matemática da UEM e da UFPR.
As fórmulas aplicadas aos dois candidatos com os números
seguem abaixo, observando-se que são três parcelas, separadas
pelo sinal de +, e depois multiplicado por 100:
Observações: de acordo com o regulamento, cada parcela deve
ser arredondada para a segunda casa após a vírgula (assim,
se a terceira casa ficar entre 0 e 4 arredonda-se para baixo e se ficar
entre 5 e 9 arredonda-se para cima). Depois somam-se as três parcelas,
observando-se os colchetes, e em seguida multiplica-se por 100, chegando-se
ao resultado. O regulamento geral ainda prevê que se existirem decimais,
o resultado final deveria arredondar para uma casa após a vírgula,
o que não é o caso, pois os resultados dos dois candidatos
o resultado são números inteiros.
O que fizeram os doutores da UFPR e da UEM contratados ou convidados:
arredondaram 0,47 para 0,5 e 0,48 para 0,5 e depois multiplicaram por
100, chegando a um empate de 50 e 50 pontos. Em caso de empate o Regimento
prevê como primeiro critério de desempate o maior grau acadêmico.
Neste caso, Altevir continua sendo o reitor eleito. O resultado não
muda.
O curioso nesta história ridícula é que aplicado
o mesmo processo esdrúxulo de cálculo nos números
das eleições de quatro anos atrás, teríamos
também um empate entre os três primeiros colocados: Alcibíades:
30; Leismann: 30; Paulo: 30. Pelo critério de desempate eu teria
vencido as eleições, pois era o único doutor entre
os três candidatos.
Alunos da 5ª série, fiquem tranqüilos, a matemática
continua sendo uma ciência exata e não será transformada
em ciência política por alguns perdedores incorformados ou
professores de outras instituições que resolveram a fórmula
sem atentarem-se para os colchetes e ler o regulamento.
Mas se alguém achar que o método deles está certo,
fui o reitor eleito na eleição de 2003, o que é um
absurdo. É a tentativa de transformar a matemática em mágica
e em ciência política. Eu morro e não vejo tudo!
Soluções apressadas
Luiz Leitão é articulista em São Paulo - luizmleitao@gmail.com
A capacidade dos administradores públicos brasileiros de resolver
problemas por decreto é inesgotável. Exemplos disso não
faltam, e o mais freqüente deles é lançar mão
do aumento de tributos. O enterro da CPMF (Contribuição
Provisória sobre Movimentação Financeira) é
a exceção que confirma a regra, até porque a sua
ressurreição, apesar de veementemente negada, já
vem sendo aventada.
Frente a problemas que, por omissão, do governo, acabam adquirindo
proporções catastróficas, anunciam-se medidas imediatas
com o intuito apenas de acalmar a opinião pública. Foi assim
com o apagão aéreo, quando o governo anunciou a intenção
de construir um novo aeroporto em São Paulo e a terceira pista
- inviável - do aeroporto de Guarulhos. Em complemento, a Agência
Nacional de Aviação Civil anunciou um aumento de até
16.000% nas taxas aeroportuárias e a limitação das
conexões no aeroporto de Congonhas. Escondeu-se, apenas e se tanto,
o problema, que sobrevive latente.
Outro caso emblemático da precariedade das providências tomadas
foi o anúncio, logo após os atentados do PCC contra as forças
de segurança em São Paulo, em julho de 2007, da instalação
de bloqueadores de celulares eficazes nas prisões, o que não
foi feito até hoje, como mostra reportagem do jornal “O Estado
de S.Paulo” de 8 de janeiro, segundo a qual 900 celulares - 30 por
dia - são apreendidos todos os meses nos presídios paulistas.
A solução simples e eficaz do problema passa por um tema
que todo estudante do Ensino Médio conhece: a gaiola de Faraday,
uma tela metálica que impede a recepção dos sinais
de radiofreqüência.
Agora, com o intuito de promover a diminuição dos assaltos
em São Paulo, em vista do grande o número de roubos cometidos
com o emprego de motos, estuda-se proibir motociclistas de levar passageiros.
O prefeito Gilberto Kassab deverá remover o veto da então
prefeita Marta Suplicy ao projeto do vereador Jooji Hato, aprovado em
2003. A medida conta também com a simpatia do governador do Rio
de Janeiro, Sérgio Cabral.
Segundo a Polícia Civil de São Paulo, 61,5% de 15 mil roubos
praticados em determinadas regiões da capital tiveram a participação
de motociclistas, mas as estatísticas não asseguram que
os autores destes crimes levavam passageiros na garupa.
É fato incontestável que os condutores destes veículos
de grande mobilidade no trânsito caótico da capital têm
extrema facilidade de fugir após cometerem crimes, e que muitos
motociclistas são contumazes transgressores das normas de trânsito,
mas proibi-los de levar alguém na garupa é propor uma solução
ligeira para um problema maior.
As intenções são louváveis, mas o fato é
que muita gente utiliza motos para levar mais de uma pessoa, e a capacidade
destes veículos, dois passageiros, consta no documento oficial
emitido pelos órgãos de trânsito, e isso não
pode ser negado por lei municipal. Além do mais, segurança
pública é atribuição exclusivamente estadual
e federal.
Em que pesem os argumentos a favor da proibição, nada leva
a crer que motociclistas sozinhos não possam cometer assaltos à
mão armada, pois os policiais do Rocam (Rondas Ostensivas com Apoio
de Motocicletas), que andam em duplas, mas cada um na sua motocicleta,
dão conta de patrulhar, interceptar e prender criminosos. Que raciocínio
autoriza a concluir que os ladrões não irão agir
sozinhos ou em duplas, embora em motos separadas?
Outro dia mesmo, 16 de janeiro, um coronel da PM paulista foi assassinado
por um motociclista solitário que desceu do veículo e desferiu-lhe
vários tiros. A questão, portanto, não é proibir
garupas, mas fiscalizar intensamente tantos motociclistas quanto possível,
com ou sem passageiros.
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